• No results found

KAPASITETSANALYSE LOENGA -ALNABRU Bakgrunn for analysen

4.3 ETTERSPØRSELSBASERTE BEHOV

4.3.2 KAPASITETSANALYSE LOENGA -ALNABRU Bakgrunn for analysen

O desenvolvimento da Gold- und Rosenkreuzer Alteren Sistems foi impressionante. Seus círculos estavam distribuídos na Silesia, Lusatia superior, Marburg, Ratisbonne e Leipzig. Viena era um importante centro de onde a influência rosacruz enraizava-se para toda a Áustria, Hungria, Baviera, Wurtemberg e Polônia. O Grão-Mestre dos Maçons da Áustria, o príncipe Johann Baptist Karl von Dietrichstein (1728-1808) foi recebido na ordem, que possuía em suas fileiras um grande número de nobres. Em Viena,

Johann Rudolph von Bischoffswerder (1741-1803), oficial do serviço de príncipe Charles

de Saxe, profundamente interessado nas ciências ocultas, foi aceito em um círculo rosacruz, em 1777. Ele então foi para Leipzig, e ao lado de Wiesbaden, entrou em relações com J. C. Wollner (1732-1800); antigo pastor que se tornou um maçom estava sedento por conhecimento sobrenatural e tinha sido aceito no círculo rosacruz de Berlim, em 1779. Esses dois personagens serão os responsáveis por um rápido desenvolvimento da administração dos Gold- und Rosenkreuzer Alteren Sistems: até o final de 1779, havia vinte e seis círculos rosacruzes, distribuídos em várias cidades alemãs. (GEFFARTH, 2007; EDIGHOFFER, 1995)

Um novo salto nas articulações políticas deu-se quando em 1781 Frederick Guilherme II solicita admissão aos rosacruzes, sendo admitido recebe o de hieronymos

Ormesus102. Através da influência política, a Gold- und Rosenkreuzer Alteren Sistems

conseguiu atrair para a sua órbita a Loja Mãe dos Estados Prussianos, a Loja Três Globos, mas apesar desse sucesso repentino, o fim deste movimento estava próximo.

101 Rito da Rosacruz de Ouro do Antigo Sistema.

102 Nome Sagrado, uma tradição corrente entre ordens iniciáticas (maçonaria, rosacruzes e martinistas),

Imagem 6 – Representação de uma Loja da Gold-und Rosenkreuzer

Fonte: BEYER, Bernh. Das Lersystem des ordens des Gold-und Rosenkreuzer. Leipzig – Berlim: Pansophie, 1925. p. 106.

Uma controvérsia estabelece-se no Convento de Wilhelmsbad103, em 1782 – aliás

este evento tinha o intuito de validar a reforma proposta por Jean Baptista Willermoz104–:

os representantes do movimento rosacruz não participaram deste convento, que serviu de divisor de águas nas filiações maçônicas. Renko Geffarth (2007) indica que havia uma certa desconfiança que o movimento rosacruz fosse na realidade dirigido ou influenciado por clérigos da Companhia de Jesus, alegação que já fora colocada em 1781, por Adolf von Knigge, em seu livro Uber Jesuiten, Freymaurer und Deutsche Rosenkreutzer, “Os jesuítas, os maçons da Rosacruz Alemã” (GEFFARTH, 2007; EDIGHOFFER, 1995).

Hans Heinrich von und Eckhoffen Ecker (1750- 1790), na segunda metade do século XVIII estabeleceu dois sistemas: o primeiro chamado de Ordo Rotae et Aureae

Crucis –ORAC (Ordem da Roda e da Cruz de Ouro), fundada em 1776 (nesse mesmo ano

que Adam Weishaupt fundou a Ordem dos Iluminatis, de pouco adeptos e que cessará suas atividades em 1779); o segundo, os Iluminatis antagonizavam a ORAC por sua predominância mística e esotérica. Em 1780, Eckhoffen é expulso da Gold- und

Rosenkreuzer, tornando-se um crítico dela, ao ponto de vir a lançar, em 1781 um panfleto, Der Rosenkreuzer in seiner Blosse (Os Rosacruzes em sua nudez). No mesmo ano ele

muda-se para Viena, onde lançará a base de seu segundo sistema, Orden Ritter und Bruder

des Lichts (Ordem cavaleiro e irmão da luz). Edighoffer indicará que esta é uma versão da ORAC, que logo em seguida passará a chamar-se: Die Bruder Sankt Johannes des Evangelisten aus Asien in Europa (Os Irmãos de São João Evangelista da Ásia na Europa),

ou Asiatische Bruder (Irmãos Asiáticos), forma pela qual ficou amplamente conhecida. Assim como as demais variações dos altos graus da maçonaria, o recrutamento dos membros dos Irmãos Asiáticos acontecia entre os Mestres Maçons, assim como outros sistemas.

