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medlemskap, kirkelige registre og kirkelig stemmerett

Kapittel 4. Kirker

Não basta somente analisar o perfil interno de cada tipo de convívio, há igualmente que ver os perfis de sociabilidade de cada uma das categorias de protagonistas exteriores dos convívios. Ou seja, em vez de nos perguntarmos quem faz determinada actividade, perguntamo-nos que actividades fazem determinado tipo de pessoas.

Nesta análise – por protagonistas (Quadros 3.4 & 3.5) – os resultados obtidos confirmam as ligações observadas no ponto anterior entre formas específicas de sociabilidade e participantes.

De facto, olhando para o perfil de sociabilidade dos familiares, ressalta desde logo e mais uma vez a força maioritária dos convívios natalícios (a representar um total de 57 % dos convívios desta categoria agregada). Outras actividades em que a participação dos parentes é superior ao perfil populacional são: comer em casa de alguém (12 %), dormir em casa de alguém (2 %), passar férias (quase 8,5 %). Ir a restaurantes ou participar em actividades religiosas são actividades, como acima verificamos dado o seu carácter de estruturação “mista”, que apresentam para os familiares uma importância percentual em torno dos valores

141

populacionais total (em ambos os casos quase 4 %). Inversamente todas as restantes actividades (desporto, cinema, exposições, actividades políticas e sindicais, espectáculos desportivos, café, passear) têm, para os parentes, uma importância extremamente diminuta e inferior às percentagens populacionais respectivas.

Quadro 3.4

Pessoas exteriores ao agregado doméstico por tipos de convívios Pessoas exteriores

ao agregado nuclear Desporto Cinema Exposições

Actividades Políticas

Espectáculos

Desportivos Café Passear Restaurante

Toda a Família 0,4 1,1 0,7 0,1 1,5 4,1 4,8 3,7 Progenitores (sub-total) 0,3 0,6 0,5 0,0 0,6 3,1 3,5 3,4 Mãe da Mulher 0,3 0,5 0,5 0,1 0,2 3,1 3,4 3,5 Pai da Mulher 0,7 1,0 0,6 0,1 0,8 2,6 2,4 3,7 Pai do Homem 0,1 0,2 0,7 0,0 0,8 3,0 3,7 4,5 Mãe do Homem 0,0 0,3 0,2 0,0 0,2 1,9 3,6 3,9

Filhos e Filhas (sub-total) 0,4 2,7 2,0 0,0 5,8 10,9 7,5 6,0

Filhos 0,7 2,2 2,2 0,0 9,3 10,6 9,8 8,6

Filhas 0,0 4,4 1,1 0,0 0,7 10,0 3,0 3,7

Fratria e seus cônjuges (sub-total) 0,1 0,5 0,7 0,3 1,5 4,1 4,4 3,3

Fratria da Mulher 0,1 0,7 0,8 0,1 1,2 4,6 4,8 3,8

Fratria do Homem 0,0 0,4 0,6 0,6 1,8 2,7 3,5 3,7

Tios e Tias (sub-total) 2,5 2,2 0,6 0,8 2,5 3,1 5,5 1,9

Tios/Tias da Mulher 0,9 2,6 0,9 0,3 3,2 2,6 4,1 1,6

Tios/Tias do Homem 3,8 4,4 0,0 1,3 1,3 3,8 5,4 3,8

Outros Familiares (sub-total) 0,7 2,4 1,1 0,0 3,5 4,8 6,9 4,6

Outros Familiares da Mulher 0,4 2,4 1,2 0,0 3,2 5,1 6,8 4,5

Outros Familiares do Homem 0,9 2,3 1,1 0,1 3,2 3,9 8,0 5,9

Outras Pessoas (sub-total) 16,5 12,3 6,8 1,3 10,9 21,1 11,2 5,0

Amigos e Amigas 4,9 3,6 2,8 1,5 15,5 28,5 12,3 9,1

Colegas 12,0 1,7 3,1 9,1 10,3 38,0 3,1 16,4

Amigos dos Filhos(as) 24,8 24,4 10,0 0,2 7,3 10,1 11,7 1,7

Vizinhos(as) 5,0 7,1 0,0 0,0 10,6 34,2 9,9 0,0

Outros 31,3 3,5 25,3 1,4 5,3 7,6 2,7 1,4

Total 6,1 5,5 3,0 0,5 5,0 10,5 8,0 4,2

Quadro 3.5

Pessoas exteriores ao agregado doméstico por tipos de convívios (cont.) Pessoas exteriores

ao agregado nuclear

Actividades

Religiosas Férias Dormidas Refeições Natal Total N

Toda a Família 3,5 8,4 2,2 12,2 57,2 100,0 1485 Progenitores (sub-total) 3,9 7,4 2,5 13,1 61,0 100,0 1368 Mãe da Mulher 4,2 7,7 2,9 14,4 59,1 100,0 780 Pai da Mulher 2,8 7,6 2,7 15,5 59,6 100,0 601 Pai do Homem 2,0 6,0 2,7 12,7 63,8 100,0 438 Mãe do Homem 3,1 6,9 2,6 12,9 64,3 100,0 572

