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3. Kontekst

3.3 Juridisk rammeverk

A entrevista enquanto técnica de geração de dados já faz parte do método etnográfico que adotamos na investigação do contexto natalense, por isso, é importante explicar o lugar que a entrevista ocupa na referida investigação.

No contexto da cidade de Natal, mas especificamente na comunidade-alvo: Profº. Escola Francisco Ivo Cavalcanti, faremos a observação participante nos termos que descrevemos acima, no sentido de participar de alguns encontros do curso de formação, mas também nos deteremos em captar os discursos através da entrevista intensiva, durante o processo de formação (no habitat natural), bem como a recolha de documentos escritos e digitais mobilizados pelo curso. Nesse caso, a entrevista, caracterizada comoo diálogo entre entrevistador e entrevistado, é uma técnica de geração de dados que juntamente com os documentos do curso de formação nos dará subsídios para a leitura discursiva que propomos. Fazendo assim, afirmamos que analisamos o contexto selecionado a partir dos discursos que emergem na fala dos formadores e cursistas e não a partir da estrutura do curso. Apesar dessas estruturas serem descritas através da observação participante, contendo descrições de todos os encontros do curso, além dos documentos que fundamentam a realização do processo formativo e o projeto da Rádio Escolar da escola em análise.

Como queremos empreender um olhar compreensivo e discursivo sobre a prática educomunicativa faremos uso da entrevista semiestruturada na comunidade educativa para a obtenção dos discursos, remetendo às condições em que forem realizadas. A nossa escolha pela entrevista semiestruturada fundamenta-se no argumento de que esse tipo de entrevista permite certo equilíbrio nos papéis de entrevistador e entrevistado, pois de acordo com Trivinos (2007, p.152), “a entrevista semi-estruturada mantém a presença consciente e atuante do pesquisador e, ao mesmo tempo, permite a relevância na situação do ator”. Acreditamos que tal escolha nos ajuda a obter as respostas às questões de pesquisa, deixando o entrevistado livre para emitir seus discursos. Assim, recorrendo a uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde, a entrevista do tipo semiestruturada também aborda o tema investigado de maneira ampla, apresentando cada pergunta da forma mais aberta possível. Nesse caso, conjugamos a flexibilidade das perguntas com um roteiro-guia que orienta as principais questões em torno do problema pesquisado. Apoiamos-nos na entrevista sem controle rígido do entrevistador, o que nos permite uma comunicação mais livre com os entrevistados, bem

como, empreender possíveis acertos diante de situações inesperadas. Mas, como ressalta Zago (2003), a margem de liberdade necessária à produção do discurso não corresponde a uma condução totalmente livre da entrevista. O autor complementa:

[...] a flexibilidade faz parte da lógica do método qualitativo e da entrevista compreensiva, mas é importante demonstrar, na sua condução, aonde o pesquisador quer chegar. Daí a importância de termos um ponto de partida e garantirmos essa condição mediante roteiros de questões. Em minhas pesquisas organizo temas e, dentro destes, questões mais específicas. Esse processo auxilia na definição da problemática, ajuda a hierarquizar assuntos ou temas, separando o que é central do que é periférico na investigação. (ZAGO, 2003, p. 303).

A entrevista semiestruturada possui certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa, mas também oferecendo novos horizontes de interrogativas, dependendo de novas hipóteses surgidas a partir das respostas dadas pelo informante. Assim sendo, a lista de questões desse modelo tem origem no problema de pesquisa e busca tratar da amplitude do tema, apresentando cada pergunta da forma mais aberta possível. Tal entrevista conjuga a flexibilidade da questão não estruturada com um roteiro de controle. As questões, sua ordem, profundidade, forma de apresenta- ção, dependem do entrevistador e das especificidades da investigação.

O roteiro com questões-chaves permite criar uma estrutura para comparação de respostas e articulação de resultados, auxiliando na sistematização das informações fornecidas por diferentes informantes. Tal estratégia mantém a naturalidade e as vantagens da entrevista semiestruturada e evita que alguma questão relevante não seja abordada. Esse é um procedimento indispensável no tocante a nossa pesquisa que, por sua vez, trabalha com discursos de diferentes sujeitos em contextos distintos.

Conforme Duarte (2005), a validade e confiabilidade no uso da técnica de entrevista dizem respeito, particularmente, a três questões:

a) Seleção de informantes capazes de responder à questão de pesquisa; b) Uso de procedimentos que garantam a obtenção de respostas confiáveis; c) Descrição dos resultados que articule consistentemente as informações

No que se refere à escolha dos informantes, e sabendo que a nossa pesquisa é de natureza qualitativa, ressaltamos que os entrevistados não serão escolhidos por amostragem, enquanto uma representatividade estatística de determinado universo. De outro modo, a escolha dos entrevistados deve ser orientada pela significação e capacidade que os sujeitos têm de dar informações confiáveis e relevantes sobre o tema de pesquisa. Portanto, os critérios de seleção na nossa pesquisa têm a ver com a diversidade dos sujeitos falantes, ou seja, entrevistaremos professores que ministram disciplinas diferentes e/ou trabalham em séries diferentes, bem como alunos matriculados em séries distintas.

Quanto ao instrumental, utilizaremos o gravador de áudio e o questionário com questões abertas como instrumentos. Garantiremos o anonimato e o sigilo do informante, além de procedermos a uma triangulação dos dados obtidos, relacionando os discursos das entrevistas com aqueles contidos nos documentos escritos. Agindo assim, poderemos evitar ambiguidades, realçar as regularidades e apontar as diferenças. Para Ludke e André (1986) a análise documental é muito útil quando se pretende ratificar e validar as informações obtidas através da entrevista, do questionário ou da observação. Isso porque os documentos escritos ou digitais constituem uma fonte poderosa de onde podem ser retiradas evidências que fundamentem afirmações ou declarações do pesquisador, além de se constituírem como fonte ‘natural’ de informação que carrega em si traços do contexto em que foi criado.

Em relação à descrição dos resultados que articule consistentemente as informações obtidas com o conhecimento teórico disponível, faremos no decorrer do capítulo de análise um trabalho descritivo-interpretativo que relaciona os dados coletados em campo com os preceitos teóricos que sustentam a nossa pesquisa, a saber: Educomunicação, Dialogismo e Análise do Discurso.

Entendemos, pois, a entrevista como um evento discursivo contextualizado, ou seja, são falas situadas, cujo sentido dos dizeres dependem das condições sociais, históricas e situacionais. Nesse caso, a entrevista propõe um jogo interativo em que o entrevistador busca saber algo, e o entrevistado é aquele que detém as respostas. Forma- se, portanto, uma arena de significados que, conforme Silveira (2002), para preencher as lacunas das perguntas feitas pelo entrevistador, o entrevistado tenta se reinventar como personagem cujo autor coletivo passa a ser as experiências culturais, cotidianas, os discursos que atravessam e ressoam em suas falas. Já o outro personagem (pesquisador- analista) tem a função de reviver as vozes dos entrevistados, relendo os discursos,

reconstruindo-os a partir dos sentidos que sugerem. Portanto, a entrevista enquanto técnica de geração é capaz de oportunizar uma extensa rede de significados, contribuindo para a elaboração, nesta tese, de uma paisagem discursiva em torno da prática educomunicativa e da sua significância para os membros da comunidade escolar.