4.1 Karplanter
4.1.7 Andre interessante arter
Entendemos que a religião de um modo geral é a força que impulsiona a história da sociedade e a história dos próprios seres humanos e que acaba se fundindo até com movimentos políticos e, portanto, isto ocorreu com o protestantismo que alavancou mudanças na realidade brasileira.
Ha vários estudos sobre os protestantes e a sua relação com nossa sociedade. É comum para os estudiosos classificarem o processo de implantação do protestantismo levando em conta os períodos de entrada e fixação, embora não existam períodos históricos exatos, estáticos e fechados. (ALENCAR, 2005, pg. 37)
Alencar propõe tratarmos os protestantismos de: imigração, de missão, pentecostal e contemporâneo (gospel).
7.1 Protestantismo de imigração
O protestantismo de imigração representou a preservação da identidade étnica, caso da igreja armênia, que não tinha como objetivo a expansão de sua fé aos brasileiros mas o de preservação da cultura.
O maior representante dessa categoria é a Igreja Luterana que se instala no sul do país com a numerosa colônia.
Este grupo dá origem a dois tipos de luteranismo, porém já existem trabalhos de grupos étnicos menores de valdenses, batistas e menonitas.
Aqui temos que fazer uma colocação quanto ao protestantismo de imigração que em alguns períodos se utilizou de pastores das casas missionárias para compor o seu quadro eclesiástico. (DREHER, 2007, pg. 49)
7.2 Protestantismo de Missão
A definição de protestantismo tem seu foco central nas instituições protestantes, nas respectivas tradições e propagação de suas idéias normativas. Desta forma, chegam ao Brasil os Episcopais (1888), Batistas (1881), Metodistas (1836), Congregacionistas (1850), e Presbiterianos (1859).
Essas diferentes expressões chegam com o objetivo de anunciar o evangelho e implantar suas igrejas aqui. Segundo Alencar eram predominantemente proselitistas, não no sentido pejorativo, mas no sentido etimológico de “fazer um prosélito, converter alguém”. (2005, pg. 40)
A sociedade brasileira acabou acolhendo esta nova prática religiosa de forma dúbia, uns aceitando, achando ser uma religião mais moderna, imagem esta, criada pelos próprios missionários, e outros rejeitando.
Para Mendonça a inserção do protestantismo se desenvolveu porque este chegou num momento histórico-social propício, em que a aceitação ocorreu nas camadas “livre e pobre” da população rural e teve um facilitador que foi seguir a trilha da expansão do café (1995, pg. 16)
Intensificaram a visão protestante através da educação. As igrejas católicas eram elitistas e com modelo pedagógico atrasado. As escolas protestantes eram mistas, modernas, com tecnologia e pedagogia modernas, influenciando a elite paulista.
Alencar nos diz:
“É uma cultura muito letrada, numa terra de cultura oral; e uma mensagem bíblica de responsabilidade pessoal para um ethos messiânico, e uma religião que ergue escolas mistas e modernas numa terra onde a alta burguesia ainda vai para a Europa estudar”. (2000, pg. 40)
O contraponto do protestantismo sempre foi o catolicismo. Para se encontrar a modernidade era necessário ser protestante. Atraso, analfabetismo, religiosidade popular eram sinônimos do catolicismo. A investida pesada nos colégios e educação resultou exatamente no que apregoavam, ou seja, as localidades com escolas protestantes eram melhores que as católicas.
Houve de qualquer forma muita tensão entre as partes. O catolicismo diante do processo de romanização podia ser desenvolvido livremente, e nas inúmeras discussões entre os católicos Roma, Reforma, Lutero, o diabo e o protestantismo estavam sempre presentes. (DREHER, 2007, pg. 57)
Todo esse empenho gerou a concordância de que o protestantismo era marcado pelo rigor da ética e portanto, um movimento plenamente inserido no contexto urbano.
O protestantismo para Mendonça deve ser analisado do ponto de vista sociológico.
O discurso do protestante missionário era diferente do discurso que o leigo ouvia até então. As diferentes religiões vieram de fora e trouxeram contextos, ritos, usos e costumes de outros locais. A submissão às leis, à defesa do casamento civil, obediência, pureza moral e higiene pessoal estavam no discurso de todas.
Além disso, todo o movimento se articulou com outros segmentos organizacionais para constituir uma rede de sociabilidade para publicações e eventos para estabilizar o convertido (ACM, Exercito Salvação, Escola Dominical, etc.)
O protestante chegou com mensagem pronta. Mendonça diz que o protestantismo tem vocação para o fundamentalismo porque se coloca como aquele
que tem a verdade, a vocação atribuída por Deus para levar a salvação. As marcas do fundamentalismo são: sempre querer certezas, tornar-se dogmático, sua ética e sua mentalidade isolacionista gera ausência de cultura. (1990, pg. 143)
A religião oficial não pode fazer muita coisa, pela imensidão do território e pela penetração dos protestantes sem ao menos ter resistência da burguesia rural. Há que se dizer que apesar desta situação favorável, não tiveram êxito em todo o território, instituindo grupos fechados e esparsos. (MENDONÇA, 1995, pg. 156)
No Rio de Janeiro havia os protestantes da Igreja Evangélica Fluminense (Kalley) desde 1851.
Havia Metodistas em Mato Grosso do Sul e Rio Grande Sul. Em 1870 um grupo de americanos (aproximadamente 2000), que se encontravam em Santa Barbara D”Oeste e Americana, recebem nas cidades além de presbiterianos, os metodistas e batistas (1881).
