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6.3.5 Gravens plassering

6.3.6.1 Kombinasjoner i mannsgraver

Resumo

O objetivo do estudo foi avaliar a qualidade de vida dos idosos com FAV submetidos à hemodiálise. Trata-se de estudo observacional, descritivo e transversal, realizado com 39 idosos em tratamento hemodialítico na cidade de Taguatinga-DF. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevista com dois instrumentos: dados sócio-econômico-demográfico e um questionário validado para avaliar qualidade de vida relacionada à saúde (KDQOL-SF™). Identificamos que a Qualidade de vida é prejudicada a depender do domínio avaliado, os valores médios dos escores encontrados variaram de 40,06 a 90,60, encontramos os menores escores no domínio função sexual (40,06) e o mais elevado no domínio qualidade da interação social (90,60). Neste estudo por meio dos instrumentos utilizados foi possível alcançar os objetivos propostos e identificar pontos relevantes no cotidiano desses idosos submetidos à hemodiálise, contribuindo com a equipe que presta assistência a esta população. Concluiu-se que a QV desses idosos na CDRT – Taguatinga/DF apresenta, em média, altos escores nas dimensões genéricas e específicas avaliadas.

Descritores: Idoso; Qualidade de vida; Hemodiálise Descriptors: elderly; Quality of life; hemodialysis Descriptores: Ancianos; Calidad de vida; hemodiálisis

Introdução

O envelhecimento populacional, antes restrito a países desenvolvidos, está ocorrendo também nos países em desenvolvimento de forma muito rápido. No Brasil, este aumento tem influenciado significativamente o número de atendimentos no sistema único de saúde (SUS), relacionado principalmente às doenças crônico-degenerativas(1).

Dentre as doenças que levam a maior número de atendimentos encontram-se as doenças renais crônicas (DRC) justificando, nos últimos anos, o aumento do número de pacientes idosos nas unidades de diálise(2). De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o número de pacientes sob terapia de diálise no período de 2012 a 2013 aumentou de 97.586 para 100.397 casos. Os dados revelam que de 2006 a 2013 tivemos um aumento estimado de 34.161 pacientes novos em diálise, na população de idosos esse número se manteve estável de 2011 a 2013 com uma média de 31,6% na população acima de 65 anos(3).

A DRC é doença progressiva que induz a necessidade de tratamento debilitante, impedindo o indivíduo de realizar suas atividades rotineiras habituais. A partir do seu diagnóstico, o indivíduo idoso que já possui um estilo de vida modificado em função do processo senil, passa a ter nova etapa de responsabilidades enfrentando: o impacto do diagnóstico da doença; a necessidade de realizar o regime terapêutico; ter que conhecer a doença; aprender a lidar com sintomatologia desagradável; e entender que perdas vão acontecer na vida social, no lazer, no trabalho e no convívio com outras pessoas(4).

Entre as terapias de substituição da função renal podemos conceituar a hemodiálise como a de maior predomínio entre as terapêuticas adotadas. Trata-se de modalidade de terapia na qual ocorre a filtração do sangue do paciente por meio de um filtro/capilar ―rim artificial‖ adaptado a uma máquina. Para a realização desse processo, é necessário que o paciente tenha um acesso vascular adequado, sendo a fístula arteriovenosa (FAV) o de primeira escolha. FAV é a união entre uma veia e uma artéria, procedimento realizado cirurgicamente em um membro do doente por um médico habilitado.

A hemodiálise tende a desencadear modificações na rotina do indivíduo, afetando-a diretamente nos aspectos biopsicosocioculturais. O tratamento hemodialítico apresenta-se para o idoso como um evento inesperado que o remete à relação de dependência a uma máquina, a um esquema terapêutico rigoroso trazendo limites ao seu cotidiano no convívio

social, restrições alimentares e hídricas e incapacidades físicas(1). Na visão dos pacientes, essas modificações refletem em sua qualidade de vida (QV) e, em decorrência disso, o cuidado a ser prestado ao indivíduo dependerá da sua própria percepção sobre a nova experiência(5).

A Organização Mundial de Saúde define saúde como: ―um estado de completo bem- estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença‖(6), e ainda, define QV como ―a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações‖(7). Estes são conceitos que têm como objetivo fazer uma abordagem multidimensional. Desta forma, é preciso avaliar o indivíduo em todos seus aspectos, a fim de captar o impacto da doença e do tratamento sobre sua vida e, então, intervir precocemente possibilitando, melhorar a QV(8).

