8. Sosialdepartementet
8.6 Kap. 2650 Sykepenger
As imagens, desde os tempos mais remotos contêm mensagens que chegam aos dias de hoje enquanto fiéis testemunhos do passado. No sentido de transmissão das vivências das civilizações passadas, a imagem é considerada mais rigorosa, mais rica e mais fiel do que alguns registos escritos. Com tal afirmação não se está a dizer que a imagem é uma prova documental absoluta, porém, esta acarreta consigo a parte expressiva e imaginativa da arte, pelo que pode expressar mais a imaginação do que o real, embora se afirme, na visão de Berger, que quanto mais imaginativa é a obra, mais profundamente nos permite compartilhar da experiência que o artista
66 Thomas & Durant, (1986), Shortland, (1988), Brooks, (1991), Nutbeam, (2008) apud Carvalho, Graça S. Op. cit., p. 189.
67 Shortland, (1988:311) apud Graça S. Carvalho, Op. cit., p. 190. 68 Graça S. Carvalho, Op. cit., p. 90.
teve do visível.70 Neste contexto, a imagem chega a ser mais expressiva que a palavra escrita, porque todo esse aparato de imagens é-nos dado tanto por meio da visão daquele que as cria, como daquele que as observa e as interpreta.
Assim, entende-se que a Literacia visual
Pressupõe a capacidade de comunicar e interpretar significados usando as linguagens das disciplinas artísticas. Implica a aquisição de competências e o uso de sinais e símbolos particulares, distintos em cada arte, para percepcionar e converter mensagens e significados. Requer ainda o entendimento de uma obra de arte no contexto social e cultural que a envolve e o reconhecimento das suas funções nele.71
Para o autor, a definição apresentada leva a entender que podem ser vistas várias competências no campo das artes, pois há dimensões que vão da capacidade de ler e escrever em linguagens artísticas, às da criação, que implicam o uso, e a interpretação referente ao enquadramento contextual da produção das mesmas obras.
[…] a comunicação, que se relaciona com a capacidade de ler e escrever nas diferentes linguagens das diferentes formas artísticas; a criação, que se relaciona com a capacidade de usar, com sentido e de forma crítica e criativa, os sinais e símbolos associados a cada uma das linguagens; e a compreensão, que se relaciona com a capacidade de entender as obras de arte nas diferentes dimensões do seu contexto.72
De facto, mantemos relações com o meio que nos rodeia por intermédio dos sentidos. Neste âmbito, poderá haver maior fruição no conhecimento do mundo que nos rodeia, se utilizarmos bem estes sentidos. As nossas experiências de vida ensinam-nos determinados aspetos e os sistemas de ensino quando sistematizados também fornecem múltiplas aprendizagens, ampliando o nosso contacto com o mundo. Neste percurso, a visão assume um papel preponderante, pois é «desde o nosso nascimento que estabelecemos relações com o meio envolvente e logo passamos a usar a visão como o sentido que nos permite um primeiro conhecimento do meio, mesmo antes do uso da palavra».73 Os sentidos visual e o tato permitem, nesta fase, o conhecimento dos objetos e o conhecimento destes objetos, por sua vez, facilitarão a aquisição de experiências dos aspetos tidos como mais elementares das gramáticas básicas dos sentidos. Neste enquadramento, os sentidos visual e sensorial, bem como as gramáticas deverão ser ensinados para que se solidifique e se estruture o conhecimento.74
70 Berger, 1996, p. 14, apud Gonçalves, António, O que realmente podemos ver, in Modelos e Práticas em Literacia, Edições LIDEL, LDA, Lisboa, 2009, p. 35. Coordenação: Fernando Azevedo e Maria da Graça Sardinha.
71 Departamento de Educação Básica, (2001) apud Sara Pereira, (Org.) (2011) Congresso Nacional "Literacia, Media e Cidadania" 25-26, março, 2011, Braga, Universidade do Minho: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade ISBN 978-989-97244-1-9, (s/p).