Os metodistas constroem o Colégio de Piracicaba em 1876 e também colégios, no Rio de Janeiro (1878) e Juiz de Fora (1884); posteriormente foram para o Rio Grande do Sul, Belém, Pará através do missionários do Uruguai.
Os batistas fizeram presença na Bahia (1882), Maceió (1888), Recife (1886). Quando há a Proclamação da república no Brasil, é possível configurar algumas características do protestantismo de Missões, segundo Dreher:
“1. todos os missionários eram norte-americanos e vinham do país que buscava hegemonia no hemisfério; 2. traziam consigo valores culturais que procuravam transferir para o novo contexto: progresso!; 3. o adestramento ocorreria, via de regra, pelas capitais; 4. procuravam atingir as elites por meio dos colégios; 5. em geral, o trabalho começava a prosperar quando surgiam colaboradores nacionais e o movimento batista se expandiu graças a colaboração de leigos; 6. no interior da colônia, por vezes, a conversão do clã (coronel). No mais, eram convertidos indivíduos. Acentuava-se, assim a relação “eu-Deus”. (2007, pg. 56)
Posterior à República Velha e após a consolidação missionária, o protestantismo, na visão de Dreher já se constituiria em uma versão “brasileira”. Esse “protestantismo brasileiro” seria diferente daquele trazido pelas missões e também o protestante teria os seguintes atributos:
“1. piedade pessoal, participação na vida da igreja, testemunho público de fé; 2. ao invés de praticar o lazer e de se resignar é considerado trabalhador e poupador; 3. pratica a temperança: não bebe, não fuma, é higiênico; 4. é obediente, desconhecendo o “jeitinho”; 5. não transforma a sociedade, mas a condena por causa de seus vícios. É contra carnaval, baile e festa; 6. separa Igreja e política. A Igreja é considerada espiritual, nada tendo a ver com este mundo; 7. em vez do caráter profético, surge nesse protestantismo o institucionalismo. (2007, pg. 58)
7.3 Protestantismo Pentecostal
Acabando este período, irrompe no país o protestantismo pentecostal. Vem dos Estados Unidos com imigrantes europeus pobres e incultos, que surgiu entre os negros. Aqui vão atingir aos pobres e marginalizados.
Francescon, fundador da Congregação Cristã do Brasil tem na sua igreja uma conotação étnica, realizando os cultos em italiano.
Daniel Berg e Gunnar Vingren, fundadores da Assembléia de Deus, atingem ex escravos, seringueiros e nordestinos em todo o país, em apenas vinte anos.
Este protestantismo não tem pretensões de atingir a elite, mas trazer resignação diante da opressão. O pentecostalismo nega o mundo, ao afirmar que ele é do diabo e está perdido, portanto não há necessidade de mudá-lo. (DREHER, 2007, pg. 59)
Não foi um movimento uniforme, mas é considerado o mais importante fenômeno religioso do século. Há, nele, diferentes perspectivas de acomodação social, de superação da pobreza e de autonomia.
Da mesma maneira existe uma dezena de estudiosos que escrevem sobre estes fenômenos olhando para ele das mais variadas formas. (ALENCAR, 2005, pgs. 47-49)
Foi um crescimento acelerado e também pode-se notar que até hoje alguns grupos familiares estão a frente dessas igrejas, como também há varias comunidades autônomas e algumas já com sinais de estruturação organizacional.
7.4 Protestantismo Contemporâneo (Gospel)
Após 1970 teremos um novo protestantismo inserido na sociedade.
A maioria dos autores classificam-no como “neopentecostal”, porém em nosso entendimento este termo não possui a dimensão das diversas características e nuances que compõe este novo tipo de igreja, por isso a nomenclatura usada por Alencar de “Protestantismo contemporâneo (gospel)” nos parece permitir uma melhor locomoção dentro do tema, mesmo não sendo nossa intenção o aprofundamento.
Para se ter noção do que falamos, fazem parte deste movimento: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja o Brasil para Cristo, Os Batistas Renovados, a Igreja Internacional da Graça, Renascer em Cristo e mais recentemente a Igreja Mundial do Poder de Deus.
Todas estas tem visibilidade midiática, portanto este universo é muito maior, considerando que existem igrejas de médio e pequeno porte que fazem parte desse protestantismo.
Este movimento contemporâneo se caracteriza por se estruturar em torno do carisma do seu fundador. Este por sua vez consegue responder às necessidades dos indivíduos que tanto podem ser religiosas quanto emocionais.
Como as respostas são imediatas, essas igrejas normalmente estão de portas abertas o dia todo porém, o forte de todas elas são os rituais culticos. São expressões de emoções, músicas festivas, e sentimentos variados nas orações.
Essa dignidade e pertencimento levadas ao indivíduo muitas vezes faz a pessoa romper com atitudes consideradas impuras como drogas, bebidas, cigarro, prostituição etc.
Uma outra característica marcante é o princípio de captação de dízimos e ofertas que Dreher rotula de teologia de mercado e supermercado. (2007, pg. 64)
Outras correntes que trazem teologias novas, como a teologia da prosperidade, podem ser considerados movimentos dentro desse protestantismo.
Nesses breves relatos pode-se observar que o que chamamos de protestantismo brasileiro está sempre em constante mudança e nos cabe observar e traçar os caminhos que essas mudanças estabelecem para a nossa sociedade.