A QV se estabelece a partir de parâmetros objetivos e subjetivos. Os parâmetros subjetivos são bem-estar, felicidade e realização pessoal, entre outros, enquanto os objetivos estão relacionados à satisfação das necessidades básicas e daquelas criadas em uma dada estrutura social. Os parâmetros objetivos têm a vantagem de não estarem sujeitos ao viés do observador, enquanto os subjetivos possibilitam que os indivíduos emitam juízos sobre temas que envolvem sua própria vida(9). Os dois parâmetros se complementam entre si, sendo fundamental avaliar a QV sob uma variedade de dimensões. É importante enfatizar a percepção subjetiva das pessoas idosas acerca de sua QV, em situações que interferem na conquista e manutenção desta, uma vez que são aspectos de alta relevância para a equipe de saúde no planejamento das ações de cuidados a esses indivíduos, objetivando minimizar danos e assegurar condições que favoreçam boa QV(10).

Diante do impacto da doença e as repercussões da hemodiálise na QV do doente renal crônico, faz-se necessário conhecer, nessa população, a área/domínio mais acometido na avaliação da QV, de modo igual os reflexos gerados diretamente na vida desses idosos.

À luz de uma abordagem gerontológica, ―a qualidade do envelhecimento está diretamente relacionada com a qualidade de saúde que o indivíduo tem no seu percurso existencial e o estilo de vida que ele assume nessa trajetória‖(11). Nessa vertente, o estudo atual teve por objetivo avaliar a QV de idosos com FAV submetidos à hemodiálise e as possíveis repercussões deste tratamento em suas vidas. Pretende-se, ainda, contribuir para ampliar o conhecimento dos profissionais de saúde, em especial, da equipe de enfermagem

que atua diretamente na prestação de assistência a esses pacientes, a fim de incentivar mudanças em suas condutas e ações que favoreçam uma assistência de enfermagem com qualidade. Intenta-se sensibilizar o olhar para os idosos em tratamento hemodialítico, com o intuito de minimizar os danos aos indivíduos que dessa ferramenta necessitam para a continuidade de seu tratamento.

Método

Aspectos éticos

O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Católica de Brasília, sendo aprovado mediante CAAE 31944314.6.0000.0029 e com número de parecer 681.487 em 09 de junho de 2014. Foram cumpridos os princípios éticos dispostos na Resolução 466/2012 do CNS/MS.

Desenho, local e período do estudo

Estudo observacional, descritivo e transversal, considerando-se que a coleta de dados foi feita em um único ponto no tempo(12). Realizado na Clínica de Doenças Renais de Taguatinga (CDRT), serviço particular de terapia renal substitutiva, localizado no Centro Hospitalar Anchieta Taguatinga-Distrito Federal, no período de junho a julho de 2014.

População

A amostra foi constituída por 39 idosos, que atenderem os critérios de inclusão: 60 anos ou mais de idade; diagnóstico de DRCT inscritos no programa de hemodiálise cronicamente; com FAV nativa como acesso vascular; concordância em participar da pesquisa e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Protocolo do estudo

Para a coleta de dados, foi construído um caderno com dois instrumentos. O instrumento A (Apêndice C) foi preparado pelos próprios pesquisadores, com o fim de obter os dados sócio-econômico-demográfico. O instrumento B foi o questionário utilizado para avaliar a QV Kidney Disease Quality of Life Short Form – (KDQOL-SF™), traduzido e adaptado culturalmente para avaliação da QV de pacientes com DRC(13-14). Este instrumento é um dos mais completos para avaliação da QV de pacientes com DRC. É composto por oito dimensões de aspectos genéricos (funcionamento físico, função física, dor, saúde geral, bem–

estar emocional, função emocional, função social, energia e fadiga) e mais 11 dimensões específicas da doença (efeitos da doença renal, sobrecarga da doença renal, função sexual, sono, suporte social, sintomas e problemas, papel profissional, função cognitiva, qualidade de interação social, estímulo por parte da equipe de diálise e satisfação do paciente. Logo, todos os itens do instrumento são codificados e pontuados de 0 a 100(15).

A coleta de dados foi realizada com todos os participantes de forma sistemática, iniciada com a aplicação do instrumento A e após do B. Optou-se pela coleta de dados do tipo entrevista, considerando-se a possibilidade dos sujeitos apresentarem dificuldade visual, baixo nível instrucional e dificuldade para escrever devido à imobilização do membro durante a sessão de hemodiálise. Os pacientes foram entrevistados durante a sessão de hemodiálise. O tempo médio de cada entrevista foi de aproximadamente 30 minutos.

