6 Drøfting
6.1 Lærerspesialistordningen mellom to stoler- politisk eller profesjonell makt
Aplicados somente aos coordenadores de cursos presenciais de graduação, os questionários me possibilitaram colher dados referentes aos aspectos institucionais, de formação acadêmica, ano de nascimento e sexo dos sujeitos pesquisados. Eles contribuíram na análise dos dados obtidos a partir das questões que levei a campo sobre o ENADE, sua relação com os cursos de graduação, o papel desse exame e seus dados nos processos de gestão e avaliação das instituições e cursos de graduação e também dos processos regulatórios para a ES.
Elaborarei um questionário para aplicação junto aos coordenadores dos cursos presenciais de graduação sediados nos campi do Pici, Benfica e Porangabussu, situados em Fortaleza, e cujos alunos concluintes já tenham se submetido ao ENADE até o ano de 2013. Com 38 questões fechadas e 2 abertas, o questionário foi elaborado com questões cujas respostas, em sua maioria, foram estruturadas em três ou cinco opções: sim, não ou em parte; e concordo totalmente, concordo, discordo, discordo totalmente e prefiro não responder. Com isso, pretendi que os sujeitos se posicionassem sobre as questões ao pensar sobre as relações e desdobramentos do ENADE nos cursos avaliados e, com isso, avaliassem o ENADE como instrumento avaliativo e de auxílio à gestão acadêmica (vide APÊNDICE A e ANEXO B).
Como em minha pesquisa avaliativa não tive a intenção de generalizar os dados obtidos para a população docente dos cursos pesquisados nem tampouco para o universo da UFC, para a aplicação dos questionários, utilizei uma amostragem não probabilística definida
pelos critérios de intencionalidade e conveniência5. Além do mais, como a população é relativamente pequena, foi possível aplicar os questionários a um número de pessoas relativamente próximo ao total do universo pesquisado. Abaixo, referentes apenas aos cursos presenciais de graduação sediados em Fortaleza, seguem o quantitativo de cursos, de cursos cujos alunos concluintes tenham realizado o ENADE até 2013, número de coordenadores de cursos de graduação, número de coordenadores de cursos cujos alunos passaram pelo ENADE até 2013 e número de coordenadores que responderam ao questionário da pesquisa.
Tabela 1 - Dados sobre quantitativo de cursos de graduação e coordenadores
Total de cursos em Fortaleza 88
Cursos com ENADE 62
Nº de coordenadores 72
Nº de coordenadores de cursos com ENADE 49
Nº de coordenadores respondentes 42
Fonte: Dados elaborados por mim com referência a janeiro de 2014.
A construção da amostra me apresentou algumas pequenas dificuldades, pois há cursos com dois coordenadores, mas que eram identificados para o ENADE como sendo apenas um curso para inscrição dos alunos, como foi o caso de Engenharia de Teleinformática, Ciências Econômicas e Administração, que possuem oferta diurna e noturna. Ou, então, de cursos que passaram apenas uma vez pelo ENADE, como a Zootecnia e Engenharia de Pesca, ou de cursos que passaram duas vezes, como Biblioteconomia, e que não voltaram mais a ser integrados à realização do exame por escolha do INEP.
Afora esses casos, houve a situação de cursos como Ciências Biológicas e Geografia, que ofertam duas modalidades de curso - licenciatura e bacharelado e assim são catalogados pelo INEP para a realização do ENADE -, mas que possuem apenas um coordenador; houve, por fim, o caso mais complexo, que foi o curso de licenciatura em Letras, com várias habilitações, sendo catalogado pela INEP como cursos diferentes, mas que possuem apenas um coordenador responsável por todas as habilitações dos cursos diurnos.
5 Segundo Barbetta (2007), a amostragem por conveniência é adequada e frequentemente utilizada para geração
de ideias em pesquisas exploratórias, de modo que é o pesquisador que define quais as unidades convenientes para a pesquisa. Por outro lado, a amostragem por intenção baseia-se na escolha deliberada e exclui qualquer processo aleatório. Os elementos que deverão compor a amostra são julgados como adequados tendo como base escolhas de casos específicos, na população onde o pesquisador está interessado. É o pesquisador que seleciona os elementos pertencentes à amostra, por julgar tais elementos bem representativos da população.
Essas dificuldades foram suplantadas a partir da minha definição para a pesquisa de aplicar questionários para tantos coordenadores houvesse, independentemente da quantidade de cursos cujos concluintes tenham participado do ENADE no período de 2010 a 2012. Justifico essa escolha, pois, no período em que estive em campo, o INEP havia disponibilizado publicamente, em seu site institucional, os relatórios referentes ao ENADE até o ano de 2012.
Antes da aplicação do questionário, realizei um teste piloto que inicialmente não demonstrou nenhum problema de compreensão para preencher o questionário, contudo, à medida que a pesquisa ia avançando e quando me era possível aplicar pessoalmente o questionário com o docente, alguns problemas do instrumento foram se evidenciando, informados pelos próprios docentes, como o fato de não haver a opção “Não sei responder” e “Não se aplica”. Assim, algumas respostas que poderiam ter sido enquadradas em uma destas últimas opções foram registradas como “Prefiro não responder”, segundo os próprios respondentes. Como já estava avançada a pesquisa, não poderia mais refazer os questionários e prossegui levando em conta tal observação.
Feitas as observações acima, informo que distribuí ao todo 46 questionários no período de agosto a outubro de 2014 e que 42 foram respondidos. Nesse processo, procurei o máximo possível fazer pessoalmente a aplicação do questionário junto ao coordenador para que pudesse entrevistá-lo de maneira informal e registrar algumas impressões sem o uso de gravador. Percebi que esse procedimento foi muito vantajoso, pois todos os docentes com quem assim procedi responderam a parte discursiva do questionário, diferentemente daqueles a quem apenas pude entregar o instrumento para devolução posterior. Esse procedimento me possibilitou uma melhor aproximação, que me viabilizou o agendamento posterior de entrevistas.
Embora os dados dos questionários tenham sido organizados e trabalhados estatisticamente, meu manuseio com eles foi fundamentalmente qualitativo para o desenvolvimento de minha interpretação dos dados, seguindo, assim, a compreensão de Bauer e Gaskell (2002) de que “os dados não falam por si mesmos, mesmo que sejam processados cuidadosamente com modelos estatísticos sofisticados” (p. 34). Dessa forma, a análise prévia dos questionários e as pequenas entrevistas informais com alguns coordenadores me possibilitaram selecionar aqueles com quem eu faria uma entrevista mais demorada e detalhada com o uso de gravador.