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1 Innledning

6.2 Konklusjon og forslag til videre forskning

As pessoas que fazem a Festa são pessoas muito humildes. Em geral antigos moradores da Ilha com os quais se juntaram também pessoas nascidas fora mas que habitam a Ilha há muitos anos. É muito comum ouvirmos relatos dos mais velhos a respeito de antigos congueiros que já não moram mais na Ilha. Alguns ainda voltam em maio para a Festa enquanto outros não o fazem mais. Os motivos dessa dispersão são diversos. Não raro as justificativas giram em torno da busca por uma colocação no mercado de trabalho. Com a construção da rodovia Rio-Santos, o terminal da Petrobrás e o aquecimento das transações pelo porto de Santos, muito caiçaras acharam oportunidades de trabalho fora da Ilhabela. Alguns foram para a construção civil, tanto das estradas quanto das casas de veraneio, alguns se tornaram funcionários da Petrobrás, trabalhando em alguns casos embarcados em plataformas de extração de petróleo.

Muitos desses que acabaram trabalhando para a Petrobrás procuraram qualificação na área, outros nem tanto. Alguns inclusive se graduaram em áreas afins. Outros, para conseguir colocação no mercado de trabalho fora da Ilha, tiveram que assumir diversos postos diferentes na medida da necessidade. A partir do trabalho com embarcações que era muito comum dado à atividade da pesca realizada no passado, muitos foram trabalhar embarcados como marinheiros de petroleiros, como marinheiros de embarcações e iates de particulares ou como funcionários da Dersa na operação das balsas que cruzam o canal.

Alguns dos participantes da Festa são funcionários do serviço público municipal, tendo atividades relacionadas às secretarias do meio ambiente, saúde, obras e esportes. As atividades relacionadas com os esportes náuticos, por exemplo, movimenta significativamente a economia da Ilha atualmente, sendo considerada a “capital da vela”. Diversas competições acontecem ali, inclusive do circuito internacional. Muitos dos participantes da Festa acabam atuando nessas ocasiões devido ao envolvimento com as atividades paralelas que acontecem como o turismo local ou as escolas de vela.

Outra atividade muito comum entre os participantes da Festa são as atividades relacionadas com o turismo local. Atualmente Ilhabela tem sua economia totalmente dependente das atividades de lazer e turismo. Esse setor desenvolveu também diversas outras atividades desde a hotelaria, empresas de turismo ecológico e de aventura, empresas náuticas, comércio, restaurantes, etc. Nas épocas de temporada a Ilhabela tem sua população aumentada em cinco vezes, para que se sustente a atividade com o turismo muitas pessoas que atuam na Festa

também são motoristas de jeeps e lanchas que levam turistas para passear no lado oceânico da Ilha, funcionários dos hotéis e pousadas, caixas de supermercados, vendedores, etc.

Propiciado pela melhoria da rodovia Rio-Santos e pela travessia da balsa, o incremento do turismo na Ilha levou também ao crescimento das residências de veraneio cujos proprietários são principalmente pessoas abastadas de São Paulo e Rio de Janeiro. Construiram-se muitas casas e mansões aos pés das encostas e na beira da praias. Foi justamente a especulação imobiliária proveniente desse crescimento do turismo e da construção civil que expulsou os antigos caiçaras de suas terras na orla marinha. Aqueles que não foram levados para outros municípios em busca de oportunidades de trabalho, ficaram relegados a bairros afastados nas encostas dos morros.

Com o crescimento das casas de veraneio e mansões, outras atividades surgem a reboque do turismo como, por exemplo, as empresas que organizam eventos e oferecem buffet. Nessas mansões são realizadas grandes festas de artistas de televisão ou políticos do Rio de Janeiro e São Paulo. Os convidados chegam de helicópteros para evitar as longas filas da balsa. Para suprir as necessidades desses “novos frequentadores” da Ilha, muitos participantes da Festa trabalham como mão de obra barata, são garçons, faxineiros, coletores de material reciclável, ajudantes, encarregados, seguranças desses grandes eventos, outros se tornam caseiros, jardineiros e marinheiros particulares. Como marinheiros de embarcações particulares esse ilhabelenses são também levados a instruírem-se nos modernos equipamentos e instrumentos digitais de navegação. Essa atividade muitas vezes os obrigam a ficar grande parte do tempo fora da Ilha e longe do contato com suas famílias. De maneira geral os participantes da Festa são funcionários públicos ou empregados de empresas particulares ou da “indústria do turismo” que gira em torno do eventos náuticos, das festas, hotéis, marinas, pousadas e mansões. Chama muito atenção o ofício com a marinhagem e a manutenção dos iates e embarcações presentes nas diversas marinas e clubes de iates e velas de Ilhabela. Os postos de trabalho subalternos são contrastantes com os papéis protagonistas na Festa. A proeminência de seus papéis na Festa é inversamente proporcional às suas atividades de trabalho ao longo do ano.

A Festa de São Benedito há poucas décadas atrás era uma atividade praticamente só de negros, como podemos atestar pelas imagens fotográficas das décadas de 1930 e 1940. Com as alterações no panorama socioeconômico das últimas cinco décadas o perfil dos dançantes e participantes da Festa aos poucos também se modificou, deixando de ser uma atividade quase exclusiva dos negros. Os traços deixados por esse passado negro não se deixa apagar a despeito da participação heterogênea. Isso é evidente quando ouvimos narrativas a respeito de congueiros de gerações anteriores e a ortodoxia no que tange os aspectos formais da Festa e da devoção a São Benedito, presentes até hoje em muitos participantes.

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Se o perfil socioeconômico da maioria dos participantes está associado a postos de trabalho subalternos e empregos temporários, também é possível encontrar alguns participantes da Festa que não se encontram necessariamente nessa categoria. Alguns participantes e “congueiros” ilustres também conquistaram proeminência na vida política e cultural da Ilha, se tornando vereadores, secretários, professores e artistas reconhecidos. Um bom exemplo que demonstra a presença da Festa e da devoção a São Benedito em classes sociais mais abastadas é o fato de que algumas das pessoas, que fazem doações regulares para a Ucharia, são comerciantes locais bem sucedidos ou proprietários de hotéis e pousadas que podem chegar a cinco estrelas. Estes participantes demonstram que a Festa típica dos negros foi sendo assimilada também pela elite branca local. Pode-se afirmar que, a despeito de uma origem ligada à escravidão, à pobreza, humildade e opressão, atualmente a Festa de São Benedito é compartilhada por negros, brancos, caiçaras da Ilha, vindos de fora, das camadas mais humildes e também pela elite local.