Análise dos dados

Para análise descritiva dos dados foram utilizadas médias, desvios e frequências. Para análise inferencial foram realizados os testes de normalidade (Shapiro-Wilk). Como os dados não apresentaram distribuição normal foi utilizado os testes não paramétricos Mann-Whitney (variável Sexo - dois grupos independentes) e Kruskall Wallis (variáveis idade e tempo de fístula - três grupos independentes). O software SPSS-IBM 22.00 for Windows foi utilizado para as análises, sendo o nível de significância estipulado p ≤ 0,05.

Resultados

A média de idade foi 68,3 ± 6,92 anos (60 a 84 anos), sendo 26 (66,7%) do sexo masculino e 13 (33,3%) do feminino. A faixa etária que apresentou maior predomínio foi de 60 a 64 anos, com 14 (35,9%) dos pacientes, quanto ao estado civil a maior parte é casada 27 (69,2%), quanto a escolaridade a média e o desvio padrão foi de 6,36±4,5, 31 (79,5%) relatam que tem residência própria. Estes estavam realizando o procedimento entre 6 meses e 240 meses, com número de sessões semanais variando entre 2 e 6 (3,26 ± 0,88). Sobre o conhecimento etiológico da doença, foi evidenciado que 27 (69,3%) sabiam a resposta, sendo as principais causas: hipertensão, em 14 (35,9%); diabetes, em 11 (28,2%); uso abusivo de anti-inflamatórios, em 2 (5,2%) outras causas.

Foram obtidas médias e desvio padrão. Tratando-se das funções genéricas, observou- se que o maior escore correspondeu à dimensão função emocional (82,05), demonstrando que, em média, houve pouca interferência negativa da hemodiálise nas relações emocionais no

trabalho ou em outras atividades da vida diária dos idosos. Inversamente ao escore anterior, tivemos a função física (47,85) mostrando que esses pacientes realizam suas atividades cotidianas com menos frequência que anteriormente à hemodiálise, porém não deixando de realizá-las (Tabela 1).

Nas questões específicas para o doente renal crônico, destacou-se o alto escore encontrado na dimensão qualidade da interação social (90,60), demostrando que, em média, houve pouca interferência negativa da hemodiálise nas atividades sociais com família, amigos e vizinhos. Em contrapartida, o baixo escore encontrado na dimensão função sexual (40,06) evidenciou que as mulheres deste estudo não tinham atividade sexual (Tabela 1).

Tabela 1 – Valores médios das dimensões Genéricas e específicas do KDQOL-SFTM em 39 idosos de

ambos os sexos em tratamento com hemodiálise. Taguatinga, DF, Brasil, 2014.

Dimensões Geral Homens Mulheres

Gerais Média e DP Média e DP Média e DP

Funcionamento Físico 47,85±30,54 51,00±33,99 41,54±21,93 Função Física 79,49±37,11 87,50±27,61 63,46±48,54 Dor 78,53±24,46 82,40±20,68 70,77±30,09 Saúde Geral 68,97±23,90 68,85±23,12 69,23±26,37 Bem-Estar Emocional 80,31±28,44 77,23±32,25 86,46±18,22 Função Emocional 82,05±21,42 85,90±19,26 74,36±24,17 Função Social 81,09±27,64 83,17±28,27 76,92±26,93 Energia e Fadiga 74,62±26,81 73,08±30,20 77,69±19,00 Específicos da Doença Renal

Média e DP Média e DP Média e DP

Sintomas e Problemas 81,41±11,96 82,37±11,76 79,49±12,61 Efeitos da doença renal 68,11±20,38 68,51±21,25 67,31±19,33 Sobrecarga da doença renal 49,52±30,53 51,93±28,05 44,71±35,71 Papel Profissional 69,23±27,18 63,46±26,67 80,77±25,32 Função Cognitiva 88,21±18,95 86,92±21,37 90,76±13,20 Qualidade da Interação social 90,60±15,80 88,97±18,18 93,85±9,21 Função Sexual 40,06±48,77 60,09±48,61 0,00±0,00*

Sono 56,86±17,56 58,13±14,92 54,33±22,42

Suporte Social 88,89±23,05 85,90±26,12 94,87±14,25 Estímulo por parte da equipe

de diálise

86,22±26,25 86,53±24,99 85,58±29,69 Satisfação do paciente 82,56±17,39 79,66±17,02 88,37±17,31

*Comparação entre homens e mulheres com p≤0,05 – como os dados não apresentavam distribuição normal foi aplicado o teste não paramétrico Mann-Whitney (comparação de dois grupos independentes).

