Atendendo ao segundo tema de estudo, Intervenções associadas ao “cuidado confortador” implementadas pelos EEER, as respostas dos EEER foram muito variadas, tendo sido encontradas vinte intervenções de enfermagem consideradas como promotoras de conforto: Responsabilidade Profissional, Ética e Legal; Prestação e Gestão de Cuidados; Desenvolvimento Profissional;
Desenvolve uma prática profissional e ética no seu campo de intervenção; Promove práticas de cuidados que respeitam os direitos humanos e as responsabilidades profissionais; Desempenha um papel dinamizador no desenvolvimento e suporte das iniciativas estratégicas institucionais na área da governação clínica; Concebe, gere e colabora em programas de melhoria contínua da qualidade; Cria e mantém um ambiente terapêutico e seguro; Gere os cuidados, optimizando a resposta da equipa de enfermagem e seus colaboradores e a articulação na equipa multiprofissional; Adapta a liderança e a gestão dos recursos às situações e ao contexto visando a optimização da qualidade dos cuidados; Desenvolve o auto -conhecimento e a assertividade; Baseia a sua praxis clínica especializada em sólidos e válidos padrões de conhecimento; Avalia a funcionalidade e diagnostica alterações;.Concebe planos de intervenção com o propósito de promover capacidades adaptativas; Implementa as intervenções planeadas com o objectivo de optimizar e ou reeducar as funções; Avalia os resultados das intervenções implementadas; Elabora e implementa programa de treino de AVD’s; Promove a mobilidade, a acessibilidade e a participação social; Concebe e implementa programas de treino motor e cardio –respiratório; Avalia e reformula programas de treino motor e cardio –respiratório.
5.2.1 Competências comuns dos enfermeiros especialistas
O conforto tende a ser um resultado dos cuidados de enfermagem, tornando-os mais dignos e humanizados, tendo sempre por base princípios éticos, proporcionando medidas que visem o alívio do sofrimento e a melhoria de qualidade de vida.
Pelas afirmações dos EEER, verifica-se que promovem conforto com as suas intervenções regendo- se pelo código deontológico “Para mim particularmente a sensação de cuidado confortador é traçada com base nos princípios éticos, procurando ajudar a encontrar conforto e satisfação das suas necessidades.” EP1, o que vai de encontro ao referido pela OE (2010). Assim, observa-se que o enfermeiro especialista orienta o seu exercício profissional, antes de mais, pelas competências de enfermeiro de cuidados gerais, no entanto, tem presente as competências específicas, nomeadamente, na responsabilidade profissional, na ética, na melhoria da qualidade dos cuidados, bem como na gestão das intervenções e no desenvolvimento dos conhecimentos e habilidades profissionais específicos.
Assim, o enfermeiro especialista é o profissional de saúde que possuí conhecimentos científicos aprofundados em relação a uma área especifica da enfermagem, com base na condição humana ao longo do ciclo de vida, na adaptação à condição de saúde e que exige tomada de decisão especializada ancorada em competências especializadas num campo de intervenção, ou seja, intervem através de “uma prática que respeite os direitos humanos, analisa e interpreta em situação específica de cuidados especializados, assumindo a responsabilidade de gerir situações potencialmente comprometedoras para os clientes”. O enfermeiro especialista adequa os cuidados à dignidade da pessoa.
No que se refere à gestão dos cuidados, inscrito nas competências dos enfermeiros especialistas e citado nas entrevistas “[…] às vezes os colegas necessitam de orientação, também é necessário.” EL4, igualmente referido no regulamento 122/2011 da OE p.4 “uma gestão do ambiente centrado na pessoa como condição imprescindível para a efetividade terapêutica e para a prevenção de incidentes, atua proactivamente promovendo a envolvência adequada ao bem- estar e gerindo o risco”.
5.2.2 Competências específicas dos EEER
Relativamente às competências do EEER foram três as competências descritas no regulamento e que foram referidas pelos EEER. Assim sendo, relativamente ao Cuidar de pessoas com necessidades especiais verificamos que os EEER indicam “[…] o objetivo não é reabilitar, mas mantê-la [a pessoa] funcional nas incapacidades que tem […]” EP2 e pode ser exemplo a intervenção “[…] portanto uma das intervenções é avaliar as expectativas do doente e adequar os cuidados as suas capacidades.” EP5, e que aplicam diversas intervenções “[…] o levante e o posicionamento terapêutico são indispensáveis, bem como as mobilizações articulares para evitar o risco de imobilidade e rigidez articular. Ainda a cinesiterapia respiratória com o objetivo de manter as vias aéresas permeáveis, permitindo uma respiração eficaz, treino de deglutição para o caso de existir disfagias, prevenindo a aspiração, e massagem terapêutica acompanhada de musicoterapia, poderá ser promotor de conforto.” EL3, tudo em prol do conforto da pessoa cuidada. Estes cuidados são mencionados nas competências específicas do EEER (Regulamento nº 125/2011, 2011), que se baseiam em “Cuidar de pessoas com necessidades especiais ao longo do ciclo de vida, em todos os contextos de prática de cuidados; capacitar a pessoa com
deficiência, limitação da atividade e ou restrição da participação para a reinserção e exercício da cidadania; maximizar a funcionalidade, desenvolvendo as capacidades da pessoa”. É notória a concretização por parte dos EEER, das suas competências pelo que descrevem nas suas entrevistas.
