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Krav om avvik av en viss størrelse?

1 Temaets bakgrunn

2.2 Krav om avvik av en viss størrelse?

prender a atenção do observador num fotograma estático, em contraponto à imagem em movimento da televisão?

É uma linguagem completamente distinta. Há determinadas coisas que funcionam em movimento e não numa imagem estática. Um segundo em televisão tem vinte e cinco imagens, que se seguidas constroem um determinado sentido. A fotografia tem um fotograma. Daí, a necessidade de condensar informação para a ter uma narrativa o mais completa possível, não tem te ser de uma forma óbvia. Da mesma forma que – e voltando à história do retrato – em televisão, as coisas vão fluir e em fotografia não; é aquele instante. Mesmo tendo em conta o tempo de vida de um jornal, que são 24 horas, quando nos fixamos numa fotografia temos todo o tempo do mundo para ver aquela imagem. Não é tanto na televisão, que entra pelos olhos a dentro, mas, pelo contrário, nós é que entramos para dentro da imagem. São linguagens muito distintas e o que as torna, essencialmente, diferentes é a facilidade com que uma imagem do jornal “desaparece”, mas ao mesmo tempo, enquanto vivem, tem mais intensidade do que a televisão. Depois, os registos, a nível estético, são completamente diferentes. 12 - Até onde está disposto a ir quando se trata de obter uma fotografia exclusiva? O que mais facilmente me pode parar é o lado ético da questão. E já me parou.

13 - A fotografia tem sido valorizada pelo jornais onde tem exercido funções ou colaborado como fotógrafo? Se tivesse de afirmar, de zero a cem, que espaço tem sido dado ao artigo escrito e que espaço tem sido concedido à fotografia, que percentagem atribuiria para cada um dos componentes da notícia?

Sem dúvida. O Independente foi um jornal que começou por marcar ainda antes de começar a fotografar. Depois, marcou-me e muito, quando lá trabalhei. Foi o primeiro jornal, em Portugal, que realmente valorizou a fotografia.

Tem havido uma tendência para a valorização da fotografia nos jornais. Se bem que, na história portuguesa contemporânea ou moderna, começou com O Independente. Nos últimos tempos, na primeira fase do i, a fotografia voltou novamente a ter um papel preponderante. Como disse antes, às vezes, less is more. E o i adotou um pouco essa postura. Se há uma tomada de posse em que tenho uma belíssima fotografia, não tem que mostrar a cara de ministro a ministro. Em termos de linguagem fotográfica, isto condiciona imenso. Quando se está a fotografar, uma coisa é saber que a fotografia vai sair deste tamanho e outra é que vai ser publicada num A3. Em termos de composição, estética e em todas as questões formais da fotografia, vai condicionar imenso o trabalho. Condicionar no bom sentido. Não é tanto condicionar, é mais alargar. Faríamos muito mais do que se soubéssemos que estamos a fotografar para um 2:15.

14 - Considera que o trabalho do jornalista-redator condiciona o seu trabalho fotográfico ou, pelo contrário, por norma, funciona como um todo, um bom trabalho de equipa?

Depende. Há pessoas com quem trabalhava melhor em equipa do que outras. Lembro- me de ter ido fazer uma história para O Independente com o Luís Pedro. Aquilo era uma história sobre a castanha. Só que quando chegámos à aldeia, já ninguém ligava às castanhas. De repente, tínhamos um não assunto. Mas aquele sítio era fantástico. Tinha personagens interessantes. A história toda mudou. Havia pessoas com quem trabalhava melhor e com quem, às vezes, construíamos a reportagem, mesmo a fotografia.

15 - Na sua opinião, a fotografia é mais valorizada na imprensa internacional ou o tratamento dado pelas escolhas editoriais é o mesmo que nos media portugueses? Depende o que é a imprensa internacional e o que é a nacional. Realmente, há países onde a imagem tem um peso muito forte. Em França, na Alemanha, Inglaterra, Estados unidos e outros, onde a fotografia é tratada de uma forma completamente diferente. Nós, em Portugal, não temos a figura de um editor de fotografia como acontece em França. Não são fotógrafos. Às vezes, nem sabem fotografar. E não estou a dizer que não haja fotógrafos que não o conseguem fazer, mas é difícil. O seu treino não é tirar a fotografia, mas olhar para um conjunto de 50 imagens e dizer: «são estas dez».

