ThE ECONOmIC AND SOCIAL RIGhTS
2.7 International Convention on the Protection of the Rights of All Migrant Workers and Members of Their Families 52
Após a análise do corpus documental, é possível verificar que existe por parte dos participantes a perceção da valorização da CIPE enquanto nomenclatura comum, isto é, os enfermeiros consideram de grande relevância a existência de uma classificação que uniformize a linguagem utilizada, tal como é referido pelo EnfE:
“É uma linguagem classificada, eu percebo que se tenha que ter, não é? Para que um determinado fenómeno tenha a mesma explicação em todo o lado, tenha a mesma definição em todo o lado. Que uma intervenção se possa compreender da mesma maneira”,
Sendo esta visão corroborada por EnfJ:
“As definições são uma mais-valia para nós, porque estamos todos a transmitir a mesma informação. Utilizamos a mesma linguagem.”
Contudo, existe a referência à complexidade e dissonância dos conceitos da CIPE, sendo considerados pouco claros e extensos, sendo diferentes da nomenclatura médica, podendo gerar confusão.
“Uma definição que muitas vezes a gente traz da escola não é a que esta na CIPE e não é igual à parte médica, o que também causa confusão. Porque o que é uma definição CIPE, está lá, está descrita, só que muitas vezes não é igual, e então isso muitas vezes dá confusão com a parte médica e mesmo nós achamos que é uma coisa e por vezes não o é. Não acho que seja a linguagem mais clara possível. Tem mil e quinhentas coisas, porque acho que é extenso demais e acho que se tornou extenso e a nomenclatura não é a mais adequada.” EnfI
Esta visão pode ser explicada, pelo facto de vários participantes referirem a existência de um défice de formação sobre a estrutura, os conceitos e conceção de cuidados utilizando a CIPE, tal como é referido, por exemplo, por EnfI, EnfO e EnfP:
“A CIPE é um manancial de informação, em que muitas vezes as pessoas acham que é uma coisa e não é, porque eu acho que a maior parte das pessoas não tem a formação suficiente em CIPE. (…) A minha opinião pode estar associada ao facto de o meu curso de base não foi programado para a CIPE, a minha licenciatura não foi com base na linguagem CIPE. Nós utilizávamos NANDA, NIC e NOC e a linguagem NANDA é diferente da Linguagem CIPE. Então no início custa imenso (…).” EnfI
“Agora eu não sei até que ponto os enfermeiros entraram bem nesse esquema. Eu acho que ainda foi das coisas que nos passou um bocadinho ao lado como enfermeiros. Não sei se a formação que tivemos em termos académicos se terá sido a suficiente, se foi só uma pincelada e não se aprofundou bem os temas.” EnfO
“(…) [CIPE] Que não é muito bem utilizada por muita gente! Por muitos colegas, temos muitos colegas que complicam… (…) Acho que houve evolução, houve uma evolução favorável, mas a formação não acompanhou a evolução.” EnfP
Existe vários relatos de que a formação adquirida sobre a CIPE foi a título particular, muitas vezes autodidata, como é expresso por EnfJ:
“Acho que fomos muito pela nossa pesquisa e pela nossa capacidade de perceção das alterações. Acho que a formação seria importante para conseguirmos acompanhar estas alterações. Para realmente perceberemos a evolução a nível do próprio pensamento.”
Esta visão é reforçada pelas afirmações de EnfQ, que refere que não existe atualização dos conhecimentos de forma a permitir um maior acompanhamento da evolução da linguagem comum:
“Não, não tem havido atualização [formação] e depois há um grupo de pessoas pensantes, algures em Portugal, que pensa isto muito no âmbito académico, não é? Mas, depois essa transmissão, essa mudança de paradigma do pensamento não é difundida, porque a estrutura neste momento é diferente. Esta mudança de paradigma de pensamento não tem sido transmitida de uma forma transversal e sistematizada. No fundo, os colegas tem sido um bocadinho autodidatas e dai depois esta disparidade de registos, porque cada um acaba por fazer uma leitura diferente (…).” EnfQ
Ou seja, existe a perceção que a reflexão e discussão sobre a linguagem CIPE está muito centrada a nível académico, não havendo posteriormente uma difusão ao nível da prática clínica.
