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Driftsregnskap pr 30.09.2018 for Bergen kirkelige fellesråd

Podemos enunciar os nossos quatro objectivos de uma maneira sintética: reconstruir os contextos de sociabilidade das famílias portuguesas, aferindo dos contextos relacionais onde potencialmente emergem os efeitos de capital social; reconstruir o capital social real dessas famílias, através da análise da sua efectivação em apoios; reconstruir os processos de reconfiguração estrutural das classes; reconstruir a diversidade de trajectórias sociais e a multifuncionalidade do capital social nessas trajectórias intergeracionais em linhagens familiares gendrificadas.

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O concelho de Mondim de Basto localizava-se, aquando da realização das entrevistas, na NUT III do Tâmega. Após 2008 passou a integrar a NUT III do Ave(Decreto-Lei nº 68/2008 de 14 de Abril de 2008, Artigo 2º).

No respeitante ao primeiro objectivo, procurámos saber quais as actividades de lazer convivial mantidas por qualquer um dos membros dos agregados de casais com filhos. Ao falarmos de lazer convivial, falamos não apenas de actividades que poderiam ser qualificadas de lazer pelas famílias, mas de actividades que, sendo lazer, são feitas em conjunto com pessoas exteriores à família nuclear. Assim, desde início o que se procurou foi observar a integração das famílias com filhos em redes de sociabilidade, já que se reconstruiu não só as actividades onde se verificam convivialidades, mas igualmente a identidade (em relação às famílias inquiridas) dos participantes nessas redes (Quadro 2.12).

Quadro 2.12

Operacionalização da sociabilidade das famílias (actividades e participantes)

Actividades Participantes exteriores

1. Fazer desporto 2. Ir ao cinema

3. Ir a exposições e museus

4. Participar em actividades políticas e sindicais 5. Ir a espectáculos desportivos (futebol, etc.) 6. Ir ao café ou pastelaria

7. Sair, dar uma volta, passear 8. Ir ao restaurante

9. Participar em actividades religiosas 10. Últimas férias grandes

11. Ficar a dormir em casa de alguém ou passar alguns dias

12. Comer em casa de alguém (almoçar ou jantar em casa de familiares ou amigos)

13. Último natal (consoada e dia de natal)

1. Mãe da Mulher 2. Pai da Mulher 3. Pai do Homem 4. Mãe do Homem 5. Filhos não-residentes 6. Filhas não-residentes 7. Fratria da Mulher 8. Fratria do Homem 9. Tios/Tias da Mulher 10. Tios/Tias do Homem 11. Outros Familiares da Mulher 12. Outros Familiares do Homem 13. Amigos e Amigas do casal 14. Colegas do casal

15. Amigos e colegas dos Filhos(as) 16. Vizinhos(as)

17. Outros

As inquiridas foram questionadas sobre quais as actividades de lazer realizadas por qualquer membro do seu agregado nuclear (casal e filhos), bem como sobre quais os elementos exteriores a esse agregado que convivem com os primeiros nessas actividades. Note-se que não se reconstruiu a relação genérica com categorias de elementos exteriores à família nuclear (por exemplo, “têm convívios com amigos?”), mas antes a relação específica entre integrantes do agregado e participantes exteriores específicos (codificados posteriormente segundo as categorias apresentadas no Quadro 2.12). Mais ainda, a contabilização dos convívios efectuados não é uma de convívios pontuais (por exemplo, “naquele dia foi ao cinema com quem?”), mas sim de ocorrência frequente de relações de convivialidade (por exemplo, “estas pessoas do seu agregado costumam ir com quem ao cinema?”; a resposta, como dito acima, foi feita através da indicação de pessoas específicas e não de categorias genéricas). Assim, se diferentes pessoas ou grupos de pessoas do agregado familiar (digamos, diferentes combinações de pessoas, algumas das quais podem estar em várias desses conluios conviviais) têm determinadas actividades de lazer, pode dar-se o caso

de as terem frequentemente com as mesmas pessoas exteriores. Tal operacionalização do conceito da sociabilidade permitiu-nos uma análise detalhada das só das actividades e participantes na convivialidade, mas, acima de tudo, uma análise cruzada entre ambos os elementos. Igualmente, foi possível alcançar tipologias de sociabilidade (quer de actividades, quer de protagonistas, quer conjunta) e analisar a sua variação social. Note-se como a estratégia metodológica foi de reconstituição das relações em torno de práticas efectivas de sociabilidade declarada, permitindo formas de contabilidade dessas práticas e protagonistas, e não de vagas declarações de relacionamento ou de aferição qualitativa da sua importância ou frequência.

