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2 Høvet til å bruke GPS og digitalt tilsyn etter pbrl. og hol

2.4 Når personen motset seg tiltaket

2.4.3 Krav om å prøve andre alternativ enn tvang

A técnica do grupo focal (GF) é uma metodologia de abordagem qualitativa bastante utilizada em investigações nas áreas de ciências humanas e sociais, para a coleta de dados por meio da interação discursiva entre grupos humanos, em pesquisas que tenham como foco a percepção dos participantes considerando suas crenças, opiniões, atitudes e comportamentos em relação a um tema ou evento. O fundamental é o assunto, que seja objeto de investigação por parte dos pesquisadores, estar relacionado com as experiências pessoais dos membros do grupo focal.

Conforme Gatti (2012), a técnica do grupo focal é uma metodologia que se baseia nos trabalhos desenvolvidos com grupos humanos, com grande utilização na psicologia social, contudo, tendo sido também largamente utilizada em pesquisas na área educacional e sociológica. Fundamentalmente é uma técnica que seleciona participantes que se relacionem com o tipo de problema que se pretende investigar. O critério básico da escolha de um grupo focal é o conjunto de caraterísticas comuns dos participantes do grupo, que lhes qualifiquem para discutir a respeito do problema investigado. Segundo Gatti: “um conjunto de pessoas selecionadas e reunidas por pesquisadores para discutir e comentar um tema, que é objeto de pesquisa, a partir de sua experiência pessoal” (2012, p. 7).

A autora (2012), afirma que, as primeiras utilizações do método do grupo focal, como técnica de pesquisa deu-se nos EUA por volta da década de 1920 em pesquisas na área de marketing. Posteriormente, na década de 1950, foi

utilizado pelo sociólogo estadunidense Robert K. Merton (1910-2003), o mesmo que tratou das teorias sociais de médio alcance e que apresentamos na Introdução da presente tese, em estudos sobre as reações de seres humanos às propagandas de guerra. Os grupos de discussão se constituíram como fontes de coleta de dados e informações em pesquisas nas áreas de comunicação, pesquisas sobre serviços e ou materiais, também em estudos sobre a aceitação, pelo público, de filmes e/ou programas televisivos nas décadas de 1970 e 1980. Mas, somente, no final do século XX é que passou a ter uma maior sistematização como método de pesquisas e consequentemente, acabou por ampliar sua utilização no âmbito das ciências humanas e sociais em geral.

Para Malhotra (2006) a técnica dos grupos focais consiste na realização de uma entrevista de forma não estruturada com um pequeno grupo de entrevistados previamente selecionados. É um método que privilegia a naturalidade, isto é, que os participantes estejam em seu próprio ambiente e que se sintam o mais à vontade possível nas reuniões, para que os dados obtidos para posterior análise reflitam os pensamentos dos participantes, de forma livre. Esse método, para o autor (2006), é uma técnica que tem a grande vantagem de evitar que opiniões formadas ou expostas nas falas, perca a originalidade em função do respeito às hierarquias sociais ou de ambientes de atuação conjunta entre os membros.

Vergara (2004) entende que grupo focal é um reduzido número de sujeitos que aceitam voluntariamente discutir sobre determinado problema a ser investigado, junto com um pesquisador ou uma equipe de pesquisadores, para obter informações sobre o assunto em estudo. É uma técnica que permite maior foco e direcionamento na análise dos conteúdos de coletas de dados. Isso facilita para o investigador organizar de maneira focada e sistematizada as informações a respeito do problema que esteja sendo investigado pela equipe de trabalho.

Interessante também é o que afirma Leitão (2003), para quem o grupo focal é utilizado como uma espécie de álbum de viagem com anotações, por gerentes e administradores (uso focal para trabalhos da área de marketing) e também por pesquisadores e suas equipes, no caso de investigações científicas e acadêmicas. Tem a vantagem de dar aos leitores e leitoras que

não puderam participar, uma imagem da atmosfera em que se desenvolveram as discussões, bem como serve de auxílio à compreensão sobre as personalidades envolvidas no processo de investigação durante as reuniões de trabalho. Quando gravado em áudio e vídeo, permite um contato mais próximo entre pessoas que não participaram diretamente das reuniões do grupo. Obviamente que as gravações em áudio, e principalmente em vídeo, sempre deverão ter o consentimento expresso dos partícipes, para que sejam analisados aspectos relativos à expressividade corporal que será confrontada com as opiniões proferidas durante o ciclo de reuniões dos grupos.

