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2 Styrende dokumenter og teori

2.1 Krav til et fagmiljø

I nspirados por Jorge Luís Borges, em “ O livro dos seres im aginários” , o grupo convidou diversos art ist as e realizadores a com por, cada um , seu próprio “ m onstro” . O obj etivo seria o de com por

um best iário, assim com o era feit o na I dade Média36, dos “ m onst ros e

m edos” cont em porâneos.

O t rabalho, apresent ado pelo feit oam ãos no proj et o I NTERATI VI DADES, do I t aucult ural, em SP, buscou recriar essas com pilações num am bient e t ridim ensional, ut ilizando recursos de cenografia, de im agens ( proj eções e int erferências no am bient e) e de sons ( sam plers e m úsica ao vivo, am bient ação) .

As várias cont ribuições t inham com o orient ação t er

“ ( …) ent re 15" e 2'00", que possam ser apresent adas de form a aleat ória, com ou sem áudio, m as sem pre sem m úsica/ m elodia, podendo a t rilha ser com post a por ruídos, falas em off/ on ( no caso de se apresent ar os t rabalhos com o espet áculo o áudio deverá se int egrar ao t em a m usical desenvolvido para est e) .” 37

Segundo o filósofo Moacir Lat erza, cit ado pelo grupo em seu sit e,

36 Bestiário – “ sm ...3. com pilação m edieval, geralm ent e em versos, de narrat ivas alegóricas e m orais

sobre anim ais fabulosos ou reais ...4. iconografia anim alist a, conj unt o de obras de art e que ret ratam anim ais.” ( ret irado do release do grupo para a apresentação) .

“ ( ...) os m onst ros são de um a aparência insuport ável. I m possíveis de não serem not ados, eles incom odam pelo grotesco e pela sem elhança. Um a t ent at iva de aniquilação da individualidade em benefício de um a colet ividade que im plica num a norm alização pela m ediocridade.”

O Monst ruário I lust rado lida com as diferenças, com a est ranheza e, para explicit á- la, o grupo convidou t odas as pessoas que j á haviam feit o t rabalhos em conj unt o e aqueles que j ulgavam t er, de algum a form a, relação com a t em át ica e os obj et ivos do proj et o. Ao núcleo do grupo ficou a incubência da definição do espet áculo, a part ir dest as cont ribuições, e da realização de suas próprias best as.

A organização dos elem ent os m at eriais da apresent ação, posicionam ent o das t elas e equipam ent os, das pessoas e dos inst rum ent os, foi condicionada pelo espaço físico de um palco grande, m as com pouca profundidade. Assim opt ou- se por se colocarem os m úsicos e seus inst rum ent os no palco, ent re as proj eções, enquant o os operadores de vídeo e seus equipam ent os ficaram localizados na part e dest inada à t écnica do audit ório, em um m ezzanino localizado na part e superior e at rás das cadeiras/ público, de form a a poderem ver t oda a apresent ação, de um ponto de vist a correspondent e ao do

público, de frent e para o espet áculo.

A disposição das proj eções, quatro, explora as caract eríst icas do palco. A m aior delas, cobrindo t oda a “ boca de cena” e ficando na frent e dos m úsicos e das out ras, serve com o um a espécie de envólucro, ou ant es, de superfície t ranslúcida, vist o que o m at erial de que é feit a perm it e que as im agens nela proj et adas sej am vist as, assim com o t udo o que acont ece por det rás. Ao fundo, um a segunda proj eção, de grandes dim ensões, e out ras duas, m enores, nas lat erais. Segundo correspondência elet rônica do grupo, à época, “ ( ...) m uit o subj et ivam ent e as t elas superior e inferior corresponderiam ao céu e ao inferno respect ivam ent e, e as t elas cent rais corresponderiam à t erra.”

A perform ance é com post a por nove blocos, com t ít ulos t irados das obras do pint or holandês Hieronym us Bosch ( 1450- 1516) , “ O j uízo final - ( coleção B4) ” , “ A hum anidade assolada por dem ônios - ( 1.42) ” , “ O j ardim das delícias - ( 74- b) ” , “ A queda dos condenados - ( folder 06) ” , “ O t riunfo do pecado - ( prat eleira 14,357a) ” , “ A nave dos loucos - ( arquivo 04) ” , “ O espelho do hom em - ( anexo 104) ” , “ A peregrinação da vida - ( 02) ” e “ O olho de deus - ( gavet a # 35A) ” .

Est es int ert ít ulos apont am para um a possível int erpret ação do cont eúdo audiovisual que o sucede. A apresent ação, com o um t odo, exat am ent e por seu processo de produção, é o encont ro de diversas

visões e int erpret ações do t em a propost o, são vários fragm ent os que servem para causar no espect ador sent im ent os de espant o, repulsa, m edo e, ao m esm o t em po, fascinação e adm iração.

Em fragm ent os agrupados, surgem referências às doenças, ao câncer, ao sexo, à loucura, à violência, ao consum o, ao capit alism o e à m iséria, produzidas a part ir de diversos regist ros e m ídias, t ais com o vídeo, anim ação, fot ografias, ilustrações, desenhos e t ext os. Analisar cada um dos inúm eros fragm ent os em separado seria perder seu efeit o de conj unt o, m as não podem os nos furtar a t entar descrever alguns dest es “ m onst ros” que se deixaram ver nessa apresent ação.

O prim eiro deles é um a espécie de docum ent ário m ult icam adas, não- linear, que ret rat a os cinco ex- president es brasileiros, durant e o período da dit adura. Ao lado de suas fotos, dados biográficos e principais realizações, são apresent ados os m em bros da fam ília da realizadora. Ao fim , um t ext o, com inform ações ret iradas do sit e do “ Tort ura Nunca Mais” , enum era os inúm eros m ort os pelo regim e m ilit ar, relacionando as supost as causas oficiais. Cont rapõe- se dest a form a, o discurso oficial, à experiência do cidadão com um e aos fat os hist óricos. Sem nenhum com ent ário, rest a àquele que assist e est abelecer suas próprias conexões e apreender seus próprios significados e sent idos, assim com o em t oda a obra.

e as de um a criança com um a cueca na cabeça e um a arm a de brinquedo, com o um m onst ro criado pela m ídia, em t oda a sua inocência. Fot os erót icas m ost ram corpos de m ulheres, m as est as não t êm rost o, suas ident idades não rem et em a ninguém , ao m esm o t em po em que sugerem que podem ser de qualquer um ( a) . É o que parecem dizer as im agens de cart eiras de ident idade que ocupam as t elas principais. A insist ência com que é apresent ado t al conj unt o leva a um a inevit ável reflexão que, ao t ent ar unir e dar lógica aos fragm ent os, leva à percepção de que cada um pode t am bém vir a ser o m onstro do outro.

Por fim , im agens das palavras de um cart az de Help ( socorro) Want ed se m et am orfoseiam em Hei Want ( querer) e se t ransform am em Hell ( inferno) Want ed, ocupando a t ela, em alt ernância com um a placa, One Way, de indicação de um único cam inho – o de um a m ão que, de form a insist ent e, m anipula um globo t errest re.

Segundo Robert o Moreira Cruz, coordenador de Cinem a e Vídeo do I t aú Cult ural, "Monst ruário I lustrado não faz concessões e explora o que há de m ais com plexo e am bíguo em t erm os de espet áculo Mult im ídia para palco".