3. TEORI
3.9 Kapittel 9
No que se refere aos aspectos fitoecológicos, as principais unidades da bacia Hidrográfica do rio Cocó, segundo Santos (2006), são: mata úmida, mata seca, caatingas, mata ciliar e lacustre, e complexo vegetacional da planície litorânea (manguezais, mata de tabuleiros e vegetação pioneira do campo de dunas e faixa praial).
Especificamente na área em estudo, destacam-se as seguintes unidades fitoecológicas: complexo vegetacional da planície litorânea (manguezais, mata de tabuleiros e vegetação pioneira do campo de dunas e faixa praial) e mata ciliar e lacustre. O ZEE do Estado do Ceará – Zona Costeira (CEARÁ, 2006), por sua vez, classifica estas unidades fitoecológicas da seguinte forma: vegetação pioneira psamófila, vegetação subperenifólia de dunas, vegetação perenifólia de mangue, vegetação dos tabuleiros litorâneos e vegetação de várzea.
O que Santos (op cit) define como “complexo vegetacional da planície litorânea”, o ZEE do Estado do Ceará – Zona Costeira (CEARÁ, op cit) estratificou em: vegetação pioneira psamófila, vegetação subperenifólia de dunas, vegetação perenifólia de mangue e vegetação dos tabuleiros litorâneos. E a mata ciliar e lacustre corresponde à vegetação de várzea.
A vegetação pioneira psamófila ocorre nos ambientes de pós-praia, recobrindo dunas de formação mais recentes e alguns trechos da planície de deflação, acompanhando a linha da costa. São ambientes submetidos à alta salinidade e permeabilidade, grande intensidade de ação eólica, elevada temperatura e que apresentam solos ácidos, onde se desenvolvem espécies adaptados fisiomorfologicamente a essas condições adversas. Esta vegetação dificilmente alcança um clímax por causa da constante movimentação de areia pelos ventos, o
que não permite o estabelecimento de processos pedogenéticos. A vegetação da faixa praial é incipiente e ocorre somente em alguns trechos onde é possível a fixação de espécies pioneiras, constituída principalmente por gramíneas que se assemelham às que recobrem o campo de dunas.
A vegetação subperenifólia de dunas está diretamente relacionada com as chamadas dunas fixas. Conforme apontado anteriormente, as dunas móveis caracterizam-se pela ausência de vegetação e ocorrem próximo à linha de praia, onde a ação do vento é mais intensa. As dunas fixas situam-se, frequentemente, a sotavento dos diversos cordões dunares ainda não totalmente protegidos do transporte sedimentar eólico e apresentam uma vegetação com dois estratos: o arbóreo e o arbustivo. A sotavento sobre as dunas fixas observa-se indivíduos de porte arbóreo, já a barlavento devido à maior exposição à salinidade as espécies são predominantemente de porte arbustivo.
Segue a Figura 9 ilustrando vegetação arbóreo-arbustiva de duna situada na área em estudo.
Figura 9 - Vegetação arbóreo-arbustiva de duna.
Em suma, esta vegetação é o componente natural básico para a estabilização do campo dunar, já que auxilia no processo de fixação das dunas ao amenizar os efeitos da ação eólica nas áreas a barlavento.
A vegetação perenifólia de mangue é o principal elemento da vegetação das planícies flúvio-marinhas. Típica de terrenos com declividade praticamente nula, essa vegetação ocorre em terrenos baixos de regiões estuarianas, em margens de lagunas ou ao longo de rios e canais naturais, até onde ocorrer o fluxo das marés. Por sofrer diariamente dois períodos de inundação ocasionados pela influência de maré, e apresentar elevados índices de salinidade da zona estuarina, caracteriza-se por ser uma vegetação altamente especializada, e com alta fragilidade às intervenções humanas. A Figura 10 ilustra vegetação do tipo mangue vermelho existente na área em estudo.
Figura 10 - Rhizophora mangle (mangue vermelho) - margem do rio Cocó.
O manguezal apresenta solo lamacento e, como é influenciado pelas marés, nele desenvolve-se uma vegetação característica – os mangues – onde ocorre uma fauna bastante diversificada, composta por espécies de origem terrestre e aquática. O manguezal é o termo dado a diversas plantas pertencentes a várias famílias típicas das formações vegetais de águas salobras ou meio salobras.
No que se refere à vegetação dos tabuleiros litorâneos, mostra-se oportuno tecer alguns comentários. Os tabuleiros compreendem as regiões onde a topografia é relativamente plana com declividades muito suaves. Ocorrem na porção pré-litorânea e litorânea no domínio dos sedimentos do Grupo Barreiras. Apresentam diferenciações na percolação de água subterrânea, em decorrência das variações granulométricas existentes (fácies argilo-arenosas), o que determina o tipo de vegetação.
A vegetação de tabuleiros apresenta uma grande diversificação vegetacional e florística, apresentando, na área em estudo, espécies da mata serrana e das dunas fixas, sem uma delimitação precisa. De um modo geral, as espécies são predominantemente arbustivas, possuindo ainda um estrato gramíneo-herbáceo, cujo desenvolvimento está correlacionado principalmente com o período chuvoso.
A vegetação de várzea (mata ciliar e lacustre) ocorre nas planícies fluviais e áreas de inundação flúvio-lacustres. A presença de cobertura vegetal está ligada à presença de solos aluviais, de origem deposicional e hidromórfica, muito comuns nos ambientais lacustres e fluviais, especialmente nas áreas marginais inundáveis durante o período chuvoso. A vegetação com influência fluvial compreende regiões sob influência de rios, lagoas e açudes, que apresentam boas condições hídricas e solos férteis, que favorecem o desenvolvimento da fisionomia de mata ciliar. Segundo Ceará (2012), em Fortaleza este tipo de ambiente é encontrado as margens dos rios que cortam a cidade como Cocó, Ceará, Maranguapinho e Pacoti, e em lagoas como a Lagoa da Parangaba, de Messejana, do Opaia, do Jangurussu, de Porangabussu, etc.
Embora protegida pela legislação pertinente, no caso o Código Florestal (Lei Federal nº 12.651/2012) e a Resolução CONAMA nº 303/2002, a vegetação de dunas sofre pressões da especulação imobiliária e vem sendo paulatinamente substituída pela ocupação urbana, principalmente nas regiões de dunas situadas no bairro Cocó, no entorno do conjunto Cidade 2000 e nas praias do Caça e Pesca e de Sabiaguaba.
No que se refere à mata ciliar, embora sejam áreas protegidas por legislação pertinente (Código Florestal e Resolução CONAMA nº 303/2002), tal vegetação vem sofrendo constantemente com o processo de ocupação das planícies de inundação dos rios, riachos e lagoas ao longo de toda região metropolitana de Fortaleza. Tal fato constitui-se num problema da maior gravidade, acarretando o assoreamento dos rios, aceleração dos processos erosivos, magnificação das cheias, entre outros.