Filhos e Filhas (sub-total) 9,7 8,4 1,3 3,3 41,9 100,0 75

Filhos 10,2 10,8 0,0 4,1 31,4 100,0 45

Filhas 10,0 11,5 2,2 1,5 51,9 100,0 45

Fratria e seus cônjuges (sub-total) 2,1 9,7 1,9 9,9 61,6 100,0 713

Fratria da Mulher 2,0 9,2 1,9 10,9 60,0 100,0 574

Fratria do Homem 2,2 9,7 2,0 10,6 62,1 100,0 321

Tios e Tias (sub-total) 2,7 14,3 3,4 4,5 55,8 100,0 159

Tios/Tias da Mulher 1,8 14,9 2,1 4,4 60,9 100,0 111

Tios/Tias do Homem 4,4 12,7 4,7 5,4 49,1 100,0 79

Outros Familiares (sub-total) 3,3 9,4 2,0 10,8 50,5 100,0 750 Outros Familiares da Mulher 3,2 9,4 2,0 11,0 50,8 100,0 616

Outros Familiares do Homem 3,1 9,3 2,1 12,1 47,8 100,0 436

Outras Pessoas (sub-total) 4,9 3,4 0,9 3,3 2,3 100,0 1570

Amigos e Amigas 3,1 6,3 0,5 7,5 4,6 100,0 738

Colegas 1,8 1,1 0,3 2,5 0,8 100,0 171

Amigos dos Filhos(as) 5,7 1,7 1,8 0,4 0,3 100,0 784

Vizinhos(as) 22,8 2,8 0,0 0,0 7,5 100,0 53

Outros 5,0 5,3 2,0 2,4 6,7 100,0 198

Total 4,1 6,5 1,6 8,9 36,2 100,0 1665

Daqui não só se confirma a forte associação, anteriormente constatada, dos parentes a actividades no interior residencial, de alimentação, de ritualidade festiva ou celebratória, de sazonalidade veraneante ou natalícia, como igualmente se repete a fortíssima importância do lugar ocupado pelas celebrações de natal no conjunto das sociabilidades familiares. A única

categoria específica de familiares que apresenta um perfil algo diferente deste colectivo familiar é o dos filhos e filhas não residentes. Nestes não só a ida a espectáculos desportivos, a cafés e pastelarias e passear rondam os valores populacionais totais, como também as idas a restaurantes e a participação em actividades religiosas são superiores a esse perfil geral. Igualmente, a importância de dormir ou passar uns dias em casa com os pais ou lá com eles comer é inferior à importância que tal prática tem não só no conjunto da população, mas, mais particularmente, no conjunto de todos os parentes. Aparenta assim que o perfil dos filhos, que, relembramo-lo, já saíram de casa dos pais, aproxima-os mais do perfil dos não-parentes, pela importância que assumem as actividades exteriores à residência destes (ou própria).

Analisando o perfil de sociabilidade dos não parentes verificamos a sua associação, como anteriormente constatado, às actividades no exterior das residências, que menos implicam a comida, que menos implicam ritualidades religiosas e/ou familiares bem estabelecidas, bem como mais frequentes quotidianamente. Praticar desporto (16,5 %), ir ao cinema (12,3 %), a exposições e museus (6,8 %), participar em actividades políticas (1,3 %), ir a espectáculos desportivos (10,9 %), a cafés e pastelarias (21,1 %), passear (11,2 %) – estas são as sociabilidades que, para os não familiares, apresentam valores superiores ao perfil populacional geral. Inversamente, as férias (3,4 %), pernoitar (0,9 %) ou comer em casa de alguém (3,3 %) e o natal (2,3 %) são actividades que apresentam aqui valores inferiores ao todo da população. Tal como com os parentes, ir ao restaurante (5 %) e participar em actividades religiosas (4,9 %), pela mescla de características acima referidas, são convívios que rondam os valores populacionais gerais (ainda que ligeiramente acima). Note-se que pelo facto de algumas actividades apresentarem percentagens abaixo do perfil populacional não quer dizer que sejam negligenciáveis, já que, apesar do seu fraco peso, as férias, o comer em casa e o natal são convívios com não familiares que têm mais importância do que participar em actividades políticas e sindicais.

