5. HVA PÅVIRKER BOLIGPRISENE?
5.3 B OLIGPRISMODELLER
Embora a Web de Dados venha desenvolvendo tecnologias so- fisticadas, que contribuem para a representação e para a organi- zação da informação no ciberespaço, certamente não conseguirá abarcar todo o conteúdo da Web, visto que haverá dificuldades para representar a enorme quantidade de recursos disponíveis por meio do RDF, por exemplo, assim como demandará muito esforço e tempo para a criação de ontologias com informação padronizada, com vistas a tornar processável a informação já disponível. Essa perspectiva é corroborada por Andrade (2012) e por Schoop, Moor e Dietz (2006) em seu manifesto para a Web Pragmática.
Liang, Rong e Liu (2007) explicam ainda que os agentes habilita- dos para a busca semântica serão capazes de coletar dados legíveis para máquina a partir de fontes diversas e processá-los para obter o melhor resultado da pesquisa. No entanto, isso será possível apenas quan- do uma massa crítica de informação semântica estiver disponível. Nessa perspectiva, os dados gerados a partir da colaboração dos sujeitos informacionais tornam-se importantes para a estruturação da informação da Web. A colaboração auxilia na sustentação e no avanço das tecnologias desenvolvidas.
Emerge, nesse sentido, a Web Pragmática, com influência da Web Social, que permite adicionar contexto às informações, de acordo com o uso social da linguagem, considerando, portanto, as características e o comportamento dos sujeitos informacionais (An- drade, 2012; Koo, 2011).
Além disso, a auto-organização das comunidades de prática propicia e auxilia na construção de ontologias, não estáticas como na Web Semântica, mas dinâmicas, na perspectiva da Web Prag- mática. Em suma, o enfoque tecnológico atribuído à Web Semânti- ca é substituído pela visão híbrida composta pelos humanos e pelas máquinas, permitindo que a Web Pragmática se constitua, efetiva- mente, como uma Web Colaborativa (Pohjola, 2010).
Luciana Gracioso e Gustavo Saldanha, no livro Ciência da In-
formação e filosofia da linguagem: da pragmática informacional à
Web Pragmática, abordam o pragmatismo no âmbito da Filosofia e da Ciência da Informação, trazendo contribuições significativas para esse campo científico e para as perspectivas de formação de uma Web Pragmática. Para os autores:
O pragmatismo indica tanto um método científico quanto uma filosofia da ciência voltados para o esclarecimento de problemas do pensamento a partir da análise dos usos aos quais os discursos são submetidos na realidade específica em que são pronunciados – trata-se de reconhecer o discurso em sua apresentação, não em sua representação. Como método, o pragmatismo fundamental- mente volta-se para a compreensão do significado das palavras no contexto de atuação destas. Como filosofia, preocupa-se com a
relação entre conhecimento e comunidades que constroem social e culturalmente suas ferramentas e possibilidades de apreensão do mundo. E, em resumo, como ponto de vista, relaciona-se com o conjunto de abordagens voltadas para a compreensão do homem pela sua construção coletiva das possibilidades do conhecer, a par- tir dos usos da linguagem. (Gracioso; Saldanha, 2011, p.44) Ao considerarmos a Ciência da Informação como dimensão contextual dos estudos do pragmatismo em diversas vertentes, compreendemos os aspectos mediadores que evidenciam o estudo dos signos, como poderemos verificar nas perspectivas de pesquisa apresentadas no próximo capítulo, visto que “investiga as formas de comunicação no cotidiano dos indivíduos em suas comunidades específicas, comungando da multiplicidade de jogos de linguagem15 que permitem suas trocas simbólicas” (Gracioso; Saldanha, 2011, p.44). Considera também as possibilidades de usar a realidade não em uma relação representacionista, mas a partir da compreensão da cultura intrínseca a ela.
Jacob e Albrechtsen (1999),16 (apud Gracioso; Saldanha, 2011) apontam as cinco lições do pragmatismo: o antifundamentalismo, o
fallibism (ou a “faculdade da falha”), a natureza social da comunida- de, a contingência e o pluralismo. Especificamente no que se refere à natureza social da comunidade, Gracioso e Saldanha explicam:
Uma vez imersos em universos fragmentados, com suas expe- riências peculiares de identificação e reivindicação, os indivíduos devem ser estudados a partir de suas práticas sociais compartilha-
15 “Wittgenstein, nos primeiros parágrafos das Investigações filosóficas, ’define‘ um jogo de linguagem (SPRACHSPIEL) como uma combinação de palavras, atos, atitudes e formas de comportamento, isto é, compreendendo o processo de uso da linguagem em sua totalidade” (Gracioso; Saldanha, 2011).
