4. Landbruks- og matdepartementet (rammeområde 11)
4.4 Komiteens merknader til de enkelte budsjettkapitlene under rammeområde 11
Diplomacia é a arte e prática de conduzir negociações entre representantes de grupos ou de Estados. Normalmente chamamos de ‘diplomacia internacional’ a condução
das relações internacionais por meio de diplomatas profissionais, com atenção aos tratados internacionais, negociações de guerra, paz, economia, cultura, etc.
É intrigante que, numa área tão de acordo com as atitudes que se esperam da mulher, haja tão poucas mulheres em ação no campo da diplomacia. Acreditava-se que, considerando que as mulheres são culturalmente educadas a serem graciosas e diplomáticas se sairiam melhor em um mundo dominado pelos homens.
Ainda assim, até o início do século XX193 as únicas mulheres relacionadas ao
serviço diplomático eram as esposas de diplomatas, as trabalhadoras de casa ou assistentes pessoais dos embaixadores, cônsules e especialmente trabalhadores relacionados à diplomacia. A partir do século XX, porém, mulheres passaram a ser admitidas em posições diplomáticas. A partir de 1934, os Estados Unidos da América passaram a designar mulheres como diplomatas, tendo a Inglaterra feito o mesmo em 1974 e a Coreia do Sul tendo designado sua primeira embaixadora em 1996.
TICKNER194 afirma que não há muita evidência que sugira que as mulheres
tiveram um papel marcante na política internacional no século XX. Em 1987, menos de 5% das posições em Serviço Estrangeiro eram compostas por mulheres.
Diversos são os motivos para o afastamento feminino do campo da diplomacia. Embora já se argumente que não é viável a diplomacia realizada somente por membros do sexo masculino, as mulheres ainda encontram muitas dificuldades em ingressar e subir na hierarquia da diplomacia.
A masculinidade e a política possuem um enlace tradicional, afirma TICKNER195. A diplomacia tradicional valorizava e, de certo modo, ainda valoriza as
características associadas ao masculino, como força, coragem, poder, independência e força física. Todos estes adjetivos representavam, até pouco tempo, os ideais de soberania e de Estado no direito internacional. A violência, também associada a masculinidade, era e, em menor grau, ainda é, uma conduta valorizada quando da defesa de um Estado. Um exemplo a respeito deste tema são as invasões dos Estados Unidos da América após os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York.
193 HA, Than Thanh. The Changing Role of Women in Diplomacy in the 21st Century: The Case of South
Korea. International Relations: Insights & Analysis. Disponível em: http://www.ir- ia.com/reports/IRIA_The-Changing-Role-of-Women-in-Diplomacy-in-the-21st-Century.pdf. Acesso em 24 de outubro de 2015.
194 TICKNER, J. Ann. Gender in International Relations: Feminist Perspectives on Achieving Global
Security. New York: Columbia University Press, 1992.
Há que se ressaltar que, até mesmo na opinião de algumas profissionais da área, alguns temas de Relações Internacionais não são totalmente indicados para mulheres. Diversas profissionais das Relações Internacionais argumentam que, durante sua educação ou anos iniciais na carreira, bem como quando deram palestras sobre alguns temas específicos de Relações Internacionais, como guerra e armamentos, acreditaram que esse não era o tipo de assunto específico para mulheres. TICKNER dá um testemunho pessoal sobre o tema em sua obra, afirmando:
Enquanto muitos dos meus estudantes do sexo masculino aparentam estar razoavelmente confortáveis com o discurso de guerra e armamentos no meu curso introdutório de Relações Internacionais, nunca passou um semestre sem algumas das minhas alunas expressarem de forma privada que elas acreditavam que não iriam se dar bem no curso, porque esse não parecia ser seu «assunto».
Também há a opinião de que mulheres não são interessadas em dialogar acerca de assuntos controversos. HERMANN196 tem uma opinião particular a respeito
dos motivos pelos quais as mulheres são sub-representadas perante os grupos formadores de opinião, sejam eles a diplomacia, o parlamento ou o gabinete. Ela afirma:
Eu gostaria de poder dizer que isso é porque as mulheres são impedidas pelos seus colegas homens, mas isso seria incorreto. Mulheres são menos interessadas em tomar parte nesses tipos de deliberação. Para início de conversa, lá é bem cheio de gente. Elas preferem optar por outros locais em que é mais fácil ter visibilidade e uma voz.
Ela também afirma que mulheres tendem a optar por ficar em cima do muro em deliberações. Ressalte-se que muitas são as razões pelas quais mulheres são menos representadas na diplomacia. Os papeis tradicionais da mulher como esposa e mãe se chocam com o trabalho de diplomata, em especial em locais conflituosos. O facto do
196 HERMANN, Tamar S. in DANSPECKGRUBER, Wolfgang et. al. Women leaders in international
relations and world peace. Princeton University: Liechtenstein Institute at Princeton, 2010. Disponível em: < http://arks.princeton.edu/ark:/88435/dsp01qr46r084n>. Acesso em 12 de setembro de 2015.
papel de diplomata ser designado por um superior, normalmente um homem, também influencia no número diminuto de mulheres no campo.
