2. Nærings- og handelsdepartementet og fornyings- og administrasjonsdepartementet
2.4 Komiteens merknader til de enkelte budsjettkapitlene under rammeområde 9
2.4.27 Kap. 2421 og kap. 5325 Innovasjon Norge
Malala Yousafzai119, nascida em 12 de julho de 1997, é uma jovem ativista
paquistanesa nascida no vale Swat. Desde pequena, Malala apresentava um grande prazer pela educação. Seus pais administravam uma escola fundada por eles mesmos e Malala, desde a infância, frequentava o local.
Em 2007, o Talibã120 passou a controlar o vale Swat e as meninas foram
banidas das escolas. Além disso, as televisões, a dança e outras atividades culturais
117 Gulfnews.com. Revolutionary blogger Asmaa threatened. Disponível em:
http://gulfnews.com/news/mena/egypt/revolutionary-blogger-asma-threatened-1.757171. Acesso em 10 de janeiro de 2016.
118 ESFANDIARI, Haleh. in DANSPECKGRUBER, Wolfgang et. al. Women leaders in international
relations and world peace. Princeton University: Liechtenstein Institute at Princeton, 2010. Disponível em: < http://arks.princeton.edu/ark:/88435/dsp01qr46r084n>. Acesso em 12 de setembro de 2015.
119 Malala.org. A Global Advocate for Girls’ Education. Disponível em: https://www.malala.org/malalas-
story. Acesso em 03 de janeiro de 2016.
120 O Talibã é um movimento fundamentalista que se difundiu no Paquistão e no Afeganistão a partir
passaram a ser proibidas. Até o fim de 2008, o Talibã havia destruído aproximadamente 400 escolas no Paquistão. Embora fosse apenas uma jovem de 11 anos à época, Malala Yousafzai discursou na cidade de Peshawar, no Paquistão, a respeito do direito básico à educação feminina.
Em 2009, Malala Yousafzai iniciou um blog para a BBC, informando como era, para uma menina, viver sob o domínio do Talibã. Muitas das suas reportagens eram sobre a mudança social que ocorria no Paquistão e sobre a negativa de seu direito à educação. Embora tenha assumido uma identidade falsa para se manter mais segura, no fim de 2009 foi descoberto que a ativista era a verdadeira pessoa por trás dos textos do blog.
Durante o ano de 2009, Yousafzai e seus familiares foram forçados, juntamente com diversas outras famílias, a se deslocar dentro do país para evitar a guerra que ocorria no Paquistão. Após algumas semanas, Malala pôde retornar a Swat e continuou uma campanha pelo direito feminino à educação.
Ao longo dos anos, Malala se tornou nacionalmente, e depois mundialmente famosa pela sua determinação em dar acesso à educação de qualidade para meninas. Em 2011, a ativista foi indicada ao International Children’s Peace Prize. No mesmo ano,
Yousafzai ganhou o Prêmio Nacional da Paz Jovem do Paquistão.
O Talibã passou a ameaçar Yousafzai e sua família no fim de 2011. Além de ser uma defensora da educação feminina, algo proibido no regime, Malala era filha de um anti Talibã declarado. Seu pai, Ziauddin Yousafzai, era manifestamente contra o Regime Talibã.
Em 9 de outubro de 2012, Malala voltava da escola com seus colegas, em um ônibus escolar, quando um homem entrou e perguntou quem era Malala. Seus amigos a olharam e, naquele momento, o homem atirou e atingiu Malala no lado esquerdo da cabeça. Outras duas garotas também foram atingidas.
Yousafzai, em condições críticas, teve de ser enviada primeiro para um hospital em Peshawar e, depois, para a Inglaterra. Um pedaço do seu crânio foi retirado e, após múltiplas cirurgias e um coma induzido, Malala estava, embora com marcas e
etnia pashtun, porém também incluía muitos não afegãos do mundo árabe, além de pessoas da Eurásia e da Ásia. É oficialmente considerado uma organização terrorista pela Rússia, União Europeia e Estados Unidos.
uma ligeira paralisia facial, com o uso normal do cérebro. Em 2013, a ativista passou a frequentar a escola em Birmingham, na Inglaterra.
Após o ataque, Malala Yousafzai tornou-se, mais do que nunca, mundialmente famosa. Em julho de 2013, Yousafzai discursou na Organização das Nações Unidas. No mesmo ano, Malala publicou sua autobiografia. Yousafzai também recebeu, em 2013, o Premio Sakharov para a Liberdade de Pensamento.
Malala também fundou, no mesmo ano, um fundo para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de educação feminina o impacto social e econômico da educação das meninas, além de capacitá-las a levantar suas vozes e a descobrirem seu potencial.
Em 2014, Malala Yousafzai se encontrou com refugiados sírios no Jordão, foi ao Quênia para dialogar com estudantes e, por fim, discursou na Nigéria sobre os ataques da organização terrorista Boko Haram e as suas investidas para acabar com a educação feminina.
Yousafzai recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2014, tornando-se a pessoa mais nova a receber o prêmio. Em seu discurso, Malala afirmou «Este discurso não é só para mim. É para todas as crianças esquecidas que querem educação. É para as crianças assustadas que querem paz. É para as crianças sem voz que querem mudanças».
