Os programas de iniciação científica ou de desenvolvimento tecnológico e inovação são desenvolvidos de diferentes maneiras na UFSCar, cada uma com uma particularidade relativa ao período para inscrição.
A Coordenadoria de Iniciação Científica e Tecnológica (CoordICT) da Pró-Reitora de Pesquisa (ProPq) gerencia o Programa Unificado de Iniciação Científica e Tecnológica (PUICT). Este programa contempla o cadastramento dos alunos que realizam ICT de forma voluntária, cujo fluxo é contínuo, ou seja, o estudante pode dar entrada em seu processo durante o ano todo, com um cronograma mínimo de seis meses de pesquisa. Há ainda os Programas Institucionais de Bolsas de ICT do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). São eles: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (PIBIC EM), Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC e PIBIC-Af) e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI).
Para o engajamento de alunos do ensino médio no PIBIC EM, a Universidade selecionada previamente escolas públicas dos municípios que englobam os campi da UFSCar e dentro da escola, são escolhidos alunos de melhor rendimento acadêmico. Projetos propostos pelos docentes da UFSCar são previamente elaborados e colocados à disposição da escola para que os estudantes possam optar por áreas que despertem interesse. O aluno de ensino médio, bolsista, terá contato com um professor orientador e demais membros do grupo de pesquisas, além de manter contato com laboratórios de pesquisa e oportunidade de participar de eventos científicos, inclusive, apresentando seu trabalho de pesquisa ao final da vigência da bolsa, cuja duração é de 12 meses.
Para pleitear bolsa no PIBIC & PIBITI, há um edital interno na UFSCar lançado no primeiro semestre de cada ano para implementação das bolsas a partir do mês de agosto. A cota de bolsas do PIBIC-Af é destinada a alunos ingressantes no vestibular por meio de ações
afirmativas, uma parceria do CNPq com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Todas essas bolsas (PIBIC, PIBIC-Af e PIBITI) do CNPq tem vigência de um ano.
A ProPq/UFSCar conta com o Programa de Apoio ao Docente Recém Doutor (PADRD) que atribuiu, na atual vigência, bolsas institucionais de IC aos orientandos de docentes que defenderam seu doutorado nos últimos três anos e que submeteram projetos no último edital PIBIC, cujos trabalhos tiveram mérito, porém não contemplados com a bolsa do CNPq.
O PICME é o programa de Iniciação Científica e Mestrado desenvolvido em parceria com a CAPES e com o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). As bolsas de iniciação científica são concedidas aos medalhistas da Olimpíada Brasileira de Matemática nas Escolas Públicas (OBMEP) ou da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) que estejam cursando a graduação. A indicação dos bolsistas é feita pelo IMPA (CNPq, 2014a).
Outros tipos de bolsas de iniciação podem ser pleiteadas pelos docentes diretamente às agências de fomento como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), por meio do site www.fapesp.br, com fluxo contínuo. As bolsas serão vinculadas a projetos de pesquisa propostos pelo aluno e orientador e financiados por esta agência. No mesmo sentido, tem a bolsa de IC do CNPq (balcão), cuja indicação do bolsista é efetuada pelo próprio orientador, mediante o preenchimento de formulário de propostas online, disponível na Plataforma Carlos Chagas, no site do CNPq (www.cnpq.br).
Com relação ao perfil do aluno, a recomendação da FAPESP é que o mesmo não tenha reprovação e que já tenha concluído um número suficiente de disciplinas relevantes para o projeto. Os bolsistas PADRD ou do CNPq são aceitos com até cinco reprovações e os alunos podem estar cursando o primeiro semestre. Para os estudantes que desenvolvem sua IC de forma voluntária não há restrição de relativa às reprovações para realizarem suas pesquisas.
A Pró-Reitoria de Pesquisa da UFSCar, por meio da Coordenadoria de Iniciação Científica e Tecnológica, gerencia diretamente cerca de 900 processos de iniciação científica das diferentes modalidades já mencionadas anteriormente. A Tabela 3 a seguir mostra a evolução do envolvimento dos alunos com a produção científica em nível de graduação entre os anos de 2001 a 2011.
Tabela 3. A evolução do envolvimento dos alunos de graduação da UFSCar com a Iniciação Científica e Tecnológica
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados da ProPq/UFSCar (2013)
Nota-se que em 2001 e 2002 a UFSCar contava com o registro de apenas duas modalidade de bolsas de IC: PIBIC e FAPESP. A partir de 2003 foi criado o PUICT que passou a registrar as pesquisas de ICT que eram realizadas sem remuneração, de forma voluntária pelos estudantes. Em 2004 foi lançado o PADRD que concede até hoje, bolsas subsidiadas pela IFES. A partir de 2007 surge o PIBITI priorizando projetos de desenvolvimento tecnológico e inovação, cujo crescimento da cota institucional, proporcionalmente ao aumento das bolsas PIBIC, foi maior. Em 2013 a UFSCar conta com 82 bolsas PIBITI.