O nosso segundo objectivo procurava a reconstituição do capital social real das famílias portuguesas com filhos. Partindo da definição de Bourdieu, que articula umbilicalmente redes sociais e recursos na produção dos efeitos que designamos por capital social, a nossa estratégia metodológica não foi propriamente a de reconstruir as redes relacionais das famílias para, eventualmente e a posteriori, observar as transmissões de recursos. Partindo da conceptualização do capital social enquanto factor de produção de outras espécies de capital, o nosso olhar centrou-se no apoio real recebido pelas famílias. Tal deve-se não só a fortes reticências em relação à possibilidade de reconstrução das redes sociais apenas através da imprecisão das auto-definições relacionais,121 como também permite ultrapassar uma análise somente do capital social potencial, visualizando inversamente a sua efectividade – ou seja, os recursos de facto mobilizados em rede. Assim, foi reconstruindo os apoios recebidos que se alcançaram as redes de apoio. É claro que estamos sempre a falar, tal como para as actividades conviviais, das práticas como percebidas e relatadas pelas inquiridas. No caso do capital social estamos face a declarações de apoio (para uma discussão

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Dada a multiplicidade de redes sociais onde os agentes participam, bem como o enviesamento do olhar selectivo que têm (quando questionados, por exemplo, sobre quem são os seus amigos, ou quem são as pessoas mais importantes na sua vida, ou quem mais os ajudou em abstracto – sem precisar para um momento concreto um apoio concreto, etc.). Para uma discussão da imprecisão e dificuldades na reconstituição das redes sociais ver Grannis (2010). Também Lin & Erickson (2008b: 8/9) admitem que é praticamente impossível conhecer com segurança toda a rede relacional de um sujeito. Igualmente van der Gaag, Snijders & Flap (2008: 45) sustentam que o custo de uma tentativa de reconstrução o mais pormenorizada das redes e interacções nelas verificadas é incomportável, daí muitos se dirigirem a medidas mais genéricas sobre a redes e suas naturezas (muitas vezes potenciais). Mas, como argumentam Fu (2008) e Enns, Malinick & Matthews (2008), o uso de metodologias muito abrangentes tende a perder pormenor sobre a realidade das relações dentro da rede – se por um lado permite, de alguma forma, mas sempre incompleta, uma reconstituição dos laços fracos ou periféricos, por outro lado a inclusão destes faz diluir a força dos laços fortes, ou seja, a eficácia real dos contactos e relações realmente tidas e „utilizadas‟.

das diferenças entre “perceived and received social support”, ver Goodwin & Plaza 2000), tendo-se, para tal, questionado as famílias portuguesas sobre uma série específicas de apoios ou ajudas recebidas, identificando todos os dadores que as possam ter providenciado (Quadro 2.13).

Quadro 2.13

Operacionalização do Apoio e Dadores Apoios

Dadores

Apoios quotidianos

(inquirição repetida para as 3 transições familiares)

1. Apoio em serviços Domésticos (fazer tarefas domésticas, dar comida feita para levar, etc.) 2. Apoio noutros serviços (não contando com

os serviços às crianças – pequenas reparações na casa, transportar pessoas, dar recados, etc.) 3. Apoio nos cuidados às crianças (tomar conta

de dia ou de noite, levar ao médico, à escola, etc.) 4. Apoio moral (desabafar, conversar sobre problemas) 5. Apoio financeiro (dar ou emprestar dinheiro,

pagar contas ou despesas)

