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4. Analyse

4.1. Eksamenssettet for norsk hovudmål våren 2016

4.1.5. Kontekst

Interpretamos que esse trabalho incorpora diversos aspectos metodológicos, de forma que alguns se destacam mais do que outros. De qualquer maneira, nosso olhar se firma macroscopicamente na pesquisa qualitativa. Segundo (REY, 2005, p. 105) a pesquisa desta natureza é “um processo aberto submetido a infinitos e imprevisíveis desdobramentos, cujo centro organizador é o modelo que o pesquisador desenvolve e em relação ao qual as diferentes informações empíricas adquirem significados”.

Afunilando na metodologia qualitativa este trabalho se pauta, especificamente, em três vertentes que se mostram atreladas. Não se deveria estipular uma ordem para enunciá-las, pois elas ocorreram quase que mutuamente, porém apenas pela necessidade da descrição a divisão é necessária.

Do fato de estar presente nas aulas de EMAP têm-se três situações: descrição, participação, análise. De forma que as duas primeiras são características do Estudo de Caso e a última (análise) se coloca como necessária às conclusões da pesquisa.

Caracterizando a descrição temos o estudo de caso. (SARMENTO, 2003, p. 138) ao lidar com os estudos de caso de escolas diz que é “um formato metodológico que deve a sua divulgação, antes de mais, ao facto de perspectivarem holisticamente as unidades organizacionais”. Ou seja, a base desta metodologia está na interpretação contextual. Ela se mostra importante neste trabalho, uma vez que há a necessidade de investigar no contexto como os participantes pensam a disciplina EMAP.

É possível convergir ainda mais nesta metodologia. Apesar de não mantermos o foco numa análise minuciosa a respeito das formas de comportamento ou produção dos sujeitos envolvidos no curso de Licenciatura em Matemática da UFU, interpretamos que há uma cultura do curso e cada disciplina também possui a sua, sendo influenciada pelo projeto do curso e pelas ementas das disciplinas. Portanto, é interessante pautarmos nossos estudos sobre EMAP em uma análise qualificada como etnográfica. Embora não queiramos nos aprofundar muito na discussão, como dissemos anteriormente, compreendemos que essa pesquisa é alicerçada por uma pluralidade de características próprias de diversas metodologias, por isso a importância de elucidarmos algumas interpretações sobre a pesquisa etnográfica. Moreira descreve que:

[...]a metodologia etnográfica é qualitativa e holística, fazendo uso da intuição e de outras habilidades do investigador para interpretar descritivamente uma cultura. Seu interesse é descobrir (no sentido de construir uma descrição compreensiva e contextualizada) e não em verificar (MOREIRA, 2002, p. 7, tradução nossa).

Entendemos que os estudos de caso, sobretudo os etnográficos, exigem do pesquisador convivência no ambiente e com os sujeitos pesquisados, não somente para evitar o estranhamento, mas também para compreender e se inserir na cultura daquele meio a fim de prover interpretações holísticas. Ainda que saibamos que essa cultura sempre está em movimento, exaltamos o comprometimento para acompanhar o fluxo de informações, fatos e comportamentos.

Marli André ressalta que uma das características do trabalho etnográfico em educação é a presença em campo, ou seja, “o pesquisador aproxima-se das pessoas, situações, locais, eventos, mantendo com eles contato direto e prolongado” (ANDRÉ, 2008, p. 29).

Ressaltamos então que o pesquisador que vos escreve esteve presente no curso, vivenciando as dificuldades e contentamentos dos discentes, pois foi um deles. Participou como estudante da disciplina, posteriormente esteve presente em alguns encontros, os quais resultaram em seu trabalho de conclusão de curso. Quando graduado, motivado por essa pesquisa, participou “ativamente” da mesma durante dois semestres consecutivos, interagindo com o professor, bem como com os alunos, de forma a participar das discussões, inclusive de alguns trabalhos.

