Participaram das entrevistas semiestruturadas dez indivíduos que passaram pela instituição como professores e servidores, no período de 1969-1985.
4.2.2. Local: Histórico do Colégio Agrícola
A história da instituição pesquisada por nós, desde a fase em que era conhecida como Colégio Agrícola de Uberlândia até a atual denominação de IFTM (Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia) passou por muitas dificuldades no cenário político nacional, estadual e local (GARCIA, 2011, COUTINHO, 2012) até atingir seu período de funcionamento pleno enquanto instituição de ensino profissional que hoje, goza de uma posição privilegiada por ofertar cursos superiores de boa qualidade.
Em 1940, a dualidade da Educação Profissional, que acenava com a desigual oferta do ensino superior para alunos ricos e ensino prático para os alunos pobres (MANFREDI, 2002 e FRIGOTTO, 2010), foi confrontada com a LDBN da época. O Ministro da Educação, Clemente Mariani, buscava, por meio desta lei, a superação das desigualdades de oportunidades entre os indivíduos de diferentes classes sociais e a extinção da dicotomia entre formação acadêmica e formação técnica (ALVES, 2007).
Fortalecida por este contexto político e legal brasileiro, a cidade de Uberlândia vivia, na década de 1950, uma expansão acelerada e um senso de empreendedorismo, com o desejo progressista de que o ensino das elites e as oportunidades de trabalho das classes pobres fossem equiparadas. Nessa direção, diversas entidades de classe, associadas com o poder público, somaram esforços para a busca do objetivo de posicionar Uberlândia de forma positiva no mercado brasileiro (COUTINHO, 2012).
O município de Uberlândia aspirava à instalação de escolas profissionalizantes que atendessem a seu ensejo de suprir a falta de mão de obra para os setores industrial e agrícola, com a melhoria tecnológica desses setores, a fim de que a cidade estivesse sintonizada com a política Federal. A construção de uma nova escola agrícola afinizava- se com essa proposta de desenvolvimento da agroindústria local, segundo Coutinho (2012).
A primeira iniciativa para a instalação da Escola Agrícola em Uberlândia consistiu na visita de Geraldo Migliorini à Escola de Agronomia de Piracicaba, que, após seu retorno a Uberlândia, falou com o sogro Joaquim Fonseca e Silva. Os dois fizeram uma visita à Fazendas das Sementes, local que foi considerado por Migliorini como ideal para uma escola agrícola por suas características físicas favoráveis às atividades da agropecuária (DAMASCENO, 1991).
O desejo de Migliorini recebeu forte apoio de figuras importantes do meio político, entre elas o Presidente da Associação Comercial de Uberlândia (ACIUB) Alexandrino Garcia, do Deputado Rondon Pacheco, do prefeito Tubal Vilela da Silva e
do Governador de Minas Gerais Juscelino Kubistchek Oliveira. (COUTINHO, 2012). Segundo Damasceno (1991), o sonho pretendido pelos uberlandenses era que se criasse uma Escola Superior de Agronomia, sonho existente desde 1922, ano em que o Cel. José Teófilo Carneiro fez a aquisição das terras onde hoje está sediada a escola.
O primeiro sinal desse propósito foi noticiado pela imprensa escrita em 1952, que publicou que um vereador solicitou ao Secretário de Agricultura de Minas Gerais, por meio de telegrama, que aprovasse um convênio firmado com o governo federal para a criação da Escola Agrotécnica Federal de Uberlândia. Para satisfação deste vereador e dos cidadãos uberlandenses, o pedido foi atendido. (INSTITUTO AGRONÔMICO do Triângulo Mineiro, 1952, Capa).
Em seguida, muitas ações políticas foram realizadas no sentido de firmar-se parcerias entre o Governo Estadual e Federal, a fim de efetivar as obras do Colégio Agrícola. A primeira foi a doação pelo Estado da Fazenda das Sementes (UMA GRANDE Vitória de Uberlândia,. 1953, Capa). ao governo federal.
Entretanto, o projeto de uma Escola de nível superior não foi autorizado pelo Ministro da Agricultura, João Cleófas, que afirmou que agrônomo tem pretensões de emprego público e que quem realmente planta é o técnico agrícola, justificando , assim, a construção de uma Escola de nível médio no município de Uberlândia (DAMASCENO, 1991).
O período que decorreu entre a parceria entre estado de MG e o governo federal e o início das obras da Escola Agrícola de Uberlândia, entre 1956 a 1961, foi de atrasos no repasse de recursos e incertezas (COUTINHO, 2012). Esta indefinição na concretização do projeto da Escola Agrícola compreendeu desde a burocracia no tocante à escrituração das terras que sediariam o Colégio, até o atraso no recebimento de verbas para a construção das instalações físicas e arquitetônicas desse. Como as verbas liberadas para o Colégio foram insuficientes e atrasadas, o Diretor que foi nomeado para administrar a construção da obra, o Engenheiro Eugênio Pimentel Arantes, teve que buscar apoio da classe política local e regional, por meio do Deputado Rondon Pacheco, que intercedeu junto ao governo federal para que os recursos financeiros fossem liberados (ARANTES, 1959).
