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3.0 Teoretisk tilnærming

3.2.1 Kommunikativ planlegging

Na introdução perguntávamos se era possível vincular o lugar onde se vive com a desigualdade social sofrida ou também se o território em que se mora tem um impacto nas oportunidades da vida. Nos questionávamos também sobre se era possível buscar respostas “locais”, quando muitos dos elementos desencadeadores dessas situações têm origens ou causas muito mais amplas. Não queríamos tampouco deixar de colocar algumas das características que, do nosso ponto de vista, podiam ter as políticas a formular e implementar diante de uma problemática crescentemente significativa num

mundo cada vez mais urbano. Nossa análise é, a respeito, exploratória e sem dúvida incompleta, mas entendemos que pode nos servir para estabelecer marcos conceituais a contrastar em trabalhos empíricos que já se estão desenvolvendo.

Como temos visto, consideramos que a segregação espacial está aumentando em muitas partes do mundo e também na Europa, incorporando componentes tanto sociais como étnicos. E isso repercute em dobro em áreas já carentes, gerando divisões entre aqueles capazes de “sair” e aqueles condenados a “ficar”. Poderíamos considerar um componente significativo de uma nova fratura de classes, que se acentua por uma separação espacial, que, em seus componentes atuais, não tem precedentes na Europa. Incrementam-se e reforçam as listas de bairros “com fama” ou bairros com má reputação, afastando-se de formas de vida próprias da “mainstream society”.

De um ponto de vista dinâmico, com a combinação de certos fatores que analisamos, vemos como se reforçam as dinâmicas de exclusão e distanciamento, provocando “espirais” ou “círculos” de segmentação e de estigmatização territorial.

Se nos aprofundamos nas políticas de resposta, temos defendido a idéia de que toda iniciativa nesse sentido deve considerar que a intensificação de dinâmicas de exclusão socioespacial urbana está vinculada a um conjunto de transformações estruturais mais globais, embora isso não signifique que essas dinâmicas sejam inevitáveis, acidentais, ou que não possam ser objeto de resposta política alguma. O território tem uma dimensão política, que se expressa claramente nos aspectos “exclusógenos” considerados e, portanto, não podemos esquecer que as desigualdades socioespaciais urbanas são mais uma expressão do que um resultado de assimetrias de poder entre atores e coletivos sociais.

Neste assunto, a ação do poderes públicos, incluídos os locais, não é neutral ou periférica (Cochrane, 2007: 137-138). As políticas de revitalização urbana têm sido formatadas desde a focalização territorial, definindo “áreas urbanas em crise”. Sendo isso necessário, queremos recordar que sem uma visão global da cidade que se quer construir, não será possível combater adequadamente os fatores geradores da exclusão socioespacial. Isso é especialmente significativo, já que as políticas de revitalização urbana podem ocasionar em muitas ocasiões simples deslocamentos territoriais da pobreza e não dinâmicas de inclusão social.

Gerar políticas urbanas num sentido mais inclusivo exige combinar ações em diferentes níveis. Medidas orientadas aos indivíduos e coletivos sociais vulneráveis sem dúvida, mas também medidas orientadas a melhorar o ambiente territorial (do ponto de vista dos serviços, das instalações, do espaço público, da moradia, da conectividade...). Quer dizer, medidas que tendem a limitar a polarização socioespacial da cidade.

Entendemos, em suma, que este é e será um tema especialmente significativo. Um tema que requer abordagens tanto analíticas como de intervenção política que leve em conta a complexidade que se encerra nessas dinâmicas, procurando, assim, tanto a diversidade de aproximações de análises, como a formulação de políticas que atendam a essa complexidade a partir de abordagens e cumplicidades tanto sociais como profissionais.

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