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Karakterundersøking i ferjekronotopen

In document Universitetet i Bergen (sider 67-70)

4. Lesing

4.3 Framstilling av ferja

4.3.3 Karakterundersøking i ferjekronotopen

A Secção Pedagógica, criada no ano lectivo de 1945/46,132 visava assegurar a representação da AEIST no Conselho Escolar e contribuir para a reforma do ensino. Dessa forma, as suas competências incluíam a auscultação e a transmissão das necessidades e aspirações dos alunos à Direcção do IST e ao Conselho Escolar, bem como proporcionar meios aos alunos que permitissem o usufruto de ensino complementar ao ministrado na Escola, alheio aos planos de estudo, mas de indiscutível interesse para a sua formação.133 As principais preocupações, durante a década de 1950, terão sido as precedências das disciplinas, os assistentes e a contribuição da AEIST para a reforma do ensino da engenharia.

Neste sentido, foram empreendidas diversas iniciativas como ciclos de conferências, exposições temáticas, cursos de férias no estrangeiro, cursos de línguas e para a firma “do pai de um nosso colega” e um 1 lugar de topógrafo na Direcção Geral dos Serviços Hidráulicos, Relatório e Contas da Direcção da AEIST de 1953/54, Lisboa, 1954, p. 55.

132 Técnica, n.º209-210, Lisboa, AEIST, Fevereiro/Março 1951, p. 367. 133 Noticiário da AEIST, n.º1, Lisboa, AEIST, Novembro de 1951, p. 11.

cursos técnicos,134 visitas técnicas, visionamento de filmes sobre disciplinas temáticas (hidráulica, máquinas, electricidade, etc.), organização de estágios em Portugal e no estrangeiro e “Semanas de Curso”,135 como I Semana de Química realizada em Dezembro de 1954.

A Secção Pedagógica da AEIST recorria regularmente à realização de inquéritos junto não só de alunos, como também de professores e engenheiros que tinham sido antigos alunos, com o intuito de obter uma melhor qualidade no ensino ministrado no Instituto, enviando as sugestões e conclusões ao Conselho Escolar.

A acção pedagógica da AEIST efectivava-se ainda através de diversos instrumentos como a Técnica, a Biblioteca e a Secção de Folhas, entre outros.

A AEIST iniciou, em Dezembro de 1925136 a edição de uma revista de engenharia, a Técnica, que incluía artigos cedidos pelos professores, assistentes, engenheiros no activo, e alunos, desempenhando um papel de relevo no contexto pedagógico. O objectivo desta revista especializada consistia em colocar o aluno do IST “pouco a pouco, em contacto com a vida profissional e tomar conhecimento dos problemas fundamentais da profissão” de engenheiro. Os sócios da AEIST recebiam anualmente os vários números da revista. A revista era amplamente conhecida no meio técnico: “A revista tem grande divulgação tanto na Metrópole como nas Colónias, através dos seus 2.050 assinantes, número que tem vindo sempre crescendo. É, na opinião de muitos engenheiros categorizados, a melhor revista técnica do país e as melhores da Península”.137

Por outro lado, mediante a permuta com outras publicações, a revista Técnica era enviada para várias universidades e escolas no estrangeiro, o que resultava numa

134 A AEIST colocava ao dispor dos seus sócios a possibilidade de realização de cursos de inglês (com

vários níveis) e cursos de alemão, sendo os primeiros organizados em colaboração com o Instituto Britânico e os segundos pelo Instituto Alemão. Uma das razões apontadas para explicar a preocupação da AEIST em realizar cursos de línguas prende-se com o facto de uma considerável parte da bibliografia técnica disponível na Biblioteca do IST se encontrar à época publicada em língua estrangeira. Os cursos técnicos, ministrados com o apoio do corpo docente do IST, eram bastante variados a nível disciplinar, constituindo disso um exemplo o curso de fundição.

135 A realização existente no IST de semanas alusivas aos vários cursos almejava “a aproximação da

Escola com a vida prática; interessar os alunos nas grandes obras de interesse nacional (pontes, barragens, portos, hospitais, electrificação, etc.) e dar aos principiantes um pouco de ambiente técnico que infelizmente desconhecem”. Noticiário da AEIST, n.º6, Lisboa, AEIST, Dezembro de 1956, p. 8.

136 Antes de editar a revista Técnica, a AEIST publicava a Técnica Industrial, que foi a primeira revista a

ser editada pelos alunos do IST, datando o 1.º número de Outubro de 1915. Cabe assinalar que esta revista foi suspensa no início de 1918, no seguimento de um período de publicação irregular. Vide Técnica, n.º 209-210, Fevereiro/Março, Lisboa, AEIST, 1951, p. 261.

grande difusão do trabalho da AEIST. Esta secção era aquela que, sem dúvida, levava mais longe o nome da Associação.138 A Técnica devia a sua qualidade ao reconhecido nível dos artigos publicados, considerados de grande valor científico, o que se pode comprovar pela seguinte afirmação: “Há a distinguir, entre todos os trabalhos que publicou, o “Curso de Mecânica dos Solos”, que despertou justificado interesse no meio técnico e constituiu um precioso elemento de estudo, pois o assunto não é ensinado em nenhuma das Cadeiras do Instituto”.139

De acrescentar que existia uma Secção designada por Técnica, cuja competência estava ligada à edição de livros e tabelas no âmbito da engenharia, e que visava dar uma “contribuição didáctica para a formação dos engenheiros”.140