Apesar de parte de recursos disponibilizados para a construção do Colégio, estes foram insatisfatórios, conforme informado na imprensa local (MOTIVOS: Paralização da Escola Agrotécnica de Uberlândia, 1960, Capa).
Em 1960, um novo Termo de renovação foi assinado entre as autoridades estadual e federal, para que durante 5 anos as verbas fossem garantidas, mas estas não foram disponibilizadas conforme a necessidade dos custos da Escola.(FALTAM vinte e oito milhões para terminar a Escola Agrotécnica, 1963, Capa).
Em 1964, todas as Escolas de formação agrícolas e agrotécnicas tiveram sua denominação modificadas pelo Decreto nº 53558 (BRASIL, 1964), documento por meio do qual a Escola Agrícola de Uberlândia passou à denominação de Colégio Agrícola.
Neste mesmo ano de 1964, a escola teve nova paralisação de suas obras, o que levou os vereadores de Uberlândia e entidades de classe a mobilizar esforços para a continuidade da construção do Colégio (CÂMARA MUNICIPAL DE UBERLÂNDIA, CMU, 1964).
Dentre os reforços políticos recebidos para a continuidade do projeto físico da Escola, consta novamente o apoio de Rondon Pacheco (COLÉGIO Agrícola tem verba de 12 milhões, 1965, Capa).
Em 1967, o Ministério da Educação e Cultura passou a supervisionar o andamento das obras (BRASIL, 1967), o que possibilitou, neste mesmo ano, a inauguração do Colégio, no dia 26 de outubro (SERÁ solenemente inaugurado hoje o Colégio Agrícola. 1967, Capa).
.. Porém, este Colégio ainda não se apresentava com todas as condições físicas para funcionar plenamente. Para que as obras fossem aceleradas, foi necessário que o membro do Ministério da Agricultura, Virgílio Galassi, também ex-prefeito e político natural de Uberlândia, desse seu auxílio para novo convênio com fim de liberação de verbas (COLÉGIO AGRÍCOLA sai breve: tem convênio, 1967).
Em abril de 1969, apesar de suas instalações não estarem concluídas, o Colégio Agrícola novamente foi inaugurado, tendo um recurso de 135 mil cruzeiros novos em caixa para o prosseguimento das obras (RONDON e mais três ministros inauguram colégio dia 13: Rondon inaugura C.A. e traz Tarso e Arzua. 1969. Capa.). Mas, no mesmo ano, o novo Diretor, Luiz Gonzaga de Souza Magalhães já sofreu com novas dificuldades para o custeio do funcionamento da instituição. (Colégio Agrícola de Uberlândia. 1969, p. 6).
Entre dificuldades e anseios, aconteceu a primeira aula inaugural da 1ª Turma do Curso Técnico em Agropecuária do Colégio Agrícola de Uberlândia, constituída por 60 alunos, oriundos de diferentes regiões do país que aspiravam a uma formação prática na área de Agropecuária.
Dez anos depois da primeira aula, a instituição teve sua denominação modificada pelo Decreto nº 83.935, de 4 de setembro de 1979, para Escola Agrotécnica Federal de Uberlândia (BRASIL, 1979).
Percebe-se na origem da instituição um prestígio, em seus primeiros anos, do Curso de Agropecuária, o que ocorreu até aproximadamente 2000.
Este curso foi referência na instituição até por volta de 2000, quando se criou o curso subsequente (antigo pós-médio, voltado para alunos com o 2º grau completo) Técnico em Agropecuário, Informática,
Agroindústria e Meio Ambiente, com duração de 3 semestres letivos (COUTINHO, 2012, p. 271).
A Escola Agrotécnica Federal de Uberlândia teve um crescimento acadêmico e institucional considerável, a partir de 2005, com a abertura de seu primeiro curso superior de Tecnologia de Alimentos30 (BRASIL, 2004). Em 2008, por meio da Lei nº 11892 de 29/12/2008 (BRASIL, 2008), a EAF de Uberlândia transformou-se em um Campus do Instituto Federal do Triângulo Mineiro, o qual é composto de 3 Campus, sendo estes nas cidades de Uberaba, Ituiutaba, Paracatu, e um campus avançado em Patrocínio, além de mais 7 polos avançados, nas cidades de Araguari, Caxambu, Campina Verde, Conceição das Alagoas, Tupaciguara, Ibiá e Sacramento (COUTINHO, 2012).