Parent et al, (2000), afirmam que o grupo focal é um método de criação de conhecimento, adotado há muito tempo nas organizações e se assemelha ao brainstorm, isto é, a criação de oportunidades e condições para os sujeitos da pesquisa digam o que pensam, quais são as suas ideias a respeito de determinadas questões tratadas em suas respectivas organizações. A principal característica do grupo focal é ser uma técnica potencialmente apta à criação de novos conhecimentos, mesmo sobre assuntos que já se tenha extensas informações, pois se utiliza da percepção das experiências e interpretações de diferentes sujeitos, e que são naturalmente mutáveis de acordo com cada uma das experiências cotidianas.

Oliveira e Freitas (1998), afirmam que o grupo focal é basicamente um tipo de entrevista de maior nível de aprofundamento, realizada em grupo por meio de reuniões cujas características são definidas previamente quanto à proposta, o tamanho, a composição e os tipos de procedimentos de condução dos encontros. O foco, isto é, o objetivo de análise são as interações dentro do próprio grupo. Assim, o trabalho com a técnica dos grupos focais permite ao investigador desenvolver um aprofundamento das questões discutidas, cujo foco está nas próprias interações entre os sujeitos.

Debus (1998), aponta como vantagem a utilização dos grupos focais, pelo fato desta técnica permitir explorar com profundidade a natureza e a dinâmica de atitudes relacionadas aos comportamentos dos membros participantes e também de tornar possível a observação direta dos usos da linguagem, e o afloramento de emoções entre os participantes. Nesse sentido, a linguagem e as emoções, associadas com a problemática tratada são dados importantes para o investigador e sua equipe de trabalho, pois revelam como

esses sujeitos se pronunciam e reagem ao assunto proposto nas reuniões. Feita a opção por esta técnica, cabe salientar que um importante recurso no trabalho com grupo focal é o uso do princípio da não diretividade, em que o facilitador ou moderador não poderá em momento algum afirmar ou negar suas próprias convicções, afim de que o grupo desfrute da maior liberdade possível para os sujeitos discutirem suas opiniões, e em que elas se apoiam. Mas, se espera do facilitador ou moderador o tato suficiente para manter a coerência das discussões argumentativas, sem que os partícipes percam a linha central do que é discutido no grupo focal.

No caso desta investigação, nossos critérios seletivos tinham como ponto central a questão dos conflitos e conflitualidades/violências em escolas públicas, conforme percebido pelos dois grandes grupos: educandos e educadores (docentes e gestores).

Destacamos que o grupo focal permitiu uma interação que estimulou novas ideias entre os participantes. O que aconteceu a partir de: a) a saudável pressão do grupo desafiou e pôde gerar novos pensamentos nos membros; b) a competição pelo uso do tempo foi um auxílio na organização dos pensamentos; c) as opiniões de uns e outros permitiram sínteses criativas e; d) favoreceu a obtenção de um significativo número de dados.

Estivemos atentos a dois aspectos: a) se algum participante poderia se sentir desconfortável diante de desconhecidos (membros da equipe de trabalho); b) conciliar o número de participantes nos grupos. Em ambos obtivemos resultados satisfatórios. Houve ótima interação entre conhecidos e desconhecidos, e o número de sujeitos permitiu desenvolver ótimo entrosamento e produtivas discussões.

Nos encontros os temas abordados: violências, conflitos e conflitualidades na sociedade e nas escolas públicas, não foram discutidos de forma tão complexa a ponto inviabilizar ou dificultar a participação e elaboração de respostas. A abordagem que utilizamos esteve perfeitamente de acordo com a compreensão e linguagem, sobretudo dos educandos, para incentivar a reflexão destes. Este formato de trabalho foi o que permitiu que o assunto fosse tranquilamente abordado, refletido e discutido por todos os participantes de maneira rica e produtiva, em nosso entendimento.