Constata-se, no entanto, que nem todos os não familiares apresentam exactamente o mesmo perfil de sociabilidade, já que diferentes tipos de actividades têm diferentes pesos em diferentes tipos de não parentes – diferenças, aliás, que podem até associar categorias específicas de não familiares a actividades mais frequentemente levadas a cabo com familiares.

Assim, verificamos que as actividades mais importantes levadas a cabo com amigos e amigas (N=738) são, por ordem decrescente de importância, ir ao café, assistir a espectáculos desportivos, passear, ir ao restaurante e comer em casa. Repare-se que com estes amigos e

amigas actividades como o natal e as férias têm mais peso do que actividades como ir ao cinema, a exposições e museus.

Com os colegas de trabalho ou de estudo (N=171), as actividades preponderantes alteram-se algo: ainda que ir ao café seja igualmente a actividade mais importante (tendo, aliás, um peso maior no conjunto das sociabilidades que com este tipo de não parentes se têm), logo seguidas da ida a restaurantes, da prática de desporto, da ida espectáculos desportivos e do envolvimento em actividades políticas e sindicais, o perfil aqui presente é, parece-nos, um de sociabilidades ligadas aos ritmos e horários da quotidianidade de colegas. Ou seja, aparente aqui dar-se o caso das sociabilidades estarem directamente ligadas à situação que define a condição do relacionamento. Podemos supor que as idas ao café e ao restaurante têm a ver com os períodos de alimentação e de pausa no quotidiano de trabalho, que a prática de desporto e de assistência de espectáculos desportivos têm a ver com o facto de estarmos, provavelmente, a falar aqui de colegas de actividades desportivas (ou seja, pessoas com quem só se contacta no âmbito dessas actividades), e que, finalmente, o envolvimento em actividades políticas e sindicais remete igualmente quer para a partilha de condições laborais e mobilização sindical, quer para a eventual categorização de parceiros de actividade político-partidária como colegas.142

Por sua vez, os amigos(as), namorados(as) e colegas dos filhos (N=784) apresentam um perfil igualmente diferenciado dos anteriores. Neste caso as actividades mais importantes, também por ordem decrescente de importância, são respectivamente praticar desporto, ir ao cinema, passear, ir ao café e a exposições.

Os vizinhos (N=53), por seu lado, ainda que também tenham como actividade com maior peso a ida ao café (pode aliás dar-se o caso de não ser propriamente uma ida em conjunto, mas um encontrarem-se no café de bairro), diferenciam-se largamente pela importância que assume no conjunto das sociabilidades que com eles se têm a participação em actividades religiosas (o que pode remeter para a circunscrição territorial dos locais de culto, como a tradicional paróquia católica).143 Em relação às categorias de outros não-parentes (N=198), categoria onde cabem todos aqueles que as anteriores categorizações não cobrem segundo as definições subjectivas das entrevistadas, o que assume relevo é o peso quer das actividades desportivas, quer das idas a exposições e museus – tal indica aparentemente que algumas das pessoas com quem se faz essas actividades não são alvo de categorização

142

Sobre a importância relativa das sociabilidades no trabalho, ver Bidart (1988: 637). 143

habitual (como amigos, colegas, vizinhos),144 quer porque não são de todo definidos, quer porque possam ser definidos de forma muito mais específica do que as categorias oferecidas em inquérito.

Não devemos esquecer, igualmente, o perfil total da população em relação às actividades de sociabilidade, sempre referido acima como base central de comparação em relação aos perfis de sociabilidade com familiares ou não familiares. De facto, devemos perguntar-nos quais as sociabilidades que mais e menos são levadas a cabo em geral pela população total.

Verificamos que a actividade de convívio que maior peso ocupa no conjunto é a do natal (pouco mais de 36 % – mas vimos acima como esta actividade, sendo de suma importância no conjunto das sociabilidades familiares, é praticamente negligenciável no caso das não-familiares). O natal é seguido, a muita distância, pelas idas ao café e pastelaria (10,5 %), por comer em casa de alguém (quase 9 %), passear (8 %), férias (6,5 %), praticar desporto (pouco mais de 6 %), ir ao cinema (5,5 %), ir a espectáculos desportivos (5 %), a restaurantes (pouco mais de 4 %), participar em actividades religiosas (pouco mais de 4 %), ir a exposições e museus (3 %), dormir em casa de alguém (quase 1 %) e, finalmente, participar em actividades políticas (0,5 %). Note-se que, se desta hierarquia de actividades fossem retiradas as férias de verão e o natal (pela sua natureza sazonal), a ordem das importâncias relativas permaneceria a mesma.

