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K OEFFISIENTENE

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8. RESULTATER

8.7 K OEFFISIENTENE

O termo “findability” foi apresentado por Peter Morville em seu livro Ambient findability (2005). A sua tradução para a língua portuguesa não é consenso entre os autores. Em sua dissertação de mestrado, Landshoff (2011), por exemplo, adotou os termos “en- contrabilidade”, “formas de encontrar a informação” e “encontro da informação” para designar o estudo, embora tenha mantido no título do seu trabalho o termo original em inglês.

Miranda (2010), em sua tese de doutoramento, preferiu manter o termo original, considerando que “encontrabilidade” não parece viável, do ponto de vista estético. Neste livro, preferimos utilizar o termo em português, com vistas à sua sustentação e consolidação nas pesquisas desenvolvidas no Brasil.

Para Morville, encontrabilidade é:

a. A qualidade de ser localizável ou navegável.

b. O grau no qual um determinado objeto é facilmente descoberto ou localizado.

c. O grau no qual um sistema ou ambiente suporta a navegação e recuperação. (Morville, 2005, p.4, tradução nossa)

O autor enfatiza a importância do grau e da qualidade em que os recursos e ambientes informacionais são facilmente localizados e/ou descobertos pelos sujeitos informacionais. Não se trata ape- nas de qualidade de acesso e de uso da informação, ou mesmo de ambientes projetados com enfoque nas necessidades dos sujeitos. A sua perspectiva é mais ampla. Além de agregar esses objetivos, o autor considera que o contexto em que se inserem os sujeitos informacionais e suas características particulares interferem de modo substancial na possibilidade de encontrar a informação em determinado ambiente ou sistema de informação.

Some-se a isso a capacidade que os sistemas conferem aos sujei- tos informacionais de encontrar a informação de que necessitam, possibilitando o ápice do processo: o encontro da informação certa no momento certo e sem maiores esforços físicos e/ou cognitivos, considerando a quantidade exorbitante de páginas disponíveis na Web, em especial.

Na prática, a encontrabilidade é um dos maiores problemas no design da Web, tendo em vista os pensamentos e as ações di- vergentes da própria equipe que compõe o desenvolvimento de websites, como arquitetos da informação, designers, engenheiros e especialistas em marketing, tornando-se necessária a colaboração interfuncional (Morville, 2005).

Morville e Sullenger (2010) reforçam ainda que os web designers precisam reconhecer que os sujeitos informacionais possuem dife- rentes origens, percepções, comportamentos e habilidades, e co- nhecê-los deve ser o ponto de partida para o projeto, o que também temos defendido em nossas pesquisas (Vechiato; Vidotti, 2009).

No âmbito do sistema ou ambiente de informação, a encontra- bilidade da informação está diretamente relacionada à navegação e à busca (Morville; Sullenger, 2010). Em outras palavras, ela ocorre a partir da busca prévia de informação por meio da navegação ou de estratégias de pesquisa em um mecanismo de busca (search engine), as quais, em um primeiro momento, são realizadas via palavras- -chave. Estas, para Morville (2005), são a chave do sucesso nesse processo e estão sendo cada vez mais utilizadas pelos sujeitos infor-

macionais nos mecanismos de busca, como o Google, para encon- trar as páginas dispersas na rede, em comparação com a navegação iniciada pela home page ou mesmo com o recurso de pesquisa de um website específico.

Além disso, muitas vezes, o mecanismo de busca é a única forma de encontrar determinada informação em um website constituído por muitas páginas (Spagnolo et al., 2010), ou mesmo devido aos problemas de organização e navegação que os websites apresen- tam. É importante diferenciar busca de informação (information

seeking) de encontrabilidade da informação, visto que o ato de bus-

car/pesquisar não resultará necessariamente em encontrabilidade (Landshoff, 2011).

Além disso, é necessário considerar a descoberta acidental de in- formação, visto que os sujeitos podem encontrar algo de modo não proposital, sem estarem necessariamente buscando-o no momento da navegação ou da pesquisa, o que faz mudar seu comportamento. Verificaremos, ao longo deste capítulo, que essas situações estão relacionadas ao comportamento informacional (information

behaviour), às competências, à literacia informacional (informa-

tion literacy), à intencionalidade (experiências e competências) e

à apropriação da informação (intimamente relacionada à encon- trabilidade da informação). Ou seja, após encontrar a informação adequada às suas necessidades, o sujeito poderá apropriar-se dela. Portanto, a encontrabilidade da informação é importante elemento para a apropriação da informação.

Ainda no que diz respeito à busca, especialmente nas bibliotecas e nos arquivos digitais, a dependência da pesquisa se faz presente e adequada, ou seja, a recuperação da informação via mecanismo de busca é a principal experiência do sujeito (ou user experience) nesses contextos.

Todavia, em algumas aplicações web, a pesquisa pode não ser suficiente e torna-se necessário investir na navegação, considerando o entendimento do conteúdo pelo sujeito informacional quando não procura um item específico. Por meio da navegação, é possível su- gerir caminhos e pistas (affordances) aos sujeitos, para que possam

explorar conteúdos que não sabem que existem (Spagnolo et al., 2010), o que pode propiciar a descoberta acidental da informação.

A expressão “ambient findability”, título do livro de Morville (2005), alia a internet e a computação ubíqua. Caracteriza um mundo em que é possível encontrar alguém ou alguma coisa em qualquer lugar e a qualquer momento. A informação está “nas nuvens”, e isto modifica as nossas mentes fisicamente. E é nesse ambiente que tes- tamos nossa capacidade de selecionar as fontes pertinentes que satis- façam as nossas necessidades (Morville; 2005; Morville; Sullenger, 2010). Os dispositivos móveis estão sendo cada vez mais usados nesse contexto, por propiciarem a integração e convergência tecnológica (Morville, 2005).