No gráfico 1 mostra-se a projeção comparativa dos escores dos homens e mulheres idosos nos diferentes domínios da QV.

Gráfico 1 – Valores médios das dimensões genéricas e específicas do KDQOL-SFTM em 39 homens e

mulheres idosos em tratamento com hemodiálise, Taguatinga, DF, Brasil, 2014.

A tabela 2 apresenta a influência da idade nas dimensões genéricas e específicas do KDQOL-SFTM. Observou-se variação significativa nas dimensões gerais nos domínios: saúde geral, bem-estar emocional e função emocional e nas dimensões específicas nos domínios: sintomas e problemas, efeitos da doença renal, sobrecarga da doença renal e função cognitiva. Percebeu-se, por análise comparativa, que os mais idosos apresentaram níveis de escores mais elevados quando comparados aos menos idosos na maioria dos domínios, exceto na função cognitiva.

Tabela 2 – Valores médios e desvios padrões das dimensões genéricas e específicas do KDQOL-SFTM

em 39 idosos submetidos a hemodiálise, em diferentes faixas etárias, Taguatinga, DF, Brasil, 2014.

Dimensões 60 a 64 anos (n=14) 65 a 69 anos (n=10) 70+ (n=15) p Gerais Funcionamento Físico 43,93±28,70 47,10±32,84 52,00±32,23 0,75 Função Física 80,36±35,60 70,00±48,30 85,00±31,05 0,84 Dor 73,75±24,29 84,75±26,10 78,83±24,24 0,43 Saúde Geral 59,64±23,98 56,00±19,69 86,33±15,41 0,001* Bem-Estar Emocional 70,29±31,72 74,00±33,80 93,87±14,17 0,009*

Função Emocional 80,95±21,54 70,00±18,92 91,11±19,79 0,04* Função Social 81,25±24,88 66,25±31,76 90,83±24,31 0,07 Energia e Fadiga 66,79±29,26 71,00±27,67 84,33±22,19 0,14

Específicos da Doença Renal

Média e DP Média e DP Média e DP

Sintomas e Problemas 73,81±10,61 88,75±9,12 83,61±11,35 0,003* Efeitos da doença renal 56,70±19,02 62,50±21,70 82,50±10,68 0,001* Sobrecarga da doença renal 34,38±23,09 52,50±37,52 61,67±27,13 0,03* Papel Profissional 67,86±31,67 60,00±21,08 76,67±25,82 0,29 Função Cognitiva 92,86±19,65 76,00±22,04 92,00±12,65 0,005* Qualidade da Interação social 90,00±11,32 83,33±26,15 96,00±7,04 0,15 Função Sexual 50,00±51,89 38,75±50,16 31,67±46,50 0,46 Sono 56,46±21,30 49,70±11,39 62,00±16,35 0,18 Suporte Social 83,33±28,50 83,33±27,22 97,77±8,61 0,08 Estímulo por parte da equipe

de diálise

73,21±36,31 87,50±21,24 97,50±7,01 0,07 Satisfação do paciente 81,32±18,49 88,91±13,06 79,45±18,77 0,41

*Comparação entre homens e mulheres com p≤0,05 – como os dados não apresentavam distribuição normal foi aplicado o teste não paramétrico Kruskall-Wallis (comparação entre três grupos independentes)

A tabela 3 apresenta a influência do tempo de terapia nas dimensões genéricas e específicas do KDQOL-SFTM. Verificou-se variação significativa nos domínios função cognitiva e sono, com diferenças de p≤0,05. Notou-se que o tempo de terapia impactou positivamente na QV nos aspectos: dor, bem-estar emocional, função emocional, função social, energia e fadiga, função cognitiva, qualidade da interação social e suporte social. Possivelmente, esses fatores estão diretamente ligados à aceitação da terapia e aos benefícios do tratamento para manutenção das suas vidas.

Tabela 3 – Valores médios e desvios padrões das dimensões genéricas e específicas do KDQOL-SFTM,

em 39 idosos de acordo com o tempo de hemodiálise, Taguatinga, DF, Brasil, 2014.

