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Kasus 1,2,3 og 4: Historiene om spesialskolene

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2 K APITTEL : T EORETISK GRUNNLAG

5.3 Fortellingen om billighetserstatninger

5.3.1 Kasus 1,2,3 og 4: Historiene om spesialskolene

A cidade de Cuiabá consiste na capital do estado de Mato Grosso e está localizada nas coordenadas 15°35'46" de latitude Sul e 56°05'48" de longitude Oeste. Faz limite com os municípios de Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Santo Antônio do Leverger, Várzea Grande, Jangada e Acorizal (Figura 1). Trata-se de um entroncamento rodoviário-aéreo no centro geodésico da América do Sul.

De acordo com dados do IBGE (2014), Cuiabá apresentava, em 2013, uma população estimada de 569,8 mil habitantes. A área do município corresponde à 3.495,4km², o que reporta a uma densidade populacional de 163 habitantes/km2. Com altitude média de 125 metros, possui clima tropical quente e duas estações definidas: um período chuvoso e outro com baixa pluviosidade.

Figura 1: Mapa da Localização de Cuiabá-MT, 2014.

O surgimento e a elevação de Cuiabá a capital, faz parte de uma história de descobertas de ricos veios auríferos no início do Sec. XVIII pelo bandeirante Antônio Pires de Campos. Até então, a cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, por ordem do Governo de Portugal, era a sede da Capitania. No entanto, a descoberta do ouro imprimiu ao Arraial de Cuiabá um crescimento rápido, a ponto de torná-la uma das cidades mais populosas do Brasil (PORTAL MATO GROSSO, 2013).

Dada a magnitude da atividade econômica, não demorou para o poder político começar a se estabelecer em Cuiabá. A Lei nº. 09, de 28 de agosto de 1835, encerrou definitivamente a questão da capital e, atualmente, Vila Bela da Santíssima Trindade é vista como um local de expressiva riqueza étnico-cultural, com traços marcantes da colonização portuguesa, também identificados em Cuiabá, nova capital (PORTAL MATO GROSSO, 2013).

Cuiabá faz parte de uma região que nasceu subjugada pelo imperialismo europeu, no entanto, é um dos poucos estados brasileiros onde se identifica uma pureza cultural e uma fidelidade na preservação das suas raízes. Naturalmente, as raízes culturais mato-grossenses são carregadas pelas influências dos colonizadores, que visavam nada além da sustentação do processo capitalista que já se desenvolvia no “além-mar” (PORTAL MATO GROSSO, 2013).

Além da influência europeia, identifica-se na região uma mestiçagem com índios e negros, agregado ao espaço geográfico, por contingência do processo histórico da formação econômico- social brasileira. Na segunda metade do Sec. XX ainda ocorrem as migrações sulistas, ou de imigrantes da Região Sul do Brasil, além de paulistas, composta basicamente por descendentes de italianos e alemães. Nesse contexto, a cultura mato-grossense espelha uma síntese cultural dos vários grupos étnicos, também responsáveis pela própria característica racial de seu povo (PORTAL MATO GROSSO, 2013).

Esse breve histórico de Cuiabá permite inferir que o falar cuiabano, influenciado, principalmente, pela língua dos colonizadores portugueses, línguas africanas trazidas pelos escravos, língua dos bandeirantes paulistas, em contato com as línguas indígenas, resultou em um amálgama linguístico, como explicita Dettoni (2003):

Conviveram, nesta região, em diferentes momentos e em diversos graus de intensidade, as línguas indígenas nativas, a variedade castelhana da fronteira, a língua dos bandeirantes colonizadores, diversas variedades do português ali introduzidas pelos sertanistas migrantes, além da variedade falada pelos escravos para lá transferidos. Foi nesse contexto multilíngue e multidialetal que floresceu e se fixou a variedade de português falada, ainda hoje, na baixada cuiabana (DETTONI, 2003: p.197).

Os estudos de Santiago-Almeida (2005) conjeturam a hipótese de que a paulistanidade caipira trazida pelos bandeirantes no início do Sec. XVIII, influenciou decisivamente na formação do perfil sociocultural dos habitantes da Baixada Cuiabana1. Deste modo, o falar cuiabano pode ser

1 Denomina-se “Baixada Cuiabana toda a região ribeirinha, cujo alcance geográfico inclui a capital de Mato Grosso, Cuiabá,

e os municípios e vilarejos adjacentes que devem sua origem ao rio Cuiabá e seus afluentes, confluentes e defluentes. [...] as águas desses rios foram utilizadas pelos monçoeiros e bandeirantes paulistas, no Séc. XVIII, como principal caminho de acesso, primeiramente, às aldeias indígenas (minas de escravos) e, depois, às minas auríferas da dita região” (SANTIAGO - ALMEIDA, 2005: p.21).

o resultado do contato, bastante estreito, entre o dialeto caipira, recheado de elementos próprios do português arcaico e as línguas indígenas faladas na região, em especial o bororo.