A estrutura iniciática era composta de cinco graus, sendo que os dois primeiros possuíam a função de serem introdutórios; aos mesmos, seguiam-se:

1) os Cavaleiros e irmãos de São João Evangelista da Ásia na Europa; 2) os Sábios Mestres; e

3) os Sacerdotes Reais ou “Verdadeiros Rosacruzes”.

103 É neste convento que se põe fim à filiação templária da maioria dos ritos maçônicos; fizeram-se neste

evento duras críticas aos Superiores Desconhecidos, personagens enigmáticos as quais se atribuía os caminhos das ordens filiadas assim também como intervenções no curso político do mundo.

Cada irmão deveria trabalhar de forma individual, fora do corpo da loja, conhecimentos sobre a simbólica cabalística (gematria, temurah e notaricon). Os Irmãos Asiáticos terão a característica de recrutarem judeus, na Europa Central e sua postura pró- judaica, onde de acordo com Roland Edighoffer (1995) o termo “Ásia” refere-se a Jerusalém. Outro ponto relevante é que os rituais não foram escritos somente por Ecker und Eckhoffen, mas também por dois judeus, Thomas von Schonfeld105 e Efraim Joseph

Hirschfeld, ambos ao que tudo indica, versados em Cabala. A influência judaica é flagrante nesta ordem, pois o Conselho Supremo chamava-se Sinédrio. Alguns dos elementos simbólicos que aproximavam, em parte, a simbólica cristã e judaica, eram facilmente aceitos pela parte dos irmãos que se professavam cristãos que pelos judeus. Deve-se ter em conta que alguns dos judeus pertencentes à elite intelectual da Alemanha estavam imbuídos do Aufklärung, a Haskalah, abertura que permitiu que temas do sabatianismo fossem absorvidos e inseridos nos rituais, apesar das antinomias106, estes, os sabatianistas, não são

nem cristãos nem judaicos (GEFFARTH, 2007; EDIGHOFFER, 1995).

Os rituais da Ordem indicam uma filiação alquímica antiga, que chegou ao século XVIII por vias templárias; suas cosmogonias e cosmologias terão na aritmosofia107 suas

bases simbólicas, além de vívidas narrativas sobre a queda de Lúcifer. Algumas das narrativas alquímicas ressoam na estrutura simbólica da Gold-und Rosenkreuzer. Assim também como os líderes da Gold-und Rosenkreuzer, Ecker und Eckhoffen foi impossibilitado de apresentar sua Ordem no convento de Wihelmsbad, sob a alegação de que ela operava com magia e elementos perigosos, além que a maioria dos membros do convento era cristã e os Irmãos Asiáticos em sua maioria eram judeus. Outro ponto que deve ter contribuído é que o sucesso que os Irmãos Asiáticos possuíam despertou certa animosidade entre dois maçons proeminentes, o príncipe Johann Baptist von Karl

105 Schonfeld foi um seguidor do sabatianismo, um culto do século XVII que identificava como messias,

Sabbatai Zvi, ou pseudo-Messias. Seu principal profeta foi Natã de Gaza; o movimento teve um

desenvolvimento efêmero, possuindo seu ápice entre 1665-1666, quando Sabbatai renuncia ao judaísmo e converte-se ao Islão. Sobre este tema, ver Gershom Scholem, As correntes da mística judaica, editora Perspectiva, 2008.

106 Alguns rituais incluíam elementos festivos, onde seus membros deveriam ingerir carne de porco.

(EDIGHOFFER, 1995, p. 89)

107 A aritmosofia é a arte de decifrar, ou perceber sentido ocultos na natureza através dos números; a mesma

será muito utilizada dentro dos ramos teosóficos no século XVIII e terá na gematria hebraica – técnica de substituição de letras por números – sua correlata e principal influenciadora.

Dietrichstein e Ignaz von Born, o primeiro, Grão-mestre da Grande Loja da Áustria e o segundo, um famoso defensor do Iluminismo.

Na Áustria, por questões políticas, um edito regula as atividades maçônicas, fazendo com que ordens que tivessem vinculações alquímicas ou não aceitas fossem impossibilitadas de exercerem suas funções, fato que afetou os Irmãos Asiáticos juntamente com a Gold- und Rosenkreuzer, ambas continuando sua expansão no território alemão (GEFFARTH, 2007; EDIGHOFFER, 1995; MCINTOSH, 2011).

Verificamos por tudo o exposto que no século XVIII deu-se a criação de uma multiplicidade de ordens iniciáticas, muitas das quais relacionadas direta ou indiretamente à maçonaria e à rosacruz (ordens rosacruzes seria mais correto). E neste particular, os graus maçônicos-rosacruzes apresentavam o Egito, os essênios e os templários como fontes da iniciação, da qual a rosacruz seria a legítima depositária e transmissora para os tempos modernos. Em verdade, pelo que se observou, houve confusão entre os iniciados por conta das várias ordens e sistemas de altos graus maçônicos que proliferaram naquela época e logo se deu o antagonismo entre os racionalistas partidários das Luzes e os espiritualistas.