Cabe aqui uma observação importante. Entende-se que a participação ativa do pesquisador pode influenciar a pesquisa. Concordamos com tal afirmação, e não negamos que o fizemos, porém, nossa filosofia converge para uma “perspectiva Freiriana”, na qual o “diálogo” é um “encontro de homens que pronunciam o mundo” (FREIRE, 1983, p.93), sendo ele ainda, “um ato de criação” (FREIRE, 1983, p.94). Além disso, pensamos que “Quem observa o faz de um certo ponto de vista, o que não situa o observador em erro. O erro na verdade não é ter um certo ponto de vista, mas absolutizá-lo [...]” (FREIRE, 2011b, p. 16). Compreendemos também que a partir do momento no qual nos inserimos em uma pesquisa etnográfica torna-se complicado o distanciamento dos sujeitos pesquisados, como podemos verificar nos aspectos concernentes ao caráter participativo.

Apesar de zelar pelo caráter de pesquisa que implica em certo distanciamento do pesquisador, a autora André afirma que a pesquisa etnográfica traz a interação entre o pesquisador e o objeto pesquisado, sendo que

Os dados são mediados pelo instrumento humano, o pesquisador. O fato de ser uma pessoa o põe numa posição bem diferente de outros tipos de instrumentos, porque permite que ele responda ativamente às circunstâncias que o cercam (ANDRÉ, 2008, p. 28).

Não obstante da descrição, temos a participação nos encontros como algo que superou a observação. É natural nas descrições do estudo de caso a participação por meio da observação e para além, Moreira relata a participação na pesquisa etnográfica:

O investigador etnográfico tem, consequentemente, dois papéis: participante e observador. Por um lado ele tem que se envolver com o grupo, por um lado ele tem que “se aculturar” ao mesmo. Por outro lado, deve ser capaz de observar, interpretar, discernir, desenvolver a perspectiva holística (MOREIRA, 2002, p. 7, tradução nossa).

Como dito anteriormente, temos ciência de que a participação nos encontros modifica o comportamento dos presentes, principalmente quando o(s) grupo(s) aos quais nos referimos são reduzidos como foi o caso nas turmas de EMAP que contribuíram com essa pesquisa. Não refutamos questionamentos dos estudantes quando os mesmos os faziam, ou seja, tudo ocorreu naturalmente.

André (2008) expõe algumas outras características do trabalho etnográfico em educação, como por exemplo, a análise de documentos como meio de contextualização dos fenômenos ou explicações mais profundas acerca dos mesmos, bem como a ênfase no processo e nem tanto no produto e também a preocupação com o significado, no sentido de que existe o cuidado “com a maneira própria com que as pessoas vêem a si mesmas, as suas experiências e o mundo que as cerca” (ANDRÉ, 2008, p. 29). Nesse trabalho entendemos que as conclusões de fato são apenas resultados do processo que estamos preocupados em analisar. O objetivo não é testar teorias para verificá-las, mas sim, a partir da ementa de EMAP, permitir liberdade aos discentes para (re)significar seus conceitos e percepções relacionadas à disciplina.

Como forma de sintetizar ideias de vários autores que escreveram sobre o estudo de caso etnográfico, André (2008, p. 51-52) enumera cinco pontos concernentes a tal metodologia e, nós além de trazê-los logo abaixo, buscamos explicar as conexões

de cada um deles com essa pesquisa. Nesse sentido, o estudo de caso deve ser usado quando:

1 – “Se está interessado numa instância em particular, isto é, numa determinada situação, numa pessoa ou num específico programa ou currículo”. Estamos interessados na disciplina EMAP.

2 – “Se deseja conhecer profundamente essa instância particular em sua complexidade e em sua totalidade”. Analisando a documentação do curso e da disciplina, bem como no convívio com os alunos, entrevistas e análise de trabalhos elaborados buscamos compreender melhor como se dá o processo de formação do professor na referida disciplina.

3 – “Se estiver mais interessado naquilo que está ocorrendo e no como está ocorrendo do que nos seus resultados”. Baseados no projeto, na ementa, nos trabalhos e relações dos discentes, tentamos perceber como se dá a formulação e a resolução de problemas na disciplina. Não desmerecendo os resultados finais, como os trabalhos de conclusão de EMAP, entendemo-los como parte integrante do processo.

4 – “Se busca descobrir novas hipóteses teóricas, novas relações, novos conceitos sobre um determinado fenômeno”. Buscamos verificar como se dá a Formulação de Problemas por parte dos discentes, bem como suas relações e significações em meio à disciplina.

5 – “Se quer retratar o dinamismo de uma situação numa forma muito próxima do seu acontecer natural”. Buscamos de fato retratar os fatos e ideias como se deram, naturalmente.