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6 Motstand mot tobakkskontroll

6.4 Kulturell motstand

Baseado em Tamayo (1998) toda pessoa humana, ao longo do seu desenvolvimento psicossocial e, particularmente, durante sua adolescência, encontra-se inevitavelmente confrontada por exigências e necessidades de diversas ordens históricas e culturais. A adolescência é um período de importantes transformações e aquisições em diferentes esferas: física, social, sexual, cognitiva e, especialmente, na identidade psicossocial.

Os valores têm um papel fundamental na constituição da identidade, pois eles expressam necessidades individuais socializadas, metas e orientações que a sociedade apresenta aos indivíduos. Portanto, os valores são extremamente importantes, na medida em que servem como ferramentas que o adolescente utiliza na construção de sua identidade, de suas relações sociais e suas prioridades na vida (TAMAYO, 1998).

O que mais se destaca nesta fase da vida é que ela encontra-se em tempo privilegiado de desenvolvimento e de construção de suas identidades e de projetos. Como afirma Novaes (2007, p. 1): “Na sociedade moderna, embora haja variação dos limites de idade, a juventude é compreendida como um tempo de construção de identidades e de definição de projetos futuros.” A construção da identidade e consequentemente a priorização dos valores, pelos adolescentes e jovens dão-se inseridos no presente, nos diversos ambientes em que se encontram, isto é, na família, na escola, no mercado de trabalho, na vida afetiva, nos espaços culturais, na participação política, nos grupos religiosos (NOVAES, 2007).

Segundo Meneses et al. (2009), a importância dos valores se insere exatamente no entendimento de que valor é, sem dúvida, objeto da experiência, por parte do sujeito, por parte da pessoa, pois se pode ver concretizado numa personalidade, na beleza de uma paisagem, no caráter sagrado de um lugar. Nesse caso, refere-se respectivamente a valores éticos, estéticos e religiosos. Contudo, fica visível a importância da educação e da formação do sujeito na perspectiva de valores, pois a pessoa humana é um ser em constante agir, ator de todas as suas ações. E ação pressupõe sempre uma opção, escolhas, metas e tomadas de posição.

Adolescentes e jovens devem ser entendidos para além do período correspondente ao tempo em que se completam as formações físicas, intelectuais e psíquicas, uma vez que outras questões interferem na construção desses sujeitos, tais como, as dimensões sociais, históricas e culturais. “A juventude é como um espelho retrovisor da sociedade” (NOVAES, 2007, p. 2), portanto, em cada tempo e lugar, fatores históricos, estruturais e conjunturais determinam as vulnerabilidades e as potencialidades dos adolescentes e das juventudes. Os adolescentes e jovens do século XXI, que vivem em um mundo que conjuga um acelerado processo de globalização e múltiplas desigualdades sociais, compartilham uma experiência geracional historicamente inédita.

Schwartz (2005b) afirma que diferentes motivos e orientações de homens e mulheres, tais como: mulheres serem mais apegadas a outros e os homens serem mais autônomos, mulheres preocupadas com o bem-estar dos membros do grupo e os homens por buscar status e poder, tendem a expressar prioridades axiológicas diferenciadas. Tal perspectiva é evidenciada a partir do estudo realizado por Tamayo (1998), quando apresenta que a hierarquia de valores dos adolescentes do sexo feminino enfatiza mais valores coletivistas e altruístas (tradição, conformidade, segurança, benevolência e

universalismo) e os adolescentes do sexo masculino a ênfase recai sobre os valores individualistas, tais como estimulação e hedonismo.

3 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA E PERGUNTAS DE PESQUISA

Tamayo e Schwartz (1993) afirmam que os valores possuem um papel primordial nos estados de existência ou nos modelos de comportamentos desejáveis pelo indivíduo. Sua função principal, na vida das pessoas, é orientar e determinar sua forma de pensar, agir e sentir. Nesse sentido, a psicologia trata os valores como sendo um dos motores que iniciam, orientam e controlam o comportamento humano.

Schwartz (2005a) descreve valores como objetivos desejáveis utilizados em diferentes situações, inclusive na escola e no trabalho, e são referências que ajudam a escolher e justificar ações, avaliar pessoas, eventos e comportamentos. Neste sentido, é relevante desenvolver um estudo que aprofunde as motivações e prioridades de valores do público juvenil, cuja faixa etária, muitas vezes, é classificada e estereotipada como sendo formada por sujeitos que nem sempre levam em consideração os valores humanos enquanto princípio de vida, ou que não possuem critérios claros para compromissos e/ou responsabilidades consigo mesmo e com a vida do seu semelhante. Característica que pode estar vinculada ao pensamento do senso comum e da generalização, por isso mesmo deve ser refutada por provavelmente não representar a totalidade da realidade juvenil.