Ainda no que se refere ao âmbito pedagógico, de referir que a Biblioteca141 da Associação pretendia ter um carácter essencialmente cultural, dado que no domínio técnico os alunos tinham à sua disposição os livros da Biblioteca do IST situada no Pavilhão Central e também pelo facto da AEIST não dispor de verba que permitisse a organização de uma boa biblioteca de engenharia, 142 ainda que possuísse um relativo

número de livros técnicos, para apoio de estudo. O espólio bibliográfico incluía um conjunto de revistas especializadas de carácter técnico, provenientes na maioria da sua permuta com a revista Técnica. A aquisição de livros efectivava-se sobretudo através de doações ou compra de livros em segunda mão, adquiridos em alfarrabistas. José Fernando Pinharanda, antigo director da Biblioteca, afirma sobre este assunto:

As bibliotecas eram distintas, dado que embora a biblioteca da AEIST tivesse livros técnicos, a sua vocação não era tanto ser uma biblioteca técnica, mas sim mais uma biblioteca cultural. A do IST era uma biblioteca de estudo, onde se entrava muito devagarinho e em silêncio. Na Biblioteca da AEIST escrevíamos postais aos alunos que não entregavam os livros.(…) O Jorge Amado era um autor proibido e muito requisitado, cujos livros comprávamos em alfarrabistas ou alguém trazia de Angola e Moçambique, porque lá não eram proibidos. (…) Quando era director da biblioteca, escrevi a vários críticos literários a pedir sugestões de livros. Tentei adquirir os livros

138 Noticiário da AEIST, n.º1, Lisboa, AEIST, Novembro de 1951, p. 4.

139 Relatório e Contas da Gerência da AEIST de 1949/1950, Lisboa, AEIST, 1950, p. 9. 140 Noticiário da AEIST, n.º1, Lisboa, AEIST, Novembro de 1951, p. 5.

141 Inicialmente, a Biblioteca encontrava-se associada à Secção Técnica, sendo que a partir do ano lectivo

de 1949/50 passou a constituir uma Secção autónoma, ainda que as duas Secções tenham permanecido ligadas através de um intercâmbio, devido às suas características.

142 O que é a Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, Lisboa, Edição da Secção de

sugeridos, alguns consegui, outros não. O orçamento era muito pequeno e recorríamos muito à compra nos alfarrabistas porque era mais barato.143

Perante a falta de meios para adquirir o número de livros desejados, foi criada no ano lectivo de 1950/51 a estrutura “Amigos da Biblioteca”, com o fim de reunir meios financeiros para a compra de livros, tendo sido estabelecida uma cota mensal mínima de 2$50. Em seguida, foi instituído o “Fundo de Aquisição de Livros”, que reunia todos os subsídios, donativos e cotas dos “Amigos da Biblioteca” e os valores resultantes das multas referentes ao atraso de entrega dos livros requisitados.

A Associação incentivava constantemente os alunos a lerem obras fora do âmbito da engenharia, dado que desta forma se promovia o “desenvolvimento espiritual”.144 O Noticiário da AEIST de Dezembro de 1951 faz um balanço dos autores e dos livros mais lidos nesse ano, apontando Axel Munthe, Erico Veríssimo e John Steinbeck como autores e Homens e Bichos, Gato preto em campo de neve e Luta incerta, como livros. No cômputo geral, pode-se dizer que a AEIST defendia a necessidade dos alunos lerem livros de cariz cultural, “para que o técnico que se forma no Instituto se torne um verdadeiro Homem”.145

Figura 22: Objectos Representativos – Gato Preto em Campo de Neve, Erico Veríssimo, 1950 e Homens

e Bichos, Axel Munthe, 1955 (BN) Foto: Mónica Maurício

143 Testemunho de José Fernando Pinharanda, Lisboa, 03/04/2007.

144 O que é a Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, Lisboa, Edição da Secção de

Propaganda da AEIST, [s.d.] p. 15.

No ano lectivo de 1940/41, foi criada a Secção de Folhas, que se viria a tornar numa secção fundamental para os alunos do IST, pois era nela que aqueles adquiriam, na sua maioria, os seus elementos de estudo. As folhas referiam-se às lições de quase todas as cadeiras existentes no Instituto, e eram cedidas por alunos, assistentes e professores, sendo que alguns docentes chegavam mesmo a rever os apontamentos das suas lições elaborados por alunos. Desta forma, a AEIST procurava promover uma intensa colaboração com os professores e assistentes, defendendo que essa cooperação constituiria “a garantia dum elemento de estudo bom e seguro”.146

A Secção abria esporadicamente concursos para seleccionar as folhas a serem impressas e posteriormente vendidas, procurando assim “elevar o nível destas publicações, pela escolha criteriosas dos autores”.147 A título de exemplo veja-se a seguinte informação:

Tenciona-se abrir, no próximo mês de Junho, concursos para a elaboração dos originais das folhas de Medidas Eléctricas, Química Inorgânica e Geradores e Máquinas a vapor. Os interessados devem portanto ir coligindo desde já os seus apontamentos, tendo em vista a sua possível escolha.148

O valor acumulado desta secção representava uma importante parcela nos rendimentos da Associação.

Ainda com o propósito de efectivar o apoio pedagógico, a AEIST colocava ao dispor dos alunos material escolar diverso numa papelaria existente nas suas instalações, que praticava preços para esses produtos comparativamente mais baixos aos pedidos nas papelarias de Lisboa.

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