Dimensões (n=39) 1 a 24 meses (n=17) 25 a 60 meses(n=12) 61 meses acima(n=10) p Gerais Funcionamento Físico 47,84±30,53 50,64±33,33 42,91±25,53 49,00±33,39 0,80 Função Física 79,48±37,11 73,52±39,99 87,50±29,19 80,00±42,16 0,53 Dor 78,52±24,45 74,70±27,83 77,08±25,73 86,75±15,27 0,61 Saúde Geral 68,97±23,90 71,17±24,07 70,83±21,19 63,00±27,90 0,70 Bem-Estar Emocional 80,30±28,43 73,88±32,49 81,66±30,10 89,60±15,91 0,50 Função Emocional 82,05±21,42 78,43±23,39 80,55±22,28 90,00±16,10 0,42

Função Social 81,00±27,63 75,00±33,36 81,25±25,28 91,25±16,71 0,55 Energia e Fadiga 74,61±26,81 71,47±29,40 68,75±27,72 87,00±17,98 0,22

Específicos da Doença Renal

Média e DP Média e DP Média e DP Média e DP

Sintomas e Problemas 81,41±11,96 83,82±8,70 80,20±15,60 78,75±12,29 0,65 Efeitos da doença renal 68,10±20,38 67,09±23,87 72,91±16,11 64,06±19,27 0,63 Sobrecarga da doença renal 49,51±30,53 44,48±35,69 56,77±27,75 49,37±24,72 0,65 Papel Profissional 69,23±27,18 64,70±29,39 79,16±25,74 65,00±24,15 0,32 Função Cognitiva 88,20±18,94 87,45±20,39 80,00±21,08 99,33±2,10 0,01* Qualidade da Interação social 90,59±15,79 87,05±21,79 92,77±9,62 94,00±7,33 0,97 Função Sexual 40,06±48,76 51,47±50,17 32,29±47,80 30,00±48,30 0,49 Sono 56,85±17,56 64,36±13,89 50,18±18,98 52,10±18,10 0,04* Suporte Social 88,88±23,04 89,21±22,00 84,72±31,34 93,33±11,65 0,98 Estímulo por parte da

equipe de diálise

86,21±26,25 84,55±26,71 93,75±15,53 80,00±34,96 0,45

* Diferença significativa – p ≤ 0,05

As questões 2 e 22 do KDQOL-SF™ não são codificadas e computadas, são consideradas itens adicionais do instrumento.13Assim, a refletir sobre esses itens a questão de número 2 (escala SF36) avalia a saúde geral atual do paciente comparada ao ano anterior. Obteve-se como respostas dos pacientes para esse item: 13 (33,3%) consideraram sua saúde atual ―aproximadamente igual há um ano‖; 5 (12,8%) ―um pouco melhor agora do que há um ano; 12 (30,8%) ―muito melhor agora do que há um ano‖; 6 (15,4%) ―um pouco pior agora do que há um ano‖; e 3 (7,7%) ―muito pior agora do que há um ano‖.

A questão de número 22 (escala específica para doença renal), também não foi computada no cálculo das 19 dimensões do KDQOL-SFTM. É um item que se propõe a avaliar a saúde em geral, utilizando-se uma escala com variação de 0 a 10. Obteve-se os seguintes resultados: 5 (12,8%) pacientes consideraram sua saúde no geral no meio termo entre o pior e o melhor (resposta = valor 5); 24 (61,5%) consideraram-na no intervalo do ―meio-termo entre o pior e o melhor‖ e ―a melhor possível‖ (variação da resposta entre 6 e 9); 8 (20,5%) consideraram-na ―a melhor possível‖ (resposta=valor 10); 1 (2,6%) considerou entre ―a pior possível (tão ruim ou pior do que estar morto) e o ―meio termo entre o pior e o melhor‖ (variação das respostas entre 1 e 4); e 1 (2,6%) a considerou ―a pior possível (tão ruim ou pior do que estar morto)‖ (resposta= valor 0). Notou-se que a maior parte dos idosos considerou que o seu estado de saúde geral estava no intervalo do ―meio-termo entre o pior e o melhor‖ e ―a melhor possível‖ (variação da resposta entre 6 e 9).

Discussão

No estudo atual os valores médios dos escores encontrados variaram de 40,54 a 90,60. As dimensões que apresentaram maiores escores foram: qualidade da interação social (90,60), suporte social (88,89), função cognitiva (88,21), estímulo por parte da equipe de diálise (86,22), satisfação do paciente (82,56), função emocional (82,05), sintomas e problemas (81,41), função social (81,09) e bem-estar emocional (80,31).

