2. RAPPORTERING PÅ KRAV I OPPDRAGSDOKUMENT 2011
2.1 Særskilte satsningsområder
2.1.2 Kvalitet og pasientsikkerhet
Este último capítulo será o espaço em que farei uma avaliação e uma reflexão sobre todo o trabalho realizado e apresentado nos capítulos anteriores, tendo como referências os objetivos pedagógicos e, muito em particular, os investigativos que procurei alcançar ao longo do projeto, e que foram referidos no início deste documento.
Relembrando o que já foi dito, este projeto foi desenvolvido à luz da metodologia de investigação-ação, o que, por si só, se concretizou como um processo reflexivo (McKernan, 1998, citado por Máximo-Esteves, 2008), desde a fase inicial de observação, até à construção deste documento, que compila e analisa toda a experiência vivida e trabalho realizado, e os efeitos dos mesmos. Para tal, num primeiro momento, foi necessário selecionar uma área problemática, com problemas específicos, e que era meu desejo aperfeiçoar (idem), no sentido de encontrar estratégias que visassem melhorar o ambiente educativo. De facto, defendendo eu a adoção de um ensino-aprendizagem segundo a perspetiva sócio construtivista, facilmente consegui identificar que as experiências de aprendizagem que os alunos estavam a vivenciar com a professora titular poderiam ser mais facilitadoras do desenvolvimento da sua autonomia, e do seu desenvolvimento ativo, significativo e consciente. Assim, porque os alunos estão no centro de todo o processo de ensino-aprendizagem, e o currículo deve adaptar-se a eles, e não o contrário, acreditei ser pertinente desenvolver um projeto de intervenção que atribuísse aos alunos a sua devida importância e que fosse promotor do desenvolvimento da sua autonomia e constante reflexão sobre o processo de aprendizagem.
Foi também durante o período de observação que me apercebi como a competência de leitura era um domínio em que os alunos desta turma estavam num momento oportuno para experienciarem um “empurrão” para o seu desenvolvimento. Mesmo sabendo que era uma turma de 2.º ano, e eram expectáveis algumas dificuldades, acreditei que seria uma mais-valia para estes alunos contactarem com situações que permitissem desenvolver esta competência, que no fundo contribuiria para o desenvolvimento da sua autonomia. Como era um tema específico, senti a necessidade de ler bastante sobre o assunto e reunir um conjunto de referenciais teóricos que me permitissem sustentar a minha intervenção e planear as atividades para que conseguisse atender aos objetivos previamente delineados.
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As aprendizagens construídas ao longo deste projeto, quer pelos alunos, quer por mim própria, são relativas a esta turma e a este contexto específico, cujas características já foram anteriormente enunciadas. Apesar de ser minha intenção que os dados recolhidos neste projeto sejam significativos para o campo educativo e para outros que se interessem por ler este documento, deve-se manter sempre em mente que a prática pedagógica é algo que é contextualizado, “e portanto não é possível formular receitas prontas para serem aplicadas a qualquer grupo de alunos” (Weisz, 2000, p. 8). Este trabalho permitiu reforçar a ideia, já presente em mim, de que todo o ensino-aprendizagem, projeto ou atividade, deve ser criado tendo por base as necessidades e características do contexto de intervenção.
Nos capítulos anteriores deste relatório ficou relatado o percurso pedagógico seguido. Nesta última parte destaco o percurso investigativo, tal como o experienciei como professora em formação.
Esta experiência educativa foi muito enriquecedora pessoal e profissionalmente, e permitiu-me compreender melhor algumas das conceções teóricas provenientes da minha formação, pelo que não posso deixar de referir como esta prática profissional foi fundamental para o meu desenvolvimento.
Uma das conclusões que posso salientar deste processo prende-se com a importância de os alunos participarem, ativa e conscientemente, no seu desenvolvimento educativo, pessoal e social, uma vez que lhes permitirá construir aprendizagens verdadeiramente significativas e compreender e gerir o seu processo de aprendizagem, desenvolvendo-se como cidadãos autónomos e conscientes. Neste sentido, pude experienciar como o processo de ensino- aprendizagem é bastante complexo, não existem receitas nem atalhos, e não basta “dar o que está no manual”, para que os alunos se desenvolvam e aprendam da forma mais adequada. É necessário que eu, como professora, promova uma educação centrada nos meus alunos, nas suas necessidades, nas suas características e, aproveitando também os seus interesses, dando espaço a uma sistemática reflexão, necessária e importante de ambas as partes, e potenciadora da capacidade de aprender a aprender.
