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Kongeskogen

In document Naturverdier på Bygdøy (sider 33-37)

As redes são fundamentais para a integração dos novos elementos na nova realidade.

A perspectiva de rede social aponta para o entendimento da participação dos indivíduos tanto para o recebimento em famílias como para integração no mercado de trabalho.

As redes articuladas nas cadeias migratórias promovem a observância da utilização de recursos variados para disseminar as experiências dentro desses grupos em processos migratórios.

Tilly classifica as mobilidades migratórias baseadas na distância entre origem/destino e o grau de ruptura, porém é possível que um determinado grupo se classifique numa tipologia e posteriormente ao criar nova condição mude para outra. (Tilly, apud, TRUZZI, 2008, pg. 200)

Não só a informação que chega ao grupo ou família com tendência a imigrar é importante, como também as informações fornecidas do país que vai migrar, ao vivo, por carta, vizinho, parentes, os quais são mais confiáveis do que as fornecidas por alguns folhetos distribuídos. (TRUZZI, 2008, pg. 206)

Martes informa que não há necessidade de laços profundos entre os imigrantes e as diversidades concluindo que:

[...] de modo geral, é por meio das redes que são veiculadas informações e opiniões que condicionam a favor da emigração[...]. As redes sociais, geralmente de parentesco, amizade ou mesmo religiosas, são fundamentos para explicar como os brasileiros chegam aos Estados Unidos, sobretudo porque elas ajudam a reduzir o custo psicológico e econômico da emigração. (2000, pg. 73)

A comunicação contínua dos imigrantes com suas origens favorecem a expansão das redes sociais. Esses contatos entre imigrantes apoiados em laços sociais multiplica as conexões de rede social delimitadas pelo universo cultural.

As redes sociais promovidas por eles mesmos para os seus pares, resignificando as ações sociais em função do apelo étnico, geralmente de parentesco, amizade ou religiosa, ajudam a diminuir o impacto psicológico e econômico sobre aquele que chega para se inserir na colônia.

Tentamos então relacionar as estruturas receptoras dos fluxos imigratórios de armênios localizados em São Paulo.

Varam Keutnedjian que chegou junto com as primeiras famílias iniciou sua ajuda aos imigrantes recém chegados em sua chácara Cruzeiro de Sul (no bairro da Penha). Posteriormente, levando-se em conta a importância da agregação da colônia através da igreja, ele financia o término da igreja de Osasco.

Rizkallah Jorge Tahanian, proprietário da Casa da Bóia, uma próspera empresa comercial na Rua Florêncio de Abreu, no seu andar superior abrigava aos recém chegados, funcionando como uma mini-hospedaria para os armênios.

Além disso possuía um casarão na esquina da Rua Anhangabaú com Barão de Duprat com a mesma finalidade (Grun, 1992, pg. 22: FREITAS, 2000, pg. 89)

São a princípio, iniciativas individuais mas que principalmente no centro vão estabelecer a rede de convivência solidária do grupo.

A solidariedade se estendia também pela inserção econômica. Parte destes armênios tornaram-se mascates, posteriormente comerciantes e finalmente empresários.

Truzzi registra a vocação armênia para a mascateação: [...] “na terra de origem o ofício de mascate era mais freqüentemente exercido por gregos, armênios e judeus”. (1991, pg 51)

Grun aponta para o fato de que a maioria dos armênios se estabeleceu no ramo de calçados, ressaltando que eram de qualidade inferior aos calçados produzidos pelos italianos. (1992, pg. 40)

Através do ramo calçadista formou-se uma rede de recém chegados para o aprendizado na fabricação de calçados e posteriormente para o início de seu próprio negócio com moldes de coleções antigas, crédito, couro de baixa qualidade e insumos. Esses insumos eram fornecidos pela Casa da Bóia. (GRUN, 1992, pgs. 48- 98)

Nessa época as ruas São Caetano e Pagé abrigaram a maioria dessas sapatarias.

Keichichian descreve o nome e as atividades econômicas de 137 famílias que se fixaram na capital paulista a partir de 1936. Encontramos nesta lista armênios no ramo do comércio em geral, metalúrgicos, ourives, alfaiates entre outros e 59 famílias ligadas ao ramo de calçados. (2001, pgs. 53-60)

Esta esmagadora maioria no ramo calçadista reforça a tese difundida pelos próprios armênios de que essa habilidade está presente desde a antiguidade.

No caso dos grupo protestante a tendência ao ramo calçadista é parcial. Alguns dos maridos das senhoras são comerciantes, ourives, contadores, vendedores. Já em relação aos seus filhos a diversidade é maior encontramos médicos, engenheiros, dentistas, historiadores, biólogos.

