I. INNLEDNING
3.3. KONTAKT OG NÆRHET
Quando pretendemos conhecer uma dada região no que concerne ao seu mercado de trabalho, um dos principais indicadores que tendemos analisar é o emprego local. Neste sentido, mostra-se de elevada pertinência avaliar o comportamento da UMinho afim de saber qual o seu contributo nesta área específica.
Avançaremos nesta pesquisa, não sem antes conhecermos a região que incorpora tanto a cidade de Braga como a de Guimarães, uma vez que é nestes dois pólos que a Universidade se encontra implantada.
A envolvência geográfica existente é um fator crucial para a compreensão das dinâmicas presentes ao nível de emprego. A região do Vale do Ave, onde se encontra inserida a cidade de Guimarães, caracteriza-se fortemente pela predominância do sector secundário e terciário33.
Decorrente desta realidade, subsiste um elevado número de empresas de média dimensão cuja produção se insere maioritariamente na indústria têxtil e do vestuário destinada à exportação34.
Perante a profunda crise vivida neste sector, é com agrado que se constata a resistência de um
33 Ver Anuário Estatístico da Região Norte 2009
34 Veja-se a respeito da Industria têxtil e de vestuário, e para melhor compreensão deste tipo de indústria, o Estudo realizado pela EDIT VALUE –
78
grande número de empresas as quais se redimensionaram e reorganizaram rumo á internacionalização. O contributo da UMinho para esta ocorrência é inegável, nomeadamente através do desenvolvimento de tecnologias pioneiras dedicadas a este sector industrial, ação a que se juntaram outros organismos como é o caso do CITEVE.
A cidade de Braga, cuja história se encontra intimamente interligada com a religião católica, atraiu desde sempre um elevado número de turistas, tanto nacionais como internacionais, motivo pelo qual vigora maioritariamente o setor terciário35. O leque de serviços
disponibilizados tem acompanhado a diversidade da população residente na região bem como os seus costumes. A esta situação falta ainda acrescentar que Braga se apresenta como ponto essencial dentro da NUT III: Cávado, atraindo investimento significativo, ainda que se encontre rodeada de localidades economicamente deprimidas36. Tal como enunciado no Programa de
Desenvolvimento Regional da Região Norte (2007):
A Região Norte apresenta marcadamente uma dualidade territorial, existindo uma zona urbana metropolitana a que se contrapõe uma zona rural e agrícola.
Na zona urbana sobressaem as cidades do Porto, Braga, Guimarães, que se assumiram como os pilares da organização territorial e o seu desempenho é superior ao restante território, bem como o seu posicionamento competitivo, dado aí existir forte especialização em sectores ditos tradicionais como o calçado, têxtil e vestuários (p.10).
Quanto ao indicador desemprego, em 2009, a região Norte de Portugal foi alvo de uma elevada taxa, cerca de 11%, sendo as mulheres e os jovens os mais afetados37. Por este motivo,
é visível uma ligeira adaptação às novas condições sociais existentes.
O papel que compete à UMinho é, nestas circunstâncias, de enorme relevo, uma vez que o seu contributo para a sustentação dos níveis de emprego far-se-á não só através dos seus quadros de pessoal, ou seja, emprego criado de forma direta, mas também de forma indireta e induzida. Para o apuramento deste contributo, a opção de cálculo recaiu sobre uma abordagem simples, tal como enunciado por Dias (2001), Rego (2002) e mesmo Fernandes (2007).
35 Ver Anuário Estatístico da Região Norte 2009
36 Esta caracterização de localidades economicamente deprimidas, tal como enunciado por Rego (2004) relativamente à região alentejana, é
constatada pelo facto de vários concelhos periféricos às cidades de Braga e Guimarães evidenciarem elevados níveis de desemprego, pobreza e condições de vida abaixo da média. Veja-se a este respeito o Anuário Estatístico da Região Norte, 2009.
79
Para levar a cabo esta tarefa, recorreu-se aos dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística para conhecer o volume de produtividade da Região Norte do país. Para essa operação utilizamos a informação disponibilizada relativa ao Valor Acrescentado Bruto (VAB) e ao Emprego38, obtendo a partir desse rácio a referida produtividade marginal do trabalho (ver quadro
anexo C.4.1). Convém, desde já, salientar que se tomou como pressuposto que a produtividade da Região Norte é idêntica à apresentada por cada uma das várias áreas geográficas previamente definidas. Para finalizar e para conhecermos os acréscimos ao nível do emprego, dividimos os valores anteriormente apurados referentes ao total de impactos indiretos e induzidos por cada região em estudo (ver quadro anexo C.4.2 e C.4.3), ou seja, os valores relativos ao acréscimo no produto gerado pela UMinho, pela produtividade marginal do trabalho, obtendo assim a totalidade de impactos indiretos e induzidos ao nível do emprego. Estes valores encontram-se explícitos na tabela 20.
Tabela 20: Impactos indiretos e induzidos ao nível do emprego
Impacto Indireto Impacto Induzido Impacto Total Parcial
Braga e Guimarães 1.293 2.932 4.225
Distrito de Braga 325 153 479
Entre Douro e Minho 244 298 542
Região Norte 26 89 115
A partir destes resultados, podemos concluir que o impacto da UMinho revelou-se considerável, tendo criado ou sustentado cerca de 4.200 empregos nas cidades de Braga e Guimarães, e cerca de meio milhar tanto no distrito de Braga como na Região Entre Douro e Minho. No entanto, estes resultados quando comparados com os estudos realizados à Universidade do Porto e à Universidade de Évora mostram que a Universidade do Minho ainda se encontra aquém da sua missão. É necessário, porém, salientar que as limitações metodológicas com que nos deparamos, nomeadamente a inexistência de matrizes input-output regionais, ditaram a impossibilidade de construção e caracterização rigorosa da oferta de emprego nas diferentes áreas de estudo.
80
3.5.5. Atuação da Universidade do Minho e o seu relacionamento com os