Em 2009 o CNPq passou a conceder bolsas PIBIC Af (Ações Afirmativas) cujo crescimento em três anos foi menor do que as demais cotas. Por dois anos (2010 e 2011) a universidade concedeu bolsas a alunos de ensino médio (PIBIC EM) cujo programa trouxe a esses alunos a oportunidade de manterem contato com o universo acadêmico podendo fazer parte dos laboratórios de pesquisas, grupos de pesquisas, participações em congressos com apresentações orais de trabalhos, além de experiências que colaboraram com o amadurecimento de suas intenções acadêmicas para o nível superior de ensino.
O melhor período para o aluno se engajar em pesquisa de ICT, depende do grau de maturidade e conhecimento do aluno para desenvolvimento de seu projeto e da disponibilidade de orientação que ele terá. A partir do primeiro semestre é possível que o
aluno faça ICT. Ele deve se atentar aos editais da UFSCar, caso pretendam pleitear bolsas do CNPq.
Para que os estudantes tomem conhecimento das áreas de pesquisa e dos projetos em desenvolvimento pelos professores, eles devem entrar em contato com os professores do seu curso. Uma dica é recorrer ao currículo lattes dos docentes para poderem se interar dos projetos de pesquisa que estão em andamento e avaliar se há alguma afinidade.
Os estudantes não necessariamente precisam desenvolver projetos ligados aos já em desenvolvimento por seus orientadores. Os alunos podem propor algum projeto que gostaria de desenvolver a um professor ou orientador da área e deve haver interesse e consentimento por parte do docente em orientar tal projeto.
As condições para os alunos da modalidade de Educação a Distância em realizar uma IC, são as mesmas dos alunos de cursos presenciais. O estudante da UAB/UFSCar pode contatar os professores – potenciais orientadores - via Plataforma Moodle, se o professor já tiver lecionado por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) ou mesmo por e-mail e telefone profissional. Recomenda-se que os alunos estejam presentes nos eventos acadêmicos presenciais promovidos pelas coordenações de cursos da EaD. O curso de Bacharelado em Sistemas de Informação da UAB/UFSCar promoveu três edições do EaDay que se mostrou uma excelente oportunidade para troca de informações entre docentes e discentes, tutores presenciais, virtuais e gestores do curso.
Aos alunos que tiverem possibilidade, devem recorrer ao professor em seus departamentos nos campi da UFSCar. É mais uma oportunidade de fazer conhecer os laboratórios de pesquisa, possibilitando a interação junto aos pesquisadores e seus grupos de pesquisa. A participação dos estudantes na pesquisa de ICT dependerá do interesse e disponibilidade de orientação de cada docente.
Como forma de incentivo à Iniciação Científica e Tecnológica, o CNPq em 2003, criou o "Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica" com os objetivos de premiar os trabalhos de destaque entre os bolsistas de Iniciação Científica do CNPq, sob os aspectos de relevância e qualidade do seu relatório final de pesquisa. Na UFSCar podem inscrever-se bolsistas PIBIC ou PIBITI que estejam em fase de renovação de bolsa. O Prêmio foi ampliado em 2012, quando passou a ser denominado "Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica", alinhado com as prioridades governamentais de incentivo à inovação tecnológica. O Prêmio é entregue na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e conta com a parceria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Academia
Brasileira de Ciências (ABC), proporcionando ao Prêmio maior visibilidade, notadamente, junto à comunidade acadêmica e aos universitários brasileiros (CNPq, 2014b).
A Universidade Federal de São Carlos promove anualmente os Congressos de Iniciação Científica e Tecnológica da UFSCar. São eles: o Congresso de Iniciação Científica (CIC) e o Congresso de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CIDTI) que costumam acontecer por meio de uma etapa presencial no campus São Carlos. É um fórum adequado e de grande visibilidade para a divulgação e discussão dos resultados obtidos em trabalhos de iniciação científica e projetos de cunho tecnológico e de inovação desenvolvidos por alunos da UFSCar e de outras Instituições. Essa fase da publicação dos resultados é a etapa final de todo um processo de desenvolvimento de um trabalho de pesquisa desenvolvido por um estudante da graduação.
A partir da percepção da Educação a Distância e de sua estrutura administrativa, dos conceitos de pesquisa na graduação, do engajamento de alunos com a iniciação científica e tecnológica e do caso da UFSCar, pudemos entender, nesse capítulo, o potencial dessa modalidade de ensino e o quanto se pode investir em conhecimento na área estimulando todos os agentes envolvidos.