6. Apoio material (dar roupa, objectos e alimentos para a família e para a casa)

1. Pai da Mulher 2. Mãe da Mulher 3. Casal de Pais da Mulher 4. Pai do Homem

5. Mãe do Homem 6. Casal de Pais do Homem 7. Fratria e seus Cônjuges 8. Outros Familiares

9. Amigos, Colegas e Vizinhos 10. Outras Pessoas

Grandes Apoios ao longo do percurso de vida familiar

1. Alojar por um período de tempo mais ou menos longo ou emprestar casa 2. Arranjar emprego

3. Dar uma casa, um andar, um terreno ou outros bens imóveis

4. Oferecer ou ajudar na compra de móveis

e electrodomésticos, etc., para a casa e para o bebé 5. Dar carro

6. Deixar uma herança

7. Dar sociedade/oferecer negócio

8. Ajudar grandes festas (casamentos, baptizados, etc.) 9. Dar dinheiro (grandes quantias)

10. Emprestar dinheiro/ser fiador de grandes compras

Num primeiro bloco, encontramos todos os apoios quotidianos relevantes que podem ter sido recebidos em qualquer um dos momentos de transição nevrálgicos do curso de vida familiar – a entrada na conjugalidade, o nascimento do primeiro filho e o momento presente com filhos entre os 6 e os 16 anos de idade. Neste tipo de apoios a inquirição foi repetida para cada um desses momentos. O que aqui se procurou investigar foram os eventuais efeitos próprios da temporalidade da vida familiar, já que os momentos da vida das famílias, nomeadamente determinados momentos específicos de transição na organização familiar (como o casamento, o nascimento das crianças, o divórcio, a conjugalidade associada à presença de crianças adolescentes, o recasamento, a viuvez, o alojamento em casa de um progenitor idoso, etc.), podem alterar de maneira determinante a configuração da rede e dos apoios, não só porque mudam as necessidades dos receptores devido à reorganização da vida doméstica (reorganização que pode, por exemplo implicar uma maior ou menor proximidade geográfica dos agregados receptores em relação aos agregados ou pessoas usualmente

dadores), como igualmente porque se podem verificar alterações na estrutura dos agregados domésticos receptores (assim alterando o número, estatuto e necessidades dos membros de determinado agregado). Num segundo bloco, encontramos modalidades de grandes apoios que podem ter sido recebidos em qualquer momento das histórias familiares e não somente nos momentos de transição especificados.

Sendo a rede de apoio uma rede de pessoas, o questionamento foi feito de maneira a que os apoios declarados como recebidos pudessem ser atribuídos a categorias precisas de identificação de dadores (algumas posteriormente agregadas). Esta identificação categorial dos dadores de apoio, vista sempre pelo número de apoios dado (e seus tipos específicos), permite-nos alcançar uma análise topográfica ou topológica das redes (Kellerhals & Mc Cluskey 1988; Coenen-Huther, Kellerhals & Allmen 1994; Vasconcelos 2002a, 2002b & 2005), já que nos permite obter indicadores sobre o volume de apoio (e em tipos específicos de apoios) por categorias de pessoas, bem como calcular os níveis de lateralização e gendrificação da rede de apoio. Embora não tenhamos procurado efectuar, stricto sensu, uma network analysis (Molina 2001), a análise em termos de volume de apoio, que diz respeito ao número de apoios recebidos (ou ocorrência de relação de apoio), não só permite uma caracterização tipológica geral desse apoio, como também avaliar o peso relativo das diferentes categorias de dadores e ajudas, assim identificando quem mais dá o quê (portanto, de alguma forma, uma análise das redes). Ou seja, permite a identificação quer das famílias que têm (ou não) capital social e com que intensidade, quer da rede que o providencia. Alcançaram-se, desta feita, as diferentes lógicas de apoio existentes e os seus protagonistas. A partir daqui foi possível analisar a sua variação não só pela posição de classe social das famílias, como também, acessoriamente, pela diferenciação geracional (etária) e algumas das coordenadas do percurso de vida familiar. Igualmente se pode verificar o impacto do capital social (corporizado nos apoios) na classe social das famílias. De facto, se o capital social, ao contrário da análise que desenvolvemos, raramente foi estudado como variável dependente (Tindall & Cormier 2008: 303), também aferirmos da sua importância relativa enquanto processo que contribui à estruturação da diferenciação social. Conjugando, aliás, a análise das sociabilidades e dos apoios com a diferenciação classista e escolar, foi-nos possível reconstruir o espaço social global de desigualdade onde ambas se inscrevem.

Esta articulação entre o capital social e a diferenciação social, um dos nossos objectivos primordiais, parte da constatação de que as condições sociais de existência dos agentes não deixam “de ser condicionadas por relações assimétricas de poderes e por distribuições diferenciadas de recursos e oportunidades. Nas sociedades actuais, os sistemas

estruturados de desigualdades e distinções sociais não deixaram de ser, entre outros, elementos constitutivos fundamentais dessas sociedades. A jusante, por seu turno, essas diferentes condições de existência continuam a estruturar, também diferencialmente, os valores e os comportamentos dos actores sociais” (Costa et al. 2000: 10). Daí a centralidade no nosso questionamento do conceito de classe social, cuja pertinência para a análise sociológica se encontra bem fundamentada (Costa 1999).

