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The key informant technique and the number of informants

5.5 D ATA COLLECTION

5.5.1 The key informant technique and the number of informants

No QUADRO 2, podemos verificar como a escrita esteve presente de diferentes formas na sala de aula de Samuel.

QUADRO 2

Presença da escrita na sala de aula de Samuel (2006 a 2008)

Suportes de

localização Gêneros de textos Produtores dos textos Destinatários da escrita

Livros Histórias Poesias Contos Fábulas Gibis

Diversos autores Professora Crianças Agenda Dever de casa Bilhetes Crianças Professora Pais Crianças Professora

Circulares Diretoria Pais

Conclusão. Suportes de

localização Gêneros de textos Produtores dos textos Destinatários da escrita

Cadernos

Textos Coletivos Escrita de poesias Relato de experiência Cópia de atividade do quadro Dever de casa Cópia de bilhete Anúncio Carta Lista de nomes Crianças Professora Pais Crianças Quadro de giz Rotina do dia Lista de nomes Texto coletivo Palavras relacionadas às atividades Carta coletiva Professora Crianças Crianças Professora

Desenhos Crianças Professora

Mural

Poesia Redação

Desenhos com frases explicativas Crianças Professora Criança Professora Pais Paredes Alfabeto Calendário Mapa-múndi Cartaz de Aniversariantes do mês Professora Crianças

Desenhos Crianças Crianças

Professora Folhas avulses Ditado de palavras Escrita de poesias Cruzadinhas Interpretação de texto Lista de palavras Anúncios Professora Crianças

Registro do fim de semana Desenho Rascunho de Cartões Bilhetes Crianças Professora Crianças Pais Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

Este quadro demonstra de forma panorâmica a presença da escrita na sala de aula. Podemos inferir, através dele, que a escrita que se fez presente nessa sala de aula contou com diferentes suportes de localização, inseriu-se em diversos gêneros textuais, teve como protagonistas ativos tanto a professora como as crianças, em alguns momentos, a direção da escola, e se dirigiu a diversos destinatários. A própria utilização do quadro de giz pelos alunos evidencia como Luciana dava voz aos alunos para também estarem à frente do ensino da escrita, já que esse suporte é, tradicionalmente, apenas do professor, tido como único sujeito dotado de conhecimentos na sala de aula.

Observamos também que a escrita das próprias crianças caracterizava as paredes e murais da sala. O alfabeto, o mapa-múndi, o cartaz de aniversariantes também costumam ser suportes de escrita e considerados, muitas vezes, essenciais em uma sala de aula; entretanto esses suportes nem sempre têm as crianças como autores de produção. Sendo assim, não apenas os suportes, mas as produções que mais enfeitavam, preenchiam e davam um colorido aos murais e paredes da sala eram as que as crianças produziam durante as aulas. Ou seja, a sala de aula se constituiu em um dos lugares de grande destaque da produção desse conhecimento pelas crianças.

No QUADRO 2, também, podemos perceber uma diversidade de gêneros textuais, que, ao serem explorados quanto aos seus usos e funções sociais, propiciaram o ensino simultâneo da alfabetização e do letramento. Como nos referimos no capítulo 1 sobre a pesquisa de Porto e Peres (2011), que visa identificar aspectos da alfabetização através dos cadernos das crianças, constatamos que Luciana tem feito um trabalho diferenciado ao aliar o ensino das capacidades da escrita à sua dimensão social, pois as autoras constataram que dentre os 46 cadernos das crianças que analisaram, 26 deles revelam uma prática pautada pela “tradição” do “método silábico”. Se considerarmos o suporte caderno da sala de aula de Samuel, podemos identificar a presença de vários gêneros textuais que demonstram essa superação do ensino “tradicional”.

Mesmo as folhas avulsas, que em muitas práticas escolares, são atividades com objetivos pontuais e desconexos, ganharam, nesse contexto e em muitos momentos, outra dimensão. Quando, por exemplo, as crianças faziam nelas um desenho sobre o fim de semana, logo em seguida era feita a ‘Roda de História’, mencionada no capítulo anterior, quando as crianças eram convidadas a falar a respeito do que desenharam articulando, portanto, sua oralidade, escrita e vivência. Na atividade das folhas avulsas, também encontramos a presença da escrita de anúncios, bilhetes, rascunhos de cartão, que denotam a dimensão social do uso da escrita nessa sala de aula.

O uso da agenda pelos alunos também significou uma escrita que propiciou às crianças refletirem sobre seu uso social. Ou seja, para que não se esquecessem de fazer o dever de casa, por exemplo, e cumprissem com essa tarefa, era preciso anotar na agenda. Socialmente, essa prática significa a criação dos hábitos de cumprimento de compromissos, de trabalhos, de horários e visa tornar uma pessoa responsável por seus deveres e autônoma em muitos aspectos.

Como também já apresentamos anteriormente, o livro utilizado foi baseado em uma proposta de ensino que unia exercícios de alfabetização concomitantemente ao letramento.

Feita essa análise do QUADRO 2, que demonstra os diferentes suportes, gêneros e formas de escrita presentes na sala de aula, exploraremos de forma detalhada, no próximo tópico, a escrita que fez parte da atividade-guia ‘Arquivo Poético’, em que se construiu o subevento ‘Declamação de Poesias’, e dos eventos ‘Cruzadinha’, ‘Ditado de Palavras’ e ‘Produção de Texto’.

Elegemos o ‘Arquivo Poético’ e o subevento ‘Recitação do poema: As Borboletas’ porque neles pode-se perceber aspectos da subjetividade de Samuel, importantes para entendermos sua trajetória no aprendizado da escrita. No evento ‘Cruzadinha’, é possível analisar o papel e a importância que as intervenções tinham na execução de atividades que, sozinho, ele não podia realizar. Já a opção por analisar o evento ‘Ditado de Palavras’ se fez devido à possibilidade de verificar tanto o nível de seu desenvolvimento real sobre a escrita, quanto o contraste de seu desejo e vontade de aprender em relação ao de outra colega. Por fim, analisamos uma produção textual do final do ano de 2008, na qual Samuel contou com ajuda de uma das pesquisadoras, para assim, sabermos como Samuel terminou o ciclo em relação à apropriação da escrita.

Essas atividades também marcaram um padrão cultural da sala de aula, por serem atividades que integravam algumas das atividades-guia em que os participantes se envolveram e que se constituíam como organização social da instrução naquele contexto.