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Kutte utsleppa i olje- og

Del II Klimaplanen for 2021–2030

5.5 Kutte utsleppa i olje- og

Temos vindo a mencionar várias vezes que a oferta e a procura em torno da mercadoria obra de arte não é tão importante como as razões que controlam e levam a essa oferta e a essa procura 74. Este aspeto particular origina-se no fato de, numa perspetiva lata e pouco rigorosa, os clientes e fornecedores serem os mesmos. O mercado da arte é um círculo bastante fechado. Parte dos agentes deste mercado são tanto fornecedores como compradores:

L’offre et la demande se chevauchent, comme on le constatera en passant en revue les principaux acteurs du marche, qui peuvent être successivement ou simultanément en situation d’offre ou de demande. (Schmitt, Dubrulle, 2014: 19)

Desta forma se perpetuam os critérios que presidem o mercado da arte. Ora, se o papel dos agentes do mercado é híbrido, as decisões vão ser tomadas em função de agradar esse caráter multifacetado 75. Contudo, é uma panóplia restrita de interesses a serem satisfeitos consoante uma hierarquia.

Pensemos no caso das galerias. As galerias são o ponto central de exposição e distribuição de arte contemporânea. Uma galeria é o melhor exemplo deste aspeto.                                                                                                                

73 Toda esta relação com o contexto social acaba por dar força e justificar a existência do mundo da arte: “L’émergence de la notion d’intérêt collectif du patrimoine, au plan d’abord national puis mondial, conjuguée à la perception de l’objet comme trace matérielle de l’activité humaine, a imposé la Conception du bien culturel, dont la valeur patrimoniale ou collective dépend de connaissances, d’imperatifs de «contextualisation», d’exigences de divulgation qui vont très au-delà de sa simple réalité matérielle.” (schmitt, Dubrulle, 2014: 89-90)

74 “(...) e [Lenin] ilustra esta idea, plenamente en el sentido de la exposición de Marx, mediante un ejemplo de la economía política: «El valor es una categoría que carece de material sensible, pero es más verdadera que la ley de oferta y demanda».” (Lukács, 1977: 189)

75 “The art Marketplace is a set of interdependent relations between dealers, museums, collectors and artists. But, most important, the dealership system functions in a regulatory fashion by introducing artificial constraints and artificial homogenization among unique and dissimilar products. The dealership system, by borrowing aesthetic taxonomies generated in the disciplines of art history and art criticism, brings together unique items under a categorical aesthetic designation. By doing so, the suppliers set a pricing structure on the supply side, so that all aesthetic objects which cluster under an aesthetic rubric then come under the price which is generally attached to the value of that category. Therefore, for the dealer to assign an aesthetic label is to automatically obtain a price tag.” (Rosenblum, 1986: 175)

Normalmente são associadas à componente de oferta. No entanto, os seus principais fornecedores são os artistas, apesar de não serem propriamente compradoras (normais) do produto. Se querem manter ou aumentar a fasquia, terão de se colocar numa situação de procura, para conseguirem acompanhar as tendências do mercado ou, com mais risco, inovarem e trazerem novos valores ao mercado. Contudo, é nesse risco que o nosso tema se debruça principalmente. Se, por um lado, o mimetismo do mercado oferece, de certa forma, uma segurança, tanto para os vendedores como para os compradores; os primeiros saberão que venderão e os segundos que terão um valor estável. Por outro lado, arriscar trazer novos artistas, novas estéticas, novos Valores de Uso, pode conduzir à falência de uma galeria ou extinção da carreira de um artista. Principalmente para estes últimos a dificuldade é imensa, se as primeiras oportunidades no mundo da arte são escassas, as segundas oportunidades muito mais raras são.

Ao existir uma certa oferta não significa que exista uma procura que lhe corresponda. E ao haver uma certa procura, apesar da procura ser por norma menos original que a oferta, não significa que haja uma oferta que a satisfaça. O comprador normal de arte procura o que já existe nas galerias. No entanto, as galerias, enquanto exploradoras de novos territórios, buscam o que não existe nem sabem que existe. Quando encontram algo que lhes agrada, um possível Valor de Uso com um possível Valor de Troca, tratam de criar a procura para essa oferta. Isso é feito através de grandes investimentos em publicidade e em marketing, para além da reputação que a mesma já tem. As galerias capazes destes feitos, são as galerias do topo da hierarquia. Essas galerias definem a regra e as galerias mais pequenas vão atrás 76. Mesmo dentro do mesmo tipo de oferta, prevalece a oferta ligada aos fazedores de procura. Raymonde Moulin aborda esta questão:

Dans la période récente, le travail de promotion de l’artiste est devenu très exigeant, et le temps n’est plus où les marchands pouvaient, comme Vollard, attendre la fortune en dormant. Les grandes galeries sont contraintes d’avoir une politique de communication. Elles organisent des expositions em France et à l’étranger [nesta passagem a autora fala do caso francês, mas julgamos aplicar-se à generalidade dos casos], publient des catalogues, subventionnent des revues. Elles entretiennent des relations avec les collectionneurs, la critique, les institutions culturelles et la presse. (Moulin, 1997: 197)                                                                                                                

76 “Les marchands français ont cherché à minimiser le risque en s’appuyant sur une présélection opérée par des acteurs institutionnels ou par des galeries étrangères exerçant une primauté international.” (Moulin, 1997: 197)

A reputação dos marchands e a sua rede de contatos é a melhor publicidade que podem ter. Normalmente, estes marchands conseguem elevar a carreira artística dos artistas que se associam a eles. Este tipo de reputação cria o Valor de Uso da obra de arte, que se refletirá como oferta e procura. Uma grande galeria dita o que será o futuro do mercado da arte e por conseguinte do mundo da arte. São elas que mostram ao mundo a arte que existe. Não porque não haja outras galerias, mais pequenas, com arte tão boa ou melhor: porque são as galerias do topo da hierarquia que têm o poder de fazer as suas joias reluzirem até aos quatro cantos do mundo.