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4.2 Ekstern Analyse

4.2.1 Konkurrentanalyse

O estudo de caso é uma entre muitas estratégias de pesquisa passíveis de serem trabalhadas em uma abordagem qualitativa de pesquisa, assim como os levantamentos, as pesquisas históricas, os experimentos, entre outras. A escolha por uma ou outra estratégia deve ser definida, segundo Yin (2005), a partir de três condições: o tipo de questão a ser respondida pela pesquisa, o controle que o pesquisador possui sobre os eventos comportamentais e, por fim, o grau de enfoque em fenômenos históricos em contraposição a acontecimentos contemporâneos.

É comum que muitos pesquisadores classifiquem as estratégias de pesquisa de forma hierárquica. Nessa visão, os estudos de caso seriam adequados para uma etapa exploratória de pesquisa, abrindo caminho para os levantamentos e pesquisas históricas, que permitiriam a fase descritiva do trabalho e, por fim, as investigações explanatórias só seriam possíveis a partir de experimentos. Concordamos com Yin (2005) quando afirma que esse entendimento é equivocado, e que é preciso uma visão pluralística das estratégias de pesquisa. Conforme explica, cada estratégia pode ser usada tanto para fins exploratórios, descritivos, quanto explanatórios, pois o que as diferencia não é a hierarquia, mas as condições apresentadas no parágrafo anterior, que permitem a escolha mais apropriada a cada pesquisa.

Segundo Yin (2005, p. 19), o estudo de caso é a estratégia mais adequada quando “se colocam questões do tipo Como? e Por quê?, quando o pesquisador tem pouco controle sobre os acontecimentos e quando o foco se encontra em fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real”. Questões desse tipo, envolvendo “o como” e “o porquê” de determinada situação, envolvem fatos que precisam ser traçados ao longo do tempo e dificilmente seriam respondidas por meio de repetições ou incidências obtidas com uma estratégia de levantamento, por exemplo. De qualquer modo, é preciso lembrar que as estratégias se sobrepõem em muitos momentos no que tange às técnicas utilizadas e, para muitas questões, a opção do pesquisador, em termos de preferência ou afinidade, será o critério final de decisão entre uma ou outra.

Um ponto que vale discutir é que, apesar de ser muito frequente nas Ciências Sociais (na Psicologia, Sociologia, Ciência Política, Trabalho Social, Planejamento Social etc.), há certo desprezo por parte de muitos pesquisadores para com o estudo de caso como estratégia de pesquisa, contrapondo-se a uma maior valoração dos experimentos e levantamentos. Uma das razões desse preconceito talvez resida na preocupação com a falta de

rigor da pesquisa, que levaria o pesquisador a negligenciar evidências ou utilizá-las de maneira equivocada ou mesmo utilizar visões tendenciosas para tecer constatações e conclusões acerca dos fenômenos. Como alerta o autor, os vieses podem acontecer em qualquer outra estratégia, como na elaboração dos procedimentos de um experimento, na condução de um estudo histórico etc. Acrescentamos aqui que as análises estatísticas, por exemplo, consideradas como de grande confiabilidade em estudos de abordagem quantitativa, podem, facilmente, serem usadas – e manipuladas – para “mascarar” a realidade.

Outra crítica reside na dificuldade de se fazer uma generalização a partir de um estudo de caso, uma vez que constitui uma situação única e particular. Para Yin (2005, p. 30), da mesma forma que os experimentos, os estudos de caso

[...] são generalizáveis a proposições teóricas, e não a populações ou universos. Nesse sentido, o estudo de caso, como o experimento, não representa uma ‘amostragem’, e, ao fazer isso, seu objetivo é expandir e generalizar teorias (generalização analítica) e não enumerar frequências (generalização estatística).

Para Chizzotti (2006, p. 138), o estudo de caso não visa generalizações, mas, apesar disso, “um caso pode revelar realidades universais porque, guardadas as peculiaridades, nenhum caso é um fato isolado, independente das relações sociais onde ocorre”.

Prosseguindo na discussão do estudo de caso enquanto estratégia de pesquisa, Yin discute que o escopo de um estudo de caso se assenta em alguns pressupostos. O estudo de caso é uma investigação empírica voltada ao entendimento de um fenômeno em seu contexto real, dentro da contemporaneidade. Por isso, num estudo desse tipo, é preciso lidar com muitas variáveis de interesse, mais que com dados claros e objetivos. Assim, por basear-se em várias fontes de evidências, pode convergir para uma triangulação dos dados. Por outro lado, beneficia-se das proposições teóricas desenvolvidas previamente, que possibilitam a condução da coleta e análise desses dados.

Com relação à estrutura do projeto de pesquisa envolvendo um estudo de caso, o autor destaca a importância de alguns elementos especialmente importantes: a definição das questões, suas proposições (aspectos que devem ser analisados dentro do escopo do estudo), sua unidade de análise (definir qual é o caso a ser analisado), a lógica que une os dados às proposições e os critérios para interpretação das constatações.

