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4.1 Valg av metode

4.1.1 Gjennomføring av intervjuene

contextualmente com a supressão de pensamentos/ ações da masculinidade tradicional. Identidades coletivas não são exclusivas, fechadas, cercadas, iguais a si mesmas e opostas a outras de modo permanente. Identidades de gênero são sempre fragmentadas, mas são essencializadas e desfragmentadas em projetos locais de identidade pessoal e coletiva.

palavras, como se fosse "um vício" (Zaluar, 1994)50. Desenvolvem igualmente um estilo de chefia truculento, que aproxima a quadrilha da gangue americana (Zaluar, 1997). Para segurar uma boca de fumo, o chefe não pode mais "vacilar", ou seja, trair, hesitar ou ter medo na hora da luta contra rivais, comparsas, clientes em dívida ou alcagüetes (Lins, 1997). A figura do chefe ou do "homem de frente" é construída imaginariamente como aquele que mantém os seus comandados na linha, controla o crescimento dos seus concorrentes nas vendas ou do número de pessoas armadas na quadrilha.

Tampouco a urbanização muito rápida, além de não garantir emprego para todos os migrantes e, depois, para os seus filhos, não permite que as práticas sociais urbanas da tolerância e civilidade sejam assimiladas entre os novos habitantes das cidades. Entretanto, por conta dos processos já mencionados de crise da autoridade e de difusão das novas identidades e estilos juvenis globais, rapidamente corrói os valores morais tradicionais, já não mais interiorizados pelas novas gerações da cidade.

Assim, muitos homens jovens e pobres se tornaram vulneráveis às atrações do crime-negócio por causa da desorganização em suas famílias, muitas delas incapazes de administrar os conflitos surgidos na vida urbana mais multifacetada e imprevisível. Pais ausentes que não protegem, não educam e não prestam atenção na companhia dos filhos são pais inadequados. Políticas públicas que juntam jovens que já praticaram atos delinqüentes sem fazê-los entender a dimensão dos seus atos e o sofrimento que provocam nas vítimas, estão destinadas ao fracasso por estarem facilitando essa dinâmica do contágio de idéias e comportamentos violentos. E a favela ou o bairro pobre, evidentemente, seria o local propício para a sua propagação por isolar uma população que apresenta um percentual alto de famílias com “paternidade falha”, além de serviços públicos, principalmente escolas, de pior qualidade. Jovens de famílias com renda abaixo do nível da pobreza tornam-se vulneráveis por conta de uma combinação do abismo entre adultos e jovens, do sistema escolar ineficaz, da falta de treinamento profissional, com os postos de trabalho insuficientes, acrescidos das miragens das

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Por causa da facilidade e nível de lucros, policiais brasileiros afirmam a respeito daqueles que se envolvem no tráfico, seja qual for a classe social, o gênero e o nível de renda: "Quem trafica uma vez, sempre volta". Mas isso não quer dizer que não haja quem trafique "por necessidade". No tráfico capilarizado nas pontas nos bairros pobres e nos centros de boemia, muitas mulheres, mais comumente ex- prostitutas ou de profissões de baixa qualificação, como manicures, faxineiras, etc, são também vendedores comuns.

identidades globais e do mercado onde se compete sempre para separar “vencedores” e “perdedores”. Foi isto que apresentei como os argumentos para sustentar a idéia de “integração perversa” ao sistema econômico (Castels y Mollenkopf, 1992; Zaluar, 2000), formada na vinculação em posições menores no tráfico de drogas.

