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Konklusjon

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Além do princípio da cooperação estipulado por Grice (1965) e do princípio da polidez, proposto por Leech (1983), a retórica interpessoal, segundo ele, contém outros princípios que, apesar de estarem separados do princípio de polidez, de algum modo promovem ou têm, em si, alguma relação com a polidez lingüística. São eles: o princípio da ironia e de banter; o princípio da lítotes e da hipérbole.

2.5.1. Princípio de Ironia e de Banter16

De acordo com Searle (2002), uma enunciação irônica é aquela em que o falante pretende significar o oposto do que diz, chegando ao significado da emissão através do significado literal da sentença, ou seja, dois significados são acionados concomitantemente, através dos indícios instaurados pelo enunciador no ato da enunciação.

Observando que muitas pessoas se comunicam por meio de ironias, Leech (1983) percebeu que poderia haver um princípio que funcionasse na comunicação, tal qual o princípio de cooperação de Grice e o princípio da polidez.

O princípio da ironia encontra-se destacado do princípio da polidez, pois consiste necessariamente na realização inversa da polidez, ou seja, quando o princípio da polidez diz “seja polido”, o princípio da ironia diz “seja impolido”, contanto que pareça ser polido.

O PP (princípio da ironia) funciona como um “princípio de segunda ordem” que permite ao falante ser impolido quando parece ser polido. Ele o faz pela quebra superficial do princípio de cooperação (CP), para finalmente mantê-lo. Aparentemente, o princípio da ironia é disfuncional em relação ao PP, pois o princípio da polidez promove preferencialmente a comunhão em vez do conflito nas relações sociais. O princípio da ironia nos capacita a promover o uso anti- social da língua. Nós somos irônicos, mentindo para os outros através de uma polidez que obviamente é insincera, como um substituto para a impolidez17. (LEECH, 1983, p.142)

16 Por não possuir nenhuma palavra correlata na língua portuguesa, preferimos manter o termo em sua língua de

origem. Segundo o dicionário Michaelis, Banter pode significar n 1 gracejo, brincadeira.2 Am. Desafio para disputa.// vi 1 bulir com, provocar.2 gracejar, caçoar, trocar.

17 Texto original: The IP (Irony Principle) is a second order principle which enables a speaker to be impolite while

seeming to be polite; it does so by superficially breaking the CP, but ultimately upholding it. Apparently, then, the IP is dysfunctional: If PP promotes a bias towards comity rather than conflict in social relations, the IP, by enabling us to bypass politeness promoting antisocial use of language. We are ironic at someone’s expense, scoring off others by

A insinceridade que Leech menciona diz respeito à aparente polidez enunciada pelo

self, que pode ser mais ou menos óbvia, dados os indícios compartilhados entre um e outro. Nesse aspecto, podemos considerar que o princípio da ironia viola em algum grau o princípio da polidez, pois o princípio da ironia consiste em uma forma aparente de ser amigável, quando se é ofensivo. Leech (1983) chama este fenômeno de mock-politeness.

Entre os indícios da ironia, podemos destacar a entonação, os gestos, o exagero e o eufemismo como aqueles preponderantes na interação social. Contudo, nem todos podem ser destacados por aquele que enuncia, bem como não podem ser enunciados devido à natureza da interação, na qual os interlocutores compartilham informações. É o caso da interação de bate- papos via internet, foco da nossa pesquisa. Nela, os interlocutores não podem se comunicar através de gestos ou modificar a entonação para indicar uma ironia. Nesse sentido, uma alternativa à eficiência do discurso irônico é buscar outras ferramentas que possam indicar o sentido previsto pelo falante, tais como os emoticons e a emissão de risos.

Apesar de estar destacado do princípio da polidez, pelo fato de violá-lo em alguma instância, antagonicamente, o princípio da ironia parece funcionar com o mesmo propósito daquele, na medida em que busca ser indireto, atenuando possíveis conflitos por meio de uma polidez ilusória ou superficial. Assim, atos que ameaçam a harmonia da interação, tais como a crítica e o insulto que, se expressos de forma direta, podem gerar facilmente um contra-insulto, gerando então o conflito, com o uso de uma marcação irônica há a possibilidade de minimizar manifestações dessa natureza - além da propriedade de minimizar o compromisso do enunciador com aquilo que enuncia.

Outro princípio que opera de forma inversa ao princípio da ironia é o que Leech chamou de princípio de Banter ou mock-impoliteness, ou seja, é um tipo de comportamento verbal que atua de forma ofensiva, mas que carrega um sentido amigável. É uma forma ofensiva de ser amigável

Para Leech (1983; 2005) o princípio funciona da seguinte forma: para mostrar solidariedade com H, diga algo que é i) obviamente falso; e ii) obviamente impolido para H, tal como um diálogo entre dois amigos, no qual ambos trocam palavras ofensivas, mas que não consistem em si um ato de impolidez, mas uma demonstração de camaradagem e intimidade entre eles.Assim como a ironia, banter deve ser reconhecido como não-sério.

um vínculo ou intimidade entre o self e o outro, um maior nível de polidez pode, em vez de aproximar os interlocutores, distanciá-los. Nesse sentido, o princípio de banter, assim como o princípio da ironia, funciona para facilitar a cooperação comunicativa e manter um equilíbrio da interação.

2.5.2. Princípio da Hipérbole e da Lítotes

Como vimos no item anterior, os princípios da ironia e de banter aparentemente violam o princípio da polidez, funcionando, assim, como princípios de segunda ordem. Outros dois princípios que também figuram como princípios de segunda ordem, mas desta vez, violam aparentemente o princípio de cooperação, são os princípios da hipérbole e da lítotes.

De acordo com Leech (1983, 2005) os dois princípios supracitados funcionam como uma referência maior e menor ao estado de coisas descrito. A hipérbole refere-se a uma descrição intensificada; já a lítotes refere-se à conversão para isso, ou seja, a uma amenização do estado de coisas.

Podemos dizer, na maior parte da manifestação desses dois princípios, que a polidez é uma das principais motivações:

Existirão, naturalmente, a preferência pelo exagero de crenças polidas e o entendimento daquelas impolidas. Enquanto o exagero de “That was a

delicious meal!” favorece o prazer de outros, uma informação falsa- um típico objeto de eufemismo- é sempre utilizado como crítica: I was overimpressed by

her speech. O entendimento do prazer será freqüentemente direcionado ao self em vez do outro18. (Leech, 1983, p.146)

No exemplo “what a delicious meal!”, o uso do adjetivo delicious pode não ser uma correspondência equivalente ao estado de coisa, mas que, para fazer com que o outro se sinta aprovado, o self busca no léxico um modo de demonstrar essa aprovação, ou seja, o exagero. Então, podemos dizer que o princípio da hipérbole foi utilizado com a finalidade de manter a polidez na interação.

Como constatamos no exemplo acima, a hipérbole e a lítotes não são princípios pragmáticos independentes, mas em geral são tendências que ocorrem independentemente de

18 Texto original: There will naturally be a preference for overstating polite beliefs, and for understanding impolite

ones: while an exaggeration such as That was a delicious meal! Is favored in praising others, an informative denial- a typical device of understatement- is frequently used in criticism: I wasn’t over impressed by her speech. The

alguns princípios pragmáticos que trazem a idéia de distorção da verdade.

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