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7.2. E KSEMPLER PÅ ENDRINGER SOM ER GJORT

Para apresentarmos a concepção de escrita, utilizamos os pressupostos teóricos de Vygotsky e seus seguidores. Sabemos que antes mesmo de ingressar na escola, a criança possui uma história de vida e, de acordo com Luria, um dos seguidores de Vygotsky, essa história tem grande peso no desenvolvimento da escrita, e também, do ser humano como um todo, pois todos os períodos vivenciados pela criança servirão de base para a formação de um ser que se completa a cada dia.

Assim, o desenvolvimento da escrita na criança inicia-se antes desta ser auxiliada pelo professor em sala de aula. Durante os primeiros anos de seu desenvolvimento, antes de atingir a idade escolar, a criança já aprendeu e assimilou um certo número de técnicas que preparam o caminho para a escrita, técnicas que a capacitam e que tornaram incomensuravelmente mais fácil aprender o conceito e a técnica da escrita (LURIA, 2010, p.143-5).

No desenvolvimento da criança, os parentes genéticos da escrita são o gesto, o desenho e os jogos ou brincadeiras. Na história do indivíduo, a escrita começa a se desenvolver antes da aprendizagem escolar ou formal, quando a criança desenha para representar objetos, participa de jogos simbólicos ou utiliza linguagens diversas, como movimentos, desenhos e sons.

Vygotsky aponta que a história da linguagem escrita, nas crianças, começa com o aparecimento do gesto visual. É através do gesto que os primeiros símbolos

surgem; os gestos são a escrita no ar, e os signos escritos são, frequentemente, simples gestos que foram fixados. Entende-se que os gestos são parte de um processo que conduz a escrita por ser uma linguagem que se constitui simbolicamente (VYGOTSKY, 2007, p.128).

Outra forma de simbolizar situações vividas e que se constitui em parte do caminho para a linguagem escrita é o desenho. Vygotsky esclarece que a criança desenha como se estivesse contando uma história, isto é, seguindo a linguagem verbal (VYGOTSKY, 2007). Por isso, o desenho também faz parte do processo de aprendizagem da escrita.

Na medida em que a criança começa a fazer tentativas de escrita sobre o que se referem seus desenhos, por meio de signos diversos, e tenta fazer a leitura do que escreveu, já está registrando, ao seu modo, aquilo que ela própria criou a partir de sua realidade. Nesse ponto, a criança pode perceber que o objeto pode ser traduzido por meio de um símbolo, pode deixar de entender o desenho como o objeto próprio, mas ainda não entende que ele pode ser representado por signos que não tenham relação direta com os objetos, ou seja, as letras.

Para que haja essa transição, a criança precisa compreender que o mundo pode ser codificado em signos diversos, precisa descobrir a função simbólica da escrita. Retoma-se, então, que tanto o desenho como os gestos, os jogos ou as brincadeiras são importantes no processo de aprendizagem da escrita, por anteciparem suas funções. Enquanto, no desenho, a criança começa a desenvolver a capacidade de representar, os gestos já são uma representação que, posteriormente, poderão ser uma representação no papel, assim como os jogos e brincadeiras.

Vygotsky, juntamente com seus colaboradores, formulou um projeto de pesquisa cujo assunto central era a compreensão dos processos mentais humanos. Dentro de seu projeto, foi Luria que, de forma sistemática, estudou a gênese da linguagem escrita na criança, recriando, experimentalmente, o processo de simbolização na escrita.

A partir de seu experimento, foi possível a Luria descrever o momento em que se dá exatamente a aquisição da linguagem escrita pela criança. Este momento é quando ela percebe que, além de objetos, é capaz de desenhar a fala, mesmo que

por meio de rabiscos, ou seja, o desenvolvimento da linguagem escrita nas crianças se dá pelo deslocamento do desenho de coisas para o desenho de palavras.

Vygotsky considera que existe um momento crítico na passagem do deslocamento do desenho de coisas para o desenho de palavras. A criança passa a atribuir um significado ao desenho, porém, ainda o encara como um objeto em si e não como uma representação, um símbolo. Para Vygotsky, os símbolos de primeira ordem denotam diretamente objetos ou ações e os símbolos de segunda ordem compreendem a criação de sinais escritos representativos dos símbolos falados das palavras. Para que a criança consiga alcançar o segundo estágio, é necessário que ela descubra que além de desenhar as coisas, ela também pode desenhar a fala.

A escrita é um simbolismo de segundo grau, uma vez que "se forma por um sistema de signos que identificam, convencionalmente, os sons e palavras da linguagem oral, que são, por sua vez, signos de objetos e relações reais" (VYGOTSKY, 1995, p.184). Em outras palavras, a escrita representa a fala, que, por sua vez, representa a realidade. Por isso, a escrita é uma representação de segunda ordem.

Isso quer dizer que, enquanto símbolos de segunda ordem, eles designam sons e palavras da linguagem falada; gradualmente, a linguagem falada desaparece e a linguagem escrita torna-se um simbolismo direto. Vygotsky afirma que a escrita é um sistema de representação simbólica da realidade, a qual medeia a relação dos indivíduos com o mundo. Ou seja, para ele, a escrita vai além da dominação da grafia das palavras, ela é um produto cultural construído historicamente e, para adquiri-la, a criança passa por um processo bastante complexo, o qual inicia-se muito antes da criança ingressar na escola, conforme escrito anteriormente.

Entende-se que, quando a escrita medeia a relação do homem consigo, desenvolvendo nele as funções superiores de abstração, memorização e raciocínio lógico, é um sistema de signos. Quando a escrita medeia a relação do homem com o meio, servindo para comunicar e expressar, é um sistema de instrumentos. Dessa forma, a concepção de Vygotsky acerca do desenvolvimento da linguagem escrita é bastante contemporânea e está diretamente ligada às questões centrais de sua teoria. A linguagem escrita, assim como outras formas de linguagem, é construída socialmente, através da interação dos sujeitos entre si e com o mundo, em um processo contínuo.

Nesse contexto, a intervenção pedagógica, a interação social promovida pela escola nas sociedades letradas possui extrema importância na promoção do desenvolvimento dos indivíduos, sejam eles pessoas comuns ou com NEE. Vygotsky registrou categoricamente seus estudos sobre a educação das pessoas com NEE, usando o termo defectologia, como veremos a seguir.