III Forskningsdesign, metode og materiale
7 Forskningsdesign og metode
7.4 Klargjøring av data: transkripsjon
Com o desenvolvimento da nossa experiência, tornava-se, cada vez, mais evidente que a probabilidade do progresso terapêutico em cada caso particular, dependia, sobretudo, não da personalidade do counsellor nem das suas práticas, nem mesmo das suas atitudes, mas da maneira como todos esses elementos eram experimentados na relação, pelo cliente. Impôs-se-nos como factor principal o modo como o cliente apreende a entrevista. Esse modo determina se se verificará a resolução do conflito, a reorganização, o desenvolvimento, a integração – todos eles elementos abrangidos pela terapia. O conhecimento que temos sobre a terapia avançaria muito se conhecêssemos as respostas para estas duas questões: que é que significa para o cliente fazer a experiência de uma relação considerada terapêutica? E como podemos facilitar a experiência de uma relação considerada terapêutica? Não temos respostas para estas questões, mas pelo menos, aprendemos a formulá-las.
O modo como o cliente apreende ou experiencia 1 a entrevista é um
campo de investigação novo, cujos dados são muito limitados. Para além de não haver ainda qualquer investigação, neste domínio, pouca atenção lhe tem sido prestada. Trata-se, contudo, de um campo que parece ter uma grande importância futura e, por isso, tentaremos apresentar, neste capítulo, os nossos conhecimentos, ainda, muito incompletos. Tratando-se de uma tentativa de compreensão, utilizam- se muitas intervenções dos clientes para que o leitor possa formular por si mesmo os elementos que lhe parecerem significativos, em vez de se limitar às opiniões enunciadas pelo autor. Estas observações dos clientes, bem como os comentários acerca delas, são apresentados sob diferentes
1. NT: “ Esta noção (…) relaciona-se, pois, com o aspecto vivido, activo e mutável dos acontecimentos sensoriais e fisiológicos que se produzem no ‘organismo “ (Rogers,1977)
títulos, mas veremos que o conteúdo ultrapassa, em muito, o que é indicado. Na sequência desta tentativa de exposição organizada, será dada uma informação mais completa sobre o modo como a terapia é experienciada por um cliente sensível e organizado. Neste enunciado, mais completo, parece haver muitas sugestões interessantes para investigações posteriores.
A EXPERIÊNCIA DO COUNSELLOR E A SITUAÇÃO DE COUNSELLING.
Expectativas
A maneira como o cliente apreende o counsellor e a entrevista são muito influenciadas pela sua expectativa inicial. A variedade destas expectativas é enorme. O cliente pode esperar que o terapeuta seja a figura do pai que o tire das dificuldades e assuma a orientação da sua vida. Pode esperar que o terapeuta seja um cirurgião psíquico que sonde a raiz das suas dificuldades, provocando-lhe um grande sofrimento e reconstruindo-o contra a sua vontade. É possível que espere receber conselhos que podem ser desejados de uma forma autêntica, com confiança ou de modo a poder comprovar que estão errados. Pode, se influenciado por experiências anteriores, mal sucedidas, com counsellors psiquiatras ou psicólogos, encarar a nova experiência como se o fossem catalogar, considerar anormal, ofender, menosprezar e, portanto, pode manifestar um grande receio face a esta relação. É possível que considere o counsellor como uma extensão da autoridade que o conduziu até ele – o reitor, a Direcção dos Antigos Combatentes, o tribunal. Pode, se tiver algum conhecimento sobre a terapia centrada no cliente, encarar a entrevista como um momento onde terá de resolver os seus próprios problemas, o que pode ser visto como uma possibilidade positiva ou extremamente ameaçadora. A simples enumeração de algumas das expectativas mais frequentes que o cliente traz para a terapia, não é suficiente para elucidar sobre a quantidade de subdivisões que poderíamos estabelecer.
A partir de uma primeira entrevista gravada com um empregado de comércio, podemos extrair as seguintes afirmações, que indicam a sua
expectativa sobre a relação. Fora enviado pelo psicólogo do pessoal da sua fábrica, que tinha descoberto, através de testes de personalidade, a manifestação de sinais de tensões e conflitos.
