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4.2 Funn inndelt i kategorier

4.2.1 Kunnskapsområdet som integrert enhet?

2.3.1 A escola

Esta pesquisa foi realizada em uma escola estadual16 de Uberlândia, Minas Gerais. Ela foi selecionada para ser o local de pesquisa pelo fato de apresentar características consideradas importantes: atender a crianças de 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental e oferecer a elas certa liberdade de se moverem e brincarem no recreio. Salienta-se, então, que a escola não possui programa ou atividades dirigidas no recreio.

Houve certa dificuldade em encontrar uma escola que atendesse a esses critérios, pois grande parte das escolas que atendem de 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental está sob a jurisdição do município. Como não há convênio entre a universidade e o município para pesquisadores, apenas para estagiários, os diretores não aceitavam a realização de pesquisas nessas escolas. Foram levantadas e consultadas muitas delas, sendo que a primeira que atendia a estes anos do Ensino Fundamental, aos critérios expostos e que aceitou participar da pesquisa foi uma escola estadual, onde a pesquisa foi realizada.

Para a realização do estudo, a escola exigiu somente uma carta de apresentação em que fossem descritos os objetivos da pesquisa e a metodologia que seria empregada, sendo esta assinada pela Profa. Dra. Lilia Neves Gonçalves (orientadora do trabalho) e pela Profa. Dra. Beatriz Rauscher (coordenadora do Curso de Pós-graduação em Artes, na época) (APÊNDICE A).

A escola está localizada na região central de Uberlândia e foi construída na década de 1940. Uma época em que não se buscava construir prédios monumentais destinados à educação, como os do começo da República, mas edificações mais baratas e que pudessem atender a uma maior parte da população. Era uma época em que o governo já

não havia mais como ignorar o discurso em defesa da democratização da escola pública e, para que esta democratização se fizesse possível, os edifícios que abrigariam os grupos escolares não poderiam continuar se caracterizando pelo fausto e nem a sua localização permanecer circunscrita ao centro das cidades, tinha que

16 O nome da escola será omitido por questões éticas e em acordo com a direção do estabelecimento

ser deslocada para as áreas mais periféricas, onde residiam as crianças das famílias mais empobrecidas (LIMA, 2010, p. 506). Tal escola foi pensada arquitetonicamente para a realidade pedagógica dos anos 1940. Para entender essa escola e o seu recreio escolar é importante ter em vista que se trata de um prédio pensado para aquele período. Por isso é que se dá

a importância de compreender a instituição escolar a partir da abordagem que toma como fio condutor da análise a noção de cultura escolar, que engloba a dimensão dos artefatos produzidos para o (e pelo) funcionamento da escola, incluindo-se aí os recursos didáticos, o mobiliário e a arquitetura; a legislação que regulamenta o seu funcionamento (LIMA, 2010, p. 504).

Assim, quando foi construída a escola, por exemplo, não havia quadra, a disciplina de Educação Física ainda não era obrigatória no currículo escolar. Também não se preocupavam com acessibilidade, dentre outros aspectos, que não eram considerados, tornando mais difícil a adaptação do currículo atual de ensino ao prédio escolar.

Em entrevista realizada, a diretora da escola (Entrevista, 8 maio de 2012, p. 229) coloca as dificuldades de se trabalhar em um local pensado para outra proposta pedagógica, mencionando, por exemplo, que “o espaço da escola17 [...] é

um espaço reduzido, até pela época de sua construção”. Isso pode fazer com que várias ações sejam efetivadas para que haja adaptações das atividades.

A escola atende em média a 480 alunos nos turnos matutino e vespertino. Só no período da manhã, que foi o estudado nesta pesquisa, entre 200 a 220 estudantes frequentam a instituição. As crianças têm idade entre 6 e 10 anos, aproximadamente, e são divididas por séries de acordo com a idade e o ano escolar. Os órgãos que fazem essa divisão e definem o número de séries de cada ano são a Superintendência Regional de Ensino (SRE) e a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG), de acordo com a demanda.

Cada sala de aula possui em média 25 alunos, sendo que o máximo permitido por sala é 30. As salas são compostas por diferentes tipos de crianças; assim, em uma mesma sala, por exemplo, há estudantes considerados em nível de desempenho adequado à idade e outros com baixo desempenho escolar, déficit de atenção e/ou necessidades educacionais especiais.

As crianças que estudam nessa escola, em sua maioria, não moram nas proximidades. Isso se dá porque, hoje, a instituição está localizada numa região central da cidade e onde há poucas residências – a maioria dos prédios no seu entorno é comercial. Além disso, dentre as casas que ainda existem naquele local, grande parte é habitada por moradores que não possuem filhos com idade entre 6 e 10 anos. Por isso, segundo a diretora, a escola recebe muitos estudantes de pais que trabalham próximo à escola e residem em bairros distantes.

Vale salientar que não há professores de música no quadro de funcionários da escola. Sendo assim, ela ainda não se adequou à Lei n.º 11.769, de 18 de agosto de 2008, que altera a Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) – ela dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica.

2.3.2 As crianças, a diretora e funcionária da escola

Esta pesquisa contou com vários participantes, sendo que alguns foram somente observados e outros, entrevistados. Os que fizeram parte do recreio foram observados; assim, crianças do 1º ao 5º ano, funcionários que trabalham com a venda de lanches, merendeiras, funcionárias de serviços gerais, professores e profissionais responsáveis pelo recreio, como a diretora, a supervisora, a professora eventual e a que exerce suas atividades na biblioteca.

As crianças que participaram das entrevistas foram selecionadas de acordo com as ações no recreio. No decorrer das observações identifiquei alguns personagens que apresentavam alguma forma de interação com a música.

Foram assim entrevistadas 12 crianças do 5º ano de 2011 e 18 crianças em 2012, sendo quatro crianças do 1º, cinco do 2º, três do 3º, quatro do 4º e duas do 5º ano.

Antes de todas as entrevistas, expliquei às crianças o que iriam fazer, o que era uma entrevista e que elas não seriam identificadas. Todas escolheram nomes fictícios para nomeá-las na dissertação e no decorrer das entrevistas. Por não serem identificadas (nomes ou fotos), as autorizações para entrevistá-las foram dadas pela diretora da escola e com o consentimento dos alunos, sendo que nenhuma criança foi forçada a ser entrevistada e/ou a responder as perguntas (APÊNDICES B e C). Algumas ficaram um pouco apreensivas quando foram chamadas numa sala

disponibilizada pela escola, mas logo se soltaram e se sentiram à vontade com a situação.

Foi realizada uma entrevista com a diretora para esclarecer questões sobre a escola como organização, crenças e regras relacionadas, principalmente, ao recreio (APÊNDICE D). Além disso, uma funcionária que trabalha na escola há mais de 20 anos também foi entrevistada (APÊNDICE E). Ela foi selecionada por estar sempre presente no recreio, mas não como um adulto que cria regras às crianças, e sim como uma observadora. Essa profissional faz a limpeza da escola durante o recreio e não interfere nas brincadeiras das crianças, sendo que sua entrevista trouxe informações sobre a constituição do recreio na atualidade, o processo de construção de regras as transformações do espaço físico do pátio ao longo do tempo.

Não foram entrevistadas professoras porque elas não ficam presentes durante o recreio. Portanto, acredita-se que entrevistá-las não ajudaria a compreender a maneira como as crianças se relacionam com a música no recreio escolar.