No que diz respeito às fontes de evidências do estudo de caso, destacam-se seis: documentação, registros em arquivos, entrevistas, observação direta, observação participante e artefatos físicos. Um único estudo de caso pode ser baseado em várias fontes, o que, segundo Yin, seria ideal. Além disso, é importante que exista um encadeamento das evidências, lembrando que cada uma delas apresenta pontos fortes e fracos13.

Em relação à análise das evidências, Yin alerta ser uma das etapas mais complicadas no estudo de caso. Ter uma estratégia analítica permite que o pesquisador possa considerar suas evidências adequadamente, evitando interpretações alternativas e vieses, e produzindo considerações convincentes acerca dos dados. Para tanto, sugere três possíveis estratégias gerais para análise:

i. Baseada em proposições teóricas: A mais utilizada das estratégias, que consiste em

seguir as proposições teóricas que levaram ao estudo de caso, uma vez que foram elas que orientaram as questões de pesquisa, a revisão da literatura, e, portanto, podem também dar forma à coleta de dados e indicarem as análises relevantes. As proposições permitem definir quais os dados que merecem foco e quais podem ser ignorados.

ii. Pensando em explanações concorrentes: Consiste em definir e testar explanações

concorrentes, podendo ser associada à estratégia anterior quando esta envolve hipóteses concorrentes em suas proposições, embora estas não sejam necessárias para que a estratégia seja desenvolvida.

iii. Desenvolvendo uma descrição do caso: Desenvolve-se uma estrutura descritiva a fim

de organizar o estudo de caso. Pode ser usada quando o propósito central do estudo é realizar uma descrição ou para uma abordagem descritiva que auxilie na identificação das ligações causais que interessam ser analisadas, ainda que de forma quantitativa.

As três estratégias descritas fundamentam algumas técnicas analíticas específicas para a análise dos dados do estudo de caso:

i. Adequação ao padrão: Consiste em comparar um padrão empírico com outro de base

prognóstica ou com várias previsões alternativas. Caso haja coincidência entre esses padrões, o estudo de caso tem sua validade reforçada.

13 Em seu livro, o autor discorre detalhadamente sobre cada uma dessas fontes, mas optamos por não discuti-las

por entender que isto não se faz necessário, neste momento, ao entendimento do trabalho que ora desenvolvemos.

ii. Construção da explanação: O objetivo é analisar os dados baseando-se na construção

de uma explanação sobre o caso em estudo. Em geral, a construção da explanação ocorre na forma de narrativa. Idealmente, o desenvolvimento do texto deve refletir as proposições teoricamente significativas, e estipular, durante a explicação, os elos causais em relação ao fenômeno estudado. Yin alerta sobre o risco de, ao longo da explanação, ocorrer um desvio do tópico inicial de interesse, o que pode ser evitado a partir de constantes referências ao objetivo da investigação, ainda que se façam explanações alternativas, quando necessário.

iii. Análise de séries temporais: Bastante complexa, essa técnica fundamenta-se na

paridade de uma tendência de pontos de dados com uma tendência teórica explicitada no início do estudo, uma tendência concorrente, previamente determinada ou, ainda, qualquer tendência que seja baseada em uma ameaça à validade interna do estudo. Dentro desta técnica inclui-se também a análise cronológica de um evento, comparando-a com uma teoria explanatória.

iv. Modelos lógicos: Os eventos são representados ao longo do tempo por meio de

padrões de causa-efeito-causa-efeito, de forma que eventos empiricamente observados são comparados com eventos previstos teoricamente. Muito parecida com a adequação ao padrão, difere pelos estágios sequenciais que organizam os dados.

v. Síntese de casos cruzados: Utilizada quando se faz a análise de, no mínimo, dois casos

ou para casos múltiplos. Cada caso é tratado de maneira individual e os dados são cruzados para análise.

Por fim, para a construção do relatório de pesquisa de um estudo de caso, pode-se recorrer a diferentes estruturas: analíticas lineares, comparativas, cronológicas, de construção da teoria, de suspense, não-sequenciais. As três primeiras são adequadas aos estudos tanto descritivos quanto exploratórios e explanatórios. A estrutura de construção da teoria aplica-se em estudos exploratórios e explanatórios, a de suspense aos estudos de casos explanatórios e as não-sequenciais são mais adequadas a estudos descritivos. A estrutura analítica linear é a organização padrão dos relatórios de pesquisa e consiste em uma sequência de tópicos, partindo do tema ou problema em questão, seguida pela revisão da literatura mais relevante sobre o assunto, análise dos métodos utilizados, das descobertas resultantes da análise de dados e, por fim, conclusões e implicações derivadas dessas descobertas.

Com base nesses pressupostos, delineamos a nossa pesquisa, conforme descrevemos no próximo tópico.