Na entrevista que realizámos a 21 visitantes, solicitámos que colocassem em confronto os meios da sala Sonhatório e os meios 1.º piso da Casa Fernando Pessoa, indicando-nos quais foram, para eles, os mais atrativos e quais prenderam mais a atenção. Os quadros 6.6 e 6.7 fazem o resumo destes resultados:
No geral, o que mais o atraiu? Os meios da Sala
"Sonhatório" Os meios do 1.º piso Os dois Não respondeu
3 10 4 4
Quadro 6.6. "Sonhatório" vs. 1.º piso – o que mais atrativo para o visitante
No geral, o que mais prendeu a sua atenção? Os meios da Sala
"Sonhatório" Os meios do 1.º piso Os dois Não respondeu
8 6 2 5
Quadro 6.7. "Sonhatório" vs. 1.º piso – o que mais prendeu a atenção do visitante
Como é possível conferir no quadro 6.6, quase metade dos visitantes entrevistados afirmaram que foram os meios tradicionais que mais os atraíram, sendo que apenas 3 favoreceram os da sala multimédia. Dos 21 visitantes entrevistados, 4 consideraram os dois tipos de meios atrativos e outros 4 não responderam. Algumas das respostas que os visitantes deram são:
«Eu achei os objetos originais mais interessantes». (visitante 1, finlandesa)
«Gosto muito dos dois tipos de exposição, mas prefiro ver os objetos originais e as coisas utilizadas pelo Fernando Pessoa assim como os documentos expostos, como os boletins escolares, os diplomas, os escritos, os óculos, o quarto... Gosto mais de tentar descobrir a identidade do autor por meio dos objetos que foram seus e que fizeram parte da sua história». (visitante 5, brasileira)
«Eu gosto muito de observar os objetos originais, principalmente os locais onde a pessoa viveu, como o quarto dele, por exemplo, que com certeza foi o que mais gostei de conhecer na casa». (visitante 7, brasileira)
Perante estas respostas podemos afirmar que aquilo que os visitantes consideram atrativo está intimamente ligado ao seu gosto pessoal e expetativas da visita. Os objetos são, para os visitantes, a forma mais autêntica de conhecer Fernando Pessoa e a sua vida. Parece-nos que existe aqui, sem dúvida, uma dimensão afetiva que assume um papel importante na experiência de visita.
Quanto à opção pelos meios da sala multimédia, nenhum dos visitantes justificou a sua escolha. Relativamente aos visitantes que consideraram os dois tipos de meios atrativos, apenas uma visitante
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justificou a sua escolha, afirmando que considera a sala “Sonhatório” atrativa por complementar a informação dada pelos objetos:
«Gosto da maneira tradicional de expor e de ver objetos originais, mas também gostei da forma interativa de expor da sala multimédia, porque os complementa a informação sobre Fernando Pessoa. Por isso atraíram-me os dois». (visitante 21, portuguesa)
Considerando agora o quadro 6.7, verificamos que os resultados estão mais equilibrados, com favorecimento pelos meios da sala multimédia: 8 visitantes consideraram que a sala “Sonhatório” teve maior capacidade de prender a sua atenção, 6 favoreceram os meios do 1.º piso, e 2 visitantes optaram pelos dois. No caso dos visitantes que escolheram o “Sonhatório”, aqueles que justificaram destacam o facto de terem dispensado mais tempo na sala multimédia:
«A sala multimídia, pois necessita de maior tempo e deseja-se mais tempo para estar ali aprendendo». (visitante 3, brasileira)
«Em termos de tempo, fiquei muito mais tempo na sala do Sonhatório, mas porque as atividades demoravam mais tempo, não porque eram mais interessantes que os objetos originais – na minha opinião não são – mas, porque a interação requer tempo e atenção». (visitante 5, brasileira)
«Apesar de gostar muito de conhecer o quarto de Fernando Pessoa, com certeza, foi a sala Sonhatório que mais prendeu minha atenção». (visitante 7, brasileira)
«Sonhatório. Por ser interativa, a sala multimédia me prendeu a atenção por mais tempo». (visitante 14, brasileiro)
Repare-se que, excluindo uma, todas estas respostas se referem à palavra “tempo”: os meios da sala “Sonhatório” exigem um maior investimento de tempo e, consequentemente, de atenção. Mas isso não significa necessariamente que sejam mais “interessantes”, como refere uma das visitantes. Outra visitante aponta a “aprendizagem”, conceito que raramente é destacado quando os visitantes falam dos objetos originais. Mas antes de entrarmos em algum tipo de conclusão, vejamos algumas das respostas dos visitantes que optaram pelos meios do 1.º piso:
«Os objetos originais, notadamente os objetos de uso diário localizados no quarto [que mais prenderam a atenção]». (visitante 8, brasileira)
«O quarto prendeu-me mais a atenção porque deu-me a sensação que ele ainda ali vivia. A forma como a mobília estava disposta e os livros/folhas dentro do baú, junto da cama, fez-me sentir a sua presença e consegui imaginar o seu dia-a-dia a escrever, a rasgar, a rascunhar e a reescrever». (visitante 9, portuguesa)
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«Objetos originais dos restantes andares – por ser o que eu estava à espera encontrar na Casa». (visitante 20, portuguesa)
«Foram os objetos originais, por saber que foram manuseados por Fernando Pessoa». (visitante 21, portuguesa)
Estas respostas são semelhantes às que vimos para a escolha dos meios que mais atraíram os visitantes. O que encontramos de forma repetida nestes comentários é a noção demonstrada pelos visitantes de que os objetos são o que melhor os une a Fernando Pessoa e o que, no fundo, o torna presente. A resposta da visitante 9 parece-nos paradigmática pois revela a dimensão afetiva/emocional que os objetos facilmente assumem, e a importância que tal tem para os visitantes e para a sua experiência de visita. Por outro lado, a sala multimédia, que tem características muito diferentes, pode ser entendida pelos visitantes como um espaço mais informativo e menos “emocional”, com meios que exigem maior investimento de tempo – não porque os visitantes os considerem mais atrativos ou interessantes, mas por conterem maior conteúdo que necessita de tempo para ser assimilado.
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