Quando começámos a Kameraphoto, enquanto agência, tivemos um bocado à frente e o mercado português não está ajustado a este tipo de estruturas. Mas fomos a Paris, onde tinham um editor geral de fotografia e depois há editores da especialidade. Há um editor de fotografia para desporto, para o internacional, etc. E se alguém disser «agora vamos fazer um especial sobre a Páscoa», venha um editor de fotografia freelancer editar esse número ou fazer as férias do editor que está de férias. Só por esta orgânica é que vemos a importância da fotografia. Esta orgânica é um reflexo do peso da fotografia e da imagem. São países onde a cultura da imagem é muito mais forte do que em Portugal.

16 - Geralmente, a escolha da legendagem é da autoria do editor de secção ou de fecho. Alguma vez aconteceu a legenda publicada alterar o sentido conotativo e denotativo da imagem?

Imensas vezes. Uma vez estava a fazer um perfil. Conseguimos um acesso altamente privilegiado a uma pessoa e durante mais tempo do que era suposto. A ideia era traçar um perfil de vida. De repente, quando sai na publicação em questão, um dos editores adjetiva essa pessoa de uma forma muito pouco simpática. Haveria um boato sobre essa pessoa, que também não era nada de escabroso, mas da forma como foi utilizado e adjetivado, senti o meu trabalho e do jornalista posto em causa. Quando se escreveu o texto, aparecia de uma certa forma e quando é mostrada na entrada está a insinuar, aliás, a afirmar o contrário. Isso gerou um grande mal-estar na relação com a pessoa. 17 - Que alterações verificou desde o aparecimento da fotografia digital comparativamente com quando trabalhava no analógico?

Foram as piores. Hoje, qualquer pessoa faz fotografia ou pensa que é fotógrafo. E depois, em questões financeiras, também mudou para melhor. As pessoas pensam «não gastas filmes». Não gastamos filmes, mas desgastamos o material. Quando entrei para O Independente, em 1984 ou 1985, era o único jornal onde ainda se fotograva a preto e branco. Os outros já estavam a usar a cor. E revelava-se e imprimia-se à mão – também era um semanário. Era um semanário, mas havia um dia que era um diário a 300 por cento. Quando estive n’ O Independente, existiam quatro fotógrafos no jornal e três na revista. Estive lá até 2004 e muita coisa se passou nos entretantos d’ O Independente. Com o digital houve o desvalorizar do trabalho do fotógrafo, mesmo em termos de remuneração.

A nível de atitude, quando estou a fotografar com um 35 mm digital ou mesmo analógica, não é a mesma de quando estou a fotografar com uma Hasselblad. É uma coisa muito pessoal. É o tempo. Como a DSLR encosto a máquina à cara, foco ou uso autofocus e disparo. Como a Hasselblad, tenho de ir ver a luz no fotómetro, etc. A atitude é outra, não é tão imediata. É como se o momento ganhasse uma solenidade diferente. Não sou eu que tenho mais ou menos respeito a fotografar de uma maneira ou de outra. Como eu posso fotografar com uma máquina e com outra é diferente. Hoje em dia, apenas trabalho com médio-formato em coisas muito pontuais, por causa do custo.

18 - Ao editar as imagens em Photoshop para as preparar para publicação, que alterações costuma fazer nas fotografias?

Digitalmente falando, a mais notória é passar as fotos para preto e branco. Se bem que, à partida, quando vou fazer um determinado trabalho já sei se é a cores ou a preto e branco. Não gosto de manipular as imagens. Elas devem valer pelo que são. 19 - Até onde a edição da imagem deve ser permitida?

Em termos de fotografia de imprensa, o limite será quando estamos, claramente, a adulterar uma verdade. Não digo que é contar uma mentira, mas a adulterar intencionalmente a verdade.

20 - Considera que a edição de imagem está a abalar a crença que o público deposita na fotografia?

As pessoas continuam a acreditar na imagem para validar o acontecimento. Hoje em dia, até mais em termos de televisão. Mas, por outro lado, acho que há uma consciência geral das pessoas de que as imagens, muitas vezes, podem ser manipuladas. Apesar de, muitas vezes, nem saberem muito bem o que isso é. Acho que há uma consciência mais generalizada dessa possibilidade.

21 - Como encara a concorrência dos chamados «jornalistas-cidadãos», que cada vez mais conseguem divulgar as imagens recolhidas de acontecimentos inéditos nos media online, e como vê o aumento do recurso das editorias dos media a fotografias de agência e não dos profissionais da redação?