Estudos reforçam a importância de verificar como os adolescentes priorizam seus valores individuais e como estabelecem sua hierarquia de prioridades (TAMAYO et al., 1998; 2001a; TAMAYO, 1998) uma vez que valores são crenças ou princípios relativos a estados de existência ou a modelos de comportamentos, bem como expressam dimensões da representação e da visão que o indivíduo tem do ser humano e das relações interpessoais e intergrupais. Dessa forma, é essencial que haja reflexão sobre os valores, considerando todo o contexto atual que permeia a realidade dos adolescentes e jovens, principalmente quando esses estão no momento de formação nas diversas dimensões humanas e cujas identidades pessoais estão sendo formadas a partir de significados produzidos nas relações interpessoais e sociais (LA TAILLE et al., 2009).

Conforme a teoria apresentada anteriormente, os 10 tipos motivacionais são definidos como objetivos amplos, ligados aos requisitos básicos da existência humana.

Além disso, cada tipo se localiza numa estrutura dinâmica, organizada em duas dimensões bipolares: (a) abertura à mudança e conservação e (b) autopromoção e autotranscendência. Abertura à mudança e conservação são pólos opostos e apresentam elementos conflitantes entre pensamentos e ações independentes do indivíduo, favorecendo a mudança, a autorrestrição submissa, a preservação de práticas tradicionais e a proteção da estabilidade. Autopromoção e autotranscendência, por sua vez, referem-se ao conflito entre a aceitação dos outros, a preocupação com o seu bem- estar e a busca pelo próprio sucesso (SCHWARTZ; BILSKY, 1987; SCHWARTZ, 1996).

As escolas confessionais católicas instalaram-se no país trazidas pelos próprios governantes para a formação dos filhos d a elite, e carregaram em seu bojo toda uma sorte de valores e conceitos que, sem dúvida alguma, afetaram todo processo de ensino e aprendizagem. Manoel (1996, p. 16) comenta que

a expansão da rede escolar católica por todo o país, entre 1859-1959, só se tornou possível pela aliança entre a Igreja conservadora e a oligarquia, com a complacência do Estado, que afinal de contas tem sido a expressão política da própria classe dominante.

A Igreja não poupava esforços no ataque à modernidade e enxergava na educação uma forma de livrar as pessoas dos males modernistas. Hoje mais do que nunca a educação confessional não se pauta meramente no enfrentamento da conjuntura pós-moderna e seus aspectos, mas antes de tudo preocupa-se em formar o sujeito contemporâneo com capacidades e princípios, portanto, valores, capazes de dar sustentação à vida em sua totalidade.

Toda expressão religiosa cumpre um papel importante na formação da personalidade de adolescentes. Nessa perspectiva, instituições religiosas e organizações escolares confessionais constroem seus projetos formativos no intuito de ajudar os alunos a perguntar-se sobre a existência de Deus e sobre o sentido da vida. Afinal, o período da adolescência favorece certa autonomia de pensamento que muitos mitos e ‘verdades’ não são mais aceitos como eram na infância. Logo, a religião reinterpretada e reelaborada durante a vivência da adolescência pode mesclar-se com a busca de sentido para a sua existência e favorecer a construção de um sistema de valores mais coerentes com os princípios religiosos.

Os adolescentes, participantes desta pesquisa, estão envolvidos num contexto religioso peculiar, pois pertencem a colégios de confissão religiosa onde há predomínio

de famílias que priorizam a religiosidade e a dimensão do envolvimento maior com as pessoas e as instituições. A partir desse contexto já seria significativo perguntar sobre a importância das escolas confessionais na formação dos valores pessoais dos estudantes e de como seus processos educativos incidem no desenvolvimento de suas identidades.

Levando em consideração esses aspectos, esta pesquisa buscará responder às seguintes questões:

1. Quais as prioridades axiológicas de valores dos adolescentes, estudantes do Ensino Médio, de classe média e de escolas confessionais, no contexto atual? 2. As prioridades axiológicas de valores dos adolescentes se diferenciam em

relação à variável sexo?

3. Quais tipos motivacionais de valores teriam ênfase nas prioridades axiológicas desses adolescentes?

4. O fato do adolescente pertencer a uma religião interfere em seu sistema de valores, fortalecendo a priorização de valores relacionados aos religiosos cristãos?

5. Existe interação entre sexo e importância dada à religião nas prioridades axiológicas de valores dos adolescentes?

4 OBJETIVOS

4.1 OBJETIVO GERAL

Identificar a configuração dos valores em termos das prioridades axiológicas em estudantes do Ensino Médio de escolas confessionais.

4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Os objetivos específicos do estudo foram:

1. Investigar as prioridades axiológicas dos adolescentes.

2. Investigar se as prioridades axiológicas de valores dos adolescentes se diferenciam em relação às variáveis sexo e religião.

3. Identificar as prioridades axiológicas nos quatro fatores de segunda ordem que constituem a estrutura bidimensional da teoria de valores nos adolescentes pesquisados.