Souza (2005) esclarece que traços do falar cuiabano podem ser explicados por meio da hipótese da origem crioula ou semicrioula do Português Brasileiro. Retrata o cenário linguístico predecessor do Português Brasileiro:

O Português Europeu e a língua tupi deram origem à língua geral. As línguas nativas e línguas francas africanas, bem como a variedade crioulizada de São Tomé, em contato com o Português Europeu, muito provavelmente, originaram um crioulo ou variedade(s) crioulizada(s) do português. Nos vários locais de aglomeração e aglutinação humana, especialmente na efervescência das minas, caldearam-se povos e línguas em todos os sentidos, resultando numa formação linguística híbrida, com tendências marcadamente crioulizantes (SOUZA, 2005: p.33).

Santiago-Almeida (2005) filia-se à tese da arcaicidade, já defendida por Cunha (1986), de inúmeros traços fonético-fonológicos que singularizam o português falado em Cuiabá. Dentre os traços linguísticos que particularizam o falar cuiabano, pode-se citar, no aspecto fonológico, a realização das consoantes fricativas palatais [ʃ] e [ʒ], respectivamente, como africadas [tʃ] e [dʒ]. Estas, foram atestadas em diferentes fases do Português Europeu, como afirma Santiago-Almeida no artigo intitulado Ecos Fonético-fonológicos no Falar Cuiabano. Os traços do sistema consonântico [tʃ] e [dʒ] “estão presentes em mais de uma fase histórica da língua portuguesa e permanecem vivos até hoje na expressão oral de muitos cuiabanos, provavelmente porque encontrou lá um terreno fértil, adubado com línguas indígenas, em particular o bororo, que possuem tais fonemas” (SANTIAGO-ALMEIDA, 2005: p.87).

A realização da africada [tʃ] do ch gráfico em regiões mal delimitadas de São Paulo e Paraná e na área delimitada da Baixada Cuiabana – Mato Grosso, é interpretada por Celso Cunha (1986: p.205) como um arcaísmo pelas razões apontadas por Révah (1958) e (1959): pertencer ao sistema fonológico do português quinhentista; estar documentada em áreas altamente conservadoras de Portugal e do Brasil; e não ser um dos fonemas fundamentais do tupi antigo. Quanto à realizaç ão da africada [dʒ], acrescenta que também para Révah representa “um notável arcaísmo” com vitalidade restrita a certas regiões do Portugal quinhentista. Santiago-Almeida opta por uma “tendência conservadora no português do Brasil” (SANTIAGO-ALMEIDA, 2005: p.87).

O rotacismo2 apresenta-se como um traço característico do falar cuiabano, pela sua intensidade, mesmo não sendo exclusivo dessa variedade do Português Brasileiro. Tal fenômeno fora trazido do Português Europeu para o brasileiro pelos colonizadores portugueses e conserva-se, até hoje na variedade cuiabana caracterizada como um:

[...] fenômeno pancrônico e pandialetal, um traço de fala notadamente luso no cenário das línguas românicas que acompanhou, primeiro, a rota dos colonizadores portugueses e, depois, a rota dos bandeirantes paulistas, através de que chegou à Baixada Cuiabana, onde, encontrando condições favoráveis, pôde florescer sem barreiras, ao menos até a década de 70 (COX, 2005: p.96).

2 O rotacismo consiste na transformação da consoante lateral [...] na vibrante simples [...], nos encontros consonantais, ou

Cox (2005) interpreta o fenômeno linguístico do rotacismo a partir do modelo sociolinguístico proposto por Bortoni-Ricardo (1997), em que a variação linguística é analisada com base em três continua: continuum rural-urbano, continuum oralidade-letramento e continuum de monitoração estilística. Afirma que “o rotacismo parece se comportar de modo idiossincrático no falar cuiabano”. Enquanto que, em outras regiões do Brasil, o fenômeno é considerado um traço estigmatizado por se concentrar mais no contínuo da ruralidade, oralidade e não-monitoração. Na Baixada Cuiabana, o rotacismo estende-se “por todo os continua, fazendo-se presente inclusive no extremo da urbanidade, letramento e monitoração” estilística (COX, 2005: p.108).

O fenômeno do rotacismo, em outras regiões brasileiras, por estar associado à ruralidade, oralidade e ao analfabetismo, é considerado um traço estigmatizado e “timbrado com a pecha de caipirismo, é um marcador3 social”. Entretanto, na região da Baixada Cuiabana, é um “indicador4 linguístico”, pois reúne falantes das zonas rural e urbana, independentemente de variáveis como faixa etária, nível de escolaridade, condição socioeconômica e ocorre em contextos de interação formais ou informais (COX, 2009: p.79).

Cox demonstra que, atualmente, a rotacização de /l/ em /r/ é um fenômeno bastante produtivo na fala dos cuiabanos, não havendo, para o momento, indicativos de uma tendência à sua neutralização. Esse traço, altamente estigmatizado, vem resistindo ao processo de mudança que afeta o falar cuiabano como um todo. Assim, refere-se à “inusitada sobrevivência” de um traço singular no falar cuiabano: “Revigorado por um mameluquismo linguístico, o rotacismo nos encontros consonantais viça nas terras da Baixada Cuiabana, resistindo à conjunção de forças centrípetas que agem sobre ele para transformá-lo em /l/” (COX, 2005: p.112).

In document M OT NORMALT ? (sider 120-127)