Relativamente à competência dos EEER Capacitar a pessoa com limitação da atividade e/ou restrição da participação que emergiu do referido pelos EEER quando referem que capacitam a pessoa e a família promovendo adaptação à nova condição de saúde, assim, “[…] instruímos a própria pessoa na forma adequada a mobilizar-se no leito, fazer o seu próprio levante ainda que com alguma ajuda, instruímos o cuidador, para o englobar nos cuidados […]” EP6. O EEER encontra-se envolvido em todas as fases do ciclo de vida e a sua intervenção inicia-se nos cuidados preventivos, em caso de doença ou acidente, na reabilitação e em todas as fases que implicam a adaptação a uma nova condição de saúde. Assim sendo, a enfermagem de reabilitação está presente em todas as fases de transição e de adaptação humana a novos processos de vida e é adaptável a todo o ciclo de vida e a todas as condições de saúde, desde a prevenção de incapacidades até à intervenção na promoção de conforto em fim de vida (Hoeman, 2000). Maximizar a funcionalidade da pessoa é também reconhecida como uma competência do EEER e referido nas suas entrevistas “Sobretudo as intervenções relacionadas com o autocuidado.” EP1. Significa que os EEER intervêm na reconstrução da autonomia e independência funcional, aspetos descritos no regulamento da OE supracitado.
5.2.3 Critérios para as intervenções prioritárias
Nos resultados obtidos das referências dos EEER, verifica-se que estes estabelecem critérios para definir a prioridade das intervenções “Considero que as prioridades devem ser estabelecidas pelo doente, conforme as suas expectativas e os seus desejos.” EP4. Em relação às intervenções prioritárias do EEER, estes afirmam que visam a construção e a concretização dos objetivos dos cuidados de enfermagem, incluindo e consultando o doente no planeamento dos cuidados, reconhecendo-o este individualmente, com o direito de decidir e aceitar o plano de intervenção e os seus objetivos em conjunto com os profissionais, aspetos estes referidos por Pimenta (2010).
Assim, o EEER transmite confiança, empatia e segurança, através das suas intervenções “[…] o que tem de ser valorizado aqui é que as intervenções sejam adaptadas ao doente, à condição do doente e ao tempo de vida do doente […]” EP5, igualmente indicado por Sapeta (2011). As pessoas sentem esse conforto através da relação de confiança nos cuidados, reorganização na qualidade de vida e aceitação do estado de saúde, só assim o cuidado é efetivamente confortador, em todas as suas dimensões, tudo isto em prol dos objetivos do doente e família.
As descrições das intervenções praticadas pelos participantes são muito coerentes entre si, como se pode observar pelos dados, pois obtêm-se exemplos de Condição de saúde: processo respiratório comprometido e a Condição de saúde: processo neuromusculoesquelético comprometido referenciado pelos EEER, independentemente da tipologia de cuidados. Como exemplo, os EEER intervêm, prioritariamente, quando se deparam com casos de alteração da componente respiratória “[…] é a reabilitação respiratória, através de posicionamento, cinesiterapia respiratória, terapia postural e dissociação de tempos respiratórios, basta isto para ser observada uma melhoria significativa.” EL1, e na Condição de saúde: processo neuromusculoesquelético comprometido “A motora, óbvio, evitar situações de espasticidade, anquiloses, encurtamentos musculares, alterações articulares graves que dão desconforto.” EP2. Estas dimensões relativamente às alterações da condição de saúde vêm descritas no enquadramento concetual da profissão, sendo referida a participação do EEER na melhoria dos padrões de vida, com uma ação profissional dirigida à prevenção de complicações.
Quando existem situações dolorosas, os EEER também interferem de modo a promover o conforto. Podemos assim referir que, nos doentes em fase terminal, ao diminuir a dor, estamos a praticar cuidados paliativos de qualidade.
Assim, os EEER referem que os cuidados de conforto propõem minimizar o impacto da doença e promover bem-estar geral, denotando-se como sendo uma preocupação dos profissionais de saúde nos contextos clínicos estudados. Considera-se então, a paliação como o alívio do sofrimento da pessoa e a ação paliativa como medida terapêutica que tem como objetivo diminuir as repercussões negativas da doença sobre o conforto geral da pessoa, sem intenção curativa (PNCP, 2010).