No entanto, quando questionadas, diplomatas do sexo feminino opinaram que a principal razão para a pequena quantidade de mulheres na área diplomática era a falta de apoio em equilibrar família e carreira197.
O campo das relações internacionais foi uma das últimas ciências sociais a ser revista sob o âmbito da perspetiva de gênero e das teorias feministas. O ingresso de mulheres no campo das relações internacionais e da diplomacia auxilia a escancarar como o gênero construiu a maneira tradicional como vemos as relações internacionais. A atual hierarquia de gênero contribui para a manutenção das resoluções de conflitos por meio da força, por exemplo, mesmo com todo o embasamento diplomático atual. Qualquer tentativa de introduzir uma análise mais explicitamente de gênero no campo deve, portanto, começar com uma discussão sobre a masculinidade.
Muitos estudiosos do sexo masculino já observam que, dadas as tecnologias atuais de destruição, o alto grau de desigualdade econômica e a degradação ambiental que agora existe, é necessária uma mudança em relação à condução das políticas mundiais.
Teorias de gênero relacionadas às relações internacionais e à diplomacia, que explanam as mais diversas experiências das mulheres, normalmente um gênero com voz diminuta, podem demonstrar novos pontos de vista sobre o comportamento dos Estados e as necessidades dos indivíduos, particularmente nas periferias do sistema internacional.
É possível que experiências de mulheres podem adicionar uma nova dimensão à compreensão atual da economia mundial, uma vez que as mulheres são frequentemente as primeiras vítimas em tempos de dificuldades econômicas. Como visto previamente no presente capítulo, também é possível haver uma nova visão sobre a relação entre militarismo e a violência estrutural.
As mudanças em relação a maior participação feminina na diplomacia podem ocorrer de forma consciente ou inconsciente. Em relação ao segundo caso, PLASSNIK198
afirma que não entrou no ramo de política ou se tornou uma diplomata porque buscava se
197 HA, Than Thanh. The Changing Role of Women in Diplomacy in the 21st Century: The Case of South
Korea. International Relations: Insights & Analysis. Disponível em: http://www.ir- ia.com/reports/IRIA_The-Changing-Role-of-Women-in-Diplomacy-in-the-21st-Century.pdf. Acesso em 24 de outubro de 2015.
198 PLASSNIK, Ursula. in DANSPECKGRUBER, Wolfgang et. al. Women leaders in international
relations and world peace. Princeton University: Liechtenstein Institute at Princeton, 2010. Disponível em: < http://arks.princeton.edu/ark:/88435/dsp01qr46r084n>. Acesso em 12 de setembro de 2015.
tornar empoderada. Porém, enquanto fazia seu trabalho como Ministra de Negócios Exteriores, começou a perceber que não conseguiria fazer o seu trabalho de entrar em contato com outras sociedades se não entrasse em contato e compreendesse as mulheres daquela sociedade. Fazer encontros com mulheres não é parte do trabalho tradicional de uma ministra de exterior. Ainda assim, começou a organizar reuniões com as mulheres das respetivas sociedades em que se envolvia. A estudiosa se sentiu tocada a partir de uma situação vivenciada.
Na França, a situação foi um pouco diversa. Atualmente, um terço das embaixadoras do país são mulheres. Tal situação não ocorreu de forma natural, tendo o governo francês decidido formalizar a necessidade de apontar mulheres embaixadoras para diversos países. Há, atualmente, uma cota para funcionárias públicas de chefia no país, a qual espera-se seja de 40% em 2018.
A mensagem que KEOHANE199 nos passa é de que, para modificar as
questões de gênero na diplomacia, o importante «é se envolver como mulher: quer você esteja fazendo paz ou melhorando o mundo através da diplomacia, deve tirar vantagem do facto de que mulheres agora podem se engajar nas linhas de frente da paz, guerra ou diplomacia e encontre seu próprio nicho para fazer a diferença».
A participação ativa de mulheres nos processos de tomada de decisão é crucial para se alcançar igualdade real, um desenvolvimento mais humano e, acima de tudo, paz.
199 KEOHANE, Nannerl O. in DANSPECKGRUBER, Wolfgang et. al. Women leaders in international
relations and world peace. Princeton University: Liechtenstein Institute at Princeton, 2010. Disponível em: < http://arks.princeton.edu/ark:/88435/dsp01qr46r084n>. Acesso em 12 de setembro de 2015.
CAPÍTULO 4