16 JACOB, E. K.; ALBRECHTSEN, H. When essence becomes function: post- -structuralist implications for an ecological theory of organisational classifica- tion systems. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON RESEARCH IN INFORMATION NEEDS, SEEKING AND USE IN DIFFERENT CONTEXTS, 1999. Proceedings... London: Taylor Grahan, 1999.
das. Isto que dizer, o pragmatismo volta-se para a socialidade das comunidades que se desenvolvem nos interditos do cotidiano, e enxerga que, para superar o relativismo da contingência em suas investigações, deve ir ao encontro de tais comunidades. É ali, no estudo das relações sociais e suas formas de interpretação, que o pragmatismo acredita ser possível compreender os estratos míni- mos de uma tradição. Para isso, a linguagem, ou seja, a tessitura cultural do conhecimento, é objeto fundamental de análise. (Gra- cioso; Saldanha, 2011, p.53)
No âmbito da Web,esses autores entendem a importância da Ciência da Informação de atentar ao comportamento linguístico dos leitores no momento da busca de informação (information see-
king), bem como na classificação social ou representação colabora-
tiva dos recursos informacionais (folksonomia). Destarte, vão além da utilização dos dados obtidos via colaboração, os quais já estão disponíveis na rede. Quanto à importância de um direcionamento e evolução desses estudos na Ciência da Informação, os autores entendem que
a CI, em sua tradição pragmática, não é uma ciência pura da repre- sentação. É também uma ciência sem informação: uma ciência da transmissão, das narrativas, dos jogos de linguagem, dos processos sociais. Neste sentido, a Web se apresenta, como demonstrado, como um amplo e ainda inexplorável território de investigação da pragmática. (Gracioso; Saldanha, 2011, p.126-7)
Na perspectiva da Ciência da Computação, a pragmática, como parte da semiótica, está relacionada ao uso de signos, proposital- mente, com as relações entre signos e comportamentos dos agentes de software. As três principais características que permeiam essa abordagem são a comunicação/negociação (negotiation), o contexto e o propósito. A comunicação/negociação é vital para o comparti- lhamento de informação e conhecimento; o contexto onde ocorre a comunicação é importante para os efeitos pragmáticos, porque
os diferentes comportamentos podem gerar diferentes resultados em diferentes contextos; e o propósito, que pode ser explícito ou não, é a intenção do “falante” no processo de comunicação (Liang; Rong; Liu, 2007).
A perspectiva desses autores parece atrelada à de Pietarinen (2003), ao propor a Web Semiótica. O autor, que se baseia na teoria semiótica de Peirce, entende que sua proposta já não possui o fraco conceito da Web Semântica e que operacionaliza a Web Pragmática por meio dos agentes de software. Entende que essas perspectivas precisam ser consideradas pelos desenvolvedores com vistas a sub- sidiar e potencializar as relações do processo infocomunicacional na Web.
Neste capítulo, apresentamos os aspectos sociotécnicos que permeiam o ciberespaço, evidenciados por meio das propriedades do NET, e a evolução tecnológica da Web, bem como os aspectos da linguagem que norteiam essa evolução, de acordo com os autores mencionados. É certo que assistiremos a mais eventos que caracte- rizarão esse desenvolvimento, não apenas em relação à Web, mas ao NET, conforme preconizado por Sáez Vacas, em que se consolidam os ambientes informacionais híbridos, visto que as informações não estão mais sendo acessadas apenas via Web, mas também por meio de diversos dispositivos digitais que convivem com a informação disponibilizada em ambientes físicos.
Diante das possibilidades tecnológicas, caberá à Ciência da Infor- mação, além da investigação das tecnologias junto aos informáticos, promover estudos que enfatizem a mediação infocomunicacional no ciberespaço, com vistas à potencialização dos comportamentos e habilidades informacionais dos sujeitos. O conceito de encontrabi- lidade da informação, associado aos de Arquitetura da Informação e pragmática, torna-se um caminho profícuo, pois visa a preocupação com o acesso à informação certa, no momento certo, a partir da estruturação dos ambientes informacionais, considerando as carac- terísticas dos sujeitos que navegam no ciberespaço.