5 MÉTODO

5.1PARTICIPANTES

Participaram deste estudo 806 estudantes do 1º ano do Ensino Médio, de cinco colégios de uma rede de ensino privado e de confessionalidade católica. São consideradas escolas confessionais aquelas que assumem em seu projeto político- pedagógico uma denominação religiosa e uma expressão de fé. Foram selecionados os cinco maiores colégios dessa rede no país, de um total de 20 colégios. A escolha dos colégios se deu pelas diferentes localizações geográficas e o contingente do número de alunos no 1º ano do Ensino Médio.

Dos participantes 51% eram do sexo feminino, 65% eram católicos, 91% afirmaram possuir religião. A idade média foi de 15 anos, entre 14 a 18, (± 0,64). Quanto ao local, 173 participantes eram do Distrito Federal, 296 de Minas Gerais, 144 do Pará, 110 do Espírito Santo e 83 eram do Rio de Janeiro.

5.2INSTRUMENTOS

Foi utilizado um questionário composto de três partes. A primeira parte continha as orientações gerais, os objetivos e os responsáveis pelo projeto de pesquisa. A segunda parte era constituída pelo instrumento denominado Portrait Values Questionnaire – PVQ (SCHWARTZ, 1999; SCHWARTZ et al., 2001), e, por fim, a terceira e última parte do questionário incluía itens para caracterização sociodemográfica dos participantes: sexo, idade, cidade onde nasceu, religião e o grau de importância dado à religião (Apêndice B).

O Portrait Values Questionnaire – foi desenvolvido por Schwartz (1999) e validado no Brasil por Tamayo e Porto (2009), denominado de Questionário de Perfis de Valores – QPV.

O QPV inclui 40 sentenças curtas com descrições verbais sobre diversas pessoas, incluindo diferentes metas, objetivos e aspirações que, implicitamente, sinalizam 10 tipos motivacionais de Valores Pessoais. Para cada perfil apresentado, o participante avalia o grau de semelhança entre ele e as pessoas descritas no item, respondendo em uma escala de Likert de 6 pontos, invertida, que varia de 1 – “essa pessoa se parece muito comigo” - a 6 - “essa pessoa não se parece nada comigo”. A escolha dessa medida se deu, primeiramente, pelo contexto de coleta de dados desse estudo, ou seja, o QPV de Schwartz é mais adequado para pesquisas com crianças e adolescentes e é um instrumento mais concreto e menos abstrato em comparação ao Schwartz Values Survey – SVS ou também conhecido no Brasil por Inventário de Valores de Schwartz (TAMAYO; PORTO, 2009).

A validação do Questionário de Perfis de Valores (QPV) no Brasil, realizada por Tamayo e Porto (2009) pelo método de Escalonamento Multidimensional (MDS), que é uma técnica de análise multivariada que permite representar as proximidades entre um conjunto de objetos ou estímulos como distâncias em um espaço de baixa dimensionalidade (geralmente duas ou três dimensões). Foi confirmada a adequação deste instrumento para pesquisas com crianças e adolescentes, dando apoio ao modelo de Schwartz tanto no que se refere aos dez tipos motivacionais e à sua localização espacial, quanto às relações de congruências e conflitos entre eles, conforme proposto em sua teoria. Das 10 regiões previstas teoricamente, por Schwartz, o estudo de Tamayo e Porto (2009) encontraram sete: Universalismo/Benevolência, Conformidade, Tradição, Segurança, Poder/Realização, Autodeterminação/Hedonismo e Estimulação.

A hierarquia dos tipos motivacionais, encontrada por Tamayo e Porto (2009) também é similar àquela encontrada nos estudos realizados por Schwartz (2005b), exceto para o tipo motivacional Realização que, no estudo brasileiro, ocupa lugar mais baixo na hierarquia.

5.3PROCEDIMENTO

Inicialmente foi solicitada a autorização da Instituição responsável pela rede ensino e, em seguida, do diretor de cada um dos cinco Colégios previstos no estudo. Os questionários foram aplicados pelo responsável da pesquisa, contando com a ajuda de

professores que, anteriormente, tinham sido preparados para tal aplicação. Na continuidade do processo foram apresentados os objetivos da pesquisa aos diretores educacionais dos colégios participantes, que facilitariam a coleta dos dados. A coleta aconteceu nas salas de aula das turmas do 1º ano do Ensino Médio, com a anuência e participação do professor responsável pela aula em vigência.

Após a distribuição dos questionários para cada participante, o aplicador do questionário lia em voz alta a introdução onde se apresentavam os objetivos da pesquisa, a garantia da não identificação e de sigilo, a importância da leitura atenta dos itens, a participação voluntária, bem como os responsáveis pela pesquisa. Foram tomados os cuidados éticos necessários, garantindo o sigilo e a liberdade dos estudantes em participar ou não da pesquisa e interrompê-la a qualquer tempo.

A duração média de preenchimento de questionário foi de 20 minutos. Notou-se que houve poucas dúvidas sobre os itens ou as partes que compuseram o instrumento da pesquisa. No final, cada participante colocou o questionário respondido ou em branco num envelope grande que estava sobre a mesa da sala de aula.