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Transnasjonale familier

In document Transnasjonale serieekteskap (sider 74-85)

O objetivo deste trabalho, conforme explicitamoss anteriormente, é compreender o que os educadores da escola pesquisada – representados pela equipe gestora e professores – entendiam por conflito, indisciplina e violência e como essas concepções determinam suas ações frente às ocorrências dentro do espaço escolar. Partimos da hipótese, conforme também já foi relatado, que os educadores de uma forma geral não realizam muitas reflexões sobre essa temática, tanto de forma individual, quanto em reuniões da equipe escolar, notadamente no ATPC (Atividade de Trabalho Pedagógico Coletivo).

Por essa razão, notamos ao longo da coleta de dados que muitos dos registros apresentaram-se simples e vagos, não havendo um relato aprofundado do evento que aconteceu e o porquê do emprego de alguns termos ali visualizados, tais como indisciplina, briga, atrapalhar a aula, comprometer a atenção e ao andamento da turma, entre outros. Notamos ainda que houve diferentes formas de lidar com situações de mesma natureza, sendo que para solucionar um mesmo problema, hora a equipe gestora optou por realizar uma conversa, hora comunicar os responsáveis, hora convoca-los, ou então, realizar a suspensão. Assim sendo, diante de tantas questões, consideramos ser fundamental a realização de reuniões com esses educadores, a fim não apenas de ouvi-los, para compreender o que eles entendem desse mote, mas também permitir que eles se ouçam, discorram e reflitam sobre esse assunto cada vez mais em pauta nos contextos escolares.

Portanto, propusemos a formação de um grupo focal com representantes da equipe gestora, a saber: a diretora, a vice, os professores coordenadores do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, a professora mediadora da unidade escolar e professor coordenador do núcleo de gestão pedagógico. O outro grupo focal, por sua

vez, contou com a participação de cerca de dez professores que lecionavam na escola no ano de 2014.

Conforme já exposto anteriormente, não pudemos ter a participação nem da diretora e nem da vice, pois ambas estavam afastadas por problemas de saúde na época em que os encontros foram realizados. É necessário ainda afirmar que apesar de não ter sido a proposta inicial da pesquisa, também aceitamos a participação da coordenadora do Ensino Fundamental I nos grupos focais da equipe gestora. Suas contribuições foram importantes para compreender a trajetória dos alunos nessa unidade escolar, pois a escola possui todos os níveis de escolaridade, desde o primeiro ano das séries iniciais até o terceiro ano do Ensino Médio e EJA. Acrescentamos, também, que apesar de termos convidado dez professores para a participação nos grupos focais, nem sempre tivemos o mesmo quórum de professores em todos os encontros, sendo que alguns deles só puderam participar de uma ou outra reunião.

Cada grupo focal teve três encontros, nos quais foram propostas questões que englobaram as seguintes temáticas: as relações de conflito que ocorrem na sociedade, na unidade escolar e nas relações entre os sujeitos. Portanto, as reflexões sugeridas partiram de um conceito mais amplo, que tangencia os sujeitos de uma fora geral, para depois conversarmos sobre o contexto escolar, e por fim, eles próprios como educadores. Mais uma vez, ressaltamos que toda a pesquisa empírica foi aprovada pelo Comitê de Ética, sendo que todos os educadores participantes estavam cientes de nossos objetivos e concederam informações para a realização do estudo.

Ao longo das análises dos grupos focais, nomearemos o grupo da equipe gestora como Grupo Focal I; e o grupo focal dos professores, como Grupo Focal II. Dentro de cada grupo, os participantes serão designados por nós pela letra maiúscula G, quando gestores, e pela letra maiúscula P, quando professores. Cada sujeito também teve um número que o designa, a fim de compreendermos quais foram as falas ditas por cada educador. Acrescentamos aqui que os encontros foram primeiramente realizados com a Equipe Gestora, a fim de que eles conhecessem o nosso trabalho, antes só apresentado às diretoras e ao Professor Mediador. Só após o término dos encontros realizados com este grupo é que realizamos as conversas com os professores.

Os grupos focais com a equipe gestora aconteceram na sala da direção. Dispusemos esses educadores em uma roda, com um gravador no centro e outros dois externos ao círculo, a fim de que pudéssemos captar as vozes ali presentes. Além desses educadores, contamos com a presença de dois moderadores (que foram os professores

pesquisadores responsáveis pelos estudos no núcleo da UFSCar) e cerca de três pesquisadores, cujas funções eram registrar as falas dos educadores e as suas reações a cada questão apresentada, denominadas de enunciado não verbal.

No primeiro encontro, foram explicados os objetivos da pesquisa e os participantes assinaram o termo de consentimento das informações que seriam passadas nas reuniões. Notamos que na primeira conversa esses educadores se sentiram desconfortáveis e um pouco receosos em tratar sobre esse tema polêmico. Por diversas vezes, houve um grande interesse por parte deles em promover as ações da escola como positivas frente aos casos de indisciplina e violência. Somente nas outras duas reuniões é que eles sentiram-se mais à vontade para não apenas refletir sobre o tema, mas expor suas concepções particulares e seus anseios frente a essa temática. Para cada reunião de grupo focal, estabelecemos o teto de uma hora de duração, a fim de que não fosse comprometido o andamento das atividades cotidianas dos gestores, bem como os assuntos não se perdessem ou se desgastassem nas conversas. Ao longo de 15 dias foi possível realizarmos os três encontros planejados.

Os grupos focais com os professores ocorreram após a realização dos encontros com a equipe gestora. No período da coleta de dados, esses educadores estavam em greve decretada pelo sindicato dos professores do Estado de São Paulo, reivindicando melhoras salariais, porém, alguns cumpriam horas de trabalho dentro da unidade escolar. Por essa razão, muitos estavam disponíveis para participar dos encontros e, apesar de termos estipulado o limite de uma hora para cada encontro (nos grupos focais), nos deparamos com diálogos e conversas que duraram de 80 a 90 minutos. Os professores foram dispostos numa roda na Sala de Leitura da instituição escolar e, conforme já relatamos, em cada encontro tivemos um número diferente de educadores.

Assim como ocorreu com a equipe gestora, na primeira reunião desse grupo apresentamos os objetivos da pesquisa, o pesquisador responsável por ela e cada professor assinou o termo de consentimento das informações que foram ali refletidas. Notamos que os professores se sentiram mais confortáveis que a equipe gestora para discutir os temas apresentados, sendo que por diversas vezes, eles fizeram uso de histórias e alegorias para exemplificar relatos da sala de aula e da sua formação como sujeito. Foi possível realizar as três reuniões num prazo de 15 dias, e o roteiro de entrevista foi disponibilizado em apêndice nesta dissertação.

Como a diretora não pôde estar presente nas reuniões da equipe gestora, realizamos posteriormente com ela uma entrevista semiestruturada, utilizando as

mesmas questões apresentadas nos grupos focais com os demais educadores. Essa entrevista foi realizada em um único dia e teve duração de uma hora. Para essa conversa, foi necessário reapresentar os objetivos da pesquisa do GEPEPDH, desta pesquisa individual e quais tinham sido os passos já realizados pelos pesquisadores dentro da unidade escolar. A diretora aceitou participar do processo empírico, também concedendo as informações para análise.

A seguir, nos debruçaremos sobre as falas e enunciados dos educadores dessa instituição escolar a respeito de suas concepções sobre indisciplina e violência, bem como os discursos que esses educadores realizam sobre os procedimentos adotados pela e na escola.

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