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Konklusjoner og implikasjoner for praksis

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Ao contrário de outros países europeus, Portugal não possui a importância internacional e consequente mediatismo que o SAQ procura no momento de planear ataques terroristas. Se por um lado, o argumento é válido, por outro demonstra ignorância quanto ao funcionamento dos grupos jihadistas e falta de aprendizagem com a experiência de países vizinhos.

A Comunidade Islâmica de Portugal (CIP) começou a desenhar-se na década de 1950 com a chegada de muçulmanos para estudarem no país. Com a descolonização deu-se a chegada da maioria dos atuais imigrantes islâmicos em Portugal. De origem maioritária sunita, mas também em grande número xiitas do ramo ismaelitas nizaritas, vieram de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), principalmente moçambicanos247 e cidadãos da Guiné-Bissau (Costa, 2006). Em meados da década de

1990, deu–se início a uma nova vaga de imigrantes, maioritariamente de Paquistão e do Bangladesh, vistos como mais facilmente propensos à radicalização jihadista. Estima-se que os seus números se balizem entre os 15,025248 e os 50000249.

246 Vide Anexo XXII. 247

País que já registava mais de 20% de crentes islâmicos, em meados de 2007 já havia relatos de radicalização no seio do Partido Independente de Moçambique (PIMO) (Torres, 2009: 82).

248

Vide Anexo XVIII.

249 No seu site oficial, a CIP aponta para 40000 muçulmanos em Portugal enquanto uma reportagem da TSF

63 Ao que tudo indica, a maioria da comunidade encontra-se integrada, o que não implica que não haja recrutamento e radicalização no seu seio. O Tablighi Jama’at, grupo

que como sabemos serve como plataforma para o Jihadismo, estabeleceu-se em Portugal em 1979 e a sua ação em espaço português já deu sinais preocupantes250. Um

dos cinco bombistas suicidas da célula desmantelada em Barcelona em 2008, Imran Cheema tinha entrado na Europa, mais concretamente em Portugal (Reinares, 2010b), através do grupo Tablighi. Outro exemplo é o de Abdelaziz Benyaich, acusado de participação nos ataques em Casablanca em 2003, o qual estava em Portugal para frequentar o Ijtimah, a reunião anual do grupo onde congregam membros de todo o mundo (Noivo, 2010).

À semelhança de Espanha, Portugal também faz parte das “redes de suporte do SAQ”, as quais se dedicam a recolher fundos, material e passaportes falsos para a atividade operacional de células espalhadas pelo mundo. Em finais de 2001, o Serviço de Informações de Segurança (SIS) e a Direção Central de Combate ao Banditismo251

(DCCB) da Polícia Judiciária (PJ), obtiveram acesso à informação dos serviços secretos espanhóis e americanos relativamente a Eddin Yarkas. Pelo material que foi recolhido, Yarkas teria o contacto de vários norte-africanos residentes em Portugal, a sua maioria na urbe lisboeta252 (Vegar, 2007: 177).

Desde a tentativa de assassinato do embaixador israelita em Portugal em 1979, e o homicídio de Issam Sartawi, um dos fundadores da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) por um membro da Organização Abu Nidal253 (OAN), quatros anos mais

tarde, que não se têm registado outros incidentes do género em território nacional. Contudo, como nos indicam os casos mais recentes, Portugal é território integrante da estratégia jihadista254. Como ficou demonstrado no atentado falhado da Noruega255 e

noutros casos, países periféricos europeus poderão, cada vez mais, tornar-se locais úteis para o SAQ256.

250

Caso de algumas mesquitas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto que se julga serem controladas pelo grupo e usadas como possíveis fontes de radicalização (Noivo, 2010).

251

Atual Unidade Nacional Contra o Terrorismo (UNCT).

252 Não será por demais relembrar o passado de Yarkas. Líder máxima da al-Qaeda em Espanha (quiçá em

toda a Península Ibérica), tinha ligações com as outras grandes células do SAQ em território europeu. A célula “espanhola” focava-se nas atividades de recrutamento, financiamento e apoio técnico a outras células. Mohammed Zouaydi já referido como tendo sido detido em Espanha, e Said Chedadi, ambos ilustres responsáveis pelo financiamento e recrutamento da al-Qaeda na Europa, passaram por Portugal antes do 11 de setembro. Delower Hossain, um dos representantes da al-Qaeda veio ao nosso país em 2004 e reuniu-se com as comunidades de Lisboa, Odivelas e Palmela (Torres, 2009: 83; 85).

253

Em tempos, considerada a organização terrorista mais prolífera do mundo: Para mais sobre a OAN, vide John Worman (2013), pp. 57-69.

254

Neste sentido, consultem-se os casos mais mediáticos dos últimos dez anos em solo português em Anexo XXIII.

255

Vide Brynjar Lia e Petter Nesser, (2010).

256

Existem rumores (serviços secretos russos) de que os últimos fogos que têm devastado a Península Ibérica tenham sido obra de jihadistas (Kern, 2012). Não havendo indícios que corroborem esta versão, a

64 Tal como outros tantos países europeus, cada vez mais jihadistas são forjados em Portugal e, através de Londres ou Espanha, são redirecionados para participar na jihad internacional. Só na Síria estimula-se que estejam mais de uma dezena de foreign

fighters portugueses (Franco et al., 2014; RASI, 2014). Ainda segundo o Relatório Anual

de Segurança Interna de 2013 (RASI), a PJ tinha recebido 62 alertas de terrorismo257

(RASI, 2014: 394). Em 2012, um destes jihadistas português esteve envolvido no sequestro de dois jornalistas ocidentais e, em 2013, um outro no assassínio de um juiz (Franco et al., 2014). Recorde-se que nestes teatros de guerra, os recrutas passam por uma série de campos de treinos, experiências e aprendizagens que os tornam amplamente mais perigosos.

Membro fundador da North Atlantic Treaty Organization (NATO), Portugal alojou em 2003, na Cimeira das Lajes, os preparativos para a ofensiva no Iraque. Participou nas missões internacionais da Bósnia e do Kosovo, do Afeganistão e do Iraque. Foi elogiado pelos aliados americanos pelo seu esforço antiterrorista. Tem uma das maiores e mais movimentadas Zonas Económicas Exclusivas (ZEE) de espaço marítimo, com portos estratégicos e altamente concorridos. É também um dos países com maior afluência de turistas estrangeiros, principalmente durante o verão nas praias do Algarve.

Por todos estes motivos, e pela possibilidade de albergarmos células adormecidas (RASI, 2014: 28), tudo leva a crer que Portugal, apesar de supostamente não ser um alvo primário do SAQ, faça ainda assim parte dos planos de grupos associados como o AQMI. O fenómeno sem-fronteiras ideológico do terceiro centro de gravidade do SAQ, veiculado pelas NTIC e exemplificado num crescente número de foreign fighters, desmitifica a crença de um Portugal livre da ameaça jihadista. Desta forma, o JNA e a sua última estrutura, os lobos solitários, constituem uma ameaça imprevisível a qual as FSS nacionais não podem menosprezar e para a qual terão que estar preparados.

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