«Disse que – eu – devia... dizer-lhe a si o que lhe disse a ele. O doutor parecia pensar que o senhor me poderia ajudar. Agora não tenho interesse em que perca o seu tempo, ou eu o meu, se me vai dizer para me dedicar à fotografia ou qualquer coisa do género...»
«Bem, não sei quanto tempo levará...»
«Isso diz-lhe alguma coisa acerca do que lhe devo contar? Ou fico aqui sentado, às voltas?»
«Não sei nada que deva acrescentar que pudesse ter valor».
«Bem, então, se me quiser dizer quais as suas sugestões e qualquer coisa sobre isso, teria muito gosto em ouvi-lo».
«Ando preocupado. Pois bem. Nesse caso pode dizer-me: Bem, vá para casa e não se preocupe». Ora se é essa a resposta, os meus amigos podem-me dizer o mesmo e não tenho de vir de tão longe para ouvir isso. Estou a exagerar um pouco os meus sentimentos para consigo e para com o que pode fazer, mas digo-lhe com toda a clareza que se é essa a resposta, então para mim não houve nenhuma resposta».
É notória, neste homem, a expectativa de ser reconstituído pelo terapeuta. Aparentemente, é cooperante, quer dar a informação necessária para a remodelação da sua personalidade mas ao mesmo tempo, sublinha bem a advertência de que resistirá energicamente a qualquer das sugestões por que anseia. Podia referir-se que clientes com a atitude ambivalente de dependência-resistência apresentam dificuldades em chegar a experienciar as entrevistas como terapêuticas. Se isso se deve à nossa incapacidade em facilitar a terapia ou se esse tipo de atitude é, de facto, mais difícil, só o tempo e a investigação o poderão dizer.
Um outro cliente, um estudante, exprime, de forma mais concisa o mesmo tipo de expectativa ao afirmar:
«Faz-me pensar por mim mesmo e não gosto disso. Preciso de conselhos. Recorri a todos em busca de conselhos. Quando te dão conselhos não os podes desperdiçar. Se uma pessoa te dá conselhos tu gostas, isso faz-te sentir bem; se te dão conselhos que não te agradam, são tolos, e isso
também te faz sentir bem» (147, p. 26).
Neste caso, como na maior parte dos clientes, descobriu-se uma diferença entre a expectativa e a experiência real da terapia e essa descoberta pode suscitar ressentimento, como neste caso, alívio ou qualquer outra reacção.
Dado que um número cada vez maior de clientes já tem uma noção do que é a terapia centrada no cliente antes de recorrer a ela, poderá ser útil apresentar um relato, escrito por uma cliente, depois de concluído o counselling, acerca de alguns dos seus sentimentos antes de iniciá-la. Refere que levada pelo seu desejo de ajuda, leu alguns livros sobre o
counselling não-directivo.
«Provavelmente porque eu própria desejava muito uma ajuda, tudo o que fui capaz de ver nesses livros foi a descrição de uma cura segura e milagrosa. Nesse momento não considerei o aspecto principal da terapia centrada no cliente; de facto não vi a maior parte do que estava a ler. Antes de ter pedido ao Dr.___ que me recebesse como cliente, procurei nesses livros tudo o que os clientes tinham dito acerca da experiência. As perguntas que fazia antes de iniciar o counselling eram: «Foi doloroso? Dá resultado? Em que medida será seguro confiar em alguém?»
Este sentimento indeterminado, ambivalente, de receio é, talvez, a atitude mais comum a todos os clientes, quer tenham, ou não, alguns conhecimentos sobre a terapia.
É evidente que os clientes chegam com expectativas extremamente variadas, muitas das quais não corresponderão à experiência que vivem. No entanto, essa expectativa dominará, em grande parte, a sua percepção. É claro que o empregado de comércio, atrás referido, percepcionará o terapeuta como alguém que dá conselhos, alguém que o vai reconstituir e, em certa medida, essa percepção persistirá mesmo que não receba conselhos e faça a experiência de que o counsellor não procura manipulá- lo. Do mesmo modo, a cliente que mencionámos verá a relação como segura e como apoiando as potencialidades de uma recuperação de índole quase mágica, mesmo que a atitude e o comportamento do counsellor não justifiquem tal expectativa. Poder-se-ia dizer que o progresso ou o verdadeiro movimento em psicoterapia fica bastante facilitado quando o cliente e o counsellor apreendem a relação de forma semelhante. Como
pode isto acontecer? É uma questão que se pode colocar permanentemente. A nossa experiência é clara num ponto: a percepção não surge por se dizer ao cliente como é que deve experimentar a relação. A percepção significativa é uma questão de experiência sensorial directa e se o terapeuta pretender descrever intelectualmente o carácter da relação, ou do processo não só não ajuda como ainda pode impedir uma percepção unificada. É por essa razão que os counsellors, actuando no âmbito de uma orientação centrada no cliente se esforçaram por abandonar todas as tentativas de «estruturação», embora, de início, tivessem afirmado o seu valor.
A Experiência das Atitudes e dos Métodos do Counsellor
Já descrevemos, no segundo capítulo, alguns aspectos da experiência que o cliente faz do terapeuta. A partir do material clínico disponível vê-se que factores, tais como o sexo, a aparência e os modos do
counsellor desempenham um papel mais reduzido do que se poderia
pensar. Quando o counsellor é visto de uma forma positiva, é entendido, pelo cliente, como uma pessoa compreensiva, cordial e interessada. Uma cliente disse acerca do counsellor: «Foi a primeira pessoa que pareceu compreender como eu via as minhas ansiedades».
Por outro lado, quando o terapeuta é sentido como uma pessoa incapaz de ajudar, normalmente é porque as qualidades atrás referidas parecem não existir aos olhos do cliente. Um estudante terminou com êxito a terapia com um segundo counsellor alguns meses depois uma única entrevista com um primeiro counsellor. Quando as entrevistas terminaram perguntou-se-lhe porque tinha sido possível resolver os seus problemas com o segundo counsellor, quando tinha desistido com o primeiro, também depois de uma entrevista. Pensou um momento e replicou: «O senhor procedeu da mesma maneira que ele, mas parecia realmente interessado em mim».
Em relação aos métodos utilizados pelo counsellor centrado no cliente, este, a princípio, parece experimentá-los frequentemente como frustrantes e depois como válidos. Algumas citações dos relatos feitos por pessoas simples obtidas por Lipkin (117) podem esclarecer este aspecto.
«Este tipo de ajuda psicológica pareceu-me estranho no primeiro encontro. Perguntei a mim mesmo: Diabo, como me poderá isto ajudar - falar das coisas que precisamente não são muito claras para mim? Não nego que a seguir à primeira entrevista duvidei de que me pudesse ajudar.
«Ao ter de traduzir as minhas preocupações em palavras e em proposições lógicas, o que era necessário, pois eu não podia estar calado mais tempo do que o counsellor, comecei a compreendê-las melhor e a vê- las sob um ângulo diferente. O counsellor exprimiu verbalmente alguns dos meus pensamentos vagos, de modo que consegui uma maior compreensão das três coisas que me preocupavam. Depois de lhe ter contado os meus problemas, ele não sugeriu quaisquer soluções que era aquilo que eu esperava do counselling. Reparei, de novo, que o silêncio podia ser embaraçoso e vi que era necessário arranjar métodos para superar as minhas dificuldades, que mais tarde, depois de terem sido reformuladas pelo counsellor, começaram a fazer sentido.
«Durante as entrevistas, o meu psicólogo (sic) pegou nas minhas opiniões e nas minhas ideias e colocou-as de tal forma que eu pude compreender o que se passava. Não foi ele a tirar as conclusões, mas reformulou-as, de modo a que fosse eu a chegar às minhas próprias conclusões. As coisas de que falávamos esclareciam-se no meu espírito e organizavam-se de tal forma que, agora, eu creio que posso pensar as coisas por mim mesmo» (sic) (117, p. 140).
Do ponto de vista do cliente, a vantagem da reformulação das atitudes parece ser a que mencionávamos antes, através da afirmação de um cliente: «O papel do counsellor era trazer-me a mim mesmo, ajudar-me estando comigo em tudo o que eu dizia, compreender o que eu estava a dizer».
Quando um cliente sofre durante o processo terapêutico uma verdadeira reorganização do self, a relação com o counsellor e com a entrevista de counselling acaba por incutir uma sensação de segurança muito especial que é facilmente perturbada por mudanças arbitrárias. Uma cliente que se deparara com atitudes profundas e significativas para si, mas que se tinha encontrado com o counsellor em salas diferentes e, às vezes, em horários também diferentes, refere o seu desagrado em relação a esses aspectos do counselling, e descreve assim a situação (21ª entrevista, gravada):
«Por exemplo, mudar de um dia da semana para outro, de uma hora para outra, de um sítio para outro – isto não só é desagradável como faz sentir que não há segurança em parte alguma. E porque durante um certo tempo a única segurança está na hora, qualquer alteração, quer seja antes, quer seja depois, quer seja durante é muitíssimo mais importante do que seria noutras circunstâncias».
Vê-se que, na experiência do cliente, especialmente se os problemas foram explorados em profundidade, a única parte estável da experiência é a hora fixada para o encontro com o terapeuta. Neste sentido, a terapia centrada no cliente é experimentada como um apoio, como uma ilha de constância num mar de dificuldades caóticas, embora não seja de «apoio» ou de aprovação no sentido literal. É esta constância e esta segurança que permitem ao cliente fazer a experiência da terapia – questão que passaremos a abordar.
COMO É QUE O CLIENTE EXPERIENCIA A TERAPIA
A Experiência da Responsabilidade
Um dos elementos que parece destacar-se de forma proeminente, na reacção inicial do cliente é a descoberta de que é responsável por si mesmo na relação. Os clientes descrevem-na de várias formas. Um antigo combatente escreve:
«Sentia-me perdido na sua presença, especialmente, quando me disseram que tinha uma hora para estar consigo. Podia sentar-me, falar, ou fazer o que quisesse. A impressão que tive foi a de ser deixado só, frente a mim mesmo com o meu problema. Descobri, porém, rapidamente, que ao falar da minha indecisão e do meu problema, podia ver claramente que este estava a ser resolvido por minha própria iniciativa e não pelo conselho do meu entrevistador» (117, p. 141).
Parece ter havido alguma estruturação da relação por parte do
counsellor e isto, em parte, pode explicar o sentimento de solidão que o
cliente experimentou. Se tivesse descoberto a responsabilidade por si próprio, poderia não ter tido essa reacção. Um outro cliente, antigo
combatente, sentiu-se incomodado pela mesma constatação – talvez esta seja uma reacção muito característica – mas acabou por reconhecer o valor de ser responsável por si.
«O counsellor procurava levar-me a pensar tudo por mim mesmo. Por vezes o seu silêncio irritava-me, mas, ao mesmo tempo, sentia que devia ter um objectivo.
Devido ao seu silêncio, ao facto de não responder nem de dar opiniões tive de escavar cada vez mais profundamente no meu espírito. Por outras palavras, as respostas eram completamente minhas e, por essa razão, fixaram-se em mim» (117, p.140).
Um outro cliente ainda mostra a transição entre a expectativa desadequada e a experiência real ao assumir as responsabilidades.
«A princípio procurava imaginar o que quereria ele que eu dissesse. Procurava adivinhá-lo, ou antes, diagnosticar o meu caso como pensava que ele o faria. Isso não deu resultado. Estive sempre a falar» (117, p.141)
A Experiência da Exploração
Até agora as reacções que apresentámos não foram aquelas que levam à terapia ou que a tornam possível. É no processo de exploração das atitudes que o cliente começa a sentir, pela primeira vez, que esse processo em que está envolvido implicará alterações que não vê com clareza. A atitude perante essa exploração é descrita por um cliente, depois da conclusão da terapia, nos termos que se seguem:
«Recordo-me da grande tensão emocional que senti na segunda entrevista, quando, pela primeira vez, me referi à homossexualidade. Lembro-me de me sentir totalmente arrastado para zonas onde não queria ir, para onde não tinha ido antes e que, contudo, tinha de encarar. Penso que receei esta entrevista mais do que qualquer uma das anteriores porque antes de iniciar o counselling, tinha muito medo de abordar este assunto, e tinha medo de não o abordar. Fiquei surpreendido por ter chegado, nestas condições tão rapidamente, a esse ponto, sobretudo, porque a preocupação imediata se referia à observação de alguém sobre mim e o sobre counsellor
que eu interpretara mal. Lembro-me ainda do tom caloroso e de aceitação do counsellor e senti que ele aceitava, um pouco mais do que eu próprio, o medo em relação àquilo que estava a exprimir, mas não de modo suficientemente diferente para ser tranquilizador num processo que era ameaçador.»
Um elemento que intervém frequentemente neste período de procura é o experienciar a inconsistência no self. Quando se pode falar de forma aberta, exprimir atitudes livremente, descobrem-se então contradições que antes não se tinham notado. Um exemplo claro deste modo de sentir é-nos relatado por Miss Har, uma professora que, alguns meses após o
counselling, descreveu voluntariamente as suas reacções a essa
experiência. Ao contrário de muitos clientes, tinha ouvido algumas entrevistas gravadas e, mais tarde, lido as entrevistas transcritas. O relato da sua experiência começa assim:
«Sei que este relato será subjectivo e que não poderá ser uma descrição adequada, num sentido científico, daquilo que «realmente aconteceu».
Creio, contudo, que tem valor porque nos últimos oito meses – durante o counselling e depois disso – senti que ao referir-me a mim mesma e ao counselling fui e posso ser honesta, verdadeiramente honesta. Parece-me que é a primeira vez na minha vida que sou capaz de sentir que isso é verdade no que diz respeito à minha relação com qualquer coisa, como se tivesse de ser livre para ser honesta comigo mesma antes de o poder ser em relação a outra coisa qualquer.
Recordo-me perfeitamente quando comecei a ter consciência disso pela primeira vez. Na segunda entrevista, eu disse acerca da primeira: «Desde há dois ou três dias que quero dizer algo – para corrigir impressões que não eram completamente verdadeiras – que me eram desfavoráveis. E depois pensei – Oh, que importa! Não faz muita diferença! Enquanto dizia isto, senti-me contrariada porque acreditava e não acreditava simultaneamente no que tinha dito na sessão anterior. Não via como podiam ser verdadeiras as contradições. No princípio as incoerências entre o que sentia em relação a mim (e dizia durante a entrevista) e o que pensava sobre mim eram o que mais me incomodava. Mais tarde, as incoerências entre uma entrevista e outra afectavam-me muito mais. Gozava da sensação de ser pela primeira vez honesta e não me agradava esta mentira aparente. Não sou capaz de dizer se as segundas afirmações eram mais ou menos
verdadeiras do que as primeiras. Tentei explicar isto a uma amiga durante a última fase do counselling. Ela disse-me: «Queres dizer que mais tarde te apercebeste de que aquilo que disseras, antes, não era verdade?» Como lhe respondi «Não». Disse: «Queres dizer que continua a ser verdade?» Tive de responder que não outra vez. Estava irritada com ela e comigo mesma por não ser capaz de explicar com clareza que havia algo de mais profundo do que as incongruências: aquilo que as originava e as tornava verdadeiras». Talvez uma explicação da terapia permita dizer que as incoerências do self são reconhecidas, enfrentadas, reexaminadas e que o self se altera de modo a conseguir a consistência.
A segurança da relação com o counsellor, a ausência total de qualquer sentimento de ameaça que permitem a honestidade, mesmo na expressão da inconsistência, parece tornar esta exploração muito diferente da conversação habitual. Uma cliente explica que falou sobre todas essas perturbações com as suas amigas e contudo, na realidade, não o fez. «De facto contava algo de aproximado ao que realmente me preocupava». Este sentido da entrevista terapêutica como o lugar onde se pode falar directamente acerca das preocupações, tal como elas são sentidas, revela-se como uma característica significativa da experiência. Isto não quer dizer que o cliente seja capaz de comunicar tudo o que o preocupa ou que possa sequer tentá-lo. Miss Har depois de ler as transcrições de algumas das primeiras entrevistas, exprime uma atitude que é sem dúvida comum à maioria dos clientes. Referindo-se às transcrições, na quarta entrevista, disse: «O problema não é que isto