Por meio da aplicação do instrumento KDQOL-SFTM, foi possível obter dados quanto aos aspectos geral e específico relacionados à percepção do idoso nos contextos geral, físico, emocional e social, e o efeito do tratamento no seu cotidiano.

Não surgiram diferenças significativas na comparação entre homens e mulheres idosos, sendo que os homens apresentaram médias mais altas nas dimensões: função física, dor, emocional, social, efeitos e sobrecarga da doença renal, sintomas e problemas, sono, estímulo por parte da equipe e função sexual. Acredita-se que essa variação no gênero possa estar diretamente relacionada à predominância do sexo masculino na amostra estudada. O censo da SBN em 2013(3) mostrou que a população masculina é prevalente no grupo de pacientes em tratamento dialítico, perfazendo 58% dos pacientes em diálise, corroborando vários outros estudos (16-18).

Entre os aspectos comparativos de gêneros, chamou-nos atenção o fato de que, quando questionadas se tiveram atividade sexual nas quatro últimas semanas todas as idosas responderam que não, isto é, nenhuma mulher teve atividade sexual, enquanto 60% dos homens referiram ter tido. Como a sexualidade é impregnada de mitos e preconceitos com a tendência de gerar tabus e contradições, mesmo com os avanços científicos e tecnológicos das últimas décadas, é um tema que parece não evoluir quando se trata da exposição da sexualidade dos idosos juntos aos familiares e profissionais que lidam no dia-a-dia com os mesmos.

Logo sabemos que o organismo durante o passar dos anos se modifica, e a sexualidade também se transforma. Comparando-se a resposta sexual do jovem e do idoso, esta não é maior ou menor e, sim, diferente, pois os anos podem até reduzir a força dessa resposta, mas nunca bloquear o desejo ou anular sua resposta(19). Entretanto, a questão da sexualidade dos idosos é complexa e carregada de estereótipos, estando constantemente associada à atratividade, juventude, beleza e potência sexual. Estes aspectos podem contribuir

negativamente para a autoestima e para o imaginário do idoso como alguém não interessante. A forma como o idoso se sente sobre sua imagem envelhecendo, certamente influencia seu comportamento e sua autoestima. A ansiedade com o processo de envelhecimento pode destruir os relacionamentos e inibir a expressão sexual, sendo que o amor ao próprio corpo tem de crescer para sobreviver ao processo de envelhecimento(20). Portanto, essa abordagem trata-se de ponto fundamental a ser explorado com essa população, uma vez que há muitos estigmas construídos acerca da sexualidade na velhice, sendo necessário o fortalecimento dessa desconstrução uma vez que a própria doença poderá agregar valores que inviabilizem esse processo(21). Ratificando-se a necessidade de trabalhar, com este grupo, em especial as mulheres que referem não realizar esta atividade, a definição de conceitos entre sexo e sexualidade, pois por meio de uma visão integral das necessidades básicas do ser humano poderemos encontrar elementos que otimizem a qualidade de vida.

Dividindo-se a amostra estudada por faixas etárias, idoso jovem (60-64), idoso mediano (65-69) e idoso muito idoso e avaliando-se a variação dos escores em todas as dimensões da QV, obtivemos diferença significativa comparando-se homens e mulheres nas dimensões geral (saúde geral, bem-estar emocional e função emocional) e específicas (sintomas e problemas, efeitos da doença renal, sobrecarga da doença renal e função cognitiva), com predomínio da elevação dos escores nos idosos e muito idosos o que leva à reflexão da capacidade de enfrentamento com o avançar da idade.

Percebeu-se que, apesar dos prejuízos nos domínios físico, social e emocional, indesejáveis nos indivíduos idosos, estes ainda vêem o tratamento hemodialítico como um investimento à sua saúde. Assim, diante de uma situação que poderá levá-los à morte, eles encontram mecanismos para enfrentar o tratamento rigoroso(1).

A percepção dos indivíduos quanto à sua QV pode ter-se alterado devido à cronicidade da DRC e do seu tratamento, sendo comum a presença do conformismo(22). Logo, a cronicidade da doença leva à condição de conformismo e aceitação do estado de saúde, refletindo em avaliações ―fantasiosamente‖ positivas, resiliência(2).

A correlação entre o tempo de diálise e as diversas dimensões da QV, separado por meses de tratamento em três grupos (de 1 a 24 meses, de 25 a 60 meses e acima de 61 meses), evidenciou diferença significativa nas dimensões sono e função cognitiva. Nas demais, observada elevação dos escores em várias dimensões associada ao maior tempo de terapia, o