3. Rammeområde 13 – Miljø
3.2 Komiteens merknader til de enkelte kapitler under rammeområde 13
3.2.2 Kap. 3595 Statens kartverk, arbeid med tinglysing og nasjonal geografisk
No momento da entrada para um CEF, os alunos, na sua maioria desmotivados e com elevadas taxas de insucesso escolar, têm consciência de que este tipo de curso lhes garante a conclusão do 9º ano de escolaridade e, simultaneamente, lhes confere uma certificação profissional, o que será importante para a entrada no mercado de trabalho. Como afirmou um dos ex-alunos, “O CEF dá certificação e dá-me uma carteira profissional e pode despertar na pessoa o gosto por aquela área e continuar a fazer formação” (entrevista a um dos ex-alunos, 2012). Como refere ainda um dos alunos da turma, “Nós temos mais oportunidades que no ensino geral, porque ficamos com o 9º ano e com um diploma. Podemos ir para o mundo do trabalho enquanto os outros ainda não” (reflexão conjunta, 2012).
. Na altura de escolher o curso de Serviço de Mesa, os alunos desta turma pensaram igualmente nas perspetivas futuras que o curso lhes poderia trazer, e portanto essa foi uma razão que “pesou” na sua decisão final, como se observa no quadro 9.
Porque escolheste o CEF que frequentas? Podes assinalar (x) mais do que uma razão.
Acho que a área da hotelaria me dá boas perspetivas futuras 13 Gosto da área da hotelaria 10 Interessava-me um curso prático 10 O CEF dá-me equivalência ao 9º ano em menos tempo 8 Frequentar um CEF é mais fácil que frequentar o ensino regular 5 Não havia mais nenhum outro curso que me interessasse 3 Outra razão (Qual?): Estar perto de casa; Mudar de escola 2 Pretendo ingressar rapidamente no mundo profissional 2
Quadro 9. Razões da escolha do curso
No sentido de uma melhor compreensão das motivações que movem os alunos aquando da escolha de um CEF, na sessão de reflexão conjunta refleti com eles sobre as suas expetativas e as suas perspetivas futuras. O primeiro pensamento dos alunos era realmente a conclusão do CEF e a entrada no mundo do trabalho. Não obstante, ao longo do primeiro ano verificou-se alguma mudança nas suas expetativas, ao tomarem consciência de que seria importante o prosseguimento de estudos na área:
D: Mas ó stora, ali diz rapidamente, e nós não queremos rapidamente, nós ainda queremos continuar mais 3 anos.
Prof.: Mas a ideia por exemplo, não era entrar no CEF, fazer o CEF e depois ir logo trabalhar? Não era esse o primeiro objectivo.
D: O primeiro objetivo era, mas agora não... Prof.: Ah, então houve alguma coisa que mudou?
C: Mas quem pôs estas 2 é porque não queria mais escola, e queria trabalhar e ganhar dinheiro.
Prof.: Certo, então vocês acham que um CEF não serve só para ir para o mundo do trabalho? Serve para outras coisas?
C: Serve para começar. D: Tirar o 9º ano por exemplo.
Prof.: E depois de tirares o 9º ano o que podes fazer?
A C: Posso ir para o profissional e aí ter mais perspectivas para o futuro.
Prof.: Ter mais perspectivas para o futuro, portanto acham que o CEF pode ter mais perspetivas para o futuro.
ST: É um começo.
(excerto da reflexão conjunta, 2012)
Nota-se que estes alunos se sentem de alguma forma motivados e valorizados, e isso incentiva-os a continuar e a desenvolver o seu proceso de aprendizagem.
O aluno-tipo de um CEF é um aluno que, pelo seu percurso um pouco atribulado no ensino regular, procura nos CEF uma segunda oportunidade de aquisição de conhecimentos e competências, mas sobretudo uma possibilidade de entrada no mercado de trabalho com uma certificação profissional. São alunos, segundo as palavras do diretor pedagógico, “com uma certa idade, já desajustada do ano em que deviam estar, portanto alunos com repetências e alunos com uma forte probabilidade ou de já estarem em situação de abandono ou virem a transformar-se em situações de abandono” (entrevista ao diretor pedagógico, 2012). São, portanto, alunos que buscam na escola, que outrora os excluiu, uma última oportunidade de crescimento social, intelectual e académico, e portanto as suas ambições passam, numa primeira fase, pela conclusão do 9º ano e consequente entrada rápida no mercado de trabalho, uma vez que se trata de alunos, na sua grande maioria, revoltados com a escola e cansados do seu sistema de ensino. Contudo, no decurso do CEF, os alunos vão tomando consciência de que podem ir mais longe numa vertente mais profissional e prática do ensino, e efetivamente podem especializar-se numa determinada área. A oferta formativa de cursos profissionalizantes e práticos veio proporcionar uma saída viável e qualificada para alunos que pretendam obter da escola uma segunda oportunidade, uma vez que se autoexcluíram dela e simultaneamente foram excluídos e afastados de um sistema educativo no qual não tinham lugar. Estes cursos permitem que os alunos repensem a sua condição educativa e se lancem em desafios que os tornarão cidadãos responsáveis e academicamente qualificados. Segundo o diretor pedagógico, é realmente importante apostar em cursos desta natureza, pois “temos alunos a prosseguir estudos, a ir para cursos profissionais, e isso é muito salutar porque vemos que afinal de contas a escola acabou por cumprir a sua missão e os alunos também acabaram por verificar que a escola afinal não era tão má como eles pensavam que era” (entrevista ao diretor pedagógico, 2012).
De facto, verificamos que as suas perspetivas futuras vão mudando à medida que se envolvem e participam no curso. Poderão, efetivamente, passar por uma entrada rápida e qualificada no mercado de trabalho, mas tenho tido a oportunidade de verificar que a grande maioria dos alunos acaba por prosseguir estudos num curso profissional quando termina o CEF. Destes 19 alunos, 9 prosseguiram estudos na mesma escola e decidiram frequentar um Curso Profissional de Restauração; 4 prosseguiram estudos noutra escola e 6 não prosseguiram estudos, ficando apenas com o 9º ano e a certificação profissional.