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DEL IV: ENDRING 1 – EKSILET

4.4 Et tibetansk kloster i Sveits

4.4.8 Kloster

A Teoria da Complexidade (TC) passou a ser um “tema quente” de investigação. Não obstante, suas aplicações não têm sido triviais, porque requerem novas óticas e ferramentas para dialogar com a realidade. Tem sido desenvolvida a partir das conexões e reciprocidades entre as diversas

disciplinas - física, biologia, química, economia, sociologia e administração, entre outras (interdisciplinaridade), transgredindo os respectivos limites, estudando fenômenos que evoluem do equilíbrio estático, aos movimentos caóticos, até aos complexos. Ousadias que transgridem os limites das disciplinas têm permitido melhor compreensão de fenômenos complexos – mercados, equipes e outras formas de organizações. Esta é precisamente a proposta do PAS, isto é, caminhar da organização disciplinar na direção de uma forma de aprendizagem interdisciplinar, ou mais além, à construção trans-disciplinar do conhecimento.

Segundo Maturana (apud MARIOTTI, 1995), o conceito de pensamento sistêmico compreende o que Morin (1990) e outros autores entendem como complexos. Segundo esta perspectiva, o paradigma do pensamento complexo envolve três princípios:

• Dialógico – permite manter a dualidade no seio da unidade; associa dois termos ao mesmo tempo complementares e antagônicos; a ordem e a desordem; colaboram e produzem organização e complexidade;

• Recursão organizacional – ruptura com a idéia de causa/efeito;

• Hologramático – não apenas a parte está no todo como o todo está na parte.

Aqui tenta-se mostrar que o “melhor caminho” ou estratégia de se conseguir objetivos coletivos seria estimular o exercício de uma maior liberdade dos indivíduos, para que os vários grupos dentro das organizações tomem suas próprias decisões, gerando um processo de auto-organização em lugar da aplicação pura e simples de comandos e controles diretos.

A possibilidade de auto-organização não prescinde da existência de regras ou normas que são obtidas mediante negociações ou transações entre os protagonistas de um processo, nem tampouco de lideranças ou referências reconhecidas por uma comunidade.

A complexidade de um sistema pode ser medida pelo grau de organização e auto-organização (Debrum, 1997), bem como pela variedade de conexões que enlaçam as variáveis que o compõem, relacionando construções individuais e coletivas com melhor entrosamento entre as formas de “olhar” dos seus integrantes.

Na ótica da teoria da complexidade, não há receitas prontas e verdades imutáveis. Os resultados do diálogo com a realidade dependem do “olhar” dos observadores, que são protagonistas, em lugar de juízes independentes e neutros. As observações são influenciadas pelos protagonistas, limitados que são por suas crenças e experiências de vida, bem como por suas opções políticas e contextos em que vivem.

Redes de agentes “autônomos” podem ser entendidas como sistemas, mas cada parte influi e é influenciada pelo todo. Caso as influências mútuas, parte/todo e todo/partes não se verifiquem, não há relação de pertinência ou unidade sistêmica. O paradigma sistêmico apresenta as seguintes raízes:

• Os processos resultam da interatividade e da influência mútua entre agentes, sem estabelecer relação direta entre causa e efeito;

• Não há separação entre sujeitos e objetos;

• Como regra, as relações são interativas, iterativas e não lineares;

• Privilegia a diversidade, em oposição à homogeneidade; • Os modelos de referência são orgânicos e não mecânicos;

• Inclui situações caóticas;

• Busca a interdisciplinaridade e a abordagem trans- disciplinar;

• Convive com a imprecisão;

• Métodos de simulação são adotados como estratégias de observação.

Uma distinção importante entre a abordagem clássica e a do pensamento sistêmico é que, na primeira, as relações são consideradas com a noção de sistema “fechado”, sem conexões “externas”.

A dialética de Hegel como uma estratégia paradigmática apresenta grande identidade com o pensamento complexo e tem base nos seguintes princípios (LEFEVRE apud BOTELHO, 1983):

• Conexão e “mediação” recíproca de tudo o que existe; • Síntese de contraditórios – busca superar contradições por meio de sínteses;

• Transformação da quantidade em qualidade – implica simultaneamente continuidades e descontinuidades;

Segundo Morin (1990), “o antagonismo organizacional constitui o próprio cerne das sociedades humanas, nas quais complementaridades e conflitos oscilam sem cessar entre realizações e repressões de potencial”.

O referido autor propõe um desafio a todos os pensadores empenhados em discutir novos rumos da Humanidade - referindo-se ao perfil da civilização ocidental atual, que privilegia a abordagem analítica, separando sujeito e objeto, corpo e alma, existência e essência, entre outras fragmentações - defendendo a necessidade de reaprender a sintetizar, a relacionar, a enfrentar as contradições e as exclusões que o desenvolvimento econômico tem produzido a partir do progresso técnico/científico. A inacessibilidade às informações é uma das formas de exclusão, que precisa ser tratada. Este é um dos propósitos declarados do PAS.

