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É preciso, antes mesmo de pensar na prática docente, estar ciente da importância da metodologia e refletir sobre ela. Como saber se a metodologia está no caminho correto para contribuir na formação de cidadãos críticos, atuantes e capazes de intervirem de forma correta na sociedade? Somente com convicção dos benefícios a médio e longo prazo e acreditando em seu poder transformador é que daremos a real importância que ela merece.

Embora ser professor não consista somente em saber os conteúdos, não se pode negar que todo profissional necessita ter clareza e domínio do que ensinar. Os alunos, por sua vez, conhecem seu professor e logo percebem quando este está com alguma dificuldade metodológica, domínio de classe ou inseguro quanto ao conhecimento do conteúdo a ser trabalhado. Do ponto de vista didático é fundamental o professor ter bom domínio da matéria, requisito esse da própria aprendizagem dos alunos.

A sociedade vive um momento de rápidas e profundas transformações, onde uma série de valores e paradigmas estão sendo questionados e contestados e, muito deles, estão sendo modificados ou até mesmo substituídos. É natural que em meio à revolução científica que vivemos e de quebra de paradigmas, nos sintamos frágeis e inseguros uma vez que nossa reflexão epistemológica é mais avançada que nossa prática científica. Hoje precisamos pensar a profissão de docente como agentes que intermedeiam e fazem a ponte entre conhecimento e o sujeito aprendente, desenvolvendo competências, habilidades e atitudes.

É diante desse contexto que nós professores precisamos refletir sobre nossa prática, não podemos nos manter alheios a essas transformações. Devemos conhecer e atuar a partir da realidade dos alunos, da escola e da comunidade e, conseqüentemente, planejar de forma a contemplar as necessidades e interesses, levando em conta o desenvolvimento cognitivo do discente, bem como suas experiências anteriores.

O professor não pode mais ser mero ensinante, precisa mediar a construção do conhecimento relacionando-o com a realidade cultural e social de seus alunos. Necessita o

educador de metodologia diversificada, necessita ainda desenvolver suas competências como questionar, criticar, pesquisar novos conhecimentos, o que significa inferir o processo de aprendizagem do aluno e com autonomia e propriedade, reformular o currículo para que seja significativo para os alunos e reflita sobre a metodologia para que a mesma atenda às emergências do contexto.

O professor, ao planejar uma aula precisa analisar o conteúdo no sentido de definir o grau de complexidade, adequado quanto à abstração, conceito e validade do mesmo. Os objetivos, métodos e conteúdos devem estar relacionados à dinâmica do momento social, tempo e lugar em que se insere a escola. Outros critérios certamente deverão se fazer presentes na hora de selecionar os conteúdos e dar início ao planejamento, tais como: contexto escolar, as diversidades, as dificuldades de aprendizagem, o meio sócio cultural dos educandos.

Deve-se entender o currículo como momento de inserir o que está acontecendo na sociedade, possibilitando ao aluno conhecer melhor a sociedade em que vive e posicionar-se criticamente a respeito. O contexto do educando deve ser considerado e seu conhecimento prévio, valorizado do planejamento à avaliação.

O professor sempre foi um pesquisador, muitas vezes sem essa consciência, desenvolvendo sua prática, refletindo sobre, questionando a realidade, explicando seu modo de desenvolver os conteúdos. O que lhe falta é clarear e interpretar essa metodologia, embasá- la com fundamentação teórica, sair apenas do senso comum.

A pesquisa sobre a própria prática elucida os problemas e permite avaliar as dificuldades vivenciadas em sala de aula, permitindo traçar novas estratégias metodológicas, é como uma luz a ser seguida, um norte para o professor que aprende com os erros a superar as próprias limitações.

A prática docente acontece conforme a teoria do professor seja ela científica ou de senso comum, individual ou de um grupo de professores. Um professor experiente sabe que as atividades que cria, por mais bem concebidas e preparadas que sejam, nem sempre dão os resultados esperados. Por isso, se faz necessário um currículo flexível que inclua trabalho interdisciplinar e avaliação reflexiva.

As atividades de aprendizagem são escolhidas em função da teoria que o professor constituiu com finalidade de proporcionar a aprendizagem dos educandos e sustentada na sua experiência profissional.

Quando fala da experiência do professor, Perrenoud (2000) coloca com clareza que nem sempre, por mais experiente que esse possa ser, obterá o resultado que almejava na hora

do planejamento. Considera-se que cada turma é diferente da outra, cada aluno possui características individuais.

As atividades de aprendizagem devem ser escolhidas e sustentadas em função da teoria que o professor constituiu pela experiência e pela formação profissional com a finalidade de proporcionar aprendizagem significativa aos educandos.

A realidade, os problemas, os fatos, os fenômenos não são vividos separadamente. Interagem, complementam-se, sobrepõe-se, competem, divergem em tempo real na escola e fora dela. As disciplinas nem sempre contemplam esses problemas que são fundamentais e globais da era, do planeta, da vida. Os fatos são colocados como se não estivessem acontecendo aqui e agora. Esta fragmentação dos conhecimentos dificulta a compreensão que o aluno deve fazer do todo, do momento em que vive, do modo como tudo funciona. Repensar as práticas pedagógicas é fator essencial para atingirmos a educação almejada.

A Universidade não pode ser pensada pelo professor como local de formação absoluta, formação pronta, acabada, mas como local de abertura para novos conhecimentos, de quebra de certezas, de incentivo ao aperfeiçoamento profissional. Mesmo as escolas podem organizar espaços de formação. Refletir sobre a ação docente e compartilhar com colegas as experiências, isso possibilita ver outros caminhos, formar parcerias, construir estratégias com o grupo. Torna-se fundamental o confronto da prática com a teoria para que possamos descobrir o que nos falta, e assim melhorá-la.

3.3 A CREDIBILIDADE E O AFETO NA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO COMO