Existe, a assim, a referência de dificuldades geradas pela evolução nas diferentes versões da CIPE. A formação/ atualização insuficiente sobre a evolução da CIPE, ao longo das suas diferentes versões, é referida como um obstáculo, dificultando a perceção dos conteúdos incluídos no SClínico e a conceção do raciocínio em si, tal como declara EnfA:
“Se calhar por não ter formação suficiente, parece mais confusa a própria classificação, além da utilização mas principalmente alguns diagnósticos que mudaram, que não consigo compreender tão bem como no anterior.”
Existe o relato de que a CIPE não é capaz de uniformizar a linguagem de enfermagem, tendo em conta a existência de conceções de cuidados distintas entre os enfermeiros de diferentes unidades de saúde, como menciona EnfN:
“O que eu verifico, efetivamente, é que a forma como eu registo no meu hospital é diferente da forma como o enfermeiro X regista no hospital dele. Isso é o que verifico. A CIPE ainda está longe de uniformizar a linguagem de enfermagem. Porque as pessoas começam a confundir tudo e começam a querer por tudo no sistema, querem começar a associar normas que outros hospitais não associam e a linguagem é diferente… a linguagem é diferente!”
Utilização e Evolução dos Sistemas de Informação em Enfermagem: Influência na Tomada de Decisão e na Qualidade dos Cuidados de Enfermagem
70 Mestrado em Enfermagem – Susana Vieira
Desta forma, existe a compreensão de que seria relevante uma formação continua efetuada a nível institucional que permita acompanhar adequadamente a evolução da linguagem CIPE, tal como afirma EnfJ:
“Mas acho que existe pouca formação… ou melhor, atualização. Eu sei que da nossa parte também deve haver uma pesquisa, mas como no nosso trabalho temos tanto que fazer, deixamos isso um pouco de lado, mas acho que se fizessem atualizações periódicas sobre a CIPE, para nós seria importante.”
Sendo constatado que existe uma necessidade urgente de melhorar a aplicabilidade da CIPE, tal como refere EnfO:
“(…) o principio em si, de em qualquer lado, a qualquer hora, para toda a gente que realiza a mesma intervenção, ser possível documentar de forma igual, sendo percebida por todos da mesma maneira. Haver uma linguagem comum… Eu acho que isso é um princípio correto. Mas em termos de aplicabilidade??? Se calhar ainda não esta a ser... Se calhar ainda podemos melhorar…”
Outra limitação, apresentada por alguns participantes, centra-se no facto de ser uma linguagem não compreendida pela equipa multidisciplinar, dificultando a intercomunicação, como é proferido por EnfP e EnfI:
“Considerando e vendo que a linguagem CIPE é uma linguagem classificada própria dos enfermeiros e considerando que os registos de enfermagem não são só para os enfermeiros, a linguagem CIPE apesar de ter evoluído para melhor, a linguagem CIPE é uma linguagem que não é compreendida por toda a gente e eu acho que isso é uma dificuldade. Acho que é uma dificuldade. Acho que quando nós inserimos os registos de enfermagem numa equipa multidisciplinar, acho que não deviam ser só os enfermeiros a receber formação para entender a linguagem CIPE. Apesar de ela ter evoluído favoravelmente, no sentido da compreensão de outros grupos profissionais (…).” EnfP
“(…) e mesmo a parte médica queixa-se porque a nomenclatura que a gente usa não é a correta e que tendo em conta que trabalhamos todos para o mesmo, para o bem-estar do doente, a nomenclatura devia ser igual, para que a intercomunicação fosse mais fácil.” EnfI
4.2.3 CATEGORIA III - ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELO SCLÍNICO EM COMPARAÇÃO COM O