Todo este período permitiu-me reforçar a ideia de que o ensino-aprendizagem não se pode fundamentar apenas no ensino dos conteúdos, mas que a aprendizagem dos processos cognitivos, que fazem os alunos pensar, agir e compreender todo o seu desenvolvimento, é tão,
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ou mais importante (Alonso, 1996), porque são estes que permitem aos alunos aprender a aprender e desenvolver-se mais autonomamente. Pela análise dos dados que foram recolhidos, ficou evidente como este grupo de alunos conseguiu construir quer conhecimentos declarativos (conteúdos acerca da temática abordada), quer conhecimentos procedimentais, atendendo às estratégias de aprendizagem, sobretudo em termos do processo de leitura, o que lhes permitiu compreender conscientemente as variáveis envolvidas na sua aprendizagem. Afinal, “aprender é sobretudo adquirir instrumentos para aprender a aprender e para aprender a pensar sobre o que se aprende” (Alonso, 2004, p. 3).
Contudo, esta reflexão sobre o ensino-aprendizagem, e a identificação das estratégias que contribuíram para a construção dos saberes, não foi algo imediato, bem pelo contrário. Esta turma não estava habituada a refletir sobre o que aprendia, nem sobre a forma como aprendia, pelo que foi visível uma evolução, embora lenta e difícil, na sua forma de pensar e agir sobre a aprendizagem. Esta evolução ficou presente nas fichas de autoavaliação, mas, principalmente, nos discursos que as procederam, onde os alunos foram capazes de referir, de forma autónoma, os conhecimentos construídos, associando-os às estratégias utilizadas. O momento de construção dos cartazes para a exposição foi também um momento muito importante, pois pude aperceber-me de todo o impacto do projeto. Os alunos foram capazes de identificar e refletir sobre as aprendizagens construídas mais distantes temporalmente, autonomamente, atribuindo significado aos procedimentos utilizados, entre os quais, a leitura adquiriu um lugar especial.
Todo este reconhecimento faz-me acreditar que os princípios pedagógicos que defendi e que tentei colocar em prática, nomeadamente um ensino-aprendizagem situado e autorregulado, foram essenciais para que os alunos construíssem aprendizagens significativas, encarnando uma postura ativa e consciente, não só em respeito à leitura, mas em relação aos restantes procedimentos utilizades e aos conteúdos trabalhados.
Não posso deixar de refletir sobre o facto de esta experiência me ter ajudado a elucidar a minha filosofia de ensino-aprendizagem, a qual foi construída durante a minha formação e experiência pessoal, mas que beneficiou com esta oportunidade de colocar em prática muitos conhecimentos que tenho vindo a adquirir. Apesar de o tema deste projeto de investigação ser algo específico e ligado a aprendizagens teóricas no âmbito do Português e do Estudo do Meio, acredito que esta iniciação à prática profissional tenha sido crucial para o meu desenvolvimento como uma profissional da educação informada, consciente, reflexiva e mais conhecedora das
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práticas pedagógicas. Foi com este estágio que consegui atribuir o devido valor à perspetiva sócio construtivista, pois compreendi como a adoção de prática tradicionalistas e um ensino baseado na transmissão de conhecimentos seria muito desmotivante quer para os alunos, quer para mim. É claro que a adoção desta perspetiva não foi simples, pois as práticas mais tradicionais são as mais presentes na minha vivência pessoal enquanto aluna, mas esta experiência ajudou-me muito a compreender como o ensino aprendizagem-aprendizagem deve realmente ser, e qual o tipo de professora que eu me pretendo tornar. De facto, apenas pondo os alunos no centro do processo de ensino-aprendizagem, planeando atividades adequadas a eles e ao seu contexto, e implementando a construção ativa e reflexiva do conhecimento pelos próprios alunos, creio ser a maneira viável para se proporcionar um ensino de qualidade, no qual os alunos participam efetivamente e estão conscientes do processo que estão a viver. Neste caso em particular, as tarefas de autoavaliação foram cruciais para a consciencialização das aprendizagens e a construção da autonomia dos alunos, permitindo uma autorregulação da construção dos seus saberes.
