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K VALITATIV INNHOLDSANALYSE MED KVANTITATIVE INNSLAG

4. METODISK TILNÆRMING

4.2 K VALITATIV INNHOLDSANALYSE MED KVANTITATIVE INNSLAG

A minha história com a Pesquisa Narrativa foi de amor e ódio, a princípio. Quando estava iniciando minha primeira pesquisa, na Iniciação Científica, especificamente no 6°

período do curso de Letras, fui apresentada apressadamente a essa possibilidade inédita, desconhecida, de pesquisar. Eu tinha uma semana para elaborar e entregar o projeto para ser avaliado, então um estudo mais minucioso da narrativa seria feito posteriormente. Parecia tão fácil: viver a experiência, olhar para os textos e construir significados.

Mas eu, definitivamente, não estava pronta. A cultura de aprendizagem quadrada em que havia crescido tinha raízes profundas em mim. Interpretar os textos de campo (referidos ainda como os “dados”) me levava a uma concepção de leitura decodificadora ou em que se pretende identificar linearmente trechos literais que oferecessem respostas corretas.

Construir significados, como eu fazia com o joguinho de Lego em casa, não era tão simples. Peça após peça sobre peça, e um toque de criatividade, eu monto o que eu quiser. Se não gostar, disponho-as de forma diferente e obtenho um produto diferente. Tudo pode fazer sentido, depende da imaginação. Olhar para a experiência, por outro lado, recobrar os sentimentos do momento e dali apreender possíveis sentidos estava muito distante da forma como eu havia aprendido a ler e a estudar. Não bastava olhar para o material documentário e trabalhar com ele como se ele trouxesse suas verdades. Minha orientadora na época, a Profª. Dilma, me disse, para a minha tristeza: o seu trabalho é etnográfico. “Você não está construindo sentidos, você está categorizando”.

Foi decepcionante, porque os olhos dela brilhavam quando falava de pesquisa narrativa, e eu queria sentir o mesmo. Se viver a experiência de viver experiências e dar significado a elas era uma experiência tão gratificante, eu também queria experimentar. Inicialmente, foi difícil compreender o que pareceu tão óbvio, algum tempo mais tarde: nós construímos significados para o nosso cotidiano, e para as incontáveis histórias que vivemos desde que levantamos até o momento de nos deitarmos, o tempo inteiro.

Desta forma, a pesquisa narrativa é, sim, um caminho investigativo, mas caracteriza algo muito mais profundo e pessoal na constituição do pesquisador. Trata-se, sobretudo, de uma forma de ver o mundo e de uma filosofia de vida (CONNELLY; CLANDININ, 2000).

Em um episódio do desenho animado Os Simpsons, Lisa deseja aprender italiano com seu amigo Millhouse. Quando ele chega na casa de Lisa para dar a primeira aula, a garota o aguarda com livros e dicionários, ansiosa para a dura tarefa que a aguardava. Mas seu amigo, imediatamente, discorda do modo como ela esperava aprender a língua, e diz: “Italiano não se aprende... se vive”. Eles pegam suas bicicletas e saem para um passeio em um bairro italiano da cidade.

Primeiramente, comparo esta metáfora à minha experiência com estudos sobre Pesquisa Narrativa no Canadá, sob orientação da Profª. Drª. Jean Clandinin. Há anos venho

lendo e tentando entender o que é e como se faz Pesquisa Narrativa, e acho que estudar no Centro de Educação da Universidade de Alberta foi uma das experiências mais significativas para isso. Além de participar de uma disciplina sobre Pesquisa Narrativa junto com colegas de diversos cursos, pude observar o que é Pesquisa Narrativa como filosofia de vida. Escrevi o poema abaixo como parte do diálogo-escrito referente aos últimos artigos sobre Pesquisa Narrativa da disciplina:

Senti-me ouvida, no melhor e mais completo sentido do termo. Senti que tinha tempo para fazer no meu tempo.

Senti que tinha um espaço agradável e acolhedor em um contexto Universitário. Senti que as pessoas se importam.

Senti que o ambiente de estudo/trabalho pode ser divertido e pacífico, só depende da atitude de cada um.

Senti que poso fazer Pesquisa Narrativa e que isso exige tempo, dedicação e sensibilidade. Senti que estava entre amigos.

Senti-me imersa em uma sala de aula verdadeiramente Narrativa.

Não somente a disciplina de que participei propiciava momentos de compartilhar histórias, mas também os encontros semanais do grupo Research Issues (que tomo a liberdade de traduzir por Coisas de Pesquisa). Trata-se de um espaço aberto em que os participantes contam suas histórias sobre o que têm feito em suas pesquisas, ou mesmo em sua vida pessoal. Os demais ouvem, perguntam, opinam, discutem, sugerem, riem, choram.

O pessoal e o profissional, em Pesquisa Narrativa, não se separam. Somos mentes indissociavelmente ligadas a um corpo, como sugere Johnson (1987): agimos de acordo com as nossas crenças, de acordo com o nosso conhecimento, com os sentimentos.

Foi devido a essa justaposição que cheguei aos primeiros sentidos que compus para a experiência que vivi na escola: toda a minha história pessoal e acadêmica me levou por um caminho de interpretação que, após a experiência da qualificação, foi mudado. Como discutem Clandinin e Connelly (2000, p. 89), “The structures, seen and unseen, that do constrain our lives when noticed can always be imagined to be otherwise, to be more open, to

have alternate possibilities”11. Os membros da minha banca tinham vivido histórias diferentes e interpretaram a experiência de outra maneira. Seria possível analisar a experiência sob diversas perspectivas e construindo os sentidos mais diversos, assim como as histórias e experiências que cada um de nós vive são constantes e inumeráveis.

Hoje, alguns anos depois da tentativa inicial de fazer Pesquisa Narrativa, tenho uma ideia de como minha orientadora se sentia. Na Universidade de Alberta, tive a oportunidade de “crescer” um pouco mais tendo contato com uma vida de Pesquisa Narrativa. Continuo ouvindo colegas de outros Departamentos contando que eles fazem “ciência de verdade”, no laboratório, e como é doloroso e impessoal lidar com máquinas e experimentos.

Eu também faço ciência, mas é uma ciência do eu, que vive e se relaciona com o “nós”, e das histórias. Fazendo Pesquisa narrativa, eu não represento a imagem de Albert Einstein vestindo um jaleco branco, óculos com lentes fundo de garrafa e olhando no microscópio. Minha visão não é somente “micro”, mas uma micro-macro visão do eu, dos outros, das histórias e da sociedade. Meus olhos também brilham agora, como os da minha primeira orientadora, porque consigo entender que as pessoas não “representam papéis” de estudantes ou professores, mas de seres sociais que vivem histórias, que sentem, que são, sobretudo, homens, mulheres, crianças, pais, filhas, filhos, fãs de futebol.

Eu jamais vou gritar “Eureca!”, mas cautelosamente dizer “É possível...” a partir das minhas próprias histórias, experiências e sentimentos. Esta metodologia é muito significativa e importante para mim porque descobri que meus olhos não precisam somente agrupar os pontos de vista de autores, as exigências de determinada metodologia que requeira distância ou objetividade. Como pesquisadora Narrativa, minha visão é a mais ampla possível, e eu sou uma parte importante da história sendo estudada.