72 Sara Pereira (Org.) (2011), Op. cit. (s/p). 73 António Gonçalves, Op. cit., p. 35. 74 Idem, ibidem, p. 36.
Para uma boa orientação no desenvolvimento deste tipo de aprendizagens, «É nos sistemas de ensino que se deverá pensar qual a verdadeira consideração e relevância que têm ensinamentos referentes à educação visual e sensorial».75
Sendo a visão uma das formas de aquisição de certos conhecimentos que vamos gradualmente adquirindo, torna-se importante a educação visual desde cedo, porque vai permitir uma eficaz aquisição de capacidades de leitura da comunicação visual em imagens. Por isso, a educação visual pode ser definida como «[…] ensinamentos de uma gramática visual, que permitam a fruição e facilidade de leitura da comunicação visual no mundo de imagens que temos à nossa volta».76 É provável que quem não tem uma orientação neste sentido pode ter fraca apetência na interpretação desta informação. Surgem, assim, restrições, porque «A ausência de conhecimentos específicos (e claro básicos) de descodificação impede uma fruição mais ampla desta informação. É muito importante na educação (desde as bases), que a gramática visual possa acompanhar a formação. Tão importante quanto outras formações básicas de áreas distintas.»77
O autor supracitado reconhece que quando aborda o ensino específico em termos de conhecimentos de imagens, pode suscitar confusões, por isso, alerta para o seguinte: «[…] falo de uma educação pela visão, que potencie o conhecimento visual e a aquisição dos códigos que permitirão uma maior facilidade de comunicação visual e de entendimento da imagem».78 Acrescenta ainda:
Quando aqui refiro uma educação visual, não me prendo somente com o campo artístico ao qual está intimamente ligada, procuro que o entendimento seja mais abrangente e se pense a educação visual como estimuladora dos sentidos que possuímos e a partir dos quais recebemos muita da informação que nos vai estruturando.79
Deste modo, o autor apresenta os conteúdos que poderão servir para o treino da educação visual, (Visualização, perceção, imaginação, descodificação, interpretação, significado/significante, intuição, sensação, pensamento, sentimento, ilusão, imagem, conteúdo, espaço, perspectiva, equilíbrio, forma, luz, cor, movimento e expressão).80
75 Idem, ibidem. 76 Idem, ibidem, p. 36. 77 Idem, ibidem, p. 36. 78 Idem, ibidem, p. 36. 79 Idem, Idem, p. 46. 80Idem, idem, pp. 37 - 46.
1.4.1. Vantagens da literacia visual
Como temos vindo a afirmar, sustentados em alguns autores, é deveras importante o conhecimento que tomámos das diversas civilizações antigas através de imagens deixadas nas paredes das cavernas, nas pedras, etc. permitindo, deste modo, a comunicação entre as várias comunidades e gerações. Isto faz-nos pensar na importância vital que a literacia visual tem para o conhecimento daquilo que foi o passado e através do qual se constrói frequentemente o futuro. Veja-se a seguinte citação:
desde as suas origens que o homem se mantém ligado às imagens. Estas permitiram sempre uma capacidade de expansão e de relação com o seu meio envolvente. Com a imagem foi possível comunicar e registar toda uma expressão e vivência ao longo da história. […] em cada período histórico, a imagem foi sendo um dos meios de comunicação e de registo do que se entendia por possibilidade de representação e apreensão da realidade que os rodeava. […] foi também através das imagens que procuraram uma aproximação aos deuses, enquanto símbolos de perfeição.81
No que se refere ao contexto pedagógico, a literacia visual deve dotar o aluno com um conjunto de capacidades que lhe permitam estabelecer relações entre assuntos veiculados pelos diferentes textos (oral, auditivo, visual, escrito, etc.). Fernando Hernández afirma que:
[…], adquirir literacia visual deve permitir aos alunos analisar, interpretar, avaliar e criar, a partir das relações estabelecidas entre saberes que circulam pelos “textos” orais, auditivos, visuais, escritos, corporais e, em especial, aqueles vinculados às imagens que saturam as representações mediadas pela tecnologia nas sociedades contemporâneas.82
Para o campo religioso, antigamente, as imagens tiveram um papel importante, invocando pessoas representadas nos quadros ou nas paredes da igreja, em comunhão com Cristo, ao interceder pelos seus fiéis. Estas imagens são meios persuasivos para os crentes, e que o respeito que se dá a essa imagem é uma das formas de glorificar a Deus. Hoje, os políticos usam as imagens para fazerem as suas propagandas eleitorais, sendo a forma usada para se fazer conhecer ao povo. Desta feita, As imagens são estímulos poderosos para a mente humana. Isso mesmo foi reconhecido e utilizado como instrumento de persuasão e dispositivo de poder muito antes da invenção dos meios de comunicação de massas. Veja-se por exemplo quando a Igreja Católica decidiu encher as igrejas de imagens, chamando-lhe a “bíblia dos iletrados”,
81 António Gonçalves, Op. cit., p. 190. 81 Idem, ibidem, p. 36.
ou os dispositivos espectaculares que as monarquias absolutas por toda a Europa levam a cabo para enaltecer o seu poder. 83
Portanto, no que concerne à educação visual, ela é importante porque permite a aquisição de mais saberes sobre o mundo em que estamos inseridos, pois muitos saberes que possuímos, adquirimo- los por meio da visão, neste caso, tomar atitudes que ampliem essa educação visual, é melhor ainda. Assim, «torna-se fundamental educar a visão, assegurar a ampliação de conhecimentos e experiências que expandam e garantam uma utilização do nosso sentido da visão e com ela um maior campo de conhecimento e estruturação cultural».84 Ao falar-se de uma educação visual não se está a pensar apenas no campo da arte, onde este tipo de educação se integra. De facto, «procuro que o entendimento seja mais abrangente e se pense a educação visual como estimuladora dos sentidos que possuímos e a partir dos quais recebemos muita da informação que nos vai estruturando».85 Porque depois surgem restrições como «o não conhecimento dos elementos que proporcionam essa educação e logo uma mais ampla fruição, impedem o sentido da visão de nos assegurar uma maior abertura para a compreensão do mundo que nos rodeia».86