Apesar de muitas das aprendizagens que construí ao longo do projeto aparecerem dissolvidas nas páginas deste relatório, creio que existe uma que vale a pena salientar aqui, pela importância que crescentemente lhe fui atribuindo e, pela quebra com a posição passiva que encontrei quando cheguei ao contexto. De facto, a importância da participação ativa dos alunos é algo que considero fundamental para o sucesso do seu processo de aprendizagem, pelo que procurei que estes fossem, e se sentissem, implicados e envolvidos na construção do seu conhecimento, durante as várias atividades desenvolvidas. Pela observação e constante reflexão que fui realizando, compreendi que estes alunos conseguiram aprender bastante bem nas atividades em que assumiram um papel ativo. Assim, acredito que, apesar de não ter causado “milagres”, a minha intervenção teve impacto e serviu para atenuar a experiência mais tradicionalista vivenciada e dar aos alunos uma visão diferente, motivadora e mais significativa do que o que estavam habituados, sendo que no final deixei alunos muito mais conscientes, abertos à inovação, reflexivos e, acima de tudo, com vontade de aprender por eles próprios e recetivos às atividades de aprendizagem que envolvessem leitura de textos.
Durante este projeto foi impossível não estabelecer algumas ligações com a Prática Supervisionada que havia realizado anteriormente, no âmbito da Educação Pré-Escolar. De facto, essa minha experiência prévia, apesar de ser num contexto bastante distinto, com crianças com
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idades muito diferentes, ajudou-me bastante a construir-me profissionalmente. Sendo que, para a Educação Pré-Escolar não existem orientações tão rígidas como para o 1.º Ciclo, pude compreender melhor e por em prática algumas estratégias em que as crianças construíam de modo muito significativo e ativo o seu conhecimento, estando sempre no centro da ação. No entanto, durante esse período, também me questionei como seria capaz de por tudo aquilo em prática quando, na escola, existe um horário rígido para seguir, com disciplinas compartimentadas, um currículo a cumprir, manuais que têm de ser usados. Creio que o trabalho de planeamento, as orientações que as professoras foram dando, e a experiência que fui desenvolvendo me permitiram intervir pedagogicamente, nunca descurando a participação ativa dos alunos, e conseguindo construir o currículo através da implementação de atividades integradas, situadas e significativas para estes, crescendo eu própria, como educadora de infância e professora do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
Ao longo da minha intervenção, fui sentindo a necessidade de, progressivamente, me autodirigir, partindo das necessidades que ia encontrando, das dificuldades e das falhas, e reorientando o meu trabalho, para conseguir alcançar os objetivos traçados. Para tal, foi importante manter sempre uma postura de “reflexão na e sobre a ação” (Day, 2001, p. 53), fundamental para reinterpretar e reenquadrar o meu trabalho. Foi este pensamento reflexivo sobre a experiência vivida, as atividades desenvolvidas, as práticas pedagógicas adotadas, as dificuldades, as dúvidas, e as aprendizagens, que me permitiu orientar a minha intervenção com uma grande intencionalidade educativa, sempre alicerçada na observação, planificação, diálogo com os pares, e reflexão.
Será inevitável dizer que esta experiência profissional teve consequências profícuas quer a nível profissional, quer a nível pessoal. Foi um período de tempo em que tive a necessidade de me dedicar completamente a este projeto e que, graças a um grande esforço pessoal e ao trabalho colaborativo, foi sendo desenvolvido com sucesso. Como já fui referindo, existiram muitos momentos de partilha, diálogo e reflexão, por um lado, com a minha colega de estágio, Nanci Alves, que assumiu o papel de “amiga crítica”, com a qual estabeleci uma parceria de apoio e de reflexão sobre o trabalho desenvolvido, tendo por base os nossos “conhecimentos, experiências e competências” (Day, 2001, p. 80); e, também com a professora titular da turma e com a professora supervisora, estas numa posição de “mentoras”, que me apoiaram tendo por base as suas experiências ricas em conhecimentos e ideias pedagógicas. Ambas as
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perspetivas foram essenciais para o sucesso do trabalho de intervenção desenvolvido e o meu crescimento enquanto profissional de educação.