Partimos, então, de uma conceptualização multidimensional do espaço das classes sociais, defendida por Bourdieu (1979), na qual os dois principais elementos estruturadores da diferenciação social são o volume global de capital e a estrutura patrimonial desse volume. As duas espécies primordiais do capital são, por sua vez, o capital económico e o capital cultural. Um terceiro princípio estruturador diz respeito à evolução dos dois primeiros elementos no tempo, ou à trajectória social.

Esta perspectiva multidimensional, particularmente como veio a ser discutida através da chamada “tipologia ACM” (J. F. Almeida 1986; J. F. Almeida, Costa & Machado 1988; Machado, Costa & J. F. Almeida 1989; Costa, Machado & J. F. Almeida 1990; P. Lima, Dores & Costa 1991; Costa et al. 2000; Machado et al. 2003; J. F. Almeida, Machado & Costa 2006),122 permite alcançar as posições de classe dos indivíduos e famílias através de indicadores sócio-profissionais e escolares.

Deste modo, a classe social individual (dos dois membros do casal e igualmente de cada um dos seus progenitores) foi reconstruída utilizando indicadores sócio-profissionais e dos níveis de escolaridade (Quadro 2.14), ou seja, utilizando indicadores, parcelares é certo, dos dois princípios diferenciadores centrais do espaço das posições sociais – o capital económico e o capital cultural. Exactamente porque estes são os recursos centrais da divisão social do trabalho e do processo de produção nas sociedades contemporâneas. A sua apropriação diferencial por parte dos agentes sociais define uma estrutura de posições sociais objectivas e relativas, ou seja, não substanciais, isto é, que só existem na medida em que são relativas umas às outras. Daí ser o espaço social um espaço relacional e não uma hierarquia de lugares abstractos, de características substanciais ou essencialistas, independentes das configurações históricas específicas, pois as desigualdades entre diferentes categorias da população, na apropriação dos recursos centrais à divisão social do trabalho numa sociedade, não são um mero diferencial algébrico, mas antes o produto de relações estruturais de

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Que, como diz N. Nunes (2008: 16), integra “novos contributos para as teorias das classes sociais, de autores como Bourdieu, Marshall, Eder, Erikson e Goldthorpe, Esping-Andersen, Wright, Milner, Lee ou John Scott”.

apropriação, porque, sendo regulares, são estruturadas e estruturantes. Ora, dado que uma apropriação desigual de recursos numa população produz excluídos dessa mesma apropriação, as posições no espaço social das classes devem ser entendidas como condições ou situações qualitativamente distintas e as relações entre elas como tendencialmente contraditórias.

Quadro 2.14

Operacionalização da classe social individual Dimensões Indicadores

Capital económico

Condição perante o trabalho Profissão

Situação na profissão Capital cultural Nível de escolaridade

Quadro 2.15

Tipologia de classes (individual)

1. Empresários e dirigentes ED

2. Profissões intelectuais e científicas PIC

3. Profissões técnicas e de enquadramento intermédio PTEI

4. Independentes e pequenos patrões do secundário e terciário (menos de 5 empregados) IPP

5. Camponeses C

6. Empregados executantes (administrativos e serviços) EE

7. Empregados não qualificados do terciário EENQ

8. Operariado industrial OI

9. Assalariados agrícolas AA

A partir dos indicadores sócio-profissionais foi possível construir, utilizando a Classificação Nacional das Profissões de 1994 a três dígitos 123, uma tipologia das posições (Quadro 2.15). A operacionalização concretizada é uma adaptação da “tipologia ACM”,124 sendo de notar a opção de diferenciar, na classificação da classe social de cada indivíduo, entre as profissões intelectuais e científicas e as técnicas e de enquadramento intermédio, a partir do indicador escolaridade, e diferenciar entre empregados executantes administrativos e

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Os critérios específicos para classificar os indivíduos em classes, a partir da profissão, da situação na profissão e do nível de escolaridade (nomeadamente para os grandes grupos 1, 2, 3 e 4 da referida classificação nacional de profissões) são apresentados no Anexo D, tendo em conta apenas as situações empíricas encontradas e não todas as teoricamente possíveis.

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dos serviços e empregados não qualificados do sector terciário, que usualmente tendem a ser classificados conjuntamente numa única categoria.

