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4.1 Oppsummering og konklusjon

4.1.2 Konklusjon

Situado no distrito de Bela Vista (Subprefeitura da Sé), o Hospital Alemão Oswaldo Cruz localiza-se na conluência da Rua Treze de Maio - que delimita o início da Av. Paulista – com a Rua João Julião - que atravessa o vale do córrego do Itororó, sobre o qual atualmente existe a Avenida 23 de Maio. Seu terreno, com 23.500m2, localiza-se

em um dos pontos mais altos do espigão da Av. Paulista e antigamente era ocupado pela residência pertencente a Euthébio Prado. A área foi comprada em 1905 pela sociedade do do Hospital Oswaldo Cruz, formada por imigrantes alemães, suíços e austríacos em 1863.

Devido a diiculdades para angariar fundos, a construção da obra só seria concluída no ano de 1923. Um novo pavilhão seria construído em 1931. O terreno original possuía diversas árvores de grande porte, tais como fícus, paineiras, jatobás, jaqueiras, mangueiras, abacateiros, igueira e vários eucaliptos. Essa arborização foi mantida até os dias atuais em sua maioria e se tornou um dos principais diferenciais das instalações da instituição. Essa mesma vegetação iria contribuir para problemas futuros, visto que seu porte conlitava com as demandas por crescimento das próprias instalações do hospital e com o adensamento urbano da região. Em 2007, entorno do hospital - assim como a região da Av. Paulista - é bastante verticalizado e composto por ediicações de usos variados, sobretudo comerciais, residenciais e de serviço.

No ano de 1996 começariam obras para ampliação das instalações do hospital. Inicialmente foi concebida uma nova ediicação para abrigar o estacionamento, que tradicionalmente ocupava um bosque de eucaliptos voltado para a Rua Treze de Maio, e não conseguia mais dar conta dos sucessivos aumentos na demanda. O projeto, a cargo do escritório Botti Rubin Arquitetos, previa garagem subterrânea com três subsolos. A construção dessa nova garagem envolveria a retirada de várias árvores, obrigando a sua respectiva compensação. O projeto paisagístico foi direcionado ao escritório da arquitetapaisagista Miranda Martinelli Magnoli 185, que já trabalhara com os arquitetos da Botti Rubin em outros

projetos, como o Shopping Pátio Higienópolis. A equipe de Magnoli realizou um estudo

185. Todas as citações referentes à arquiteta neste trabalho baseiam-se em entrevista realizada no dia 04.03.2007 Jardim interno do hospital, mostrando a relação entre os ediícios do início do século XX e o bloco anexo com sete andares projetado pelo escritório Boi e Rubin

Yolanda Bar

o

inicial detalhado, no qual identiicava a importância de diversas espécies existentes no local, principalmente em função de seus grandes portes.

Nessa época, a compensação ambiental sequer estava regulamentada oicialmente, mas os procedimentos para sua realização começavam a ser delineados pelo Poder Público. O relatório realizado pela equipe de Magnoli apresentava um grau de detalhamento superior àquele encontrado nessa época, e contribuía para gerar subsídios da futura padronização de procedimentos.

Com base no diagnóstico realizado, Magnoli buscou esclarecer os arquitetos sobre a importância da realização da obra com o mínimo possível de interferências na vegetação existente no terreno. Atendendo a esse princípio, propôs-se o desenho da garagem ocupando o bosque de eucaliptos, espécies exóticas às quais foi atribuído valor inferior às árvores restantes.

O projeto envolveu, ao todo, a remoção de 44 exemplares, dividido em 31 cortes e 13 transplantes autorizados pelo DEPAVE. A maioria dos transplantes foi realizada em canteiros da Av. 23 de Maio. Segundo Magnoli, o local indicado para o transplante era inadequado para receber árvores que viveram durante dezenas de anos em situação bastante diferente, o que comprometeria sua possibilidade de sobrevivência.

As medidas autorizadas exigiram como compensação o plantio de 310 mudas, das quais foi possível a colocação de apenas 76 no próprio terreno. O restante das mudas previstas foi relocado em parte para o plantio no entorno do hospital e parte em doação de mudas ao viveiro municipal. 262 mudas foram plantadas no entorno do terreno, em ruas do bairro da Bela Vista. Esse plantio, realizado no inal do ano de 2001, teve prazo de manutenção estipulado para até janeiro de 2004.

A doação envolveu uma quantia de 620 mudas doadas ao Viveiro Municipal Manequinho Lopes, com 310 protetores. Como se pode observar, essa quantia constitui o dobro do previsto inicialmente (310), devido ao fato de constituírem compensação externa ao local que gerou o dano ambiental.

Diog

o Oliv

a (2007)

Jardim sobre laje do estacionamento construído na reforma de 1996 a 2004. À esquerda, portaria de acesso à Rua Treze de Maio

Compensação ambiental: uma alternaiva para a viabilização de espaços livres públicos para convívio e lazer na cidade de São Paulo 152

Dentre as árvores mantidas no terreno, encontrava-se o chichá (Sterculia chicha), que ocupava posição central na projeção do novo estacionamento. Para que fosse possível manter essa árvore, foi proposta a construção de um tubulão de concreto que envolvesse suas raízes (com um diâmetro superior a 10m) e atravessasse os três novos subsolos da garagem. A medida seria bastante dispendiosa e pouco usual se comparada ao que havia sido feito no município até então.