No Rio de Janeiro, como em toda parte, são muitas as arenas de conflito e muitos os estilos de masculinidade entre os migrantes de outros estados, entre os jovens da segunda geração de migrantes, entre os jovens negros, pretos, pardos, mulatos, cariocas ou descendentes de nordestinos e mineiros. Entre os que pertencem às camadas mais pobres da população, que mesmo assim seguem diferentes trajetórias, fica claro que, nos tempos atuais, a possibilidade de enriquecer rapidamente e ter acesso ao consumo conspícuo é um importante elemento para definir as novas identidades masculinas bem sucedidas. Ajudar amigos, vizinhos e parentes, impressionar a todos com a exibição de jóias e roupas dispendiosas no seu próprio corpo, com festas e pagamento de bebidas a todos em locais públicos, são parte dessa estratégia do macho dominante em muitas sociedades, inclusive a brasileira. Ela faz parte de um ciclo da masculinidade – o do jovem que se aproxima da idade adulta -- sem o apelo ao casamento e às práticas tradicionais de reconhecimento familiar. Essa estratégia pode ser garantida pelo sucesso em empreendimentos produtivos e comerciais, inclusive o que é garantido pelo dinheiro fácil advindo do tráfico de drogas. A liquidez para bancar os gastos vem a ser mais importante do que o entesouramento em bens imóveis ou o investimento em passivos para os traficantes do varejo. Dinheiro no bolso em espécie é um sinal de masculinidade, mais do que propriedades ou patrimônio. A fonte do dinheiro não é importante, mas a quantia, como na teologia da prosperidade de algumas igrejas neopentecostais.

Por isso mesmo, os gastos dos jovens traficantes são muito individualizados e orgiásticos. Financiamento de bailes funk, orgias em motéis, consumo conspícuo de roupas, bebidas, drogas e festas para parentes, amigos e aliados. Dizer que substituem o Estado ausente em política social é leviandade intelectual, fruto de observações ligeiras e secundárias. A liquidez é mantida para impressionar o público dos pares, vizinhos e familiares, além de investir em um negócio que envolve pagamento a policiais e advogados, entre outros personagens menos falados. Comando sobre o dinheiro, comando sobre o território, comando sobre os liderados, comando sobre as mulheres

cobiçadas: é isso que define o traficante durão bem sucedido. O dinheiro, por ser móvel e destacável, permite o exercício do poder mesmo à distância, como no caso do migrante, do fugitivo ou do prisioneiro. Diminuir o fluxo dele significa enfraquecer, perder prestígio e tornar-se menos poderoso. O que distingue os traficantes que atuam no varejo é que eles temperam o poder do dinheiro sonante com o uso das armas que tanto barulho fazem51. O primeiro, para impressionar por causar admiração; o segundo, para impor o respeito e o medo. Mas, tanto um como o outro, usados de modo excessivo e exibicionista.

Pagar a bebida de todos, promover churrascos, financiar bailes, tudo isso é de enorme importância para afirmar o homem todo poderoso que gasta em excesso. Este estilo de masculinidade é denominado de hipermasculinidade52 por estar associado a muita bebida, muita comida, muito sexo e muita exibição de força física ou armada. Usar correntes de ouro, roupas de grife, tênis caros fazem parte do estilo, mas há pressões locais para que parte dessa riqueza seja empregada em festas e algum benefício para a localidade, pressões que se resolvem de diferentes maneiras. Por isso, jovens traficantes entrevistados sempre afirmaram que o que vem fácil sai fácil. Este é o padrão da hipermasculinidade ou exibição espetacular de poder masculino que não tem limites na lei. É fundamental, portanto, que sejam exibições públicas em que as arenas de desempenho são observadas por todos os moradores locais e, melhor ainda, descritas na mídia.

Mas a valorização do dinheiro no bolso, gasto conspícua e excessivamente, encontra-se em muitas outras cidades do mundo. Também na Índia, no Lesotho, na Colômbia, nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra foram descritos usos similares

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Mas este é apenas um dos estilos encontrados entre os pobres. Os sambistas, que existem no Rio desde o início do século XX, têm outro; trabalhadores manuais têm vários outros, negros pobres em ascensão têm projetos variados com investimentos diferentes na construção de uma identidade masculina. Entre muitos negros cariocas, inclusive os sambistas, o desprezo pelo dinheiro em prol dos valores da educação, do conhecimento técnico do que se faz, da honradez e da solidariedade está em suas inúmeras canções e senso comum, melhor dizendo, sabedoria. Entre eles, riqueza não significa nem maturidade nem valor masculino nem respeito pessoal. Homem que é homem não usa arma, briga no braço; homem que é homem não é covarde, homem que é homem não joga dinheiro fora.

52 Enquanto uma constelação de personalidade, a hipermasculinidade consiste de três dimensões: