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3.3 Praktisering av samarbeidslæring

3.3.1 Kjernegruppenes og ledelsenes vurdering av hvordan

A compreensão do desenvolvimento industrial e comercial da cidade de São Paulo, na primeira metade do século XX, deve ser precedida de uma análise do contexto de transformações econômicas e estruturais vivenciados pelo estado de São Paulo no final do século XIX. Antes da capital paulista, as atividades comerciais e industriais já despontavam em outras cidades do interior do estado, com destaque para Sorocaba, impulsionadas pelos investimentos nos transportes.

A estrada de ferro sorocabana, capitaneada pelo húngaro Luiz Matheus Maylasky, foi inaugurada no dia 13 de julho de 1875 e fortaleceu a economia de cidades como Sorocaba (GERODETTI; CORNEJO, 2003). De acordo com Couto (2004a) a localização privilegiada de Sorocaba, ponto de passagem da estrada de ferro, tornou o município um polo de atração de produtos e de homens de negócios de outros estados (e.g. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais). A cidade, na segunda metade do século XIX, se desenvolveu como um importante centro de tropeirismo e ficou conhecida como ‘boca do sertão’, em função das relevantes feiras que realizava duas vezes por ano. Nestas feiras eram negociados artigos em couro, selas, correias e estribos, bem como de produtos de luxo como joias e tecidos finos importados (GERODETTI; CORNEJO, 2003).

A estrada de ferro beneficiou não só o comércio, mas a indústria sorocabana. Na década de 1870 a atividade algodoeira da cidade, favorecida pela alta dos preços internacionais e pela Guerra da Secessão americana, aumentou suas exportações e abasteceu a indústria têxtil brasileira no seu início. Empresas de grande porte se instalaram no município, a exemplo da Fábrica de Tecidos Nossa Senhora da Ponte, da Imperial Fábrica de Ferro de São João do Ipanema e de outras indústrias de preparação e de tecelagem de algodão, de confecção de chapéus, de seda etc.

Sorocaba passou a ostentar o título de pioneira da indústria e a ser chamada de Manchester paulista (COUTO, 2004a, p. 138 e 143). Segundo Dean (1971), duas grandes indústrias brasileiras iniciaram as suas atividades nesta cidade, ratificando a sua vocação industrial e econômica. Primeiramente, foi a Matarazzo, no final do século XIX, através do industrial italiano Francesco Matarazzo. Na sequência, no início do século XX, o português Pereira Ignácio fundou a Votorantim.

O contexto econômico favorável no interior paulista logo teve reflexos importantes no desenvolvimento da cidade de São Paulo, entre o final do século XIX e o início do século XX. Alguns fatos contribuíram para que São Paulo, quinta capital brasileira em número de habitantes na década de 1890, se tornasse a segunda cidade mais populosa na década de 1900 (MUSEU DA ENERGIA, 2016a) e marcasse a história da industrialização e das práticas de mercado no Brasil nos anos seguintes.

O primeiro fato foi a boa localização da cidade de São Paulo. Além de sede da administração estadual, São Paulo era a primeira parada no planalto após o porto de Santos, permitindo, por exemplo, que uma viagem de trem de Santos até Sorocaba fosse possível com apenas uma baldeação na Estação da Luz (Figura 50). A capital paulista era conexão entre as zonas cafeeiras, o principal porto do estado e o Rio de Janeiro (COUTO, 2004a, p. 222).

Figura 50 - Estação da Luz em 1902 – Museu da Energia, São Paulo (2016b).

Fonte: Museu da Energia (2016b), registrado pelo autor em mar. de 2016.

Esse entroncamento geográfico foi viabilizado em 1867 pela São Paulo Railway Company, conhecida como ‘A Inglesa’, primeira ferrovia paulista, idealizada pelo Barão de Mauá e financiada com capital britânico. Esta ferrovia ligou Santos a Jundiaí, tendo a cidade de São Paulo como principal entreposto entre o porto e a região produtora do café (COUTO 1, 2004, p. 139). A estrada de ferro ampliou e integrou o mercado interno, diminuiu o tempo de escoamento e os custos de transporte, interligou as regiões agrícolas ao meio urbano e capilarizou as trocas comerciais, especialmente as do setor cafeeiro (FAUSTO, 2001)

A partir das décadas de 1860 e 1870, a indústria paulista inicia o seu processo de desenvolvimento, impulsionada pelas plantações de café de muitos fazendeiros, a exemplo do destacado Antônio Prado. Conforme apontam Dean (1971) e Fausto (2001), a economia cafeeira foi imprescindível para o surgimento e o crescimento industrial do estado e da cidade de São Paulo no final do século XIX, pois trouxe divisas para a compra de equipamentos, deu acessibilidade ao crédito internacional, estimulou o consumo interno e fomentou investimentos nos transportes.

Além disso, o ciclo do café provocou mudanças na distribuição da renda social e no perfil do mercado interno, na medida em que o trabalho escravo deu lugar ao trabalho assalariado (COUTO 1, 2004, p. 133). O dinheiro circulou na economia, novos consumidores emergiram, a atividade e o rendimento de produtores e de comerciantes foram estimulados, e o desenvolvimento comercial e urbano foram alargados. O café transformou a sociedade e o mercado de trabalho de São Paulo. Segundo estudo de Dean (1971) foram importados técnicos e contramestres europeus para supervisionarem as plantações de café, construírem

estradas de ferro e ministrarem treinamentos nos institutos de educação de São Paulo nas áreas da engenharia e do comércio.

De acordo com a exposição “Tempos do Café” do Museu da Energia (2016b), o estado de São Paulo, motivado pelo comércio do café e pelo trabalho assalariado, plantou, a partir da década de 1870, as bases estruturais e econômicas necessárias para torná-lo referência industrial no Brasil ao longo do século XX. Nesse percurso, fazendas e bairros foram abertos; estradas de ferro foram estendidas; cidades, bancos e escolas foram criados; indústrias e usinas de energia foram constituídas e máquinas foram importadas. Além disso, teatros e viadutos foram construídos, e rios foram canalizados (DEAN, 1971; LEMOS, 2003).

A produção no estado de São Paulo sobe de 16% do total nacional, na década de 1880, para 40% no início do século XX. Em 1894, comerciantes, importadores e donos de fábricas fundaram a Associação Comercial de São Paulo, objetivando fortalecer os interesses do setor (COUTO 2, 2004, p. 130). A economia paulistana foi a que mais se beneficiou com a escalada e com a estruturação da atividade industrial e comercial. Como exemplo, houve o aumento da população e o processo de urbanização da capital paulista na virada do século XIX.

Segundo o Museu da Energia (2016a), no final do século XIX, São Paulo tinha 65 mil habitantes e era a quinta capital mais populosa do Brasil, ficando atrás do Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belém do Pará. No início do século XX a capital paulista assumiu a segunda posição com 239 mil moradores, superada apenas pela capital federal, o Rio de Janeiro. Crescimento de mais de 250% na sua população em apenas dez anos (MUSEU DA ENERGIA, 2016a).

O aumento populacional, juntamente com os desenvolvimentos industriais e comerciais paulistanos, trouxeram investimentos em eletricidade, mobilidade e urbanização à cidade de São Paulo nos primeiros anos do século XX. O setor elétrico se fortaleceu e, em 1900, a empresa canadense Light alterou sua razão social, no Brasil, para The São Paulo Tramway Light and Power Company Ltd. Na década seguinte, em 1912, o grupo Light se reestruturou e criou a Brazilian Traction Light and Power Company Ltd., uma holding destinada a controlar a São Paulo Light, a Rio Light e a São Paulo Electric. O grupo obteve também o controle acionário da The San Paulo Gas Company Ltd. (MUSEU DA ENERGIA, 2016a).

O serviço público de eletricidade foi expandido na capital. O primeiro local a receber eletricidade para iluminação pública na cidade de São Paulo foi a rua Barão do Itapetininga, em 1905. Em 1911, a Light instalou iluminação elétrica em torno do Teatro Municipal (Figura

51) e assinou contrato com o governo do estado para iluminar a Avenida Brigadeiro Luís Antônio e a Avenida Higienópolis. Até 1916 haviam sido instaladas 864 lâmpadas elétricas em toda a cidade, números que hoje passam das 560 mil lâmpadas (MUSEU DA ENERGIA, 2016a).