Em 2015, Yousafzai inaugurou uma escola para 200 meninas sírias refugiadas no Líbano. Atualmente, Malala reside na Inglaterra, tendo em vista a perseguição que sofre no seu próprio país. Com o seu fundo, Malala financia a construção de escolas em seis países e permanece no diálogo com líderes internacionais para um alcance mundial.
Malala Yousafzai é um exemplo para todas as jovens meninas. Muzon Al Meliha121, por exemplo, é uma refugiada síria na Jordânia que luta pela educação em
campos de refugiados. Muzon, de apenas 17 anos, cita Yousafzai como inspiração e diz que «ela me ensinou que não importa quais obstáculos vou enfrentar na vida, eles podem ser superados».
Outro exemplo da inspiração de Malala é Hadiqa Bashir. A menina de apenas 13 anos, natural da mesma cidade de Youzafzai, recebeu o Muhammad Ali Humanitarian
121 Naçõesunidas.org. Aos 17 anos, refugiada síria defende a educação de meninas em campo de deslocados
na Jordânia. Disponível em https://nacoesunidas.org/aos-17-anos-refugiada-siria-defende-a-educacao-de- meninas-em-campo-de-deslocados-na-jordania/. Acesso em 15 de janeiro de 2016.
Award122 por dedicar a sua vida ao fim da prática de casamentos infantis no Paquistão.
Segundo estimativas, uma em cada três meninas paquistanesas é submetida ao casamento forçado antes de chegar aos 18 anos.
Como visto inicialmente, não há que se dizer que as mulheres comuns não têm participações ativas nos conflitos. Elas são, muitas vezes, protagonistas nas fases pré, durante e pós-conflito. DORNIG123 explana que:
Nas fases pré-conflito, mulheres constroem redes que encorajam grupos políticos e sociais a tomar medidas preventivas. Durante o conflito, mulheres se tornam as responsáveis por cuidar e alimentar suas famílias. No pós-conflito, mulheres podem ser pessoas chave nos processos de busca pela paz e na reabilitação e reintegração social. Como participante nos processos de reintegração social, a presença das mulheres sinaliza que o Estado está passando por um processo de maneira inclusiva.
Infere-se, portanto, a necessidade de se integrar a mulher comum nos processos decisórios das sociedades. Existem, porém, diversos motivos a dificultar ou até mesmo impedir o empoderamento feminino nos países em que as mulheres são socialmente vulneráveis. O principal motivo é, claramente, a falta de dinheiro para a mulher sustentar a si mesma e a sua família.
Nos informa JAMAL124 que nas eleições de 2006 na Palestina, um percentual
gigantesco de mulheres votou no Hamas. O motivo foi um só: o Hamas fornecia alimentos para a população. Na faixa de Gaza, aproximadamente 95% das mulheres vivem com menos de um dólar por dia. Quando não há nem mesmo alimentação, não há como discutir direitos humanos.
JAMAL explana ainda que, tendo em vista a fiscalização israelense em diversos pontos do país, muitos pais impediram suas filhas de frequentarem as escolas, sob o argumento de que elas seriam assediadas pelos oficiais israelenses e isso as faria
122 KHALIQ, Fazal. 13-year-old Swat girl wins Muhammad Ali Humanitarian Award. Disponível em:
http://www.dawn.com/news/1208203. Acesso em 14 de outubro de 2015.
123 DORNIG, Swen, in DANSPECKGRUBER, Wolfgang et. al. Women leaders in international relations
and world peace. Princeton University: Liechtenstein Institute at Princeton, 2010. Disponível em: < http://arks.princeton.edu/ark:/88435/dsp01qr46r084n>. Acesso em 12 de setembro de 2015.
124 JAMAL, Amaney. in DANSPECKGRUBER, Wolfgang et. al. Women leaders in international relations
and world peace. Princeton University: Liechtenstein Institute at Princeton, 2010. Disponível em: < http://arks.princeton.edu/ark:/88435/dsp01qr46r084n>. Acesso em 12 de setembro de 2015.
impuras. Assim, nos locais onde há mais fiscalização israelense, o número de mulheres nas escolas caiu assustadoramente, da mesma forma que caiu a idade média de casamento. Meninas, ao invés de frequentarem a escola, passaram a casar cada vez mais cedo.
Há, também, um motivo extremamente importante para a ausência de mulheres em movimentos em certos países: o estupro corretivo. Embora não tenha sido noticiado pelas mulheres mencionadas neste trabalho, o estupro corretivo é uma ação comum para amedrontar mulheres que dependem de sua virgindade para ter um bom futuro ou, ao menos, serem vistas como cidadãs decentes. Afirma JAMAL que caso sejam aprisionadas, há uma grande chance de abuso sexual e, mesmo que não haja este abuso, uma mulher carregará esta marca e provavelmente não conseguirá se casar, além de não ser bem vista socialmente, o que também atrapalhará as chances de emprego.
É difícil refletir sobre igualdade de direitos quando não se tem nem luz nem telefone. Muitas mulheres vivem em condições tão vulneráveis que não conseguem refletir sobre as violações que ocorrem em sua vida. Assim, espera-se que tais mulheres tenham ajuda das governantes, de militares, da imprensa, de empresárias, ou seja, de qualquer setor da sociedade que se compadeça da sua situação.