Para Martes, tanto a solidariedade como a identidade cultural, dentro de qualquer conceito adotado sobre etnia, como “identificação étnica”, “solidariedade étnica”, “comunidade étnica”, “etnicidade”, sempre estarão presentes e, para ela, a solidariedade deve ser objeto de pesquisa e não apenas um dado. (2000, pgs. 176- 180)

A pesquisa de um grupo de imigrantes requer uma noção específica de solidariedade que nasce na identidade do grupo de estudo e que Durkein define como a “solidariedade mecânica”.

As igrejas tem caráter expansionista e portanto sua participação nos movimentos migratórios são milenares, exercendo um papel importante no acolhimento e adaptação do imigrante, voltado principalmente para a solidariedade do grupo. (MARTES, 2000, pgs. 142-149)

No caso dos armênios, a ICEASP já dava seus primeiros passos a sua vocação solidária desde 1924. O pastor Bitchmaian organizava cultos domésticos com a minoria evangélica na cidade e posteriormente em 1927 foi criada uma

congregação evangélica no meio da comunidade, nas imediações do Mercado Central. A comunidade se reunia na rua Barão de Duprat, num salão do terceiro andar de um pequeno edifício comercial.

Em paralelo havia também a dedicação e solidariedade de um padre chamado Vicente, conhecido como “padre dos armênios”, que ajudava aos recém chegados.

O espaço do culto era improvisado com púlpito e bancos para 100 pessoas, porém já era conhecida como Igreja Evangélica Armênia.

Esta pequena igreja se unia com os armênios que tinham raízes de tradição evangélica no país. Só em 1930 chega o padre Yesmigue com a função de unir os armênios apostólicos. Há que se dizer que embora as igrejas tivessem um posicionamento ideológico cristão diferente nesse primeiro momento, isto não os impedia de solidarizar-se uns com outros, uma vez que a armênidade, a solidariedade entre si era a marca do grupo, pois a solidariedade étnica é também uma solidariedade de interesses. (MARTES, 2000, pg. 177)

No espaço do culto evangélico funcionava também uma classe infantil de língua armênia dirigida pela professora Makrouhi Kaloustian, que foi substituída depois pelo educandário Turian Varjaran considerada uma experiência pioneira na área escolar.

É possível notar a preocupação da língua na preservação da identidade e segundo Sapsezian, nessa época a insistência para guardar a herança do país, era prioridade em todos os segmentos religiosos bem como em todos os empreendimentos comunitários. (2008, pgs. 51-52)

As redes possibilitam compartilhar experiências e interagir dentro de seu grupo e suas ações solidárias, proporcionando o zelo da etnicidade.

Para Martes:

“ A idéia elementar de rede é bastante simples. Trata-se de uma articulação entre diversas unidades que através de certas ligações, trocam elementos ente si, fortalecendo-se reciprocamente, e que podem se multiplicar em novas unidades, as quais, por sua vez, fortalecem todo o conjunto na medida em que são fortalecidas por ele, permitindo-lhe expandir-se em novas unidades ou manter-se em equilíbrio sustentável. Cada nódulo de rede representa uma unidade e cada fio um canal por onde essas unidades se articulam através de diversos fluxos”. (2000, pg. 24)

A Escola Dominical com as histórias bíblicas em armênio contribuíam para melhorar o conhecimento da língua. Era um local de integração com debates, brincadeiras, jogos, passeios, etc. Um dos marcos dessa época foi a apresentação, no Teatro Municipal de São Paulo, da peça épica Vartanantz, que retratava a resistência heróica dos armênios, frente ao invasor persa no século V. Evento que

contou com toda comunidade armênia de São Paulo. (SAPSEZIAN, 2008, pgs. 52- 53)

Na medida em que outras organizações são criadas por outras entidades e outras igrejas, a tendência do grupo é de afastamento em função das diferenças das ideologias religiosas. As famílias evangélicas continuaram agregadas por conta do vínculo da armenidade, e posteriormente as outras gerações se distanciaram um pouco das famílias freqüentadoras das igrejas apostólicas e católicas. Hoje é possível notar que as famílias se encontram somente quando algum evento se torna comum a toda comunidade, independente do ramo cristão assumido.

Vários eventos como: recital, jantares com comidas típicas, culto de ação de graças pela morte de algum membro, lançamento de livro; nestas ocasiões é notória a participação de visitantes armênios na igreja.

A igreja tem um papel de extrema importância junto com outras redes para apoiar os imigrantes. (MARTES, 2000, pg. 118)

Como não existe fluxo migratório recente de armênios, o papel da igreja é o de apoiar aos membros e manter a identidade comunitária.

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