Apesar de todo este crescimento pessoal e profissional da minha parte, e de toda a construção de conhecimentos que o projeto possibilitou aos alunos, este não esteve a salvo de algumas limitações. A primeira destas prende-se com a questão temporal, uma vez que senti que o tempo de implementação foi bastante reduzido, o que limitou o trabalho que poderia ter sido realizado, assim como as conclusões que foram sendo extraídas dos dados obtidos. Sei que quinze semanas de estágio, à primeira vista, parecem muito tempo, mas quando se chega ao contexto e se se envolve com os alunos, o tempo “parece que voa”. Surgiram muitas ideias, planos que horário escolar não permitiu cumprir, interesses dos alunos, no fundo, um conjunto de situações ótimas para a consecução de um projeto com uma duração mais extensa. Sou, neste momento, mais consciente da importância e da necessidade do tempo para poder construir um projeto de investigação-ação, onde os alunos possam trabalhar mais os seus interesses, e aplicar os processos de construção de conhecimento de uma forma mais ampla ao currículo. Neste contexto em particular, tenho consciência de que este projeto permitiu uma iniciação dos alunos em práticas situadas de construção de aprendizagem, na consciencialização e reflexão sobre os processos de aprendizagem, e na construção da sua autonomia, mas que requererá uma continuidade de trabalho para que estes consolidem estas competências e trabalhem no sentido de aprenderem a aprender. Espero que este tenha sido um pequeno passo na longa caminhada do seu desenvolvimento, pelo que acredito que, pelas observações e pela análise dos dados que recolhi, o impacto deste projeto foi grande nos alunos. Um outro aspeto que gostaria de apontar, não denominando-o de limitação, mas que se constituiu, de facto, uma dificuldade, foi a turma ser bastante complexa, como fui fazendo referência ao longo deste documento. Apesar de existirem elementos muito calmos, atentos e trabalhadores, existia também um grupo de alunos bastante perturbadores, não só nas minhas intervenções, mas também do trabalho dos colegas. Esta foi a situação mais difícil, e que exigiu maior esforço da minha parte, pois necessitei de trabalhar na minha postura de autoridade, sem cair no autoritarismo. A intervenção da professora titular foi muitas vezes necessária, e auxiliou- me muito, pois serviu de exemplo para a minha própria intervenção. Para além desta característica perturbadora, a maioria deste grupo de alunos possuía também grandes dificuldades de aprendizagem, o que foi sempre tido em conta na preparação das atividades.
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Perante esta situação senti que, por um lado, foi um pouco obstacularizadora da minha intervenção, mas por outro, acabou por ser uma grande aprendizagem: são o contexto e os alunos que definem o processo de ensino-aprendizagem, e é em função deles e para eles que o professor se constrói.
Com certeza, no meu futuro profissional, encontrarei contextos mais ou menos calmos, com alunos mais ou menos perturbadores, e esta prática foi uma experiência que, apesar de todas as dificuldades, foi muito boa e fez-me crescer e aprender muito. Como futura professora, tenho a certeza de que continuarei a deparar-me com novos desafios, dificuldades e incertezas, até porque cada contexto é único, e a minha ação deverá ser sempre ajustada às suas características e necessidades. No meu caminho, continuarei em busca de estratégias que me ajudem a avançar e dar resposta a cada situação e contexto, tendo sempre por base as minhas convicções pedagógicas, para me ajudar a definir e sustentar as minhas opções situadas.
A verdade é que um professor se encontra em constante formação, e todo este processo, incluindo a construção deste relatório reflexivo, contribuiu para a minha formação. O balanço que faço deste processo é deveras positivo, pois consegui aprender com todas as descobertas e conquistas, mas também com as falhas, que não foram encaradas como algo negativo, mas como algo construtivo. De facto, aprender com o bom e com o que poderia ter corrido melhor, fez com que fosse redefinindo a minha intervenção, no sentido de a melhorar. Contudo, isto só é possível se mantivermos uma postura de constante questionamento e reflexão sobre a prática e os seus resultados, e se acreditarmos que se nos esforçarmos conseguiremos proporcionar um ensino-aprendizagem de qualidade, no qual os alunos são o foco da nossa atenção e o seu correto desenvolvimento é o nosso objetivo primordial.
Para finalizar, gostaria de deixar a ideia de que tenho consciência de que este foi apenas um pequeno passo no desenvolvimento da minha formação, pelo que sei que ainda tenho muito a aprender, e que é essencial investir na minha formação contínua. Este foi um período curto, mas muito intenso, que beneficiaria se fosse mais longo uma vez que me permitiria aprender mais e por em prática essas aprendizagens. Contudo, sei que me esforcei por potencializar as aprendizagens dos alunos, durante o período que me dispensado, e que desse modo reforcei a minha própria capacidade de aprender a ensinar (Alonso, 1998). Fica a vontade de fazer mais e melhor, que sei que me acompanhará pelo resto da vida enquanto professora, e me fará crescer com a permanente preocupação de proporcionar um ensino-aprendizagem de qualidade, e que
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possibilite aos meus alunos a construção de aprendizagens ativas e significativas. É com muita vontade, entusiasmo, dedicação e esperança numa educação melhor, que abraçarei esta profissão de professor. Afinal, nada nos dá mais prazer do que fazer o que mais queremos com o sentimento de dever cumprido e satisfação.
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