Uma das qualidades da “tipologia ACM”, e que a proposta que desenvolvemos mantém, é a de tornar possível, consoante o contexto de relevância das práticas sociais, a análise das “situações de classe tal como elas são determinadas através do indicador socioprofissional individual, noutros com as situações de classe tais como se podem captar por meio do indicador socioprofissional familiar” (Costa 1999: 243).

Assim, para alcançarmos a posição de classe dos casais (quer o casal inquirido, quer os dois casais de seus progenitores) através do cruzamento das situações individuais de cada cônjuge, conjugámos a classe social do homem com a da mulher (Quadro 2.16). Na maioria dos casos subsumimos a classe do cônjuge com menos capital na classe social do cônjuge com mais capital, com a excepção das profissões intelectuais e científicas onde foi mantida a homogamia sócio-profissional pura entre os dois cônjuges, 125 embora a estratégia metodológica possa ser definida como uma que procurou retratar o próprio cruzamento que é a classe social do casal (o que está bem patente, por exemplo, nas categorias de empregados executantes e industriais ou de assalariados agrícolas e industriais). A especificidade dos empregados executantes não-qualificados desaparece devido ao seu forte entrosamento conjugal quer com outros empregados executantes mais qualificados, quer com o operariado. A categoria de empregados executantes e industriais foi autonomizada com vista a destacar esta dupla pertença demograficamente relevante na sociedade portuguesa. Da mesma maneira, dada a indiferenciação social relativa entre categorias, bem como os seus pequenos quantitativos na nossa amostra e realidade, optámos por agregar numa única categoria os assalariados agrícolas casados entre si com os assalariados agrícolas casados com operários industriais.

Na construção da classe social do casal em nove categorias (Quadro 2.17), os indivíduos sem profissão (portanto que tinham uma condição perante o trabalho outra que não a trabalhadora) são linearmente subsumidos na classe social de seu cônjuge. Na maioria destes casos estamos a falar de domésticas que, com esta opção, assumimos terem a mesma

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Note-se que esta estratégia de investigação, por simplificar a realidade social de modo a ser operatoriamente manuseável, implica que certas categorias de classe social do casal agrupem uma série de situações bastante diversificadas. Veja-se, por exemplo, que quando falamos de casais camponeses estamos muitas vezes a falar de casais camponeses pluriactivos. Repare-se igualmente na diversidade interna dos casais de profissionais técnicos e de enquadramento intermédio

posição social do seu marido ou companheiro, até porque globalmente dependente dos recursos de que este dispõe.

Quadro 2.16

Tabela de cruzamento da classe social da mulher com a classe social do homem

Classe Social do Casal

HOMEM

ED PIC PTEI IPP C EE EENQ OI AA

M

UL

HE

R

ED ED ED ED ED ED ED ED ED ED

PIC ED PIC PTEI PTEI PTEI PTEI PTEI PTEI PTEI

PTEI ED PTEI PTEI PTEI PTEI PTEI PTEI PTEI PTEI

IPP ED PTEI PTEI IPP IPP IPP IPP IPP IPP

C ED PTEI PTEI IPP C C C C C

EE ED PTEI PTEI IPP C EE EE EEI EEI

EENQ ED PTEI PTEI IPP C EE EE EEI EEI

OI ED PTEI PTEI IPP C EEI EEI OI AAI

AA ED PTEI PTEI IPP C EEI EEI AAI AAI

LEGENDA

Ocorrências inexistentes (em 2 gerações de casa: progenitores e inquiridos) Ocorrências residuais em cada classe

Ocorrências médias em cada classe

Ocorrências muito frequentes em cada classe

Quadro 2.17

Tipologia de classes (casal)

1. Empresários e dirigentes ED

2. Profissões intelectuais e científicas PIC 3. Profissões técnicas e de enquadramento intermédio PTEI 4. Independentes e pequenos patrões IPP 5. Camponeses e camponeses pluriactivos C

6. Empregados executantes EE

7. Empregados executantes e industriais EEI

8. Operários industriais OI

A construção da classe social do casal tornou-se indispensável dada a própria conceptualização da força do impacto da vida e da organização familiar. Se falamos de famílias de classe, não nos podemos quedar, então, pelo mero posicionamento individual na estrutura social, exactamente porque o que afirmamos é que os apoios recebidos por famílias de classe se diferenciam consoante os próprios contextos de classe, assim contribuindo à sua reprodução e/ou redefinição, através de lógicas típicas de cada posição social.

A captação da estrutura do espaço social das classes, como se pode perceber, não se quedou pelo corte temporal único, mas, ao termos reconstruído as posições sociais de duas