Em suma, com os parentes em geral verificamos que as sociabilidades mais comuns são o natal, comer ou dormir em casa de alguém e passar férias juntos, sendo que as idas a restaurantes e a participação em actividades religiosas também não são despiciendas, embora rondando a média populacional geral. Os filhos e filhas não residentes são os únicos familiares que se afastam deste perfil e apresentam até semelhanças com o perfil dos não-parentes – estão mais envolvidos em convívios em torno dos espectáculos desportivos, a idas ao café, passear e, mais do que a média populacional geral, a idas a restaurantes e participação em actividades religiosas.

Por sua vez, os não-familiares são mais envolvidos em sociabilidades que envolvam espectáculos desportivos, idas ao cinema, a exposições, participação em actividades políticas e sindicais, idas ao café e passear. Mas também nesta grande categoria agregada encontramos diferenciações entre grupos específicos. Os amigos do casal convivem preponderantemente

144

Estas categorias, aliás, sendo o resultado de auto-categorização, caracterizam-se pela sua relativa indeterminação. Sobre a indeterminação da noção de amigo ver Dias & Lopes (1996: 88).

através das idas ao café, a espectáculos desportivos, em passeios, refeições quer em restaurantes, quer em casa de alguém. Já os colegas do casal estão mais envolvidos na prática do desporto e participação em actividades políticas e sindicais, sendo que passear e comer em casa de alguém perdem importância. Os amigos, namorados e colegas dos filhos e filhas – uma das categorias com maior peso nas sociabilidades em geral, além do desporto, do café e passear, estão mais presentes em actividades como ir ao cinema e a exposições ou museus. Por último os vizinhos (onde avulta a ida ao café e as práticas religiosas) e os outros não identificados (prática de desporto e idas a exposições) caracterizam-se pelo parco número de actividades de convívio em que são envolvidos.

3.2.3.1. Lateralização familiar

Questão relevante é saber se as sociabilidades das famílias portuguesas com filhos se organizam, em termos das sociabilidades estritamente familiares, em torno da família da mulher do casal ou em torno da família do homem seu cônjuge. Como tal é necessário observar os processos de lateralização da rede familiar de sociabilidade (Quadro 3.6), embora os dados devam ser lidos com cuidado, já que se pode ter verificado um enviesamento devido ao facto de a pessoa inquirida sobre as sociabilidades das famílias com filhos no seu conjunto ter sido sempre a mulher do casal (como vimos já anteriormente).

Quadro 3.6

Lateralização familiar das actividades de convívio

Convívios Família Mulher Família ambos Família Homem Total

% Média % Média % Média % Média N

Desporto 62,9 0,014 3,2 0,001 33,9 0,006 100 0,020 31 Cinema 64,9 0,033 2,7 0,002 32,4 0,018 100 0,052 74 Exposições 65,2 0,024 3,1 0,001 31,7 0,013 100 0,038 43 Actividades Políticas 50,0 0,004 0,0 0,000 50,0 0,003 100 0,007 8 Espect. Desportivos 57,6 0,039 5,7 0,004 36,6 0,025 100 0,068 96 Café 66,0 0,137 4,2 0,008 29,8 0,063 100 0,207 229 Passear 60,3 0,155 1,7 0,006 38,0 0,104 100 0,265 271 Restaurante 59,1 0,146 3,4 0,006 37,5 0,101 100 0,253 210 Actividades Religiosas 62,9 0,101 5,8 0,008 31,2 0,048 100 0,158 174 Férias 61,1 0,251 2,3 0,010 36,6 0,141 100 0,402 385 Dormidas 61,5 0,073 0,8 0,001 37,7 0,050 100 0,124 126 Refeições 64,6 0,355 0,9 0,003 34,5 0,216 100 0,574 481 Natal 59,9 1,150 2,1 0,028 38,0 0,765 100 1,943 1319 Total 60,2 2,481 2,3 0,077 37,4 1,554 100 4,111 1485

Assim, e dada quase irrelevância das actividades levadas a cabo com parentes de ambos (o que de facto se restringe à categoria agregada dos filhos e filhas do casal), bem como o facto de as sociabilidades com os parentes da mulher serem sempre maioritárias (com uma única excepção, a das actividades políticas e sindicais, onde ambos os lado da família estão em proporções iguais, embora com pouca relevância porque, como vimos acima, a

percentagem destas actividades levadas a cabo com familiares perfazem somente 15 % do seu total, representando somente 0,1 % das actividades que com os familiares se tem), o mais relevante é verificar quais as actividades onde, mesmo em minoria, a participação dos parentes do homem do casal apresentam desvios em relação ao populacional geral para todas as actividades (pouco mais de 37 %).

Desta maneira, além da já referida excepção das actividades políticas e sindicais (onde a participação dos parentes do homem ultrapassa bastante o observado em geral), o panorama geral não é um de grande desvio em relação à percentagem populacional. De facto, apenas as actividades religiosas, as idas ao café, a exposições e museus e ao cinema, apresentam um desvio para baixo significativo.