Esse foi o primeiro de vários trabalhos de negociação e conscientização realizados por Miranda, tanto em relação aos empreendedores quanto aos próprios arquitetos da obra. Nesse sentido, a imagem de prestação de serviços de qualidade que sempre cercou o hospital desempenhou papel importante. A direção do hospital apropriou-se da idéia de realizar obra com preocupações acima da média como forma de contribuir para a boa imagem que já detinha.

Isso levou os responsáveis a autorizar a construção do tubulão em volta do chichá, um dos diversos cuidados que seriam tomados com a execução do projeto paisagístico ao longo da obra. Além da construção do tubulão, foi necessária a realização de podas localizadas nessa árvore, de modo a contrabalançar para que suportasse a maior exposição aos ventos que a retirada dos eucaliptos vizinhos provocou. Também foi realizado o atirantamento da árvore, de modo a evitar seu desequilíbrio em função da retirada de terra para execução da obra.

A execução dos serviços paisagísticos icou a cargo da empresa Bomjardim, que já havia realizado diversas parcerias com Magnoli e cuja experiência auxiliou na realização de trabalhos com exigências de qualidade acima da média. Seu proprietário, o viveirista de origem germânica Walter Doering, possuía luência nas negociações com a instituição, o que facilitou o andamento da obra.

O início das obras para um novo edifício de internação em 2001, um bloco laminar de 10 andares paralelo à Rua Santa Ernestina, trouxe à tona novas preocupações com a vegetação existente no terreno.

Porte esbelto e imponente do exemplar de Chichá existente no estacionamento do hospital.

Leonar

do Lo

Um exemplar de igueira (Ficus macrophylla), com cerca de 25m de altura e DAP de 2,20m, localizava-se próximo à área prevista para a nova construção e colocou em pauta a discussão sobre sua retirada. Contrariando a postura dos arquitetos, a paisagista buscou soluções que mantivessem o fícus existente. Foram necessárias longas negociações com o arquiteto e os empreendedores até que fosse proposta uma solução arquitetônica que contemplasse a preservação da árvore. Novamente a alternativa envolveu obras dispendiosas: a lâmina de dez andares projetada teve de abrigar um recorte em sua fachada frontal com altura dos cinco pavimentos iniciais e uma profundidade de 2,50m, de modo a acomodar a projeção da copa da árvore existente.

Outro cuidado excepcional da obra envolveu três exemplares de paineiras (Chorisia speciosa) localizados próximos ao muro da Rua Maestro Cardim. Embora não estivessem na área de escopo do projeto arquitetônico, as árvores apresentavam estado itossanitário ruim, o que exigiu análise sobre a necessidade de suas compensações junto à prefeitura. Apesar de ter solicitado a vistoria das paineiras, o DEPAVE não possuía equipamentos para a análise adequada do seu risco de queda. Negociações com a equipe do hospital resultaram na aquisição de um aparelho especíico importado da Alemanha (Resistograph) para realização dos testes necessários com as árvores. A partir de então, o equipamento passou a ser emprestado à equipe da prefeitura para avaliação de outros casos complexos. Com base nos resultados do teste foi autorizado o corte das três árvores. Mesmo com a liberação do DEPAVE, a paisagista preferiu retirar apenas uma delas, sendo que os outros dois exemplares foram mantidos sob estado constante de monitoramento.

A atenção dada à obra do hospital consumiu uma parcela considerável do tempo da paisagista, visto que o processo se estendeu por quase dez anos (até o ano de 2004). O longo tempo de realização da obra fez com que o projeto acompanhasse a evolução dos mecanismos de compensação ambiental durante esse período. O padrão de qualidade superior dos serviços prestados permitiu, inclusive, que a obra auxiliasse no estabelecimento de novos critérios incorporados posteriormente ao corpo da legislação, atuando com um caráter propositivo.

Recuo no embasamento do ediício anexo para acomodação do icus existente no terreno original

Leonar

do Lo

Compensação ambiental: uma alternaiva para a viabilização de espaços livres públicos para convívio e lazer na cidade de São Paulo 154

Pode-se exempliicar essa contribuição por meio do caso de uma contrapartida realizada nas obras de acesso ao hospital pela Rua 13 de Maio. Ao surgirem necessidades de contrapartida a obras realizadas, foi proposta a concessão de uma faixa com 1m de largura e 120m de comprimento para o Poder Público, possibilitando a ampliação da calçada. Embora não ocorra nos mesmos moldes da situação descrita, a doação de áreas para o Poder Público como forma de compensação seria incorporada como legislação por meio da Portaria DEPAVE 122/2001.

Foi igualmente inovador o acompanhamento dado ao plantio compensatório realizado no entorno da obra. Trabalhou-se com um prazo de 30 meses para manutenção das mudas plantadas, enquanto o usual eram no máximo 24. Além disso, foi realizado um trabalho de conscientização a respeito das árvores plantadas, com o fornecimento de panletos explicativos à população envolvida. Essa postura só seria incorporada posteriormente à legislação, com a criação da possibilidade de pagamento parcial das compensações por meio de projetos de educação ambiental186.

186. Possibilidade viabilizada pela Portaria SVMA 009/2005.

Leonar

do Lo

yolla (2007)

Desenho do canteiro evidencia o diâmetro do tubulão construído para preservar o exemplar de Chicá existente no terreno

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