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Actualmente, o papel que o PSM representa na adesão ao tratamento dos doentes com PPG, nomeadamente a nível do impacto que os conhecimentos, atitudes e crenças, começa a merecer uma atenção considerável por parte da comunidade científica.

Como tivemos oportunidade de referir, alguns estudos têm vindo a demonstrar que a participação de PSM em programas de treino, podem ter um impacto positivo na adesão dos doentes com PPG ao tratamento (Byrne et al., 2006; Gray et al., 2010; Byrne et al., 2011; Hemingway et al., 2014; Loughland et al., 2015).

Recentemente, Bressington, Coren & MacInnes (2013) levaram a cabo uma revisão sistemática com o objectivo de estabelecer a eficácia de acções de formação, em formato de

workshops, em termos de resultados clínicos. Foram identificados cinco bases de dados

electrónicas (Pubmed, CINAHL, Medline, PsycINFO e Google Scholar), onde foram incluídos um total de cinco estudos quantitativos. Estas investigações relataram melhorias significativas no conhecimento dos clínicos, atitudes e competências, imediatamente após o treino. Dois desses estudos foram realizados na Austrália (Byrne et al., 2004 e Byrne & Deane, 2011), outros dois no Reino Unido (Surguladze et al.,2002 & Gray et al., 2003) e outro nos EUA (Byrne et al., 2010). Em três destes trabalhos (Gray et al., 2003; Byrne et al., 2004 & Byrne e Deane, 2011), os clínicos envolvidos trabalhavam em estruturas comunitárias de saúde mental, um outro em contexto de internamento (Byrne et al., 2010), enquanto que o de Surguladze et al., (2002), integrou cerca de 60% de PSM que trabalhavam em internamento psiquiátrico de adultos e os restantes 40% em equipas comunitárias.

A formação de que os PSM foram alvo estava integrada no programa de treino

Medication Alliance Program (MAP). Segundo Byrne et al. (2010), este tipo de treino pode ser

também aplicado com sucesso em ambiente hospitalar, permitindo o aumento de conhecimentos, a alteração de atitudes e o desenvolvimento de (novas) competências e estratégias de adesão por parte dos PSM.

No estudo de Byrne et al. (2010), cujo objectivo era o de avaliar a efectidade do MAP, a variável empatia apresentou uma melhoria significativa do pré para o pós-treino.

A empatia é uma qualidade considerada fundamental para o estabelecimento de uma relação terapêutica mais positiva (Fox, 2001) e o facto do MAP poder actuar a esse nível, representa um aspecto importante que nos permite concluir que é possível melhorar as atitudes dos clínicos em relação à qualidade da relação terapêutica, através de programas de treino especificamente desenhados para esse efeito. Embora os resultados sejam encorajadores, não é claro que os PSM sejam capazes de manter os efeitos registados a nível dos conhecimentos, atitudes e competências a longo prazo e garantir que essas mudanças se traduzam em resultados clínicos.

A formação profissional dos técnicos também variou entre os estudos. Os participantes do estudo de Gray et al., 2003 eram enfermeiros de saúde mental e os do estudo de Surguladze

et al. (2002), internos de psiquiatria. A maioria dos clínicos nos três estudos de Byrne eram

enfermeiros, no entanto, nestes três trabalhos foram também incluídos outros profissionais de saúde como assistentes sociais, psicólogos, entre outros.

Verificou-se nesta revisão que os programas de treino mais longos (Gray et al., 2003), e com supervisão clínica, pareciam resultar melhor do que workshops de curta duração sem supervisão posterior (Byrne et al., 2004).

Byrne e Deane (2011) sugerem que uma abordagem mais longa com uma supervisão integrada no programa de formação possa ser útil para aumentar a durabilidade dos resultados positivos.

Os achados desta revisão indicam que as acções formativas são susceptíveis de melhorar os resultados clínicos. No entanto, devido às limitações metodológicas, são necessárias mais pesquisas nesta área que possibilitem a realização de ensaios clínicos randomizados com seguimento, de maneira a avaliar a longo prazo o impacto da utilização das abordagens aprendidas na prática clínica.