Redes de comunicação, por exemplo, comunidades de prática, revelam-se essenciais à evolução da sociedade, relacionando indivíduos e a espécie. A complexidade humana não pode ser minimamente compreendida sem considerar as suas relações sistêmicas: a compreensão das autonomias individuais, a vida em comunidade e o sentido de pertencer à espécie. É preciso situar o Homem no Universo, religá-lo, em todos os sentidos.

O novo saber evita a fragmentação, que pode levar à não assimilação e à desintegração. É necessário libertar o espírito humano, para situá-lo em um contexto com sentido – significado, propósito e direção. Melhor informado, o homem tem mais liberdade de escolha, escolhendo, torna-se mais livre, mas é preciso estabelecer relações de interdependência entre as partes e o todo em um mundo complexo. Aprender a conviver com o inesperado e com as incertezas.

Conhecimentos requerem a criação de contextos e a produção de significados, que pode transformá-los em bens coletivos. Há uma dialética a ser explorada – os conhecimentos internalizados ou apropriados de fontes externas pelas organizações, e os seus sistemas internos de significação (cultura). Maturana e Varela (apud MARIOTTI, 1995) explicam a dinâmica evolutiva das organizações sociais, adotando como fundamento que as estruturas dos sistemas não têm duração determinada na origem, tal como começaram, e que podem ser continuamente reproduzidos ou “reinventados”. Para a teoria da complexidade, ambiente é uma distinção para conferir identidade, somente possível se há diferenças. Nem ontologicamente, nem analiticamente, os sistemas são mais importantes que os seus ambientes - ambos são o que são, apenas relativamente, uns aos outros. Sujeito e ambiente formam

uma unidade (síntese). Suas relações não precisam ser entendidas, nem como exclusivamente cooperativas ou, tampouco, apenas como competitivas. As distinções entre os sistemas e seus ambientes também precisam ser mediadas por contextos e significados.

Novas distinções podem aparecer no sistema social, e constantemente inserem as mais variadas interpretações – novas hermenêuticas. Os significados nada mais são do que produtos do imaginário social. Os sistemas sociais apropriam valores e desenvolvem éticas próprias, se constituindo e reinventando a partir de trocas de informação, em torno de significados coletivamente construídos. Portanto, não há uma percepção “externa”, que a determine ou a oriente em suas escolhas.

Sistemas sociais supõem finalidades e sentidos, tanto de direção, quanto de significado. A formação de sentido se dá mediante processos evolutivos complexos, sem a existência de qualquer agente privilegiado (auto/organização). “O processo elementar, que constitui o social como uma realidade própria, é um processo de comunicação.” (LUHRMANN apud ROCHA, 2003). Este é um dos aspectos essenciais da aplicação feita nesta dissertação.

A abordagem sistêmica adotada nesta investigação preconiza os seguintes fundamentos:

• Éticas e convenções resultam como sínteses de contraditórios; • Contraditórios são essenciais para promover mudanças;

• A constituição das sociedades se dá pela criação de referências e valores próprios, construídos como resultado das interações entre os indivíduos - comunicações; e,

• As sociedades não podem ser observadas de fora ou independentemente dos observadores.

As interações humanas são auto-organizativas, com a destruição do estabelecido e busca de novos caminhos. Segundo Goethe, "o mundo só pode ir em frente por meio daqueles que se opõem a ele".

Uma explicação competente dos fenômenos sociais requer considerar o Homem em sua totalidade, com suas crenças, medos, emoções, necessidades e inquietações. Nenhuma causa isolada pode ser considerada suficiente para determinar um resultado ou um efeito. Como qualquer outro sistema vivo, as organizações sociais produzem e processam informações (mensagens, símbolos ou códigos), que somente se transformam em informação quando contextualizados para produzir mudanças seletivas, a partir de escolhas ensejadas pela percepção de diferenças.

A ação do sistema se dá a partir de um “ser” construído no e pelo imaginário dos indivíduos, no contexto de um ambiente social, que lhe fornece os fundamentos - dados (símbolos), informações e conhecimentos. Trata-se de um processo de criação de novas estruturas, que ensejam ações possíveis, parcialmente acolhidas ou rejeitadas. A comunicação e o processamento de informações se orientam pela percepção de diferenças que fazem diferença (Capra, 2000), ou informação, que ensejam a formação de valores.

O processo possibilita a atribuição de valores, além da possibilidade de construção de novas ordens. Os sistemas filtram a complexidade do mundo, mediante seleção do que for percebido como relevante.

A idéia de Morin (1990) de formatação da mente e de nossa cultura pelo pensamento linear, o que chamou de “imprinting”, pode levar a raciocínios diversos (MARIOTTI, 2004):

“A reunião de indivíduos em redes de conversação tem contribuído para formar bases de resistência que, ao que parece, estão se ampliando em direção à formação de uma massa crítica, que pode vir a produzir mudanças coletivas de comportamento. Ao longo da história, essas redes têm sido reprimidas. Tentou-se, por muitos meios, isolá-las em um grande cordão sanitário de vigilância ou patrulhamento cognitivo, e as coisas não são diferentes no momento atual”.