Entendemos então que a definição de encontrabilidade da in- formação, além da navegação e da busca em sistemas e ambientes, bem como dos aspectos que delineiam as características dos sujeitos informacionais, alia também mobilidade, convergência e ubiqui- dade, provenientes do desenvolvimento tecnológico, considerando as ações humanas para a busca do conhecimento em determinado ambiente que possui características analógicas e digitais.

Essas características corroboram as propriedades do NET de Sáez Vacas, o que permite ampliar a visão de encontrabilidade da informação, que não ocorre apenas na Web, mas em um conjunto de tecnologias que constituem a Rede Universal Digital (RUD) em ambientes analógico-digitais (ou híbridos), sendo espaço de convi- vência de homens e máquinas. Isso também remete à pragmática, já discutida, visto que Morville, ao preocupar-se com o contexto de busca para que ocorra a encontrabilidade da informação, permite inferir a respeito da ação do uso da linguagem humana.

No âmbito da Ciência da Informação, destacamos o estudo da pesquisadora brasileira Májory Miranda (2010), que abordou a Teoria da Intencionalidade aplicada à encontrabilidade. Seus es- tudos nos fornecem um ponto de partida para a discussão da en- contrabilidade da informação como elemento mediador, na qual traçamos nossas reflexões a respeito da interação com o conceito de mediação infocomunicacional.

O termo “Intencionalidade”, grafado com letra maiúscula, de- signa um direcionamento, e não um propósito ou objetivo, pois seu conceito fenomênico aplica-se à teoria do conhecimento, e não à teoria da ação humana, segundo Miranda:

A Intencionalidade, segundo Sokolowski (2004),1 é a doutrina nuclear da fenomenologia; ela explica que cada ato de consciência que nós realizamos, cada ato de consciência que nós temos como algo intencional, é consciência de ou experiência de algo ou outrem. (Miranda, 2010, p.155)

A autora entende que a noção de experiência do usuário (ou su- jeito informacional) está presente no fenômeno infocomunicacional por meio desse termo, visto que a Intencionalidade do sujeito é carregada de experiências, necessidades e competências (tanto as informacionais quanto as tecnológicas), entendimento, cognição e satisfação, fornecendo, inclusive, subsídios para a estruturação de sistemas e ambientes informacionais.

Um exemplo disso, segundo a autora, é a folksonomia, que per- mite aos sujeitos informacionais expressar a sua Intencionalidade por meio da atribuição de tags aos recursos informacionais, além da produção da informação bottom-up. Destarte, essa perspectiva caracteriza-se como sociotécnica, permeada por duas variáveis,

uma centrada na organização e representação da informação, com a findability, e outra no comportamento informacional, com a Intencionalidade. Essas duas variáveis não se dissociam e formam a hipótese de que deve haver uma conjugação entre elas para resolver o problema, ou pelo menos se aproximar de uma solução compatí- vel. (Miranda, 2010, p.301)

Todavia, a autora entende que a Intencionalidade também é importante para o campo da Organização e Representação da In-

formação na Ciência da Informação, ao ser utilizada para o enten- dimento do significado e da relevância da informação, sempre com ênfase no comportamento informacional dos sujeitos.

Com a Intencionalidade, podemos compreender que o sujeito informacional tem importante papel inclusive no desenvolvimento tecnológico. A colaboração dos sujeitos é fundamental para a evolu- ção da Web, pois, aliada às tecnologias da Web de Dados, vem con- tribuindo sobremaneira para que novas perspectivas sejam traçadas para ela, delineando uma Web Pragmática emergente. Além disso, com a grande quantidade de recursos, serviços e ambientes infor- macionais digitais disponíveis, são os sujeitos que estabelecem seus critérios de avaliação dessas fontes, pois têm suas experiências, seus conhecimento e suas habilidades como respaldo. Para Miranda:

A intencionalidade de informação para a findability significa

direcionalidade de informação e se funda na experiência de cada

sujeito (user experience para controle na produção, organização e partilha de informação); a informação que é produzida é sempre

acerca de e dirigida a, isto é, um sujeito, com a sua experiência,

cria informação acerca de e dirigida a para atingir seus objetivos. E é nesse sentido, da capacidade da experiência do usuário, da cons- ciência intencional, que se baseia a Web da inovação, do paradigma atual. (Miranda, 2010, p.273, grifos da autora)

A autora propõe o modelo semântico para estruturar informação (MSEI), em que defende que a participação dos sujeitos informa- cionais na estruturação da informação viabiliza a encontrabilidade em sistemas de recuperação da informação (SRIS), contribuindo para a acessibilidade a ela.

Nessa perspectiva, Morville (2005) alia o conceito de encontra- bilidade em particular às ações de navegação e busca que a impul- sionam. Entendemos que, para que possa se efetivar, é necessário que o conceito abarque as características relacionadas aos sistemas e sujeitos. Portanto, do nosso ponto de vista, a Intencionalidade torna-se elemento fundamental para que todo o sistema e ambiente

informacional seja projetado com enfoque nas experiências e habi- lidades dos sujeitos informacionais.

O conceito de mediação infocomunicacional, nesse sentido, pode contribuir para o entendimento da Intencionalidade tam- bém sob a ótica da organização e da representação da informa- ção, visto que abarca todos os processos informacionais e todos os atores envolvidos, como os sujeitos institucionais (profissionais informáticos e profissionais da informação) e os próprios sujeitos informacionais.

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