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Kvinnenes landbakgrunn

In document Transnasjonale serieekteskap (sider 33-37)

Para entender como as relações humanas se mostram a partir da linguagem, é necessário compreender esse instrumento como estrutura e como seus processos de formação se desenvolvem. Assim, a Análise do Discurso, tomada agora como AD, se constituirá como um espaço comum à Linguística, às Ciências Sociais e à Filosofia, o que permitirá entender os diferentes sentidos que são atribuídos à linguagem. Pode-se, portanto, assumir que a AD não é uma metodologia detentora de uma “única chave” (ORLANDI, 1999), mas sim, assumi diferentes formas de interpretação do sentido pensado num dado contexto e nas outras percepções trazidas pelo sujeito.

Dessa forma, como podem ser atribuídas diferentes interpretações, cada análise efetuada pelo pesquisador da AD necessita de um dispositivo analítico e um teórico. O dispositivo teórico corresponde às formas de análise feitas por grandes teóricos da linha, o qual fundamenta as percepções do pesquisador. O dispositivo analítico corresponde, por sua vez, à subjetividade do analista, que estará ancorada não apenas ao material de pesquisa coletado, e sua finalidade, bem como à interpretação dos dados obtidos. Assim sendo, é de fundamental importância o pesquisador fazer uma questão, uma pergunta ao que está se propondo analisar, uma vez que diferentes perguntas permitem diversas análises e interpretações. Nesta pesquisa, em específico, as duas perguntas que nortearam nossas análises envolvem a concepção dos educadores sobre conflito, indisciplina e violência dentro dos espaços escolares, e como esses entendimentos refletem-se nas relações de trato e punição dentro dos espaços escolares.

Com isso, é evidente que a linguagem possui múltiplas faces e a análise deste mosaico depende dos processos de significação e constituição histórica tanto dos sujeitos analisados quanto de seu pesquisador. A evidência dos aspectos histórico- sociais nos sujeitos dependerá muito também das condições de produção dos discursos, das suas estratégias escolhidas para transmitir o conceito formado naquele contexto e o porquê destas escolhas.

A diversidade de interpretações e como elas se constituem como elementos fundados nas diferentes experiências de vida de cada sujeito – o chamado conhecimento de mundo – está na atribuição de significados. O que pretendemos dizer com isto é, que

apesar de se ter diferentes percepções, há um esforço comum e muitas vezes não intencional de atribuir significados comuns às situações, a fim de solucionar as diferenças e homogeneizar os conceitos, visando uma estabilidade nas relações sociais. Assim sendo, as condições de produção de um discurso tangenciam pontos fundamentais à linguagem: o contexto de produção de enunciados, os ideais envolvidos, e a memória do indivíduo.

Desse modo, a memória comporta-se como elemento fundamental na produção de discurso e no interdiscurso. Segundo Orlandi (1999), a memória discursiva de um sujeito é o saber que torna possível o pensamento e a transmissão deste sob a forma do pré-constituído, isto é, o que já foi dito por outros vários sujeitos em eventos anteriores, o qual o sujeito em questão atribuiu novos significados na situação discursiva dada. Para a autora , todos os sentidos já foram ditos por alguém, em algum lugar, ou ponto histórico, mas que mesmo muito distantes, são capazes de ter efeito sobre o sujeito que faz uso destas ideias. O aspecto histórico, portanto, do sujeito caracteriza-se como elemento firme, que não pede licença, mas que vem pela memória pela filiação de sentidos constituídos em outros dizeres, vozes, garantindo que a produção ocorrente também se comporte como um fato histórico que pode cair no anonimato, mas que não será apagado.

Por essa razão, conforme continua Orlandi (1999), os efeitos que ocorrem no sujeito são independentes de suas vontades, e o seu dizer, representado na linguagem falada ou gesticulada, não é uma propriedade particular. As palavras, ideias e valores, portanto, não são apenas nossas. A linguagem é significada pela história, pelo social e pela língua, de modo que o que é dito em outro evento, outra circunstância e por outros sujeitos posteriores também serão significados pelas nossas palavras e linguagem. Assim, compreendemos que o sujeito pensa a respeito do que será transmitido por ele, mas possui pouco controle sobre os sentidos que se constituem nele e que serão constituídos posteriormente em outros sujeitos.

Além de todas estas relações que evidenciam a formação da linguagem, dos sentidos a serem transmitidos e a determinante presença da formação social do sujeito nas relações com o outro e com o que está a sua volta, cabe aqui ressaltar ainda a importância das relações de força entre sujeitos e nas atribuições de sentido. Assim sendo, este sujeito não é capaz de escolher os discursos que o afetaram, e nem dominar a forma como os demais sujeitos inseridos no dado contexto vão receber e assimilar as informações, afinal cada sujeito é detentor de uma história e uma formação única. No

entanto, todos os sujeitos podem antecipar os sentidos da sua fala a fim de garantir que o que esteja sendo passado tenha a interpretação e compreensão esperada. É desta forma, que os mecanismos de argumentação se tornam evidentes a partir de efeitos que tentam produzir no outro.

Isso se torna ainda mais acentuado, quando temos uma relação de força e de hierarquia entre os sujeitos participantes do contexto. Para a Orlandi (1999), o lugar onde o sujeito está é intrínseco ao que ele transmite e como transmite. E cabe aqui dizer que não se trata necessariamente do lugar físico na sociedade, ou como ele está descrito socialmente, mas nas projeções de suas imagens, isto é, nos papéis que eles desempenham frente aos diferentes sujeitos e contextos que vivem. Todas estas concepções servirão de base para as condições de produção de um discurso, as relações dos sujeitos envolvidos com a sua memória e as diferentes formas de transmitir a informação.

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