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Kildene

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Com a primeira e segunda etapa, da definição do tema e do tipo de edifício a ser pesquisado, foi considerado o levantamento de dados secundários referentes à racionalização da água em meio urbano. Existem muitas pesquisas que fazem referência ao uso racional da água em função do uso residencial e industrial. Com o processo de certificação ambiental, é percebido que edifícios de escritórios passaram a possuir a preocupação na redução do consumo de água. Portanto, o tema uso racional da água em edifícios de escritórios foi escolhido e espera que a

pesquisa contribua com medidas de racionalização e com análise dos sistemas de certificação no uso racional da água.

A segunda etapa da pesquisa, a da seleção de certificação ambiental, foi mais complexa, pois houve pesquisa de campo para conhecimento dos objetos de estudo, e a verificação de qual sistema de certificação iria ser aplicada à pesquisa. Com a verificação dos procedimentos de certificação, e benefícios prometidos, pela certificação LEED, e pela disponibilidade de dados, optou-se em escolher esse sistema de certificação.

A terceira etapa, da definição dos objetos de estudo com certificação ambiental, foi desenvolvida por conta da disponibilidade de edificações que obtinham o selo LEED, e que utilizasse medidas de racionalização de água. Foi observada a influência da legislação estadual para o uso racional da água potável, e da legislação municipal de São Paulo, que possui legislação específica para o reúso de água, e requer a utilização de reservatórios para acúmulo de água de chuva. A importância de analisar os objetos de estudo em um mesmo contexto auxilia na verificação dos resultados de racionalização. As condições ambientais e culturais influenciam no consumo de água, seja pela disponibilização do recurso, ou pelo regime pluvial; ou ainda pelo custo da água praticado pela concessionária local.

A terceira e quarta etapa da pesquisa, a da preparação e seleção de edifícios certificados LEED a serem pesquisado, foi mais complexa. Na terceira etapa, foram preparados os materiais para pesquisa de campo e coleta de dados para conhecimento dos objetos de estudo. Na quarta etapa, foi colocado em prática o material preparado para pesquisa. Formulários, e entrevistas auxiliaram à pesquisa.

Na quinta etapa foram analisadas as informações coletadas de forma qualitativamente e quantitativamente, observando as técnicas e tecnologias de uso racional da água aplicadas aos casos estudados. Também foi avaliado como a certificação LEED está contribuindo para as medidas de racionalização do consumo de água, e acrescentou uma reflexão sobre a aplicação do selo em São Paulo. Na quinta etapa foi definido que seria utilizado apenas um caso de edifício certificado devido a disponibilidade de dados obtidos durante a pesquisa de campo.

Na sétima etapa, a da definição do objeto de pesquisa em edifícios não certificados, procurou-se buscar edifícios que continham características semelhantes de uso, e localidade e disponibilidade dos dados. O porte e a idade foram critérios que foram avaliados na comparação entre os casos.

As visitas aos casos não certificados compreenderam a oitava etapa da pesquisa. A organização dos dados fez parte da nona etapa, assim como, a análise dos resultados. Para a organização dos dados levantados foram elaboradas fichas técnicas, e quanto ao histórico de consumo, procurou-se cruzar os dados de área útil e área construída do edifício e população equivalente. A nona etapa compreendeu a análise comparativa entre o caso certificado e os edifícios não certificados, e entre os sistemas de certificação.

Por fim as conclusões e recomendações foram realizadas de modo a compreender o conceito do uso racional da água, os casos pesquisados e os sistemas de certificação. Na figura 3, é apresentado um diagrama que sintetiza a análise dos estudos de casos.

Figura 3 – Esquema de análise da pesquisa de campo Edifício Certificado 8 Edifício Certificado 1 Edifício Certificado 2 Edifício Certificado 3 Edifício Certificado 4 Edifício Certificado 5 Edifício Certificado 6 Edifício Certificado 7 Edifício Certificado 1 Análise da certificação LEED Análise dos dados do edifício Análise comparativa entre o caso certificado e os casos não certificados

Conclusões e Recomendações Seleção de um caso Edifício Não Certificado 8 Edifício Não Certificado 1 Edifício Não Certificado 2 Edifício Não Certificado 3 Edifício Não Certificado 4 Edifício Não Certificado 5 Edifício Não Certificado 6 Edifício Não Certificado 7 Análise dos dados do edifício Análise com processos de certificação

3. CONCEITUAÇÃO

Os recursos hídricos são distribuídos de forma diferenciada pelo mundo. A maior parte do recurso é encontrada nos oceanos, conforme a figura 4. A água própria para consumo humano, água doce, representa somente em 2,53 %.

Figura 4 – Distribuição de água no planeta.

Fonte: Mierzwa (2005).

Na distribuição da água doce no planeta, o Brasil é privilegiado, possuindo cerca de 12,4% da água doce do mundo2. Apesar deste privilégio, ao observar a distribuição da água pelo país, e relacionar a população de cada região encontramos lugares com situações críticas. Segundo Hespanhol (2008), a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) a bacia do Alto Tietê tem uma disponibilidade hídrica, em 2008, de 216,7m³/hab por ano, 0,6 % da disponibilidade média brasileira (33.944,73m³/hab); e a Bacia dos rios Piracicaba/ Capivari/ Jundiaí (que fornece 33 m³/s), 467,46 m³/hab, correspondendo a 1,4 %. Na figura 5 é observada a disponibilidade hídrica na Região metropolitana de São Paulo, em relação ao estado e ao País.

