2 Styrende dokumenter og teori
2.2 Det militære utdanningssystemet
A últ im a perform ance do grupo é, com cert eza, um a das m ais com plexas de suas apresent ações, por envolver, além das proj eções e do som , cenografia – rest os da explosão de um veículo, recursos de ilum inação e espacialização do som , bem com o perform ers que, caract erizados com o t errorist as, acendem e explodem fogos, produzem fum aça e cont ribuem para criar no público a sensação de est ar present e “ à cena do crim e” , ao at o em si.
O proj et o, segundo definição do grupo, envolve conceit os relat ivos a um a const ant e expect ativa de explosão, com o um a força ent orpecedora, que circula ent re a m et áfora e a suspensão do tem po- espaço, causada por t al acont ecim ent o e busca.
Buscarem os, a seguir, acom panhar o traj eto percorrido pela im agem principal dest e t rabalho, a saber, a do “ carro- bom ba” em si, buscando seguir as diversas inst âncias dest a im agem e as t ransform ações ocorridas no seu sent ido e em suas m últ iplas form as.
A perfom ance do grupo lida com est a explosão com o sendo um a “ ( ...) m et áfora do pânico inst alado no m undo, at ravés da violência em suas diferent es form as, e da expect at iva e t em or de se t ornar o próxim o alvo.” Ainda, segundo o release dist ribuído à im prensa, “ est a é um a apresent ação que busca t raduzir e reproduzir, em cada um de nós, as sensações produzidas pelos m eios de com unicação, e nos obriga a reflet ir com relação à violência e ao terror cotidiano.”
Em t al perform ance, o grupo part iu daquilo que poderíam os cham ar de um a “ im agem - idéia” , ou sej a, na gênese do processo criat ivo encont ram os a idéia do que sej a um carro- bom ba e a im aginação das possíveis correlações significant es que est e possa inspirar. Tal idéia est á present e na m ent e de qualquer um acost um ado às im agens cot idianam ent e veiculadas pelos t elej ornais, em t em pos de guerra e t error, m as o que vem os norm alm ent e na TV é, quando m uit o, o logo após, ou com o na m aioria das vezes, as sucat as rest ant es de um a explosão.
Diret am ent e ligada ao seu pot encial dest rut ivo, sem pre sugere a exist ência de fogo e de explosão, m as, na verdade, poucas foram as oport unidades em que os m eios de com unicação veicularam o at o em si, ou sej a, enquant o o carro lit eralm ent e explode ou pega fogo. Nest e sent ido, as “ lem branças” ligadas ao conceit o, ao signo “ carro- bom ba” , são m uit o m ais as im agens da m ort e e da dest ruição que est e art efat o produz do que a de qualquer out ra coisa que se assem elhe a um carro.
Em um segundo m om ent o, essa “ im agem - idéia” com eça a despert ar aquilo que cham am os de “ im agem - conceit o” . Nest e m om ent o, a idéia evoca, at ravés das significações acim a descrit as, as correlações com a violência contem porânea m anifest as não apenas nas guerras, m as t am bém na m iséria, na fom e, na ignorância e na pobreza present es no cot idiano dos grandes cent ros urbanos, est ej am eles no Orient e ou no Ocident e. A im agem do carro- bom ba com eça a organizar um a det erm inada visão de m undo, em função de um a
avaliação, de um a int erpret ação do m undo.
Nest e m om ent o, a im agem passa à necessidade de se m at erializar, sair do cam po das idéias e se const it uir concret am ent e e, por ser um a im agem t écnica, se m odificar para adaptar- se ao suporte que a t ransport ará e “ m ut ar- se” em suas m últ iplas ut ilizações, que buscarem os acom panhar e analisar a seguir.
A “im agem - m at éria”.
Levando em consideração a im port ância de buscar aquele exat o m om ent o em que o carro explode, quando suas part es se espalham pelo ar e as cham as o consom em , era preciso um disposit ivo que possibilit asse o regist ro com o m aior t im e rat e ( t axa de t em po, ou de quadros por segundo) possível. Analisadas as possibilidades t écnicas disponíveis, o grupo decidiu- se pelo uso da película 16 m m a um a t axa de 90 quadros por segundo.
A “im agem - m ídia”.
Regist rada em película 16m m e t elecinada para DVCAM, a im agem é digit alizada via prot ocolo ieee 1394, a int erface conhecida por Firewire. Um a vez no dom ínio digit al, ela poderá ent ão ser processada, m ult iplicada, alt erada e, principalm ent e, falando em t erm os de m ídia, dist ribuída sob quase t oda form a conhecida e “ por vir a ser invent ada” , com o gost am alguns patrocinadores de colocar em
cont rat os de cessão e de uso de im agens de proj et os incent ivados por m ecanism os de lei.
Nest e caso a im agem foi m ultiplicada at ravés de cópias de arquivo e dist ribuída ent re as m áquinas que fariam part e da
apresent ação38. Multiplicada novam ent e, através da transform ação em
sinal de vídeo com post o pela int erface firewire e exibida nos proj et ores de vídeo durant e a perform ance.
At ravés do uso de codecs apropriados, m ut at is m ut andis, é port ada para t elefone celular ( 3gp) , para sit e web ( m p4) , é cedida
para ser usada em um film e de longa- m et ragem de ficção39 ( 35 m m )
para ser exibida no circuit o com ercial e de fest ivais de cinem a. Chegou a ser est udada a possibilidade de venda da m esm a para um banco de im agens que a dist ribuiria em seus diversos form at os, com diversas resoluções e codecs, am pliando quase ao infinit o seus usos discursivos e significações.
A “im agem - poesis”.
O proj et o t eve início com o um a propost a de inst alação int erat iva, com post a por um a cenografia e proj eção da im agem da kom bi que explodiria, disparada pela aproxim ação e m ovim ent ação do público int erador.
Ao ser em pregada em um a obra com o a perform ance ao vivo, por t oda sua carga significant e, um a im agem com o a de que est am os falando, im plica, ao m esm o t em po, um a série de possibilidades e restrições.
Um a preocupação que condicionou seu em prego, por exem plo, foi a possibilidade de, dent ro da est rut ura narrat iva, a propost a, ser int erpret ada apenas com o um a espet acularização da violência, podendo isso vir a se sobressair, em relação à carga sim bólica conect ada à violência e à int olerância. Se est a m esm a im agem surgisse ao final da apresent ação, poderia parecer apenas m ais um efeit o cinem at ográfico espet acular e m enos represent ar um m om ent o de t ransform ação, de lit eralm ent e “ explodir” algo que chegou ao seu pont o de sat uração, que provocasse, ao m esm o t em po, alívio e m edo.
Assim , a im agem do m om ent o que ant ecede a explosão, a de um a Kom bi parada no m eio do nada, que se apresent a desde o início da apresent ação e que sem pre ret orna (rit t ornelo) em m eio à progressão narrat iva, se podem os falar de narrat iva no caso, est a im inência de um por vir, de um devir por t odos conhecido - o próprio retorno parece dizer que est e é o carro que nom eia a perfom ance. Mas quando, com o? O que se m ost rará, o que se deixará ver, o que conseguirem os ver dest e m om ent o que, sabem os, irá chegar? Um
sent im ent o de urgência pelo que há de acont ecer.
“ Miséria hum ana, perversidade hum ana, est upidez hum ana O ódio const it ui de longe o prazer m ais insist ent e:
Os hom ens am am às pressas, m as det est am longam ent e
O hom em no fundo é um anim al selvagem e t errível. Nós o conhecem os unicam ent e no est ado subj ugado e dom est icado, denom inado civilização....
Em cada um se aninha inicialm ent e um egoísm o colossal, a ult rapassar com a m aior facilidade os lim it es im post os pelo direit o.
Cont udo, à invej a, egoísm o de nossa nat ureza ainda se alia um est oque exist ent e de ódio, ira, invej a, raiva e m aldade, reunidos, aguardando apenas a oport unidade para vir à t ona, para ent ão qual dem ônio libert ado bram ir com fúria e devast ação...
Let t ering: Quant ulacunque adeo est occasio, sufficit irae
Por m enor que sej a a ocasião, ela é suficient e para a ira
Pois o hom em é o único anim al que incut e dor a out ro sem nenhum out ro fim a não ser est e.
Não deixe se cont am inar pela violência do sist em a e guarde
est as im agens para m ant er seu ódio em form a.”40
“ Você cont ra seu irm ão.
Você e seu irm ão cont ra sua fam ília. Você e sua fam ília cont ra sua nação. Você e sua nação contra o m undo.
I rm ão cont ra irm ão Pobres versus ricos Crent es cont ra infiéis Crent es cont ra crent es Hom em cont ra hom em
Eu contra você
Eu e você contra eles Nós contra os outros Todos cont ra t odos.”
Dit ado popular Tuareg.
A apresent ação t em início com um a locução ret irada de Schopenhauer enquant o, nas t elas acom panham os um t ext o inspirado em um dit ado Tuareg, alt ernando com a im agem de um carro, um a kom bi isolada em um a paisagem m ont anhosa.
pouco a m inha vida” ; cort e – um a TV zapeando canais; um a vinhet a com o a de abert ura de um t elej ornal qualquer; as im agens de um a em issora de Tv regist rando a cobertura por part e da m ídia do at ent ado
ao m etrô de Londres41; alt ernando dois blocos de um “ povo fala” ,
linguagem t ípica do j ornalism o, em que se const rói um a fala/ opinião, a part ir da edição de t rechos de depoim ent os de t ranseunt es em locais públicos. As falas condenam os polít icos e o governo. Gravadas na Praça Set e de Set em bro, no cent ro de Belo Horizont e, em verdade os ent revist ados se referem a um cadáver que, após m orrer de frio durant e a noit e, ainda aguarda o rabecão, inert e em um cant o da praça.
Pela nat ureza das im agens, seus processos de produção, com t odas as suas caract eríst icas t écnicas de realização, a câm era incert a, a espont aneidade das respost as, t udo isso denot a um sent ido de urgência do real, enquant o as linguagens do j ornalism o e do docum ent ário são ut ilizadas de form a a im prim ir um senso de proxim idade, at ravés do uso de códigos reconhecidos pelos que os vêem .
Com o afirm a Carl Loeffler: “ Os art ist as podem , de fact o, servir- se de linguagens t elevisivas codificadas para fornecer níveis m últ iplos
41 As im agen foram cedidas pelo program a “ Leila Entrevista” da Rede Minas de TV, cuj a equipe se
de int erpret ação.”42
Um out ro obj et o- im agem que poderíam os dest acar dest a m esm a
apresent ação, é um a founded foot age43, um a im agem em que t em os
um grupo de hippies correndo em um cam po florido, sobrepost a por um a list a cont endo t odos os nom es de grupos e m ovim ent os revolucionários de diversas épocas, form as de ação e de organização, sem im port ar sua ideologia. Pelo excesso de nom es de grupos e de suas infinit as siglas, quase não se consegue ent ender o que significam , m as aos poucos se pode ident ificar um ou out ro nom e e, a part ir disso, com preender que se t rat a de um a ext ensa list a de nom es de grupos. Terroristas? Revolucionários? Heróis? Sonhadores?
A contraposição entre a felicidade descom prom issada, da geração “ paz e am or” dos anos set ent a, e os nom es daquelas organizações que se ut ilizaram da força das arm as para im por suas convicções. A t em poralidade da im agem é alt erada e est a se est ende por longos m inut os, em um grande plano- seqüência que se opõe ao rit m o acelerado das im agens de j ornalism o e TV apresent adas ant es.
Out ra série que se destaca é o m anual do t ít ulo propriam ent e, realizado a part ir de um m anual que circulou anonim am ent e pela I nt ernet . Cham ado “ Segurança Pessoal em áreas de alt o risco - Regras
42 conf apud in BALZOLA, Andrea, “ Para um a virgindade póst um a do engenho audiovisual” in
ARI STARCO,1990: 152.
43 No caso, um a im agem de um film e de educação religiosa encont rada no acervo pessoal de um
para não se t ornar um a vít im a da violência urbana” , dat ado de m aio de 2004, foi apropriado e t ransform ado no “ Guia de sobrevivência ant i- pânico e inversões rot at ivas” .
Exibido com o um a apresent ação em power- point , ressalt ando seu carát er didát ico e com um a est ét ica feit a de t ransições “ duras” ent re t elas, screens com t ít ulos e gráficos est át icos, subdividindo- se ent re, 01) A boa nova: “ quando falam os abert am ent e, não dizem os nada, porém quando escrevem os at ravés de im agens ocult am os a verdade” ; e 02) O horror da sit uação: seqüest ro- relâm pago, seqüest ro com pedido de resgat e, seqüest ro com veículo, assalt o a m ão arm ada, assassinato.
O carát er didádico e ao m esm o t em po obj et ivo da apresent ação que enum era fat os concret os, passíveis de ocorrer com qualquer um nos cent ros urbanos, é, ao m esm o t em po, quest ionado pelo esot erism o e pelo herm et ism o propost o pela “ boa nova” .