Figura 51 - Iluminação elétrica em torno do Teatro Municipal em 1911.

Fonte: Museu da Energia (2016a), registrado pelo autor em mar. de 2016.

Já no transporte coletivo a The São Paulo Tramway Light and Power Company Ltd introduziu os bondes elétricos (COUTO, 2004a, p. 271). De acordo com (TOLEDO, 2003; LEMOS; SILVA, 2013) a primeira linha dos bondes foi inaugurada no dia 07 de maio de 1900 ligando o largo de São Bento à Barra Funda (Figura 52), passando pelo bairro Campos Elíseos, principal local de moradia das famílias de maior poder aquisitivo da sociedade. Campos Elíseos (Figura 53) foi o primeiro bairro planejado da cidade São Paulo e um dos primeiros a desfrutar da infraestrutura de pavimentação de paralelepípedos, de iluminação pública e de bondes elétricos (MUSEU DA ENERGIA, 2016b).

Figura 52 - Inauguração do 1° Bonde Elétrico -

07/05/1900 - Trecho na Alameda Barão de Limeira. Figura 53 - Bairro Campos Elíseos - Início do séc. XX - Museu da Energia, São Paulo (2016b).

Fonte: Lemos e Silva (2013). Fonte: Lemos e Silva (2013).

Em pouco tempo, novas linhas foram sendo disponibilizadas para atender outras regiões da capital, a exemplo da Avenida Paulista (Figura 54). Esta avenida era sinônimo de status e riqueza e o local onde comerciantes e industrias fixaram residência a partir da sua abertura em oito de dezembro de 1891 (COUTO, 2004a, p. 274-275; LEMOS; SILVA, 2013). Quase dez anos depois, no dia 17 de junho de 1900, foi inaugurada a linha entre a Rua da Boa Vista e a Avenida Paulista (Figura 55). Jornais da época anunciavam alguns benefícios da utilização do bonde para o recém-aberto trecho: “O trajeto foi feito em trinta e poucos minutos. Os habitantes de São Paulo ganharam, assim, um meio fácil de fazer um passeio agradável à avenida Paulista, hoje o ponto mais encantador de São Paulo” (STIEL, 1978).

Figura 54 - Avenida Paulista - 24/02/1902. Figura 55 - Convite para a inauguração dos bondes

elétricos para a Avenida Paulista - 17/06/1900.

A expansão da eletricidade e dos transportes induziu a urbanização da cidade de São Paulo, favorecendo o comércio local. Ruas precisaram ser alargadas e pavimentadas (Figura 56) para possibilitar a movimentação dos veículos e dos transeuntes. Além dos bondes, de acordo com (COUTO, 2004b, p. 47), em 1903, São Paulo já possuía 83 carros e algumas oficinas de automóveis, como a dos irmãos Grassi. Foram construídas praças como locais de socialização e de comercialização. A Praça do Patriarca (Figura 57), por exemplo, foi o endereço da loja Mappin Store entre os anos de 1913 e 1939, antes da sua mudança para o Edifício João Brícola, em frente ao Teatro Municipal.

Figura 56 - Alargamento da Av. São João entre

1912 e 1926 (1915).

Figura 57 - Praça do Patriarca (1928).

Fonte: Lemos; Silva (2013). Fonte: Lemos; Silva (2013).

Os investimentos em energia, mobilidade e urbanização, somando-se ao mercado em expansão, à massa salarial em crescimento, ao comércio e à indústria em desenvolvimento geraram oportunidades de trabalho no estado e na cidade de São Paulo entre o final do século XIX e o início do século XX. Ao longo desse processo houve valorosa colaboração dos imigrantes que trouxeram habilidades e vivências gerenciais para as práticas de mercado brasileiro e paulista. Para Pedro Piva, ex-senador da República, em entrevista a Couto (2004b), diz que São Paulo é o que é pela diversidade de raças, pelos imigrantes. Tratamos desse legado no próximo item.