Para além do sucesso que pode advir de acordo com o tipo de metodologia que é adoptada, existem também competências interpessoais e comunicacionais que podem ter um impacto considerável no prognóstico dos doentes (Byrne et al., 2008).

Apesar das reconhecidas vantagens que o desenvolvimento de acções formativas dirigidas a PSM podem representar a nível da aquisição ou melhoria dessas competências, nem sempre os profissionais de saúde em geral fazem uso dessas habilidades.

Considerando, por exemplo, que a boa comunicação deve ser considerada como um requisito fundamental na prática clínica em geral, e na adesão ao tratamento em particular, acreditamos ser de máxima importância a implementação de programas de treino orientados para a aquisição de competências e conhecimentos. No entanto, existem poucos dados disponíveis sobre a efectividade desses programas de treino dirigidos a PSM, o que faz com que prevaleçam dúvidas quanto à transferência dos conhecimentos, estratégias e competências para contexto real.

Em Portugal, Carvalho et al., (2014), avaliaram os resultados de um programa de pós- gradução de 9 meses sobre competências comunicacionais, dirigido a profissionais de saúde da área da oncologia e replicado em diferentes amostras. Os resultados deste trabalho demonstraram que este tipo de abordagem pode ser utilizado para melhorar as competências comunicacionais dos clínicos. A avaliação foi feita 3 meses depois do programa ter terminado e os dados disponíveis reforçam a ideia de que este tipo de treino corresponde a uma ferramenta valiosa cujo efeito é transferido para situações reais.

A eficácia das acções formativas dirigidas a profissionais de saúde de diferentes áreas, pode variar de acordo com os métodos de ensino empregues. Os programas apresentados sob o formato de módulos, divididos em três secções, são descritos como sendo a forma mais

adequada para ensinar e possibilitar o treino de competências interpessoais e comunicacionais (Aspegren, 1999; Cegala e Broz, 2002).

Estes programas devem integrar uma componente cognitiva, comportamental e de modelagem, favorecendo o treino de competências através de exercícios de role-play (Maguire e Pitceathly, 2002; Bylund et al., 2010), os quais deverão ser, posteriormente, visualizados e discutidos.

Como referimos acima, alguns estudos têm vindo a reforçar que as melhorias registadas na capacidade de comunicação após um programa de treino são observadas tanto nas situações simuladas como em contexto real (Razavi et al., 2003; Delvaux et al., 2004; Delvaux et al.,2005), revelando também vantagens a nível da comunicação interpessoal (Cleland et al., 2009; Fiscella

et al., 2007).

De acordo com a pesquisa bibliográfica que realizámos, verificamos que a maioria dos programas de treino de competências pessoais é, essencialmente, orientado para profissionais de saúde que trabalhem na área da oncologia. No entanto, este tipo de treino, ainda que realizado em menor número, é também extensível à área da saúde mental como podemos constatar através dos trabalhos levados a cabo por Byrne et al. (2004); Barkhof et al. (2006) e Ditton-Phare et al. (2015).

Um outro estudo desenvolvido por Tacchi et al. (2012), por exemplo, procurou avaliar a efectividade de um workshop intensivo de 1 dia, dirigido a PSM (N= 134), cujo objectivo era o de avaliar o impacto do workshop nas atitudes e crenças, competências e conhecimentos dos clínicos em relação à adesão à medicação. Os resultados deste trabalho demonstraram que ao fim de 3 meses de follow-up, os conhecimentos dos PSM melhoraram significativamente, tendo sido detectados mais casos de não-adesão e utilizadas estratégias mais eficazes.

Tacchi et al. (2012), concluem que é possível actuar nas competências dos PSM e aumentar, em simultâneo, os conhecimentos sobre estratégias de adesão, através de um programa de treino breve.

Para além da aquisição ou aperfeiçoamento das competências interpessoais e comunicacionais, é importante que, em simultâneo, este treino também possibilite o desenvolvimento de medidas que permitam aos PSM compreender como podem motivar os doentes com PPG a aderir ao tratamento (Barkhof et al., 2012; 2013; Byrne et al., 2008; Byrne, 2010). Isso pode ser conseguido através do uso das competências aprendidas e/ou através da aprendizagem de modelos de adesão validados.