Para aquilo que gosto de fazer, não os vejo como uma ameaça. Isso funciona no imediato, num determinado momento marcante, seja a queda de um edifício, um desastre ou uma catástrofe natural. O que gosto de fazer é um trabalho mais

estruturado, mais de reportagem. Só que, hoje em dia, os jornais têm cada vez menos espaço para isso e privilegiam muito mais o sensacional e o imediato. Estamos cheios de situações em que os registos de amadores têm um valor documental e histórico enorme. Estou a lembrar-me, por exemplo, do caso óbvio e mais mediático que talvez seja o assassinato do Kennedy.

22 - Porque motivos as editorias recorrem cada vez mais a fotografias de agência e não dos profissionais da redação? Essa opção não poderá revelar uma desvalorização da própria imagem, da importância que esta deve ter no quotidiano das notícias e do próprio trabalho de autor?

Estava a falar que a Kameraphoto tinha surgido antes do tempo e ainda mesmo hoje em dia, o mercado português continua um pouco a contra círculo da generalidade do mercado europeu e ocidental, em termos de fotografia. Continua a haver um corpo de fotógrafos residentes muito forte e grande, o que reduz o espaço aos freelancers. Por outro lado, é um mercado altamente desregulado e descriminado nalgumas situações, até a nível de legislação. Para além do papel do freelancer ser valorizado e estar bem defendido em termos sindicais e legais, numa série de países, em Portugal pode-se pagar o que quiserem. Existem jornais a pagar trinta euros por serviço. Acho que não se pode responder às duas questões na mesma pergunta.

O recurso às agências é por uma questão de custos. Claro que desvaloriza a identidade do jornal, mas valoriza os lucros da sociedade ao final do ano. O nosso mercado é uma coisa completamente horrível e selvagem.

23 - Nos próximos anos, a fotografia irá ser valorizada ou a tendência é para haver uma deterioração da profissão e do uso da própria imagem? Justifique.

Nos jornais, neste momento, muito dificilmente. Quanto mais não seja pelo condicionante socioeconómico que vivemos atualmente, que não deixa capacidade para existir uma grande mudança de atitude. Isso iria implicar as pessoas estarem dispostas a pagar mais por determinado tipo de histórias e não estão. É aí que entra a questão da cultura da imagem ou da fotografia em França, Inglaterra, Estados Unidos e mesmo em Espanha e que tem cá. A lei do Direito de Autor diz que qualquer jornalista, ilustrador, qualquer pessoa que faça uma colaboração para um jornal tem direitos sobre essa obra, mas há uma exceção para a fotografia. Se for propor uma história que fiz a um editor de um jornal, se não tiver, de alguma forma, salvaguardado que os

direitos da imagem são meus, o fotógrafo pode perder os direitos de autor sobre a imagem. Isto é uma lei de 1985, que é uma coisa extraordinária.

Quando foi a entrega dos prémios de fotografia da Sociedade Portuguesa de Autores, João Pina, que ganhou o prémio e alguém leu um texto por ele, em que dizia que enquanto se insistir num jornalismo low cost não vai mudar nada. Tem de haver uma alteração de paradigma em relação ao que é e o que deve ser a fotografia. Tudo isto leva tempo e, às vezes, até é difícil por em prática. Curiosamente, há algumas novas plataformas, como a internet, que podem abrir caminho para fazer coisas que se deixaram de fazer no jornal. Um trabalho mais aprofundado, quase ao nível do ensaio, mais ao nível documental. Para mim, a fotografia editorial deve ser documental. 24 - Os órgãos de comunicação, em geral, e os fotojornalistas, em particular, estão a saber reagir e aproveitar este período de mudança que se vive no fotojornalismo? Começa a haver um despertar para isso, em Portugal. Mas quando se tem como termo de comparação outros casos internacionais…Estou-me a lembrar da Storm, em que fazem conteúdos multimédia para vários jornais. Muitas vezes, o material desses diaporamas é fotografia e locução. São coisas muito bem-feitas. Cá começa a haver. Os jornais e as revistas já começam a ter aplicações para iPad e iPhone. Deveríamos ter aprendido com as coisas do passado. Cá, quando se começou a falar e-papers e as versões online, o erro foi quererem fazer uma cópia do papel em computador e as coisas não funcionam assim. A leitura é outra. As potencialidades são outras e, se calhar, o público é outro.

25- O fotojornalismo é uma profissão valorizada a nível remuneratório?