Chegam os ao final do t erceiro quart o da apresent ação e a sit uação é t ão t ensa, o sent im ent o de necessidade de se fazer algo, e de se buscar t ransform ar, de algum a form a, a sit uação é t ão int enso que a explosão surge com o válvula de escape. O at ent ado se consum a, a kom bi explode, m as não sem im por suas conseqüências.
A próxim a série de im agens, nosso próxim o “ obj et o audiovisual” , nos m ost ra rost os de crianças, a sensação de ansiedade, por t erem ent re os dedos e os dent es bom binhas de São João, prest es a explodir.
Most ram - se com o se t ent assem provar algo, ao desafiar a explosão.
Os rost os não se diferem daqueles que nos assom bram nos sinais, nas esquinas escuras, de cuj as bocas podem os aguardar t ant o um “ m e dá um t rocado” , quant o um “ isso é um assalt o” . Correndo com arm as de brinquedo em t orno dos carros, im it am os film es, as im agens da TV, os anúncios, as hist órias que povoam um im aginário const ant em ent e abast ecido de violência, real e im aginária.
Últ im a im agem ? É aquela em que o grupo encont ra, em frent e ao lugar para o qual que se dirigiram , ao final da apresent ação, quando descem da van que os leva, um a brasília que arde em cham as, em um a rua desert a. Sem a segurança de t écnicos ou bom beiros, at é onde ir para conseguir o enquadram ent o corret o? Aquela im agem que acabaria por consum ar- se com o est et icização do cot idiano, t ransform ando acont ecim ent o em im agem , se insere nas apresent ações seguint es da m esm a perform ance.
A leit ura de t odos est es signos present es nas apresent ações do grupo, com cert eza, não é unívoca, m as, ant es, plural; pergunt ando m ais do que respondendo, sugerindo m ais do que afirm ando o grupo deixa ao público/ int erador a possibilidade de t irar suas próprias conclusões, a part ir daquilo a que é “ subm et ido” e faz com que idéias preconcebidas sobre as t em át icas t rabalhadas, se não se t ransform em , ao m enos se problem at izem .
A est rat égia narrat iva adot ada pelo grupo se baseia em pequenos núcleos narra- t em át icos que não cont am um a hist ória, m as t ransm it em um sent im ent o. Um a form a de apreensão e int erpret ação que result a em um a proposição, m ais do que em um a afirm ação. Os
procedim ent os de am ost ragem , sam pleagem , m ont agem , sobreposição fazem com que o significado em erj a exat am ent e a part ir da recom binação dos diversos fragm ent os que, organizados em sua “ est rut ura cam biant e” , deixam ao espect ador ou usuário a t arefa de t irar suas próprias conclusões, de encont rar seu próprio sent ido e significados, a part ir de sua experiência e vivência da obra.
A im agem m at erializa- se, explicit ando sua exist ência, enquant o at ivadora do sist em a percept ivo e, no audiovisual ao vivo das perform ances do grupo, o espectador é convidado a experim ent ar, diret a e concret am ent e, aquilo que lhe é com unicado, assim com o, nas cidades, os elem ent os const it ut ivos do discurso e daquilo que com põe a est ét ica do t ext o fazem operar um fluxo sem iológico inint errupt o e com post o de possibilidades quase infinit as de associação.
O ensaio audiovisual que se segue, busca operar com os conceit os aqui descrit os e const ruir um discurso audiovisual que coloque em j ogo a m ult iplicidade de possibilidades abert as por um discurso de várias vozes e m últ iplos operadores - polifônico e essencialm ent e dialógico.
Muit o em bora a concepção e realização de obras que se paut em pelo processo de criação colet iva faça esm aecer, e m esm o dissolver noções com o a de aut oria, est a se encont ra m at erializada em cada um a das im agens e sons aqui em pregados, e m esm o que o present e ensaio t enha sido m ont ado por m im , em verdade, t rat a- se de um a espécie de feit oam ãos Redux, um a vez que produzido a part ir do m at erial realizado pelo grupo em t odos est es anos e que se encont ra aqui reorganizado, const ruindo um novo discurso em que t odos os part icipant es de cada um proj etos do grupo est ej am present es dialogando, por e at ravés de suas im agens, idéias e conceit os.
Est e t rabalho foi est rut urado e com post o conform e as t écnicas e procedim ent os usados nas com posição das apresent ações do grupo. Part indo de um conceit o, que pretende- se exprim ir at ravés de um a apresent ação audiovisual, faz uso de diversas font es bibliográficas,