2 DOMINGOS, Mario D. (Curador Científico) – “Água na Oca” São Paulo: Instituto Sangari, 2011. água doce; 2,53% água salgada; 96,50% água salobra; 0,97%

Distribuição de água no planeta

Figura 5 – Disponibilidade hídrica na Região Metropolitana de São Paulo

Fonte: Mierzwa (2005).

Os Índices de Criticidade de Recursos Hídricos (ICRH), que relaciona a disponibilidade de recursos hídricos em determinada bacia hidrográfica ou região, na tabela 1, comparado aos os dados da Bacia do Alto Tietê e da Bacia dos rios Piracicaba/ Capivari/ Jundiaí, na figura 5, expõe os problemas de gestão da água. Os dois rios apresentam índice de criticidade de recursos hídricos além do limite de disponibilidade, bem abaixo do que é considerada a escassez crônica.

Tabela 1 – Índice de Criticidade de Recursos Hídricos (ICRH), Disponibilidade Específica de Água (DEA) e problemas de gestão associado.

ICRH

Disponibilidade Específica de

Água (DEA) (m3/hab.ano) Problemas de gestão de recursos hídricos

DEA ≥ 10.000 Sem problemas ou problemas limitados 10.000 > DEA ≥ 2.000 Problemas gerais de gerenciamento 2.000 > DEA ≥ 1.000 Grande pressão sobre os recursos hídricos 1.000 > DEA ≥ 500 Escassez crônica de água

DEA < 500 Além do limite de disponibilidade Fonte: Hespanhol (2008).

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) possui cerca de 70 m³/s de produção e adução de água, sem considerar as perdas do sistema. Estimando um coeficiente de retorno de 80%, seriam gerados aproximadamente 56 m³/s de esgoto na RMSP. Hoje a RMSP conta com o tratamento de esgoto em cinco estações e

Brasil 33.994,73 m³/ano.hab Estado de São Paulo 2.906,11 m³/ano.hab Bacia Piracicaba/ Capivari / Jundiaí 497,4 m³/ano.hab

Bacia Alto Tietê

tratamento efetivo de 13,5 m³/s. Ou seja, estima-se que 42,5m³/s de esgoto bruto é lançado nos corpos receptores (HESPANHOL, 2008).

A escassez do recurso hídrico na região metropolitana de São Paulo é decorrente da alta demanda populacional, relacionada à oferta do recurso, prejudicada pela poluição dos corpos hídricos, cujas causas são: a falta de tratamento das águas servidas; ao rápido crescimento populacional; a concentração de indústrias; e a falta de uma política de planejamento de gestão dos recursos hídricos. A figura 6 apresenta a escala de conflito hídrico relacionado ao aumento da população. Sem problemas relacionados ao uso da água

+

Disponibilidade hídrica

-

Graves problemas relacionados ao uso

da água (estresse ambiental e geração

de conflitos) Índice de comprometimento

dos recursos hídricos

-

+

População

Figura 6 – Escala de relacionamento entre disponibilidade hídrica, população e uso da água.

Fonte: Mierzwa (2005).

É necessária uma política de gestão da água. O Estado de São Paulo possui uma Lei nº 7.663 de 30 de dezembro de 1991, e mais tarde em 1997 o governo Federal aprovou a Lei Federal nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Um passo importante para a gestão hídrica, a legislação reconhece a limitação do recurso hídrico e de seu valor econômico associado (MIERZWA, 2005).

O problema do aumento da população consequentemente gerou o aumento das áreas urbanizadas e com isso, o aumento de cargas difusas de poluição nos córregos3. As cargas difusas têm origens diversas, e depositam poluentes de forma

esparsa sobre a área de co originados pela falta de colet indevido na rede de drenagem época seca e a época úmida; circulação de veículos (combu não coletado, lançado nas ru representado um esquema com

Figura 7 – Esque Fonte: Porto (2010). População aumenta Rejeitos aumentam Qualidade das águas pluviais deterioram Qualidade dos rios piora Problemas de controle de poluição Demand aumen Problema Recurs Hídrico

contribuição da bacia hidrográfica. Os p leta e tratamento de esgoto; ou ainda pe

em; deposição de poluentes da atmosfer a; desgaste dos pavimentos e poluentes bustível, óleos, graxas, partículas de borra ruas e nos rios; e erosão do solo. Na com os problemas das cargas difusas urban

uema Cargas difusas urbanas de poluiçã URBANIZAÇÃO anda enta as de rsos icos Edificação aumenta Área impermeável aumenta Recarga subterrâne a diminui Vazão básica diminui ESD aumenta Pico aumenta Problemas de controle de inundações Dr m Clima se modifica s poluentes são pelo lançamento fera referentes à s causados pela rracha, etc); lixo a figura 7, está banas. ição Drenagem é modificada Velocidade da água aumenta Tempo de percuso diminui

Para resolver os problemas de cargas difusas são necessárias uma série de medidas como: aumento de áreas permeáveis; o planejamento urbano adequado; controle nos despejos dos lixos e esgotos; e meios para tratamento das bacias hidrográficas, como por exemplo: a adoção de bacias de detenção seca e úmida; bacias de retenção; e alagados (wetlands). Essas ações deverão ser combinadas às ações de racionalização da água, uma vez que, a expansão da população é a causa de muitos problemas.

Alternativas como uso racional da água e reúso são alguns dos meios que podem colaborar com os problemas da escassez da oferta de água nas bacias hidrográficas de abastecimento da RMSP. A conscientização da população é necessária, para a implantação dos conceitos adequadamente, e para manutenção da saúde. Uma população consciente pode auxiliar nas ações de despoluição dos cursos hídricos, e na exigência do poder público de medidas eficazes. A racionalização da água é uma medida que auxilia no gerenciamento dos recursos hídricos.

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